Notas iniciais
Olá!!!!!!!!!!! Sinto dizer que estou deveras envergonhada! O meu incentivo para escrever esse capítulo foi o fato de que vocês não poderiam esperar mais. Eu sinto muito! E nesse correria nem consegui revisar o capítulo como deveria. Essas semanas foram voltadas para finalização de semestre. Mas enfim... Estamos vivos! Esse capítulo vai ser um precursor de um dos personagens principais, que é o Jonathan. Ahhhh! E o nome do capítulo se refere a um comando do Windows, no qual mostra as informações do sistema. No caso de algum de vocês não entenderem o título ;) Espero que aproveitem. Para escutar enquanto lê: https://www.youtube.com/watch?v=APevlBxNN7k

Ao começar a ler a lista de exercícios expressa na apostila de seu curso, Zara deu um salto de cabeça nas águas do mar da preocupação e ansiedade. A comanda de exercícios eram definitivamente confusa e a resolução deles era um emaranhado de sistemas, variáveis e determinantes. E mesmo que usasse todo o seu esforço e dedicação para chegar ao resultado, ele não coincidia com as alternativas do exercício. Nervosa, a morena deu um tapa na mesa, o qual fez com que o chá transbordasse da xícara rosa que a tia a tinha servido.

— Vetores inúteis! Tanta coisa incrível para se estudar, e eles ensinam logo isso – ainda irritada, jogou o lápis de lado – As pessoas se preocupam muito em conhecer o que não sabem e deixam de lado o que conhecem. E tudo para que? Dor de cabeça nas futuras gerações!

— O que está acontecendo, Zara? – da cozinha para a copa, a tia se dirigiu pacientemente até a sobrinha.

Diante da preocupação de Prisha, o semblante de Zara passou do estado de irritação para o de uma leve melancolia.

— Preocupações, tia – envergonhada, suspirou fundo – Quando as coisas não dão certo, temos a mania de pensar que a raiva resolverá alguma coisa.

— Você tem razão quanto a isso, Zara. Nós somos seres dotados de uma inteligência divina, mas não a usamos. Porém, querida, saiba disso: acertar questões traz uma sensação maravilhosa, mas tudo isso é vaidade.

— Verdade. O homem mais rico do mundo não mentiu quando disse que tudo é vaidade, e que tudo passará. A prova disso é que o próprio Salomão, autor da frase, passou.

— Mesmo que a riqueza lhe desse tudo e muito mais, Salomão apenas precisava de um pedaço de pão, um copo de água e uma muda de roupa. Nada mais, nada menos – Prishou olhou dentro dos olhos da sobrinha – Assim como você precisa acertar apenas cinco questões para passar.

Ao ouvir o conselho da tia, um alívio tomou conta do coração de Zara. Colocar em seus próprios ombros a obrigação de conhecer e saber sobre tudo fazia os seus ombros pesarem de forma grave. O medo de ser medíocre era como grilhões em seus pulsos. Mas naquele momento percebeu que suas necessidades se baseavam em coisas simples, e não robustas e complexas. Como os pássaros, que não semeiam e nem plantam, mas são alimentados todos os dias.

— A senhora tem toda razão. Além disso, todo o conhecimento adquirido irá passar algum dia – Zara sorriu – Mas isso não quer dizer que tenha que ser uma preguiçosa. Tenho que fazer minha parte.

— Isso! Mas falando em preguiça... – a tia mudou de assunto – Sarah ainda está dormindo?

— Sim, tia. Quando me levantei, ela ainda estava na cama.

— Não é possível! Já são nove da manhã e ela precisa trabalhar.

— Ela tinha comentado de que não iria trabalhar mais na cafeteria. Achei que a senhora sabia.

Os traços do rosto de Prisha expressaram uma profunda preocupação ao ouvir as palavras da sobrinha. Sarah estava assumindo um comportamento mais rebelde do que costumava ter. Após o término com o namorado, a jovem perdeu boa parte da sua motivação em relação aos seus deveres e obrigações. Além disso, deixou de lado a pouca cordialidade que possuía em relação as pessoas.

— Se ela deixar o emprego, como irá pagar suas contas? – a mãe de Sarah expressou seus pensamentos em voz alta inconscientemente.

— Vocês estão falando de mim?! – a jovem subitamente falou, de modo que sua presença imperceptível foi destacada pela sua voz sonolenta.

A sua aparência matinal era caracterizada por um blusão que ilustrava o perfil de um elfo, a vestimenta tocava os seus joelhos. O cabelo castanho-escuro estava disposto em um emaranhado de fios que estavam dispostos majoritariamente do lado esquerdo. E como de costume, o típico rosto amassado que era consequência de uma noite curta de sono.

