Calma, Podemos Explicar!

1 Capítulo Único - A Festa


Sekaaaai de ichiban ohime-sama... ♫

“Não... Não! Por favor, seja apenas um pesadelo...” suplicou mentalmente um garoto de belos cabelos louros ao ouvir o toque de seu celular.

Não eram nem seis horas da manhã e a voz de Miku podia ser ouvida no toque, escolhido especialmente com o propósito de denunciar quando a garota ligava.

“Alô...” com uma voz irritada e sonolenta de quem acaba de ser acordado contra a vontade, Len atendeu o celular, interrompendo o cantar da garota.

“Seu preguiçoso! Como consegue dormir num dia como esse? E vê se abre logo esta porta, já é a qüinquagésima vez que toco a campainha e ninguém atende! Olha que eu pulo o muro, viu! E vou aí chutar seu traseiro preguiçoso pra fora dessa cama!”

“Paciência. Paciência. Estrangular amigos não é algo muito legal de se fazer, Len. Principalmente no aniversário deles.” Pensou o garoto, tentando acalmar-se.

“Dá um tempo, Miku. Eu já vou descer.” Respondeu Len, com a voz mais amarga que alguém poderia emitir.

O rapaz levantou-se, vestiu a camisa que estava jogada sobre uma cadeira e foi dar as (não tão) boas vindas à sua visitante.

“Oi.” Disse ele com uma voz ainda amarga enquanto abria a porta de casa, deixando a amiga entrar.

“Você poderia, por favor, me explicar o que faz aqui a essa hora da manhã? A festa só será à noite, não é?” Continuou o garoto.

Mas Miku já não ouvia. Ela já estava na sala, movendo alguns móveis, como se estivesse na sua própria casa.

“Rin! RIIIN! Se você valoriza a sua vida é bom que não esteja dormindo, mocinha! Eu te dou 2 minutos para descer aqui e me ajudar!” gritou Miku.

Um gemido vindo do andar de cima parecia concordar com as ordens dela. Ninguém ousava contrariar a garota de longos cabelos azul-esverdeados quando a mesma surtava.

“E você!” Continuou Miku, olhando para Len “Mexa-se também!”

Enquanto ajudava a garota a mover uma mesa, Len tentou novamente extrair alguma satisfação da moça.

“Eu estava perguntando por que diabos você apareceu aqui com 12 horas de antecedência.”

“Mas é claro que eu não ia deixar para organizar tudo em cima da hora. Afinal, é a minha festa surpresa!”

“Não é mais surpresa se você sabe sobre a festa, Miku”, suspirou Len.

“Humpf! Eu sei disso, tá? Mas acontece que não ia sair nada decente se eu deixasse tudo nas mãos de vocês. É só eu fingir que não sei de nada e problema resolvido.” Respondeu Miku, como se aquilo fosse perfeitamente normal e aceitável.

“Ah, obrigado pela confiança. Quer dizer que nem uma festa nós sabemos organizar? Tudo bem. Entendi.” Protestou Len.

“Sem dramalhão a essa hora da manhã. Vai chamar a dorminhoca da sua irmã que é melhor.” Respondeu indiferentemente a garota, enquanto tirava alguns CDs da bolsa que trouxera.

“Claro, claro...” Respondeu o garoto com amargura, enquanto subia as escadas.

“Ei! Ei, Rin!” Chamou Len, batendo à porta do quarto de sua irmã. “É melhor levantar logo. Ela vai acabar vindo te chutar mesmo da cama.” Alertou o rapaz, enquanto lembrava-se tristemente de experiências nada agradáveis relacionadas a isso.

“Tá.. Tá... já vou...” respondeu Rin, enquanto levantava.

“KYAAA!” Um ruído de vidro quebrando-se seguido por um grito fino interrompeu a conversa dos gêmeos “Quem diabos colocou esse vaso aqui? Eu podia ter morrido, sabia?” protestou Miku aos gritou, no andar de baixo.

Os gêmeos suspiraram em uníssono.

“Ela vai acabar demolindo a nossa casa, isso sim.” disse Rin ao sair de seu quarto com uma expressão nada feliz.

Ao descerem as escadas, os gêmeos depararam-se com a garota varrendo alguns cacos de vidro para debaixo de um grande tapete azul, como se essa fosse a melhor atitude a se tomar.

