Camelot, uma história
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Era bom estar em casa, mas não daquele jeito. Meus livros mágicos, minhas ervas e tudo que eu tinha de magia estava exposto, nas prateleiras, na mesa e no sofá. Tinha que arrumar tudo, colocar tudo em malas e sair daqui. Comecei a arrumar, com ajuda da magia. Várias roupas, livros e frascos de vidro voavam por minha cabeça e aterrissava suavemente nas bolsas e malas em cima da cama. Eu não tinha forças para fazer isso. Teria que dar as costas para tudo que eu amo. Deixei-me chorar um pouco enquanto as coisas voavam e eram empacotadas nas malas. Não exigia muito esforço para fazer isso. Era quase que automático.
Ouvi baterem na porta. Limpei minhas lágrimas e as coisas voando pararam por um estante, mas depois continuaram. Era Gwain no outro lado da porta.
—Entra -disse, com uma voz falha
Ele entrou e olhou curioso por toda a casa. Estava diferente do que ele conhecia. Os objetos continuavam voando e sendo arrumados, mas isso não o impediu de abrir um sorriso. Ele me olhou e sentou no meu lado.
—Adorei a nova decoração -disse
—Esse é a verdadeira......era a verdadeira.
O sorrisos de Gwain foi substituído por um olhar doce, com uma expressão de preocupação. Ele segurou minha mão.
—Becca, você não pode ir!
—Como? Eu sou tudo o que o Ulther odiava. Há leis que me matariam agora mesmo. E Arthur....ele nem consegue olhar para mim.
—Arthur ama você. Ele não a mataria -havia um pouco de dúvida em sua voz. Sei que não foi de propósito. -Eu não o deixaria fazer algum mal a você.
Consegui sorrir um pouco. Abracei-o. Deixei pensar que talvez eu ficaria. Mas tinha que partir. Sairia de madrugada para ninguém me parar e para não dizer adeus.
—Você está com fome? -Perguntou Gwain
—Faminta.
Fomos em direção à cozinha. Teríamos que passar pelo grande salão da recepção e entrar em uma porta escondida. Quando chegamos na recepção notamos uma pequena confusão. Arthur estava lá, juntamente com alguns cavaleiros e um homem algemado.
—O que está acontecendo aqui, senhores? -Arthur perguntou impaciente.
—Majestade -o homem que falava era o mesmo da floresta. -Encontramos o ladrão que perseguimos na floresta quando encontramos o senhor.
Arthur abriu um sorriso de satisfação. Ele gostava de seus cavaleiros porque sabia que eles faziam um bom trabalho e eram confiáveis.
—Conseguiram alcançá-lo. Estou muito satisfeito, Homens.
—Obrigada, Majestade. Mas, na verdade, tivemos ajuda. Depois que seguimos a direção certa que a madame indicou -olhou para mim e fez uma pequena reverência com a cabeça. Todos olhavam para mim. -encontramos esse homem se contorcendo no chão e preso entre várias raízes.
Esquecera de mencionar que tinha conseguido capturar o ladrão. Arthur olhou para mim e deu um sorriso. Sorri de volta, pois nem estava acreditando.
—Bom, senhores, acho que foi um trabalho de equipe. Coloque este homem no devido lugar. -disse Arthur.
Os cavaleiros fizeram uma reverência e depois seguiram o caminho para as masmorras.
Quando eles saíram, Arthur, eu e Gwain ficamos sozinhos naquele grande salão.
—Becca....eu preciso falar com você -disse Arthur olhando rapidamente para mim.
—Nós íamos comer alguma coisa, Arthur -disse Gwain ficando entre Arthur e eu. Os dois ficaram se olhando como dois estranhos.
—Eu mando servir algo, então. Na verdade quero falar com todos vocês. -disse Arthur.
Ele mandou chamar Lance e seguimos até o salão de jantar. Logo em seguida Lance chegou. Foi servido comida e vinho.
Todos olhavam para Arthur, que demorou para falar. Estávamos sozinhos no salão.
—Eu.....talvez no futuro eu entenda como isso funcione -mostrou o apito e a taça e olhou para mim. -Mas agora......
Ele suspirou e continuou
—Como rei tenho que proteger meu povo contra....qualquer tipo de ameaças. Eu sempre falei e vocês também falaram: eu não sou igual meu pai. Ele me deu apoio, mas esse é meu governo. Acredito em você, Becca....
—Eu ainda posso ir embora, Arthur.... -falei. Eu não queria que ele sacrificasse o governo dele por minha causa. E eu falei isso
—Por sua causa??? -ele estava olhando para mim com ternura. -Becca, é você. Eu te.... -ele disfarçou. Estávamos sozinhos no salão, mas em um castelo é sempre bom se prevenir. Além disso, certa vez, Arthur me disse que seria melhor não dizermos "Eu te amo" um para o outro, pois assim não quebraria o meu coração ou o dele, caso ele se casar com uma nobre.
—Como amigo, eu não quero que você vá. -ele continuou -Você mentiu para mim e isso é perdoável....mas não agora. Você me mostrou que meu pai estava errado. Aquilo que você fez com a bruxa e o ladrão foi imaginável.
—Onde você quer chegar, Arthur? -perguntou Gwain
—Eu vou proteger a Becca. Eu analisei a lei contra magia e ela é bem rígida. Mas nós não sabíamos a diferença que existe entre os mágicos. Eu vou ser justo. Qualquer caso de magia que acontecer será nós quatro, se vocês aceitarem, que irá julgar. E sua opinião, Becca, poderá ser o veredicto final.
Arthur olhou para nós três, esperando uma resposta. Eu só consegui sorrir enquanto derramava um pouco de lágrimas.
—Pode contar comigo -Gwain fez uma pequena reverência com a cabeça para Arthur, que retribuiu.
—Não sei como ajudaria. Magia vai contra tudo que eu acredito. -disse Lance com preocupação na voz.
—Eu entendo, Lance -disse com uma voz reconfortante.
—Mas eu confio em você, Arthur. E você confiou na gente para isso. Então, eu também serei justo para qualquer pessoa. E tentarei ser imparcial.
—Eu agradeço, Lance. Agradeço a todos.
Fale com o autor