— Sim. A senhorita já deveria estar saindo de casa nesse horário – como forma de questionamento, a mãe cruzou os braços.

— Eu deveria ter saído mesmo, mãe... – Sarah foi calmamente até a cozinha e voltou com uma jarra de leite e um copo – Se eu não tivesse arrumado outro emprego.

Surpresa, a mãe desfez os braços cruzados. Um relampejo de ânimo cruzou o seu rosto moreno.

— Que maravilhosa notícia! Quando você fez a entrevista?

— Então, mãe... – a jovem mordeu o lábio inferior– Eu não fiz.

— Oh! – Zara exclamou com surpresa – E isso acontece aqui em Moscou? – perguntou ingenuamente.

— Aqui as coisas são um pouco diferente do que na sua fazenda – Sarah fez uma pausa dramática – Vaqueira Poliana.

— Já te falei que não gosto desse apelido! – demonstrando irritação, as sobrancelhas da prima ficaram levemente enrugadas.

Sarah esboçou um sorriso malicioso. Achava excepcionalmente engraçado quando Zara expressava sua irritação. Quando isso acontecia, a imagem da jovem madura e sensata se transformava em uma criança nervosa e estressada.

Para celebrar a sua satisfação, deu um gole em seu leite.

— Pensando bem, Zara está coberta de razão. Você foi contratada sem nenhuma entrevista?! Isso é realmente sério? – o ânimo da mãe durou pouco.

— Sim, mãe. O meu currículo foi a demonstração do meu trabalho. Eles gostaram das minhas habilidades e me contrataram. Qual é o problema com isso? Nunca ouviu falar que algumas empresas valorizam essa forma de ingresso?

Prisha respirou fundo, revelando sua desconfiança quanto as palavras da filha. No seu íntimo, esperava estar errada no julgamento sobre Sarah.

— Contanto que você ganhe seu dinheiro dignamente, pode começar trabalhar onde quiser. Mas você já avisou seu tio?

— Sim, o cargo passou a ser de Zara, a qual surpreendentemente também foi contratada sem entrevista. Viu como é mais comum do que pensamos?

— Para... para quem?!?! — surpresa, Zara levemente projetou seu corpo para trás.

— Para você, vaqueira Poliana. O tio quer que você fique em meu lugar, pois busca alguém de confiança. Mas percebo que você faz parte da pequena parcela mundial de pessoas que encontram um emprego sem buscar. Que sorte a sua, hein?!

— O seu cinismo tem o incrível poder de gerar em mim os piores sentimentos possíveis – Zara confessou – E que dia eu começo?

— Era para ter sido hoje, mas esqueci de te avisar. Começando bem, hein Zarinha?!

— O quê?! E você ainda tem coragem de me dizer isso? – nervosa, Zara se colocou de pé – Ah! – expressou as palavras grunhindo – Eu espero que você... Que você – inevitavelmente deu uma pausa para pensar – Pise em um lego!

— Oh! – simulando surpresa, Sarah colocou a mão direita no peito – Quão ultrajada estou! Isso é uma afronta inaceitável! Não me deixa alternativa a não ser afirmar que você é mais inútil do que... – Sarah colocou o dedo indicador no queixo, simulando uma falsa reflexão – O 1 multiplicado por x!

— E você é mais decepcionante do que uma raiz quadrada inexata!

Entediada, a mãe de Sarah retirou o smartphone do bolso da calça jeans. Enquanto a briga infantil das primas se transformava em um ruído indistinguível no pano de fundo do ambiente, Prisha explorava com apenas o seu dedo indicador a pequena lista de Contatos, buscando compartilhar a bonita imagem de “Bom dia” que recebera de uma das amigas. Em resposta disso, a senhora Petrov respondeu a imagem com outra mensagem que pulou em forma de notificação na tela do celular.

Anastasia, às 09h30: “Bom dia, amiga. Preciso de sua ajuda. O computador do meu Jonathan acabou de estragar. Está impossível dele trabalhar! Poderia pedir para Sarah concerta-lo? Obrigada!”

Prisha, às 09h32: “Claro, querida! Ela vai ter o maior prazer em ajudá-lo.”

A atenção de Prisha voltou do mundo virtual para o real. As duas primas se mantinham na guerra de palavras.

— Ridícula! – Sarah buscou ofender a prima.

— Você que é! – Zara rebateu.

— Você!

— Você!

— Crianças! Chega! – a mãe repreendeu.

Com o rosto avermelhado, Zara pausou as suas palavras. Respirou fundo, e olhou dentro dos olhos de Sarah. Quando fez contato visual com a prima, o ímpeto que buscava conter saiu fora do controle e um mar de gargalhadas abundou a copa.

