Calmaria
1 Calmaria
Notas iniciais
espero q ces gostem aguardo comentários
beijinhos
Nico ainda estava achando aquilo um pouco idiota — mas só um pouco, não tanto quanto quando Will apareceu com aquela ideia. E também estava preocupado que alguém os pegasse sozinhos no meio da noite no chalé 13.
Mas ele estava gostando, não tinha como negar. Não achou que seria tão reconfortante.
Mesmo assim, ainda era estranho.
Quando Will perguntou porquê Nico não estava conseguindo dormir — e ele nem perguntou se ele não estava dormindo, mas porquê, já que as olheiras no rosto do filho de Hades eram auto explicativas — Nico não conseguiu mentir: precisou contar sobre os pesadelos.
Ele não contou sobre o quê eram os sonhos. Apenas que eles estavam ali. Não queria que ninguém soubesse, nem mesmo Will. Parecia algo intímo demais, ou até mesmo vergonhoso para ser contado. Will não o pressionou. Ele nunca o pressionava. Bem, talvez um pouco no início quando eles ainda não se conheciam muito bem. Mas isso não importa, Nico estava grato por Will ter parado de o tocar tantas vezes e em momentos aleatórios quando se deu conta de que Nico realmente tinha um problema envolvendo intimidade.
— Eu passei tanto tempo sem ninguém por perto. — Nico havia dito, em uma tarde, duas semanas antes de começar a namorar Will, mas nessa ocasião ele nem sequer imaginava que um dia eles estariam namorando. — Sem ninguém tocando em mim. E só é muito bizarro isso tudo.
Will assentiu. Talvez aquilo fosse estranho para ele, que estava sempre abraçando e tocando nas pessoas, mas ele também compreendia Nico. Precisava compreender.
E Nico também estava se acostumando com alguém realmente querendo estar perto dele. Com alguém querendo tocar em sua pele.
As vezes era realmente complicado pensar que essa pessoa era Will, porque, bem, Nico constantemente refletia como seria se estivessem nos anos 30... E tudo o que ele pensava era que seria mandado para um campo de concentração por estar daquela forma com outro homem.
Nico prendeu a respiração por um momento, com todas essas coisas vindo em sua mente mais uma vez. Ele se forçou a se concentrar na voz de Will: ela sempre o acalmava.
Nico amava como tudo em Will era relaxado. Suas palavras, suas ações, seu modo de pensar. Tudo. Aquilo fazia Nico esquecer sobre todos os pesadelos. Sobre estar correndo de monstros, sobre as pessoas gritando com ele e o chamando de nomes horríveis, sobre se imaginar perdendo outra pessoa que ama.
Ele suspirou ao mesmo tempo em que Will virou a página do livro com apenas uma mão — a outra estava ocupada há vários minutos com as pontas dos dedos se afundando nos cabelos negros e fazendo um carinho lento e que deixava Nico cada vez mais relaxado.
Na verdade, não sabia dizer porque se sentia relaxar cada vez mais. Talvez porquê estivesse deitado no ombro de Will e o ter tão perto assim era sempre gostoso... Exceto quando os pensamentos ruins apareciam.
Nico não estava prestando atenção na história, mas sim no tom de voz, nas vibrações. Will havia dito que aquele era seu livro da infância favorito e foi com ele que aprendeu a ler e passar por cima da dislexia. Nico se perguntou se isso era o tipo de coiso que casais faziam: ler para o outro dormir.
Provavelmente não.
Ele era péssimo em relacionamentos e as vezes se sentia um lixo por isso. As definições de namoro que tinha era basicamente os namoros dos anos 30 e eles não eram uma referência nem um pouco boa. Sabia, observando as outros casais, que ele e Will não formavam um casal comum. Estavam namorando há quase três meses e tudo o que faziam juntos basicamente era brincadeiras bobas um com o outro, como Will tentando formar desenhos com as pintinhas que Nico tinha no braço ou Nico tentando adivinhar como é que Will ganhou aquela cicatriz estranha embaixo do joelho (Will sempre inventava uma história diferente, o que era engraçado e irritante ao mesmo tempo) e, quando estavam sozinhos, apenas se abraçavam e conversavam sobre coisas aleatórias ou Nico tentava ensinar Will a se guiar pelas estrelas à noite, mesmo que Will se embaralhasse todo e mais encontrasse formas de animais no céu estrelado do que qualquer outra coisa. Nico gostava de ouvir Will falando. Ele era bom em usar a voz e Nico era bom em usar os ouvidos. Eles se completavam, de certa forma.
Ah, também se beijavam as vezes, mas a maior parte deles era apenas selinhos. Nico ainda não se sentia tão confortável assim com isso, mesmo que ele quisesse muito. Se perguntava se Will ficava chateado ou incomodado com isso. Ele provavelmente não diria se isso o incomodasse. Will era gentil demais para dizer algo do tipo.
As vezes ele achava que iria surtar e entrar em pânico pensando nisso.
E se ele não fosse o suficiente para Will? E se Will encontrasse alguém melhor? E se Nico não estivesse apenas sendo imbecil por se sentir tão estranho quando pensava em contato íntimo?
Pare de pensar nisso.
— Você está bem?
Nico levantou o rosto e olhou para Will, para seus olhos. Ele era a única pessoa do mundo que Nico conseguia olhar no fundo dos olhos e se sentir bem com isso. Gostava daquelas íris azuis. Não era um azul elétrico como as de Jason, mas um azul tranquilo que lembrava um lago calmo ou um céu ensolarado.
Nico confirmou com um aceno.
— Continua. — ele pediu, baixinho, ajeitando a cabeça no ombro de Will novamente. — Por favor.
Will virou a página novamente, com a outra mão indo até a cintura de Nico.
Nico mordeu o lábio, então se aproximou mais de Will, praticamente colando seus corpos.
Sentiu-se aliviado quando Will começou a ler em voz alta novamente.
Ele está aqui. Ele não estaria aqui fazendo isso se não gostasse de você. Está tudo bem.
Demorou um pouco mais para seu coração diminuir o ritmo das batidas. Nico se forçou a seguir as palavras de Will, dando total atenção para aquilo e nada mais.
Era bom. Ele estava feliz, afinal.
É tão estranho que alguém esteja preocupado de verdade comigo.
Eu não sentia isso há anos.
Nico fechou os olhos lentamente.
Pela primeira vez em semanas, ele não teve nenhum pesadelo.
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