Caminho da fama.
3 Grande dia, longa madrugada
Dave ficou paralisado naquele momento. Não sabia o que fazer, não poderia mostrar para Diego que achou, e leu o papel que estava de baixo de sua cama.
- é-é-é, — gaguejou ele – uma carta pra minha namorada, porque Bruno? Algum problema? – continuou ele com uma cara muito séria.
- Não! – disse Bruno – só achei que se fosse mesmo, você não ficaria desse jeito pra me responder.
- Tá bom gente – interrompeu Dash – se for uma carta pra namorada dele, qual é o problema? – disse Dash que percebeu que não era uma carta pra namorada – vamos deixar ele cuidar da vida dele ué.
Dave olhou para o amigo como se quisesse dizer “Obrigado”. Dave ficou pensando no que tinha lido naquele papel o caminho inteiro. Ficou na janela vendo a paisagem, enquanto sua mente estava em outro lugar, sua mente estava no lugar onde Dh, e sua ex-namorada brigavam aonde tudo aconteceu. Dave observava como ela chorava quando Diego falava, e o quanto era difícil pra Diego falar tudo aquilo. Por mais incrível que pareça Diego sofreu muito mais que a menina, sofreu tanto, que fez tudo o que tinha escrito no papel. Quando chegaram ao aeroporto, em menos de 15 minutos, Dave já não aguentava mais, e queria muito contar para Diego que havia achado o papel, e contar para ele tudo que estava pensando, tudo o que estava sentindo naquele momento. Dave já estava na frente de Diego, abriu a boca para dizer as primeiras palavras, mas uma voz o interrompeu.
- Graças a deus – disse seu empresário – Chegaremos lá em 30 minutos, e vocês tem mais 10 minutos até chegarem ao lugar do Show, dará 50 minutos mais ou menos.
- Oi, está tudo bem com a gente – disse Dan cumprimentando o empresário, e falando com uma voz muito irônica – obrigado por se importar sabe!
Os amigos riram, inclusive o empresário. Eles entraram no avião, e mais uma vez, Dave estava perdido em seus pensamentos. Em alguns momentos agradecia ao empresário por ter o interrompido, mas em outros estava gritando de raiva por dentro. Mas sabia que se falasse com o amigo, poderia o deixar desconcentrado para o show. Então resolveu que deixaria esse assunto para mais tarde, talvez depois do show.
Os amigos já estavam no camarim, só faltavam 5 minutos para começar o show. Estavam todos muito ansiosos. Diego estava aquecendo sua voz, Bruno estava pulando, Dave estava fingindo estar batendo em sua bateria, Dash estava tocando o teclado, e Dan estava afinando sua guitarra novamente. Quando ouviram:
- Com vocês – disse o apresentador do show – BANDA CINE!
A galera começou a gritar, estavam todos a espera da banda cine. Quando os meninos entraram no palco, a gritaria aumentou. Eles como sempre, se apresentaram antes de começarem a tocar as músicas. As fãs jogavam bonequinhos personalizados escrito “Banda cine, a gente ama vocês” ou até um ursinho de pelúcia escrito “Me segue no twitter, eu amo vocês”. Variava, e é claro, eles sempre aceitaram, e levavam tudo na brincadeira. Eles começaram o show com um clássico “Garota Radical”, todos se empolgaram e cantaram junto. Depois de uma hora, encerraram o show com a música “As cores”. Eles foram para o camarim receberem as fãs. Passaram-se uma hora até que todas elas fossem em bora. Eles receberam muitos presentes, cartinhas, muitos beijos e fotos das fãs.
Eles tinham que voltar para casa em São Paulo no mesmo dia. Estavam todos cansados, já se passava da meia noite, por isso estavam todos dormindo. Quando chegaram a São Paulo, cada um foi para sua devidas casas. O ultimo a se despedir foi Dave, que falou bem baixo no ouvido de Diego.
- Amanhã preciso falar com você – essas palavras saíram meio mortas da boca de Dave, mesmo depois de um show tão alegre, ele falou isso com uma voz triste. – E digamos que, não seja uma conversa tranquila.