— Você tem um senso de humor apurado, Sarah.

— Sinto o mesmo, Zarinha. Você me gera boas risadas.

— Eu nunca sei dizer se vocês estão brincando ou brigando – a mão devolveu o celular ao bolso – Mas mudando de assunto... Preciso da sua ajuda, Sarah.

— Ih... Lá vem... – Sarah tomou assento.

— O filho de Anastasia, Jonathan, está com problemas no computador. Ela pediu a sua ajuda, pois sabe que faz faculdade computação.

— Zara, eu tenho cara de assistência técnica? Porque as pessoas vivem me pedindo para que arrume computador delas.

— Você passa a maior parte do tempo no computador. As pessoas confundem... – A jovem deu de ombros – Estou certa de que existe uma diferença acentuada entre hardware e software que não pode ser ignorada, tia.

— Viu, mãe?! Até Zara, que é uma anta, consegue diferenciar o que é uma coisa da outra – Sarah deu um gole em seu leite – Mas sei qual é o seu interesse, mamãe. Jonathan ficou solteiro e você quer jogar Zara para cima dele.

— Ei! – a prima protestou.

— Sarah, querida, nunca subestime uma pessoa com um celular. Eu sei a diferença entre essas palavras. Sei também que aprendeu a consertar o “esqueleto” de um computador, pois eu mesma paguei um curso disso para você. Agora é hora de você retribuir o favor.

— Eu vou te ajudar a passar uma boa imagem para suas amigas. Como forma de retribuir o favor, mãe. Mas não se acostume mal!

— Excelente! – entrelaçando as mãos, Prisha sorriu – Vá se arrumar! Nós vamos almoçar na casa da senhora Petrov.

— Tem que ser rápido! Às 14 horas tenho que estar na empresa – levantando-se, Sarah disse.

— E Zara! Você vem conosco – Prisha puxou a sobrinha pelo braço – Jonathan vai se apaixonar no primeiro momento que por os olhos em você!

Buscando ajuda, Zara olhou assustada para prima.

— O que foi que eu disse? – Sarah disse sorrindo.

***

Quando se deparou com o café da manhã bem reforçado feito pela senhora Petrov, Sarah percebeu que tinha feito uma boa escolha. Os seus olhos foram cativados pelo brilho das roscas açucaradas preparadas pelas mãos-de-fada da senhora Anastasia, enquanto o aroma mágico de café adentrava as suas narinas. Diante daquela mesa de delícias, percebeu que estava com uma fome surreal.

— Minha amiga, é muito bom ter a sua presença para o café – Anastasia disse enquanto entregava uma xícara de café à Sarah. Ao receber a xícara, os olhos da garota ardiam de felicidade e refletiam no líquido escuro. A senhora Petrov tomou um assento no lado esquerdo de Zara – O meu Jonathan quase não se assenta a mesa comigo, e muitas vezes me sinto sozinha.

— Ele no trabalho agora, Ana? – Prisha perguntou à amiga.

— Não, Prisha. Jonathan trabalha como freelancer pelas manhãs, e também é um garoto que aprecia ficar enraizado no próprio quarto. Ainda mais agora, depois que terminou com a namorada. Você sabe como os jovens são...

— E como sei! – Prisha direcionou o seu olhar para Sarah e após isso voltou a atenção novamente para Anastasia. Finalizando o seu terceiro pedaço de rosca, Sarah percebeu o olhar da mãe e apenas silabou “O que foi?!”, mas não obtive resposta.

— E por que eles terminaram, senhora Petrov? – Ao ouvir a pergunta audaz da prima, Sarah pausou seu momento de degustação e encarou Zara. “Como pode ser tão intrometida????”, se perguntou. Focada na resposta da senhora Anastasia, Zara não percebeu o escárnio da prima.

— Nem eu sei direito o que aconteceu, Zara. Jonathan chegou esses dias falando que a namorada, ou ex, possuía uma vida dupla – pensativa, Anastasia olhou para baixo – Para mim, a senhora Alisha Ivanov sempre foi uma garota exemplar.

Ao ouvir o nome da ex-namorada de Jonathan, Sarah começou a tossir intensamente. Percebendo a situação da prima, Zara se levantou e deu alguns tapinhas nas costas da jovem. A senhora Anastasia começou a ficar apavorada, enquanto Prisha segurou no ombro da filha.

— Estou bem! Estou bem! Apenas me engasguei – disse levantando a mão esquerda.

— Oh, querida! Vou buscar um copo de água para você – Anastasia foi até a cozinha.