“Prontinho!” exclamou Miku, orgulhosa do “grande trabalho” que fizera.

“Alguém pode se machuc---” começou Rin, mas interrompeu-se ao ver a expressão do irmão. Len, mais do que ninguém, sabia que não é uma sábia decisão contrariar gente maluca.

Miku havia mudado boa parte dos móveis de lugar, abrindo um grande espaço no meio da sala, que já estava decorada desde a noite anterior com laços e balões verdes e negros.

“Não me venham com essa cara feia, vocês dois. Já estaria tudo arrumadinho se vocês me tivessem deixado dormir aqui depois da arrumação da noite passada.”

“Não!” Responderam depressa ambos os Kagamine.

“Humpf!” disse Miku, virando o rosto de lado com irritação.

“E correr o risco de não dormir com você tagarelando, reclamando, mandando e desmandando a noite inteira? Não, obrigado.” Pensaram os gêmeos, também ao mesmo tempo.

E o resto do dia dos gêmeos resumiu-se a obedecer fielmente às ordens de Miku, por mais malucas, cansativas ou inconvenientes que fossem – amarrar ainda mais laços em todos os cantos visíveis da sala, pendurar luzes de natal de um lado a outro do cômodo, encomendar dezenas de pizzas (na conta dos gêmeos, óbvio)...

Por volta das 5 horas da tarde, Rin e Len já estavam exaustos tanto física quanto psicologicamente. Vejam bem, além de cederem a própria casa de bom grado (lê-se “à base de ameaças”) para a realização do evento, ainda foram obrigados a trabalhar feito escravos desde a hora que acordaram. Para Miku, não haviam feito mais do que sua obrigação.

“Afinal, é pra isso que servem os amigos, não?”

Triimm!

Às 5 e meia a campainha toca – o primeiro convidado.

Len atendeu: era Kaito.

“Ah, oi cara.” Disse o Loiro.

“Oi.” Respondeu o jovem de cabelos azuis.

“Ela está lá dentro. Vai nessa, garanhão.” Debochou Len. Ele sabia sobre a fraqueza do amigo.

Kaito abaixou o rosto para impedir que o Kagamine o visse corar.

“Tem gosto pra tudo mesmo...” Pensou Len, seguindo o amigo que caminhava rumo à sala.

Sobre os ombros de uma Rin em agonia, Miku fixava alguns pôsteres na parede.

“Prontinho! Pode me descer.” Disse Miku, ao terminar de fixar uma enorme foto de si mesma ao lado de uma espécie de lista. Rin respirou aliviada enquanto livrava-se do peso.

“Ah, Kaito-kun! Você chegou cedo!” disse Miku, indo em direção ao convidado.

“É que... Eu pensei que talvez pudesse ajudar em algo...” Respondeu timidamente o rapaz.

“Oh, que fofinho” Debochou Rin.

“Tão atencioso, né?” Len acompanhou a irmã, e os gêmeos se entreolharam com cumplicidade.

Kaito passou de corado a quase-febril enquanto os gêmeos abafavam risinhos. Mas antes que Miku pudesse manifestar alguma reação, a campainha tocou novamente.

Dessa vez era Luka.

“Luka-chan!” gritou Miku enquanto corria em direção da jovem de longos cabelos róseos para abraçar-lhe, deixando Kaito totalmente em segundo plano.

“Meus parabéns, Miku-san” disse a jovem com um sorriso meio sem graça. Ela era a mais calma e reservada e não costumava andar aos afagos com os amigos.

As duas seguiram em direção à cozinha, deixando Kaito na companhia dos gêmeos.

“E então? Hoje vai, né, Kaito?” Perguntou Rin com um sorriso malicioso.

“Aposto que não há oportunidade melhor que essa. Um dia feliz pra ela e tudo mais...” Continuou Len, com a mesma expressão da irmã.

“E-eu... Não sei do que estão falando...” desconversou Kaito.

“Ah, corta essa, vai, Kaito. Tá estampado no seu rosto...” Respondeu Rin, deixando Kaito ainda mais sem graça.

“Tsc. Salvo pelo gongo, Kaito.” Disse Len, ao ver Miku e Luka retornarem com algumas bandejas nas mãos, que foram milimetricamente organizadas sobre uma das mesas pela aniversariante.