Essas palavras fizeram com que Diego ficasse preocupado com o amigo. Logo pensou que o assunto que Dave queria compartilhar fosse sobre aquele papel que Dave havia guardado na mala. Diego ficou parado em frente a porta de sua casa, como se estivesse paralisado. Logo ele entrou, trancou a porta, e em passos leves caminhou até seu quarto, fazendo o mínimo de barulho possível. Ele entrou em seu quarto e também trancou a porta, mas abriu as janelas, pois estava quase ficando sem ar. Abaixou-se para ver se o papel que Diego escondeu ainda estava lá. Ele ficou desesperado, não sabia mais o que fazer, estava ficando sem ar, por mais que Dave fosse seu amigo, Diego achava que ainda não estava na hora de contar para o amigo, pois era um assunto muito delicado para se tratar. Diego não estava conseguindo respirar muito bem, ele estava muito desesperado com aquela situação. Foi em direção à janela tomar um ar, para ver se conseguia respirar melhor. Não adiantou, Diego ficou totalmente sem ar, e desmaiou no meio do chão de seu quarto. A noite foi ficando cada vez mais fria, e Diego estava caído no chão desmaiado, com roupas de calor.
Duas horas depois Diego acordou, não estava sentindo seu corpo, por isso não conseguia se mexer. Ele estava com muito frio, mas não conseguia pegar um casaco, e nem puxar o cobertor de sua cama. Só conseguiu pegar seu celular, que estava caído perto de sua mão. Mas Diego não sabia para quem ligar. Então ligou para Dave, que já estava dormindo, afinal eram três horas da manhã.
- Alô – atendeu Dave com uma voz morta.
- Dave – falou Diego desesperado – vem pra cá agora, por favor.
- Ah, sem essa cara – respondeu Dave como se não tivesse acreditando no que acabou de ouvir – tchau!
- ESPERA! – gritou Diego, que fez com que o amigo se assustasse e continuasse na linha. – É urgente, eu preciso de você aqui, agora!
- Pra que porra? – perguntou ele irritado
- Dave – disse Diego com uma voz irônica calma – se você é meu amigo, você precisa vir aqui, não dá para explicar por telefone, vem logo.
Assim, Diego desligou o telefone nem esperando o amigo responder. Que fez com que Dave ficasse preocupado com o amigo, e atendesse ao pedido dele. Dave levantou correndo, e nem tirou seu pijama, pegou seu carro, e foi dirigindo até a casa de Diego, que não era muito longe dali.
Dave tinha a chave da casa do amigo. Entrou na casa chamando seu nome, nesse momento Diego já não conseguia nem falar. Dave começou a ficar mais preocupado, e foi em direção ao quarto do rapaz. Viu que a porta estava trancada. Dave tentou arrombar a porta, mas não conseguiu. Essa situação fez com que Dave ficasse cada vez mais preocupado e gritasse do lado de fora do quarto de Diego:
- Ei cara, — gritou Dave com uma voz muito preocupada – você está ai?
Como Diego não conseguia falar, apenas fez um barulho, que fez com que o amigo entendesse que ele estava ali. Dave foi até a cozinha, pegou uma faca bem grande, para ver se conseguia quebrar a maçaneta da porta. Conseguiu, e quando viu o amigo ali jogado no chão, ficou mais desesperado do que ele. Pegou o amigo nos braços, e o deixou na cama.
- O que aconteceu? – perguntou Dave quase tendo um enfarte ali mesmo.
Mas Diego não conseguia responder, isso fez com que Dave não soubesse mais o que fazer. – Só faz um gesto com a cabeça – orientou Dave — Isso tudo tem a ver com o papel?
Diego ficou meio sem graça de responder, seus olhos já estavam ficando vermelhos, e sua garganta doía muito. Ele apenas mexeu a cabeça afirmando a pergunta do rapaz. Dave colocou a mão na testa, — vou te levar para um hospital – disse ele.
Quando Dave tocou em Diego, viu que o amigo estava muito gelado, pra alguém que estava vivo. – Meu deus, você está muito gelado – disse Dave arregalando os olhos. E o pegando em seus braços o mais rápido possível. Dave o levou para o carro, junto a umas cobertas. Diego estava no banco de trás do carro do amigo, estava deitado com umas cobertas por cima, o aquecendo. Lágrimas escorriam no rosto de Diego, por não saber o que poderia acontecer com ele. Nem ele mesmo sabia o porquê havia desmaiado. Mas sabia que naquele momento isso não importava mais. Dave entrou no carro, começou a dirigir, com muita pressa. Dave estava com os olhos vermelhos, pois havia acabado de acordar, e Diego também, mas era por outro motivo. Diego chorava em silencio, por isso o amigo não percebeu o que estava acontecendo naquele momento!
