Cama de Gato
11 Tal qual um gato
Meu telefone toca, insistentemente. Eu me afasto a minha boca de Elias.
— Devem ser minhas amigas. Preciso atender— sussurro junto os seus lábios, tentando escapar dos seus braços
— Não precisa, não.
— Sim, preciso
Fujo dos braços dele e alcanço meu telefone, porém, a ligação caiu.
Penso em retornar, mas, Elias tira o telefone da minha mão.
— Você fala com elas, depois. — E beija, me puxando contra o seu corpo.
Então, desisto, minha resistência cai por terra, que se dane a prudência, já sou bem crescidinha para saber o que quero e eu quero esse cara aqui. E ele também me deseja, assim, por que não?
Sendo assim, deixou me levar por todas aquelas sensações lascivas, toques quentes, carícias indecentes e beijos sensuais. Nossa! Ele manda muito bem! Sabe direitinho o que fazer para me levar à loucura. Estou totalmente sem folego, o coração em disparada, zonza de prazer, quando caí sobre a cama e Elias despenca ao meu lado. Ficamos por um tempo ali, parados, só respirando, encarando o teto.
— Você não deixaria em fumar na sua cama, não é? — Ele quebra o silêncio.
— Não, mas pode ir para janela.
Com a minha permissão, ele se levantou, procurou suas roupas pelo chão e do bolso da calça, tirou um maço e um isqueiro, vai até a janela e a abre completamente, deixando o som das ruas invadir o quarto, quando ele acendeu o cigarro e dá uma longa tragada com prazer, jogando a fumaça para o lado de fora. Eu me cubro, com receio que os vizinhos me vejam pelada, contudo, Elias não se importa que o enxergue assim.
— Eu não sabia que você fumava — digo, enquanto o observou seu bonito corpo nu, debruçado no peitoril da janela.
— Só depois de uma boa transa com uma gostosa como você — comenta com um risinho malicioso.
Minhas amigas! Eu me lembro, levanto apressada, envolta no lençol e busco meu telefone, vejo que há um monte de mensagem, por fim, elas desistiram de mim e partiram para a noite. Enviei um recado, avisando que surgiu um contratempo e explicaria depois, com certeza, elas entenderiam, ou não?
Voltei para o quarto, Elias me agarra de jeito, acho que já está pronto para o segundo tempo, eu não resisto, gostando da ideia.
Depois de mais uma rodada tão ardente quanto a primeira, estou muito cansada, meus olhos pesam, quase fechando.
— O que vamos fazer agora? — Elias pergunta da janela, onde fuma mais um cigarro, sem demonstrara um pingo de desanimo.
— Fazer agora? Pensei em ficar aqui e dormir.
— Dormir?! Não deve ter alguma festa rolando por aí, podemos nos divertir.
— Eu já me divertir o bastante por hoje.
— Não seja estraga-prazeres, podemos conseguir alguma coisinha para você se animar e aproveitar a noite.
— Eu não quero coisinha nenhuma, já aproveitei a noite o bastante, só quero dormir um pouco — falei, virando de lado e me aconchegando no travesseiro.
Outra vez, ele apaga o cigarro no peitoril da janela e vem na minha direção, de quatro em cima da cama e em cima de mim, de um jeito suave, tal qual um gato.
— Como você foi boazinha, nós podemos ficar aqui hoje, se quiser.
Eu o observo pelos cantos de olhos, desconfiada.
— Como assim, eu fui boazinha?
— Você estava fazendo jogo duro, bancando a difícil, mas até gostei porque me deixou ainda mais excitado.
— E agora?
— Agora, eu continuo bem excitado com você — ele se inclina para me beijar, outra vez.
Estamos no meio da madrugada, deitados na minha cama, mergulhados penumbra, ouvindo os barulhos lá de fora pela janela aberta, meus olhos estão pesados, adormeço.
— Como será que George faz? — Elias pergunta sem motivo, parecendo bem acordado.
— Faz o quê? — desperto e resmungo.
— Você sabe...
— Não sei, não.
