Caminho até meu coração - SansaWillas
1 Capítulo único — Willas
Notas iniciais
WILLAS tinha recebido o corvo, ele não era nenhum analfabeto.
Todavia, possibilidades eram totalmente diferentes de reais acordos. Vendo bem, alguém como ele, com as limitações dele não devia lá ter suas exigências, por esse motivo não havia dado muita importância às palavras de avó. Olenna Tyrell era uma cobra peçonhenta e ele poderia ter previsto tal acontecimento mas tão venenosa quanto, a Rainha dos Espinhos era igualmente sorrateira. Willas não viu isso chegar.
Quando se deu conta, estava sendo arrancado de uma confraternização entre os cavaleiros de jardim de cima e segurando a mão delicada e de dedos compridos de uma donzela do norte. Stark estava exibido em seus traços rígidos e queixo orgulhoso.
— É um prazer conhecê-la. — foi o que ele conseguiu verbalizar. Pela promessa de sua avó agora eles eram filiados ao Rei Lobo Stark. Willas tinha lido o bastante sobre o norte para saber a espécie que eles eram honrados até âmago e compromissados até a morte.
Quando Willas aceitou o casamento, ele não tinha noção do que realmente Sansa Stark tinha por objetivo, mas não era tolo. Todos os Stark’s visavam um objetivo. Podiam ser mais discretos que os Lannister’s, mas não se diferenciavam tanto assim… e Sansa, com a beleza dos Tully era um deles.
No início Willas quis acreditar na inocência dela. Que estava sendo manejada naquele jogo de poder e de trono de ferro sem própria vontade mas a certa altura não pode negar que ela havia aprendido como funcionavam e as alianças que a fariam bem, Sansa era uma Stark, e os Stark eram lobos. Lobos aprendem a viver na selva, e o jogo dos Tronos era uma selva.
Não muito tempo da guerra com os Outros, eles podiam ter um real casamento. Grande parte da sobrevivência sa Casa Tyrell tinham dependido da sua incapacidade de entrar na guerra, agora só existia ele de uma família abrangente e Sansa, que se recusava ainda de ter qualquer criança sua, mas coisas mudaram quando Bran, O Quebrado, assumiu os Seis Reinos e categoricamente consagrou Sansa Tyrell Rainha do Norte, em Winterfell.
Esse foi o fim definitivo de Jardim De Cima.
Doeu, Willas não pode negar. Ser reduzido de Senhor para Rei Cônjuge quebrou o restante de orgulho que ainda possuía e qualquer esperança de retomar a reputação impecável de Jardim de Cima, com a morte de Loras, ele passou tempo até exorbitante rezando aos Deuses de Winterfell. Os Deuses dos Primeiros Homens.
Não negava a qualquer alma que o questionasse que os Deuses dos Starks eram mais presentes que quaisquer outros.
Ele alcançou uma religiosidade desconhecida a si mesmo, e aos poucos seus esforços pela descendência se apagaram e enquanto Sansa atingia seu total potencial como a Stark que era, Willas se recolhia como um eunuco no Bosque Sagrado, rezando preces que não entendia e nunca tinha aprendido mas eram tão sinceras quanto os que haviam sido criado.
O frio se tornou tão comum que Willas não sentia falta das cores. Flores eram coisas que ele não via há muitos anos sob o rígido inverno, mas o florescer de um lírio no Bosque Sagrado o tirou da letargia.
Não passava de um broto no início.
Willas ia tanto ao local que sequer reparava no que realmente se diferenciava no local sagrado. Rezava preces incomuns para o rosto esculpido na árvore, e durante um longo tempo, não teve sequer um vislumbre de resposta até que o broto branco dela surgiu sob a neve derretida.
Iriam mais de oito anos sobre o rígido inverno. Sete que Willas não se deitava realmente com a esposa. Se pudesse, haveria de se mudar para Cidadela para e tornar Meistre depois de tantas leituras se Sansa não tivesse a liderança prejudicada por essa decisão. Sansa Stark gostava de comandar e era muito boa nisso, mesmo sob o nome do marido Tyrell.
Willas não se incomodava. Com a perna defeituosa, a única coisa que possuía era a leitura e mais de uma vez afundou-se nelas, esquecendo da esposa, que ainda assim manteve-se tão fiel quanto esperado.
Ele havia se questionado no início o porque não engravidava. Sansa descendia de Tully, e eles eram conhecidos bem pela fertilidade, mas a história dela trouxe lágrimas aos seus olhos.
A estada em Harrenhal tinha lhe trazido mais que cicatrizes, a alma de Sansa tinha sido marcada além da cura. Willas não tinha a menor noção do que ela tinha passado, mas sabia sobre as próprias responsabilidades, e nas primeiras noites havia cumprido-as com insensibilidade, até pisar no Bosque Sagrado de Winterfell. Aí as coisas tomam outra proporção. Ele reconhecia que era sensível, o contato com os deuses dos Primeiros Homens fez com que essa fragilidade aumentasse.