“Hum... E o que é isso aqui, Miku-san?” Disse Luka, apontando para a lista fixada na parede.

“É o cronograma, claro. A lista de todas as atividades que faremos durante a festa com seu respectivo horário.” Respondeu Miku, prontamente.

“Ah... Err... Você não que isso é um pouco... arr...” Luka não conseguia encontrar uma maneira delicada de dizer.

“... Egocêntrica, mandona e maníaca por organização demais?” terminou Len, sem se preocupar em escolher as palavras.

“Humpf! Qual é o problema em quer ter uma festa organizada? Mas claro, alguém como você jamais entenderia mesmo. Seu bagunceiro inútil.” Respondeu Miku com mau-humor.

“Não vejo problema nisso. A pergunta mesmo é por que ‘Karaokê’ é atividade principal. Afinal, nós já ganhamos a vida cantando, não é?” Disse Rin, interrompendo a discussão que estava por vir. "Fazer isso também no tempo livre soa até deprimente..."

“Não se preocupe. Também vamos ter outros jogos. Por exemplo...” Respondeu Miku, pegando um dos CDs que trouxera “Também jogaremos ‘Voca-Hero’.”

“Eu não me lembro de lançarem esse jogo...” Disse Len.

“É porque não lançaram. Eu mandei um amigo editar o jogo original e colocar nossas músicas.” Respondeu Miku.

“Mas... isso não é contra a lei?” Perguntou Rin um pouco insegura, temendo a reação da aniversariante.

“Ora, baixar músicas na internet também e, no entanto...”

Todos param e olham na sua direção, leitor. Ok, eu admito. Na minha direção também.

“E a Meiko? Não vem? Já está quase na hora...” Perguntou Miku olhando o relógio na parede.

“Ela já deve estar chegando em breve, não se preocupe.” Disse Kaito, para tranqüilizar a jovem.

Mas o ‘em breve’ demorou mais do que o previsto. Já passava das sete horas e nada de Meiko.

“Tá legal. Ela não vem. Vamos começar sem a Meiko.” Disse Miku com um ar de irritação, levantando subitamente da poltrona onde estava sentada.

Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!

Mal suas palavras foram pronunciadas, alguém começou a tocar ininterruptamente a campainha, provocando um insuportável ruído.

“Será que é ela?” perguntou Kaito cobrindo os ouvidos.

“Pelo bem dela, espero que não seja.” Disse Miku com uma voz que era puro veneno.

Entretanto, a pessoa que surgiu diante de seus olhos quando a moça abriu a porta era, de fato, Meiko.

A mulher de cabelos curtos e roupas rubras jogou seu braço sobre o ombro de Miku, num abraço que mais parecia um golpe.

“MIKUUU-CHAAAN! PARABÉNS! TÁ FICANDO *hic* VELHA, HEIN! DAQUI A POUCO *hic* DESPENCA TUUUDINHO!” Gritou Meiko, entre soluços, quase sufocando Miku com seu hálito que era puro álcool.

“EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ESTÁ BÊBADA! SUA... SUA...! COMO OUSA APARECER AQUI UMA HORA DEPOIS DO COMBINADO E COM A CARA CHEIA?! EU VOU TE...” gritou Miku em resposta, partindo para cima da amiga. Foi preciso Kaito e Len para conter a fúria de Hatsune.

“Se bem*hic*que não tem muita coisa *hic* pra despencar aí, né? KYAHAHAHA!” Meiko continuou com suas piadas típicas de quem não está sóbrio, ignorando totalmente o ataque da amiga.

Luka e Rin guiaram a bêbada até a sala, onde a mesma despencou sobre a primeira poltrona que viu.

“E essa*hic* festa, sai ou*hic* não sai?” Perguntou Meiko.

“Já teria saído se não fosse por você.” Respondeu Miku, agora mais calma. Havia decidido não manchar suas roupas de sangue naquela noite, seria um desperdício.

“Certo. Agora que todos chegaram, vamos começar de uma vez.” Disse ela, ainda com mau-humor, dirigindo-se até a porta. “Rin! Apague a luz!”

E em completa escuridão todos começaram a pensar basicamente a mesma coisa:

Rin: Não acredito...

