Cama de Gato
13 Contra a parede
É estranho estar nua sobre uma cama desconhecida, em um quarto desconhecido, depois de transar de forma tão intensa com seu namorado, durante uma festa de sei-lá-quem. Estranho e excitante. Posso ouvir o barulho lá fora da música e as vozes das outras pessoas, sei que a porta está trancada, mesmo assim fico um tanto receosa de alguém entrar e nos encontrar assim, pelados, ao contrário de Elias que está cochilando, relaxado, ao meu lado.
Dou pulo ao ouvir batidas fortes na porta.
— Abram essa porta agora! — Uma mulher enfurecida grita lá fora.
Fomos descobertos! Saio correndo da cama, cato minhas roupas espalhadas e me visto apressada, Elias faz o mesmo, porém, bem mais devagar. Em segundo, estou pronta, esperando ele terminar. Elias vai em direção a porta, respiro fundo, antes de ele abrir e saímos para deparar com um casal parado, no meio do corredor, a jovem mulher tem fogos nos olhos, está de braços cruzados e mandíbula travada, o homem parece que não está nem aí, só está fazendo figuração.
— Elias, como se atreve trazer uma vagabunda para transar no meu quarto! — A mulher vocifera.
Espero que Elias me defenda, que diga que não sou uma vagabunda, mas a garota dele, no entanto, ele não fala nada, então, eu mesmo vou dizer, mas não tenho tempo.
— Pronto, Sara. Já estamos indo — Ele segura a minha mão e me arrasta dali.
No carro de volta para casa, fico calada, estou magoada, olhando fixamente para a rua, na minha frente. Como ele pode ter deixado aquela mulher me tratar daquele jeito?
— O que foi? Por que essa cara?
— Aquela mulher me chamou de vagabunda e você não disse nada — falo, sem o encarar.
— Ah, isso! Ela é uma recalcada, estava com inveja porque o marido não lhe dá uns bons pegas desses — responde com desdém.
— Mas, você poderia dizer que eu sou a sua garota.
— Sim, você é a minha garota — ele alcança a minha mão e a segura com firmeza. — Então, porque se preocupar com que essa gente pensa? Você se divertiu, não foi?
— Sim, eu me diverti. Foi excitante — Dou uma risadinha e ele me olha de um jeito malicioso.
— Está vendo, valeu muito a pena. Adorei aquele seu conjuntinho. Ele é tão quente e sexy.
— Eu comprei hoje, logo após o café da manhã. Fui com George em uma loja, para comprar um presente para Letícia — revelo, na clara intenção de provocá-lo, quero ver a sua reação.
No entanto, ele não se altera.
— Letícia ficará surpresa ao receber um presente como esse e, com certeza, vai saber que não George que escolheu.
— Como você pode saber?
— Quem conhece George, sabe que ele não é capaz de algo tão audacioso assim.
— Como, ele nunca transaria no meio de uma festa, no quarto da anfitriã.
— Certamente que não — Elias fala, quando estaciona bem em frente ao meio prédio. O dia já está raiando, tingindo o céu de purpura e rosa. — A gente se fala.
— A gente se fala — repito, ao abrir a porta e, no momento que estava saindo, ele me puxa pela mão e me beija, docemente, se afasta com um sorrisinho sexy e um olhar quente. — A noite foi demais.
A noite foi, sem dúvida alguma, demais, será que vai ser sempre assim? Demais. Nesse momento, só quero dormir. Ao chegar no meu quarto, fico feliz em encontrar Sabbath dormindo sobre a minha cama.
Segunda-feira e aquela preguiça típica, chego ao trabalho, Elisa vem com passos duros na minha direção.
— O que aconteceu na sexta? Ficamos esperando você por um tempão!
— Um imprevisto urgente. Coisa de família — menti.
Ícaro passa por nós e dá um bom dia musical.
— Ele deve ter feito as pazes com o namorado. Teremos um bom dia, hoje — Elisa predisse e foi verdade.