Com Bran no trono, era fácil explicar esse tipo de coisa. Bran era o Corvo de Três Olhos, ele sabia o que era dito antes de dizê-lo, mas se limitava a dizer a Willas:
— Paciência. Seu matrimônio teve um propósito ainda que não possa enxergar. — Willas se curvou, mas não entendia, a maior parte não o fazia. Rei Bran, O Quebrado, era mais inteiro que qualquer um deles sonhara.
Quando seu isolamento começou em Winterfell, foi criticado pelo próprio povo, porém quando o inverno de quinze anos acabou, foi reverenciado pelos Tyrell que ainda restavam. Os Stark não haviam proliferado como suas casas juramentadas, mas Willas não se importava, e disse isso à Sansa.
Não a culparia por gerar bastardos, mas ela se limitava a responder:
— Sou uma Stark. Fui criada com um Bastardo, e minha mãe deixou claro que significam. Nada além de vergonha. Se não os admito de você, porque me atreveria a gerá-los?
Foi nesse dia que Willas tinha notado o quão frígida o inverno havia deixado sua esposa. E até o momento não havia pensado nela desse jeito. O Bosque Sagrado tinha se tornado menos importante daquele dia adiante. Pode-se dizer que Sansa sentiu um certo ressentimento com a intromissão de Willas em seu governo férreo. Mas ele não demorou a se tornar um Rei querido com a chegada da primavera.
Winterfell o recebeu agradavelmente bem, sua esposa no entanto…
Mas a questão do quarto era mais profunda. Eles já levavam quase vinte anos de casamento nas costas e foi relativamente dificultoso se aproximar de Sansa que havia matado a doce e inocente garota que havia em si para encontrar a loba.
Willas não era tolo, Sansa tinha um amante. Ninguém preservava um cão tanto tempo. E a relação dela com o cão caça era o bastante para se acreditar em qualquer bastardo que nascesse, mas para a sorte (ele não sabia tão bem), Sansa não deu a luz nenhum. O que partiu a pensar de Willas que o período em Harrenhal a tivesse deixado estéril. Um hábito de estupros o teria deixado se estivesse em seu lugar.
Mas quando as primeiras flores da primavera desabrocharam, Willas finalmente abandonou o Stark que o inverno tinha o tornado e invocou o Tyrell.
Naquela primeira noite de primavera, deitou-se com Sansa desde o casamento.
Sabia pelos gemidos e suspiros que a havia agradado ainda que contra vontade e pouco mais de um mês depois soube de sua gravidez. Afinal, não era ela estéril, mas o próprio cão de caça.
Foi um pouco desconfortável ter certa conversa, mas Willas juntou a coragem em si para tê-la em uma tarde com cheiro floral no escritório do antigo Eddard Stark.
— Sandor… — ele começou um pouco hesitantes já que não sabia ao certo como agir com o amante da esposa. Willas não se preocupava com isso, era um segredo bem guardado, uma vez que a espada de Clegane era juramentada à Sansa bem antes do casamento deles, mas Willas não era imbecil, e esperava que Sandor não o tomasse por isso. — Sansa espera um herdeiro meu. Sei que apesar dos anos não sou que ela ama e não espero que chegue a amar, mas prefiro que seja alertado antes da barriga aparecer e tome cuidado no que farão daqui pra frente. Não sei se terei coragem para me deitar novamente com ela, então, imploro-lhe para que zele dessa criança que gesta agora, que podes ser única.
Sandor assentiu rijo, mas a concordância foi demonstrada realmente a frente. Com todos os cuidados e cobranças que teve. Tomava zelo de Sansa como se o herdeiro que restasse fosse dele embora sempre recordasse à Willas sobre a presença e importância.
O Senhor de Jardim de Cima e Rei de Winterfell cumpria as exigências, lendo para o menino no ventre e discutindo com a mãe dele a respeito de seu nome o que ele optaria se tornar.
Foi uma surpresa e tanto quando Sansa pariu duas crianças invés de uma única que esperavam. Tinha esperança de ser uma de Clegane, mas o cão de caça não teve sorte, ambas crianças nasceram com claros olhos azuis céu de Jardim de Cima e cabelos encaracolados. Willas gostaria de dizer que Sansa tinha se sentido infeliz com o acontecimento mas o tempo só havia lapidado suas inclinações maternas a ponto dela não se importar realmente se as proles eram do marido ou amante.
Foram ao sete anos após o nascimento de Loras e Jon Segundos de Seu Nome que Willas finalmente sentiu algo além de indiferença nascer de sua união.
No começo, foi somente o formigamento da pele marcada e pálida de Sansa na piscina térmica de Myr que havia instalado em Winterfell, depois foi a forma com que ela trançava pouco os fios fogos para cobrir a beleza e logo após isso o brilho lascivo dos olhos azuis gelo. Azuis Stark.
A lascívia sempre esteve lá, Willas que danificado como sempre não conseguia enxergar. Ele tinha perdido parte do movimento da perna não o corpo inteiro, embora por tempo demais tivesse o pensado.
