Notas iniciais
[Chapeuzinho] "O lobo mau já morreu, agora estamos em festa Posso brincar com as crianças E passear na floresta."

Era com graça e sutileza que Yao se aproximava de Ivan. Ele sabia que o lobo nada faria com ele, e então logo se pôs a ficar em sua altura para dirigir-lhe algumas perguntas.

– Por que você fez isso tudo?

– Porque eu quis... – Ivan tentava segurar o sangramento, mas era difícil, já que o tiro tinha acertado o meio de suas costas.

– Por que ainda tenta mentir para mim?

– Se você já sabe a verdade, por que ainda pergunta? – pela primeira vez, Yao esboçou uma feição de irritação.

Ele então rapidamente se levantou e olhou em volta para tentar pensar no que faria. Percebeu que Alfred colocava Arthur nos braços devido a sua febre. Observou Antonio e Gilbert correndo em direção de Francis, cujo o mesmo tinha Matthew nos braços. Então do nada, ele exibiu um pequeno sorriso que fez com que Ivan o encarasse por mais algum tempo.

“Nunca tinha visto ele sorrir nenhuma vez...”

Ivan estava doido para segurar seu amado espírito em seus braços, mas a dor da bala ainda era mais forte, então ele permaneceu sentado e tentando controlar a dor. Vendo que Ivan permanecia inquieto, Yao se virou mais uma vez para ele e sem demorar muito, depositou sua mão em seu ombro.

– Eu vou cuidar desse ferimento.

– Não precisa. Eu me viro.

– Se eu deixar você se virar, pode ser que você morra ou tente matar alguém. – então Yao ajudou Ivan a se levantar e começou a caminhar com ele para longe dali. Mas antes de sumir totalmente, ele gritou para Alfred. – Ei, você! Amante do Arthur! – Alfred encarou Yao – Ele está livre do trabalho de proteger a floresta. Pode leva-lo.

Alfred queria sorrir e chorar naquele momento, mas não conseguiu devido ao fato de saber que Arthur ainda estava doente e que precisava de cuidados. Então ele ajeitou seu amado em seus braços e falou palavras inaudíveis para todos que estavam presentes. Exceto Yao e Ivan, que ouviram claramente o que ele disse.

“Eu te amo, Arthur...”

–-- X ---

Os caçadores levaram Alfred, Arthur e Matthew até seu acampamento. Lá eles colocaram Arthur em cima de uma cama improvisada para que ele pudesse descansar enquanto Alfred não saía de seu lado. Gilbert e Antonio preparavam algo para todos comerem. E Francis ficava olhando Matthew, enquanto esse admirava seu irmão cuidando de Arthur.

“Será que eu falo para ele...?”

Francis se aproximou mais do jovem Matthew para tentar puxar uma conversa, mas era a primeira vez na sua vida que se sentia constrangido ao falar com alguém. Mas Matthew deve ter percebido a intensão de Francis e começou a falar.

– Obrigado por me proteger... Desculpa eu ter causado tantos problemas...

– Não se preocupe. Era o certo a se fazer.

– Mas você ficou todo machucado... por alguém que você não conhecia...

– Já disse para não se preocupar.

Matthew sorriu com aquela resposta do caçador, mas algo o deixava inquieto. Aquela sensação de conforto e proteção no meio daquela situação toda era difícil de ignorar. Ele sabia que tinha ficado nos braços de Francis quando se sentiu daquele jeito. Mas tinha um pouco de medo de assumir aquela verdade.

–-- X ---

Não tinha como os três voltarem para casa daquele jeito, então todos dormiram no acampamento dos caçadores, torcendo para melhorarem no dia seguinte. Durante a madrugada, Matthew acordou e foi para um lugar um pouco mais distante do acampamento. O lugar escolhido era perto de um rio. Ele queria ir para lá fazer o que mais gostava quando ficava sozinho.

"Little Red Riding Hood

I'd like to hold you if I could

But you might think I'm a big bad wolf so I won't.

–--

What a big heart I have

the better to love you with.

Little Red Riding Hood

Even bad wolves can be good.

I'll try to be satisfied just to walk close by your side.