Durante o resto da semana, só me comuniquei com Elias através de rápidas mensagens de texto.
Quarta-feira, recebi uma mensagem mais animadora.
“Vamos jantar juntos? ” Só que não era de Elias, mas de George.
Até entendia, já que ele era um solitário como eu, apesar da namorada dele estar viajando, enquanto eu não tinha a mínima ideia do que o meu crush andava fazendo nesses últimos dias, então, aceito.
— Afinal, o que Elias faz? — questionei a George, enquanto aprecio o delicioso frango que ele preparou.
— Elias faz de tudo um pouco.
— Como o quê?
— Como promover festas, pessoas, eventos, além de ser sócio da Fox. Ele conhece muita gente e muita gente conhece ele.
— A boate Fox?
— Sim, ele é um dos sócios. Você não sabia disso?
Sacudo a cabeça
— Isso explica porque ele vai a tantas festas e conhece tanta gente. É o trabalho dele.
— Bem, não dá para chamar isso de trabalho, porque ele gosta muito disso, desde que éramos garotos, foi assim, ele estava sempre agitando. Atualmente, ele está se dedicando mais a boate, fez dela um grande sucesso.
— Ele bonito, bem divertido e charmoso, isso chama a atenção. Eu sei bem como é, meu mundo é cheio de gente assim.
— O oposto de mim — George confessou, com um sorriso triste.
— Você é um cara bonito e confiável.
— Isso parece slogan de um... carro. Bonito e confiável. Mas, não sou como Elias.
Eu ri.
— Ninguém é como Elias. Ele é único, o pior é que ele sabe disso — admito.
Como se adivinhasse recebo uma mensagem dele.
“ Vou passar por aí mais tarde. Você está em casa? ”
— É dele? — George perguntou, disfarçando sua curiosidade.
— Sim — respondo, enquanto digito que estou jantando no apartamento de George. Não tem porque mentir.
Aguardo uma resposta.
Silêncio.
— Tem falado com Letícia? — Desvio o assunto.
— Sim, quase todos os dias, ela me conta as novidades, está gostando muito do lugar.
— E onde ela está mesmo?
— Em Sidney, Austrália. Muitos insetos, muita cerveja e pouca água. Deve voltar daqui a uns seis meses.
— Deve ser estranho estar com alguém, ao mesmo tempo que não está.
— Eu estou me adaptando bem, além disso, tenho Sabbath e você.
— A mim? — De certa forma, aquelas palavras me assustam.
Quando o interfone toca, George ergue a sobrancelhas em interrogação, mesmo que os dois imaginem quem seja. E estávamos certos.
— Ainda sobrou comida para mim? — Elias pergunta, assim que entrou.
— Sim, bastante — George vai até a cozinha em busca de um outro prato e talheres.
Elias se inclina para me beijar. Um beijo quente e demorado. Só nos afastamos ao perceber o retorno de George. O recém-chegado se senta ao meu lado e começa a se servir, sem cerimônias.
— Essa semana foi um saco! — ele exclamou, com ar aborrecido, nós dois olhamos na sua direção, esperando por mais, que não houve. — Você não tem algo mais forte para beber, George? — disse, ao reparar os copos com água sobre a mesa,
— Sim, e você sabe onde fica.
Elias se levantou foi até um pequeno móvel e revelou seu conteúdo uma bela coleção de bebidas. Ele escolher uma garrafa de vodca e se serviu de uma dose generosa, em seguida, tomou um longo gole.
Mais tarde, quando saímos do apartamento de George, usamos as escadas, já que moro no andar de baixo. Estávamos no meio do caminho, sob a luz fraca, quando ele me pressionou contra a parede e me beijou.
— Já transou na escada, Sabrina? — sussurrou no meu ouvido
— Você está brincando?! Aqui?! E se alguém passar?
— Essa é a graça, a possibilidade de sermos flagrados.
Fiquei dividida, por um lado essa ideia me instigava, por outra eu tinha medo, no entanto, Elias não me deu tempo para pensar, me pressionando contra a parede.
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