— Sexo. Como ele resolve o problema?
— Eu sei lá como!
—Será que ele faz sexo virtual com Leticia?
— Eu não sei, nem é problema nosso — Não disfarço a minha irritação, no entanto, Elias parece que não se dá conta.
— É, deve ser sexo virtual pelo computador, vou perguntar para ele. Você já fez sexo assim, Sabrina?
— Sexo virtual? Não.
— Podemos fazer qualquer dia desses, gosto de experiências novas, se bem que eu prefiro ao vivo, mas sempre é bom variar.
Aquilo era uma proposta? Virei de lado e tentei dormir, outra vez.
— Depois conversamos sobre isso, Elias.
Parecia que só dormir meia hora, quando acordo com algo roçando em mim.
—Sabbath, deixe eu dormir só mais um pouquinho —peço, ainda de olhos fechados.
— Não é Sabbath, minha linda — Elias sussurra no meu ouvido. — Acorde, porque vamos tomar café com George.
— Tomar café com George? — Eu me ergo, apoiada nos cotovelos. Agora, ele tem toda a minha atenção.
— Isso, vamos a algum lugar!
— Por quê?
— Porque eu liguei para ele e falei que dormir aqui, então ele nos convidou para tomarmos café da manhã juntos.
— Por que você fez isso?
— Porque nós dois somos amigos e achei uma boa oportunidade, para nos encontrarmos. Você vem?
— Sim, eu vou – respondi, mesmo sem concordar com aquela história.
— Então, levante-se, porque ele já está nós esperando.
Não podia acreditar nessa história, mesmo assim, me arrastei para fora da cama, sem muita vontade.
Nós três nos encontramos na portaria, para irmos a uma pequena cafeteria, ali perto, onde serviam um bom café da manhã.
— Fiquei surpreso quando Elias me ligou, contando que dormiu no seu apartamento — George comentou, de modo casual, enquanto andávamos pela rua.
— Eu também fiquei bem surpresa, quando soube que ele fez isso.
— Só estava sendo espontâneo, afinal, seria uma boa oportunidade para nós três conversarmos.
— Então, as coisas entre vocês dois estão dando certo — George observa.
— Nós estamos nos dando muito bem. — Elias coloca o braço sobre os meus ombros.
Escolhemos uma das mesas e fizemos os nossos pedidos, considerei que, enfim, poderia ser uma boa ideia, tomar café com George.
— Você sabe que, ontem à noite, eu e Sabrina estávamos considerando se você e Letícia fazem sexo virtual, já que ela está fora há um tempão — Elias disse de um modo displicente, eu engasgo com o meu suco, enquanto, o rosto de George se transforma em uma máscara de espanto.
— Não foi bem assim — rebati com a voz baixa.
— Por que todo esse constrangimento, já que somos adultos e amigos? Inclusive eu e Sabrina pensamos nessa possibilidade, para apimentar a relação, mais tarde, depois, que cair na mesmice.
— Eu acho que esse é um assunto muito íntimo e só diz respeito a mim e a Sabrina, quer dizer, Letícia — George responde, constrangido.
— Entendo que não queria falar, mas isso quer dizer que sim — Elias fala todo animado.
— Vamos mudar de assunto — George pede, então eu e ele começamos uma conversa superficial.
Lá pelas tantas, Elias se levanta.
— Preciso ir, tenho umas paradas para resolver agora. A gente se fala depois, Sabrina — Ele me dá um beijo e um tapinha camarada no ombro de George.
Eu e George ficamos olhando para costas de Elias se afastando.
— Ele é sempre assim? — perguntei.
— A maior parte do tempo.
— Ele não deixou a parte dele na conta.
— Não tem importância, eu resolvo. E como vai o relacionamento de você?
— Não sei se posso chamar de relacionamento. Estamos ficando, para ver até onde vai dar.
— Tudo dependerá das suas expectativas.
— Juro que não tenho nenhuma. Elias é um cara legal, mas...
— Mas, ele tem aquele jeito de quem não se importa com nada — George conclui.
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