Maybe you'll see things my way

before we get to grandma's place."

Quando ele finalizou sua canção, ele pode ouvir um par de palmas batendo. Ele até levou um susto, pois não sabia quem poderia ser, mas ele logo se acalmou quando percebeu que era Francis que estava se aproximando. E um pouco envergonhado ao perceber que alguém o tinha visto e o ouvido cantar, ele perguntou a quanto tempo Francis estava parado testemunhando tudo aquilo.

– Desde o início. Eu não consegui dormi e então vim para cá.

– Me perdoe por incomodar... Eu já vou voltar para o acampamento.

– Você não está incomodando. Eu só fiquei admirado com o seu talento para cantar.

– Canto só por diversão.

– É que eu ainda não consigo acreditar que você é repleto de coisas para se admirar... você é perfeito.

Matthew encarava a face vermelha de Francis. Isso estava se transformando num sentimento estranho. Ele precisava saber o que estava acontecendo, pois agora, até ele estava ficando envergonhado com a situação.

“Que sentimento é esse...?”

– Francis... por que você foi me salvar?

– Eu já disse que era o certo a se fazer.

– Mas pelo que eu soube... vocês não gostavam do Arthur, então não tinha porque você querer ajuda-lo.

– Eu sei que ele quase nos matou por causa das nossas caças de animais na floresta, mas a questão não era ele, e sim você. Era você que estava em perigo.

– Mas eu sou uma pessoa totalmente desconhecida para você... porque você quis me salvar?

Francis finalmente soltou algumas gargalhadas. Ele nunca pensou que fosse fazer isso, mas então ele se aproximou de Matthew, o abraçou e começou a fazer umas carícias em seu cabelo. E depois de um tempo, ele falou uma frase que fez Matthew chorar um pouco, e pedir inúmeras desculpas por não ter percebido isso antes.

O carinho. Os braços protetores. Querer salvá-lo a qualquer custo... Tudo fazia sentido agora. E aquela sensação de incerteza foi desaparecendo aos poucos. Então Matthew abraçou Francis de volta. A primeira pessoa fora seu irmão e Arthur que nutria um sentimento tão forte assim por ele.

Ele estava feliz. E não precisava de mais nada.

O grande caçador encarou o rosto do pequeno chapeuzinho vermelho que estava à sua frente. Ambos sorriram e soltaram alguns risos. Se sentiram até bobos por algum tempo por fazerem essas coisas, mas mesmo assim não paravam de sorrir. Depois Francis olhou mais seriamente para Matthew, segurou o seu queixo querendo que o menor entendesse qual eram suas intensões. Matthew apenas sorriu, dando a resposta que Francis queria. E não demorou muito para que seus lábios se encontrassem e que ambos se sentissem realizados um com o outro. Nada mais importava naquele momento.

–-- x ---

“Por que eu me apaixonei por você... E por causa disso é que eu fiz tudo isso.”

FIM.

Notas finais
Sim, esse é o final~ Eu espero que vocês tenham gostado de como eu resolvi mexer nessa história da Chapeuzinho Vermelho. E quero agradecer a todos que leram, comentaram, acompanharam, favoritaram, me xingaram, jogaram praga para eu postar capítulo novo, etc... Mas enfim, chegamos a esse final! ~(*3*)~ Obrigada a todos!~~ --- x --- Letra em inglês é da música "Little Red Riding Hood" da Amanda Seyfried. Tradução: "Chapeuzinho Vermelho, Eu gostaria de abraçá-la se pudesse. Mas você pode achar que sou um lobo mau, então não vou. --- Que coração grande eu tenho Pra te amar melhor. Chapeuzinho vermelho, Até lobos maus podem ser bonzinhos. Tentarei ficar satisfeito só de andar ao seu lado. Talvez você enxergue as coisas do meu jeito Antes de nós chegarmos na casa da vovó." --- x --- Capítulo EXTRA. --- x --- Esse próximo capítulo é só um complemento, um bônus da história~ Ele não irá interferir em nada o final. Você pode lê-lo ou não, mas eu achei interessante em coloca-lo. Então eu ainda vou dizer "Até o próximo capítulo~" para vocês hahahaha.