Cama de Gato
7 Só diversão
Comecei a rir, achando que aquele convite fosse apenas uma piada, mas Elias me encarou de um modo sério e percebi que era verdade, engoli em seco, meus olhos dançaram entre ele e George, que parecia um tanto estupefato e aborrecido com a situação. Por um segundo, pensei em recusar, mas, por que não? Afinal, ele não estava me pedindo em casamento, seria só uma noite, para me distrair um pouquinho, precisa disso, principalmente, depois de ter sido chutada por Eric.
— Sim, podemos sair — Quero parecer casual, descolada, Elias sorri vitorioso e se levanta.
— Vou deixar vocês sozinhos, para que George possa falar um pouco mal de mim — E vai em direção ao banheiro.
Voltei-me para George e esperei por suas palavras.
— Não tenho nada a dizer sobre isso. Vocês são adultos e responsáveis, porque teria que me meter nessa história.
— Acho que você não está sendo sincero.
—Já disse, que não tenho nada a ver com isso. Elias é meu amigo de longa data, mas ele não é, como direi, muito confiável. Eu vi como Letícia sofreu.
— Ela vinha chorar as magoas com vocês?
— Sim, eu disse a você que éramos amigos e que ela achava que eu era gay. Mas, nós só ficamos juntos, um tempo depois que ela terminou com Elias.
Ouvimos a porta do banheiro se abrir, então, nós nos calamos, em seguida, Elias apareceu na sala.
— O tempo de falar mal de Elias terminou — anunciou, em tom de brincadeira. Nós dois não protestamos, pois, era verdade e ele sabia disso. — Preciso ir agora — ele disse, vestindo a camisa. — Qual é o seu telefone, Sabrina? — Eu lhe dei o meu número. — Ligo para você para combinarmos. Obrigado por tudo, amigão — Deu um tapinha camarada nas costas de George, dois beijos no meu rosto e foi embora, ficamos encarando a porta fechada por algum tempo.
— Esse é o Elias — George completou.
— É — murmurei.
Ajudei George a arrumar a cozinha e lavar a louça.
— Quer assistir algum filme?
— Você não tem nenhum compromisso, hoje?
— Não, só mais tarde que falarei com Letícia.
— E você?
— Não, todos os meus amigos estão ocupados, não tenho nada programado, sendo assim...
— Você tem alguma preferência?
— Nada de filme muito triste ou de guerra.
— Nada de comédias românticas.
— Combinado.
Escolhemos um filme de espionagem, tenso. George fez pipoca e trouxe cervejas, assistimos, quase calados.
— Você vai mesmo sair com Elias? — perguntou, assim que o filme terminou.
— Ainda não sei. Talvez, ele nem me ligue — Dou de ombros, fingindo indiferença.
— Ele vai ligar, nunca dispensa a chance com uma garota bonita.
— Não exagere!
— Só não espera demais dele, pois, Elias não é capaz de se envolver, como, talvez, você queira.
— Foi assim com Letícia, não foi?
— Sim. No começo, ele parecia apaixonado, só falava dela, ficavam sempre juntos, foi mais ou menos nessa época que me mudei para aqui. Mas, de repente, tudo mudou, ele começou a se afastar, ficava dias sem aparecer e dar notícias, ela começou a vim aqui em casa, para perguntar se eu sabia dele.
— E você sabia?
— Sabia. Contudo, não queria dizer a ela, pois tinha certeza que ele a estava enrolado com outra garota. Fazia isso para que ela não sofresse.
— E você mentia para ela?
Ele deu de ombros.
— Ficava no meio, sem saber como agir, então, fazia o que eu achava melhor para os dois, mas, nem sempre o certo. Mas, finalmente, Letícia terminou Com Elias, de forma nada amigável.
Eu o fitei por alguns instantes, sem ter uma opinião se ele agiu certo ou não, nem saberia o que fazer se estivesse em uma situação dessas, quem sabe, agisse da mesma maneira. No entanto, isso não importa, porque comigo, seria diferente. Não iria bancar a boba, nem tão pouco me envolver com um cara como Elias.
Na terça, Elias me ligou, me chamando para sair, meu bom senso me dizia para recusar, mas eu nunca ouço o meu bom senso, por isso, aceitei, marcamos para quinta. Prometi para mim mesma, que seria uma pessoa centrada, que não me envolveria com ele, que seria só diversão e nada mais.
Na quinta, à noite, fiquei em dúvida que roupa usar, talvez, fossemos a apenas um barzinho descolado, mesmo assim, poderia usar só um jeans bacana e uma camisa bonita, no fim, optei por um vestidinho, mas, nada sexy, porque não queria passar uma mensagem errada. Não pretendia que ele achasse que estava interessada. Na verdade, eu estava, mas não muito, sentia-me um tanto reticente, devido à minha mais recente experiência e a fama de Elias. Então, deveria ir bem devagar, sem forçar a barra, ver até onde isso iria dar.
Meu acompanhante atrasou meia hora, eu havia feito um esforço e tanto para estar pronta, mais ou menos, na hora combinada, já imaginava que ele houvesse desistido. Enfim, ele chegou, surpreendentemente, bem vestido, em um belo carro, que me deixou impressionada, não esperava por isso. Foi só dentro do carro, que eu percebi que ele era mais bonito do que eu me lembrava.
— Desculpe-me pelo atraso, estava trabalhando.
— E em que você trabalha?
— Nada tão glamoroso quanto você. Digamos, com entretenimento.
— Isso é muito vago.
— Você vai descobri com o tempo.
Ele apenas sorriu, enigmático, me deixando ainda mais curiosa. Fiquei imaginando o que ele fazia. Precisava descobrir, vou perguntar a George.
Para minha completa surpresa, ele me levou a um pequeno e romântico restaurante, pediu vinho, comemos maravilhosamente bem. Aquele não parecia o homem um tanto inconveniente do outro dia, ele foi tão educado e atencioso como nunca esperaria.
Quando ele me deixou em casa, esperei, posso dizer que até desejei, que ele tentasse algo mais, pelo menos um beijo, contudo, como um perfeito cavalheiro, se despediu com singelos beijinhos no rosto, sem tentar mais nada, me convidando para sair no próximo fim de semana. Fiquei um tanto decepcionada, mas, quem sabe, não foi melhor assim. Achei que George tivesse exagerando ou Elias tivesse mudado, amadurecido. Quem sabe, eu poderia relaxar, ficar menos receosa em relação a ele.
Ao entrar no meu apartamento, Sabbath dormia confortavelmente no meu sofá, ele abriu os olhos e me olhou.
— Sabbath, sabe com quem em sai hoje? Com Elias. Você se lembra dele? Foi uma noite acima da minha expectativa! — O gato me encarou com pouco-caso, fechou os olhos e voltou a dormir, dei de ombros e fui para o meu quarto.
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