— Chega de comer roscas por hoje – a mãe retirou a mão do ombro da filha e levou até a cesta de pão e roscas, afastando do alcance de Sarah.

— Mas mãe, eu quero! – Sarah disse com um pouco de dificuldade.

— Não me faça passar vergonha, Sarah Ilya!

Ao ouvir a mãe pronunciar o segundo nome, a filha se calou e esperou o copo de água que a senhora Anastasia trazia nas mãos.

Já com a situação sob controle, Anastasia continuou seu relato. Ao perceber o envolvimento do nome da amiga, Sarah redobrou a atenção na história.

Então Stanis estava falando a verdade.

Alisha, uma das pessoas mais descoladas que conhecia estava envolvida com um típico garoto de igreja.

Pelo que mãe contara da família Petrov, Jonathan era o único filho da família. O seu pai havia falecido quando ele era ainda bebê, e sozinha Anastasia teve que criar seu unigênito. Naquela época, os pais de Sarah ajudaram a viúva nas despesas da casa. Isso possibilitou o estreitamento de relações entre Prisha e Anastasia.

Quanto ao desenvolvimento de Jonathan, Anastasia sempre contava a mãe de Sarah que o rapaz era um ótimo filho. A mãe de Jonathan sempre designava três qualidades primordiais: trabalhador, obediente e ativo. E isso foi aumentando o desejo de Prisha de tê-lo como genro, mas meses depois a filha matou o sonho ao levar Lars para jantar em casa. E para sepultar de vez o sonho em um mar de quebra de expectativas, Jonathan começou a namorar Alisha. Depois de um tempo, Prisha percebeu que os dois seriam um casal incompatível e impossível, e quando Jonathan ficou solteiro, achou melhor apostar na sobrinha para realizar o sonho de ter o genro perfeito.

Na percepção de Sarah, Jonathan estava longe de ser perfeito. Nas poucas vezes que viu o garoto, a palavra “chato” sempre pousava em seus pensamentos. Talvez isso se via pelo estilo visual do garoto – no qual Sarah categorizava como cafona o típico camisete, jeans e boné. Ou talvez seja por conta do pensamento desligado quanto a realidade, o qual Sarah preferia pensar como uma forma de petulância.

Mas o que mais a intrigava era o interesse de Alisha pelo básico garoto. A amiga era tão estilosa e descolada! Sarah sempre a enxergava como uma bonequinha gótica, daquelas que tem olhinhos bem grandes. E mesmo desconsiderando as aparências, o comportamento de Alisha era totalmente revolucionário e divergia com a mansidão de Jonathan.

A explicação da senhora Petrov de que Alisha poderia ter uma vida dupla começava a fazer bastante sentido.

— Senhora Anastasia... Como a senhora define vida dupla? – curiosa pelo assunto, Sarah perguntou buscando mais respostas.

— Bom, Sarah... No caso de Alisha, posso dizer que ela tinha vida dupla pelo fato de que era uma coisa para nossa família e outra longe dela. Se bem que sempre achei estranho essa garota escapar quando Jonathan expressava o desejo de conhecer a família dela. Mas enfim, isso é passado, né?! Vamos focar no presente... E você, Zara? — Anastasia se voltou para Zara.

Buscando manter a descrição dos últimos fatos que ocorreram e que a abalaram emocionalmente, Zara buscou ser simples e objetiva.

— Estou bem, senhora Petrov – a jovem disse sorrindo.

Zara sabia que Anastasia possuía conhecimento da sua atual situação familiar, mas ela preferiu não comentar nada sobre isso. Ela aprendeu que as respostas de seus problemas não se davam por dó alheia. E se fosse para confessar os seus problemas, Zara os depositaria em outra pessoa.

— Falando em presente – Prisha mudou de assunto – A real finalidade da visita foi resolver o problema de Jonathan com o computador. Onde ele está?

— Ah! Claro, claro! Ele está no andar de cima. Podem ir lá, garotas.

Prisha olhou para Sarah e ela entendeu o recado.

Rapidamente as duas subiram as escadas, e no corredor principal iluminado pela luz natural que vinha das janelas, as garotas começaram a ouvir uma melodia agradável.

Zara localizou Jonathan pela intensidade do som que vinha de seu quarto. Quando fez impulso para empurrar a porta, a jovem parou por um instante e olhou para Sarah. Em sua sinceridade, manifestou um pedido que estava guardando há muito tempo em relação a prima:

— Por favor, Sarah! Não me faça passar vergonha! Pelo menos dessa vez.

Notas finais
Vocês perceberam que não teve nenhuma mensagem ~misteriosa~? >:D Obrigadaaaaaaaaaa ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.