Depois de chegarem do hospital, e Diego já ser medicado, Dave foi falar com ele, que estava deitado em uma das camas.
- Você pode me contar o que aconteceu? – perguntou Dave, com uma voz calma, para não intimidar o amigo.
- Sim – respondeu Diego, que agora já não tinha dificuldades para falar – Eu vi que o papel não estava mais em baixo na minha cama. Ai eu fiquei desesperado, fiquei sem ar sabe – continuou Diego, com uma voz mais calma do que antes – Só me lembro que eu cai no chão, e não conseguia ver mais nada.
- E isso tudo por causa do papel? – perguntou Dave com uma voz indignada com o que tinha acabado de ouvir.
- Sim cara – falou Diego com um tom alterado de voz – Agora você vai ficar colocando a culpa em mim porra? – continuou ele que estava com muita raiva – Só sei que eu cai, e pronto.
- Calma Diego – disse Dave tentando acalmar o amigo – Tá, eu sei que a culpa não é sua, mas eu só fiquei indignado, só isso.
- Tá – disse Diego, que não queria mais prolongar aquela conversa. – Isso já está ficando cansativo.
- É eu sei – disse Dave concordando com o amigo – A médica disse que você vai ter que passar a noite, ou melhor, a madrugada aqui para ser medicado. – Disse Dave tentando acalmar o amigo que estava nervoso. – A tarde você já poderá voltar para casa, mas...
- Mas o que? – perguntou Diego, que não gostou muito de ouvir que havia um “mas”.
- Você está doente – disse Dave – e vai ter que tomar os remédios que a médica te passar.
Diego começou a rir da cara do amigo – Tá pensando que eu sou criança Dave? – disse o Diego tirando sarro da cara do amigo – Eu vou tomar remédio tá? Não precisa falar desse jeito.
Os dois riram da situação. Dave preferiu passar a madrugada ali com o amigo, até que ele pudesse ir em bora. Diego pegou no sono fácil, mas Dave ficou parado, sentando na cadeira pensando em como seria a reação do amigo quando ouvisse o que ele tinha para lhe contar. Dave ficou ali observando o amigo dormir. Dave não tinha o menor sono, queria apenas ficar pensando em tudo o que poderia acontecer depois da conversa que teria com o amigo. Parou de pensar em tudo isso quando uma voz vinda do fundo do quarto do amigo o interrompeu.
- Você vai ficar aqui? – perguntou a enfermeira, olhando para Dave como se o desejasse.
- Vo-vou sim – gaguejou Dave por causa do olhar dela pra ele.
- Tá bom – disse ela olhando o rapaz de cima a baixo, e sorrindo. Fechou a porta.
Dave falou baixo, só para ele mesmo ouvir – Essas médicas, estão cada vez mais doidas – e riu baixo. Continuou olhando para o amigo até cair no sono. Quando acordou já era meio dia. Coçou os olhos, passou as mãos no cabelo e olhou para o lado, o amigo já estava acordado, e estava olhando para ele.
- Bom dia – disse Diego – Já vi que tá com sono né.
- Bom dia – respondeu Dave rindo – é ainda estou com sono.
Minutos depois a médica que “gostou” do Dave entrou no quarto, e piscou para ele, que fez que Diego risse e olhasse para o amigo. Dave ficou meio sem graça, e fingiu que não viu a médica ali.
- Você já pode sair – disse ela com um tom muito amável – é só passar na recepção e pegar o seu remédio.
- Tudo bem – disse Dave, olhando para Diego e tentando evitar contato visual com a médica. – Suas roupas estão aqui Di.
- Tá bom – disse ele levantando-se da cama – vou ir ali ao banheiro me trocar sabe – disse ele piscando para Dave, e olhando para médica.
- Ah, para Diego – disse Dave, entendendo o que o amigo quis dizer com aquilo.
- Já volto – disse ele quase cantando essas palavras.
- Te espero na recepção então – disse ele tentando evitar ficar no mesmo local que a médica.
Quando Diego acabou de se trocar, ele passou na recepção onde viu o amigo, os dois pegaram os remédios, e foram a caminho do carro. Quando os dois já estavam dentro do carro, Diego quis saber o que o amigo tinha para lhe contar. E mesmo sabendo que não era um bom momento para isso Diego perguntou.
- O que você tem pra me falar? – perguntou ele, olhando para baixo, exatamente para seus tênis, evitando olhar nos olhos de Dave.
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