Camellia
1 Capítulo 1 - Ônix
Notas iniciais
Boa leitura.
Sakura sabia que não poderia criar aquele gato preto no seu apartamento, que era totalmente contra animais habitando no prédio. Mas como deixar um gato magro, ferido e no frio? Sakura não era insensível e ela sabia disso. Nunca o fora.
Quando criança tinha salvado um passarinho que encontrou com uma das asas quebrada, cuidou dele até este poder voar de novo e o soltou na natureza. Sendo assim, deixar um gato no frio jogado ao relento está fora de cogitação para ela, mesmo que isso significasse ter que burlar as regras do prédio e levar o gato para dentro de sua casa.
Sakura abriu a porta do seu apartamento e antes de fechar olhou para o corredor de portas fechadas, como para se certificar de que ninguém a viu chegando. Trancou a porta e com cuidado pousou a bolsa no sofá e tirou o casaco. Com cuidado tirou de dentro da bolsa uma bolinha de pelos pretos e o botou deitado no sofá. Correu para a cozinha e pegou uma vasilha e derramou leite dentro e tratou de pegar o seu quite de primeiros socorros. Voltou a sala e encontrou o gato deitado com um olhar cansado olhando pra ela.
Depois de cuidar de um corte um pouco a cima do olho direito deixou que o mesmo bebesse do leite.
Tenho que levar ele ao veterinário amanhã.
Suspirando, Sakura vai para o quarto e troca de roupa. Não poderia ficar muito tempo longe do gato, tinha medo de algo acontecer com ele, faz uma caminha improvisada com panos e um lençol e o botou deitado se deitando logo em seguida.
A manhã seguinte estava mais quente que o dia anterior. Um raio da luz do sol entra por uma brecha na cortina e Sakura acorda com o um lado da sua bochecha levemente quente. Ela levanta e boceja, sai da cama e vai para o banheiro escovar os dentes quem sabe relaxar no banho, visto que era seu dia de folga. E qual foi a ultima vez que tirou uma folga? Aparentemente nunca.
Enquanto escovava os dentes Sakura se virou e viu um montinho de panos perto da sua cama, ficou imaginando o porquê de ter deixado um monte de panos ali. E foi ai que lembrou.
O gato.
Largando ludo e engolindo a espuma da pasta, Sakura corre pelo quarto tentando achar o gato, depois de procurar e chamar, tomando o cuidado de não chamar muito alto, foi procurar na sala, e por ultimo na cozinha ao qual suspirou de alivio ao constatar que o gato estava sentado bebendo o leite.
Me senti ficar uns 10 anos mais velha. Gato danado.
Sorrindo, Sakura se vira e volta para o banheiro e toma o seu banho, ao se vestir e sair do banheiro, encontra o gato sentado em cima da sua cama a olhando, ela sorri e faz carinho gentilmente em sua cabeça.
— Vou te levar no veterinário hoje. – fala olhando para o gato.
Já devidamente vestida, pega a sua bolsa e com cuidado bota o gato dentro e sai do seu apartamento e do prédio. Ao chegar na rua anda mais algumas quadras e logo suspira de alivio e deixa a cabeça do gato sair por uma brecha na bolsa e logo ele já estava observando a movimentação da rua. Com o sol batendo no rosto com um leve salpicar quente, mas ao mesmo tempo reconfortante no rosto de Sakura.
Antes de chegar ao veterinário Sakura se assusta quando o gato pula da sua bolsa e corre para a entrada de um parque.
— Ei! Gato volte aqui!
Ela corre atrás do gato se desviando hora ou outra de pessoas caminhando ou passeando pelo parque. Sakura enxerga ao longe um pontinho preto correr na direção da árvore mais antiga do parque, e logo trata de segui-lo passando pelas pessoas e desviando de bancos e grama. Ao se aproximar da árvore, procura com os olhos pelo gato. Rodeia a árvore e nada de acha-lo.
Mas pra onde esse gato foi? Tinha certeza de que ele veio pra cá!
— Com licença, você viu um gato preto correndo por essa direção? – pergunta para um homem.
— Não vi não.
— Ah... Obrigada.
Suspirando Sakura decide procurar o gato. Passou a manhã toda nisso e nada de achar ele. Por fim resolveu que ele não iria aparecer e que talvez fosse melhor ir para casa descansar e depois, quem sabe, procurar um pouco mais.
A esperança é a última que morre.
Caminhando até seu apartamento Sakura se lembra de que não havia comido nada de manhã. Não seria estranho se seu estomago começasse a roncar. Entrando no prédio pegou o elevador e subiu para o seu apartamento sem deixar de pensar um minuto para onde o gato teria desaparecido e por que ele sumiria? Será que não havia gostado da cama que fez? Ou não teria gostado da casa ou do gosto do leite? Teria uma dona pra quem voltar?
Antes mesmo de preparar a comida, Sakura sente seu estomago se revirar fazendo uns barulhos estranhos e depois uma dor. Ela corre para o banheiro e rapidamente senta no vaso e logo sente um alivio.
Agora já sei que fim levou a espuma da pasta que engolir.
Mais aliviada, e completamente sem fome pelo imprevisto, Sakura suspira e seus pensamentos voltam a pensar na bola de pelo preto. Não conseguia parar de pensar no gato, e apesar de ser um animal Sakura podia jurar que aqueles olhos eram mais profundos do que aparentavam. De um preto tão escuro que faria qualquer um se perder dentro dele. Como não tinha notado isso antes?
Ônix.
Isso. Como se fossem duas pedras de ônix os olhos dele. Jamais virá um gato com esse tipo de cor, realmente um gato misterioso. Mas mesmo que sentisse uma enorme vontade de vê-lo outra vez e temendo que algo ruim acontecesse com ele, mesmo que só tenha ficado com ele por uma noite, ela já se sentia apegada ao gato de alguma forma. Sabia que iriam se encontrar de novo, mas não imaginava que fosse de uma forma tão inesperada e irreal e mais rápido do que ela podia imaginar.
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