Quando Sansa parou de sumir às noites, ele tentou convencer-se que ela enjoou, mas mesmo sem o cão de caça nenhum outro homem a havia fascinado para o risco.
Com o tempo Willas se convenceu que ela tinha uma queda por homens danificados, mas ela mesma desmentiu tal fato quando Tyrion Lannister, atual Mão do Rei Bran pisou no Norte. Nada além de amizade fora recíproca naquela relação, ainda que a química e conforto deles fosse quase de um casal.
Naquela mesma noite Sansa se recolheu tão cedo quanto Willas, que estranhou.
— Achei que aproveitaria ainda mais o banquete com seu amigo de longa data. Tyrion vem de tempo sombrios, não? — Willas já não era tão jovem quanto quisesse mas Sansa ainda o olhou com desejo como via nas mulheres quando ocupava a casa dos vinte.
— Com notícias de tempos ensolarados, graças a Mãe. — ela replicou, desfazendo displicentemente as tranças no cabelo. Willas não conseguiu manter a atenção no livro, havia algo que Sansa exprimia e ele não sabia o que era mas o deixava ansioso demais pra ler. — Bran é tão amado quanto ti nos Seis Reinos.
— Nada que ele mesmo não poderia prever. — Willas ecoou, olhando-a confuso conforme ela vencia a distância até seu corpo deitado. — O que está fazendo, Sansa?
— Sempre me senti mais Stark que Tyrell, devo-te isso? — a indagação parecia sincera o que fez dele uma confusão completa.
— Deve-me nada. — replicou de imediato com cenho franzido. — Fez-me Rei antes de eu fazer-lá minha esposa e deu a mim decência por escolha. És somente Stark, Sansa. Uma verdadeira Rainha do Norte. Teus súditos podem me amar, mas sabem, em seus corações que a lealdade é para contigo e mais ninguém.
— Cão de caça…
— Sandor sabe. Não é sua culpa. Convenientemente é dele a impossibilidade de herdeiros ainda que bastardos. — Sansa estremeceu com o termo fazendo Willas suspirar. Era um assunto delicado para ela. Desde que assistira e até imitara certos comportamentos que Catelyn Stark adquiria com Jon Snow. — Não. É. Sua. Culpa! — Willas emendou. — Se eu sei, Jon Snow também.
Há muitas semanas após a guerra com os Outros que Jon Snow parara de responder às cartas da irmã. Sequer quando ela o comunicara sobre a honraria de ceder ao mais velho o nome bastardo, ele a escrevera.
Mas Willas não se supreendeu quando no décimo dia do nome dos gêmeos as figuras de negro e branco contrastaram sobre o portão de Winterfell: Selvagens e a Patrulha da Noite. Jon liderava o grupo, o Jon Snow, outrora bastardo de Ned Stark e renegado Aeron Targaryen. Seja qual lhe for o nome, cumprimentou o honrado príncipe Jon Tyrell-Stark como um irmão e se enturmaram igualmente rápido.
Por parte do jantar, Sansa ainda conteve a mágoa do silêncio do irmão mas cedeu breve, e na mesma noite, na piscina térmica, ela e Willas se encontraram.
— Temo que Jon siga os passos do tio Snow. — Willas comentou despreocupado. Parte do livro mole em seus dedos pelo calor do vapor. Sansa riu breve, deslocando a água quente para sentar sobre o membro viril de Willas que arqueou as sobrancelhas pra ela.
— Dei-lhe dois filhos. Sempre haverá um Stark em Winterfell. Se não Jon, Loras tomará seu lugar.
Willas riu.
— Loras deseja ser cavaleiro, manto branco do Rei Brandon, O Quebrado, sabemos disso desde que aprendeu a falar, não seja tola Sansa. — em vez de ofendida, Sansa apalpou e bombeou seu membro até inchar e endurecer com um longo gemido de Willas nos dedos experientes da esposa que lhe sorria luxuriosa.
— Neste caso, providenciarei-lhe outros herdeiros, Willas. Soa bem? — o Rei do Norte tomou uma longa arfada para recuperar parte da lucidez.
— Porque casou-se comigo?
— Porque não casaria? — a loba respondeu de pronto, curvando-se ao seu pescoço ao ponto que o tomava em seu calor úmido.
Naquele dia, Willas plantou mais uma semente que germinou gêmeos e Sansa deu à luz á Robb Tyrell II, que reinou em Winterfell quando Willas não conseguia beber nada além de leite papoula e falar sobre brotos e Sansa lhe fazia eterna e religiosa companhia, e à irmã por treze minutos mais nova: Lyanna Tyrell que se casou com o herdeiro de Porto Real e novamente uniu os Sete Reinos de Westeros entre dois Stark’s.
Pois apesar de tudo, Willas jamais conseguiu subjugar o sangue do Norte. Seus herdeiros poderiam ter desaparecido o nome Stark, mas ainda tinham o sangue dos Primeiros Homens, e por ele, o Nortes lhes pertencia… Willas jamais passou de uma teatral tapeçaria para preservá-los.
Ora essa, era muito mais que um homem nas condições dele poderia ter esperado, não?
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