Calorosa Distância

1 Prólogo – Garotas gostam de garotas


Notas iniciais
Para a felicidade de Hello...
Ou não, rsrs.

[Sexta-feira, 02 de março de 2018]

— Helloisa!

A garota se assustou, pulando do banco onde estava sentada. Confusa, voltou-se para sua amiga Ember, parada em pé à sua frente e a encarando com uma expressão irritada.

— O que foi? — Hello perguntou, corando levemente diante daqueles olhos castanhos furiosos.

— Ah, agora você me escuta? — Ember arqueou uma sobrancelha, irônica. — Você não pareceu escutar eu te chamando nos últimos 10 minutos.

— Desculpa, estava distraída. — Algo na expressão da amiga fez Hello se sentir desconfortável e culpada.

— É, nós vimos o que te distraiu. — Comentou Vitória, que estava sentada ao lado de Hello, abrindo um sorriso extremamente malicioso. — Sabe, você devia ir falar com ela de uma vez.

O quê?!

Hello quase teve um infarto quando Ember, ainda à sua frente, revirou os olhos e apontou para o outro lado do pátio, próximo à entrada da escola.

Sentada com as costas apoiadas em uma árvore, Isy Kim estava concentrada no caderno em suas mãos, onde fazia um belo desenho. Seu longo cabelo castanho estava solto, fazendo-a erguer a mão diversas vezes para afastá-lo do rosto. Seus olhos castanhos e brilhantes acompanhavam atentamente o movimento do lápis.

— Você não para de encará-la desde que ela foi transferida, o que já faz um mês. — Vitória disse, ainda sorrindo. — É surpreendente ela não ter notado.

— Ah, cale a boca! —Exclamou Hello exasperada, pegando sua garrafa de água embaixo do banco e aproveitando para esconder o rubor de seu rosto.

Ela só queria enfiar o rosto no buraco mais próximo e nunca mais sair de lá.

— Mas, sabe... — Ember começou a falar com um sorrisinho estranho, observando a garota abrir a garrafa e tomar um gole de água. — Você devia ter falado para suas amigas que estava gostando de alguém.

Hello engasgou com a água, tossindo feito uma condenada. Internamente, estava torcendo para morrer ali mesmo e não ter que encarar aquelas duas, mas ela não teve tanta sorte, já que Vitória foi ajudá-la dando tapinhas em suas costas. Só que Vitória não era lá muito delicada, o que resultou em um tapa forte demais que fez Hello se desequilibrar e ir para frente, batendo com a cabeça na barriga de Ember, que também se desequilibrou e tropeçou, caindo com tudo no chão. Mas é claro que não acabou por aí, já que ela agarrou no braço de Vitória antes de cair, e esta agarrou Hello para tentar se firmar.

Logo as três estavam caídas no chão e metade das pessoas presentes no pátio as encaravam como se fossem retardadas.

— Por que eu sou amiga de vocês mesmo? — Ember resmungou, levantando-se com uma careta de dor no rosto e os cabelos escuros bagunçados.

— A culpa é sua por falar besteira! — Hello estava com o rosto vermelho de raiva e vergonha quando se levantou, indo ajudar Vitória que aparentemente havia desistido da vida e continuava largada no chão. — E eu não gosto dela!

Mas enquanto se acomodava novamente no banco, observando Ember resmungar e Vitória ajeitar seus óculos, não pode deixar de pensar sobre o porque de prestar tanta atenção em Isy, e se perguntou se Ember poderia estar certa.

***

— Ah, meu Deus! — Hello gritou de repente. — Eu acho que gosto da Isy!

A expressão de desespero da garota fez Vitória rir, enquanto Ember apenas franziu o cenho.

— Conte-nos uma novidade. — Vitória disse, passando a mão pelos cabelos curtos, parecendo indiferente à grande descoberta da amiga.

Assim que acabaram as aulas do dia, Hello arrastou as duas para sua casa (sua mãe já estava conformada com essas visitas inesperadas), alegando que precisava de ajuda no dever de geografia. No final, ela ficou andando em círculos no meio do quarto e resmungando frases desconexas, ainda pensando nas palavras de Ember, sendo observada por suas amigas que a encaravam como se ela fosse louca.

Vitória estava sentada no chão, abaixo da janela, com o caderno de matemática aberto sobre suas pernas cruzadas, e Ember acomodava-se na cadeira de rodinhas em frente ao computador, segurando um pacote de salgadinho recém-aberto.

— Por que você está tão desesperada? — Ember perguntou.

— Eu... não sei. — Hello suspirou. — Eu nem sabia que gostava de garotas. E se meus pais não apoiarem?

— Veja por outro lado... — Vitória chamou a atenção delas. — Se você for bissexual, você pode chegar neles e dizer "eu sou a Universal".

Ela riu de si mesma, mas as duas a encararam como se um chifre tivesse crescido em sua testa, fazendo-a corar.

— Certo, ignorem isso. Mas você não precisa se preocupar, seja você mesma e vai com tudo. Ou algo assim.

— Você é péssima em incentivar as pessoas. — Ember balançou a cabeça. — E nem pense em fazer aquele "just do it', ouviu?

Ignorando a expressão indignada de Vitória, ela voltou-se para Hello com uma expressão indecifrável.

— Se você gosta dela, devia tentar se aproximar. — Deu de ombros e desviou o olhar. — Você está secando ela já faz um mês.

— Eu não...

O protesto de Hello foi abafado por uma exclamação alta de Vitória, que havia se levantado e agora observava algo pela janela com surpresa.

— Hello, já compraram a casa do lado? — Perguntou com a voz estranhamente aguda.

— Hm, sim. — Hello franziu o cenho. — Minha mãe disse que era uma mulher e a filha, elas devem terminar a mudança ainda essa semana. Por quê?

— Você deviam dar uma olhada.

Ember e Hello se entreolharam e foram até a janela, observando a parte visível da entrada da casa vizinha. Levaram alguns segundos para compreender o que viam.

Andando em direção à casa como se fosse a coisa mais normal do mundo, carregando duas malas de viagem, estava Isy Kim.

Hello levou alguns minutos para processar a informação, mal reparando quando Ember e vitória se afastaram da janela e a chamaram, logo desistindo e começando a discutir sobre os incentivos de Vitória (Hello pensou ter ouvido um xingamento que parecia "filhote de Chewbacca"). Ela só se moveu quando viu Isy adentrar o quarto que possuia uma janela bem em frente à sua.

— Eu acho que vou morrer.

Isy era sua mais nova vizinha e Hello apenas queria estar morta.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.