Len: Ela vai mesmo fazer isso...

Kaito: Isso é um pouco... Bem...

Luka: Isso é mesmo necessário...?

Meiko: Yo-ho, amigos, Yo-ho... *hic* E uma garrafa *hic* de Rum! YAY! ♫

Bem, quase todos pensaram igual.

“Ué? Por que essa escuridão toda? Pessoal? Tem alguém aí?” Miku fingiu não saber de nada, enquanto acendia novamente as luzes.

“Parabéns pra você... Nesta data querida... ♫” mesmo achando tudo muito estranho, todos começaram a cantar.

“AH! Hoje! Hoje é meu aniversário? Ai, pessoal, nem sei o que dizer! Vocês fizeram tudo isso pra mim?! Obrigada!” Disse Miku, fingindo grande emoção.

Todos se entreolharam sem jeito. Só Miku conseguia interpretar daquela forma, mesmo.

Ao fim da música, os gêmeos sussurraram para Kaito:

“Só não cantamos a parte do ‘com quem será’ porque você desmaiaria e não poderia se declarar hoje." Debochou Len. "Que fique bem claro que foi apenas por isso, seu covarde.” Continuou Rin. E deram risinhos abafados.

E então a festa prosseguiu, sempre de acordo com o cronograma imposto por Hatsune.

Os gêmeos bateram palmas enquanto Luka derrotou Kaito nos jogos de luta e travaram uma verdadeira batalha nos jogos de corrida. Os convidados ainda dançaram na pista de dança que Miku sabe-se-lá-onde arranjou e assistiram a alguns filmes. Tirando as gafes que Meiko eventualmente cometia, todos estavam se divertindo bastante.

Por volta das 11 e meia houve a entrega dos presentes. Apesar de ter feito questão de dizer que "apenas a presença dos amigos já a faria feliz", Miku, na verdade, estava esperando (e muito) os presentes. Tanto que havia colocado isso no cronograma, na maior cara-dura.

Ganhou de Luka um belo vestido, de Rin um par de luvas e de Len uma caixinha de música. Meiko esqueceu o presente.

Kaito entregou-lhe timidamente um lindo colar com um pingente em forma de uma nota musical. E todos notaram que ela realmente havia adorado aquele presente, dado o grande sorriso que ela abriu ao vê-lo. Não um sorriso presunçoso ou convencido, mas um de sincero agradecimento.

“É... tão lindo... Obrigada, Kaito-kun...” disse ela, colocando o colar no pescoço, enquanto ainda sorria, radiante.

E todos pensaram basicamente a mesma coisa ao ver aquela expressão tão rara no rosto dela:

Rin: “Ah... ela fica tão fofinha...”

Len: “Você devia sorrir mais... Tsundere.”

Luka: “Coisa fofa.”

Kaito: “Tão... Tão linda...”

Meiko: “Garçom... aqui, nesta mesa *hic* de bar... você...”

Tá legal. QUASE todos pensaram a mesma coisa.

Meia noite. Miku e Luka disputavam ferozmente no ‘Voca-Hero’. Apesar de ser bastante contida, Luka adorava competir. E ganhar, claro. Miku também não ficava pra trás nesse aspecto, por isso ambas martelavam as guitarrinhas de videogame como se estivesse possuídas pelo capeta. Deve ser por isso que sempre associam o rock ao capeta, vai saber. Kaito assistia à partida, enquanto Meiko dançava e dublava loucamente ao fundo, afinal, a música tocada era ‘Akujiki Musume, Conchita’.

“Len! Vem cá! Me ajuda a levar isso aqui!” Rin gritou da cozinha.

Len levantou-se e foi ao encontro da irmã. Ao chegar lá viu a garota tentar equilibrar duas bandejas de suco nas mãos, falhando miseravelmente.

“Tsc. E como se não bastasse toda a exploração, ainda vamos ter que bancar os garçons.” Comentou Len, mal-humorado, enquanto pegava uma das bandejas.

Os Kagamine foram em direção à sala e....

PLAFT!

Meiko, no meio de sua dança que mais parecia uma espécie de ritual estranho, derrubou as duas bandejas, cobrindo Rin e Len de suco de laranja dos pés a cabeça.

“KYAHAHA! Você gosta *hic*de laranja mesmo, né? Foi *hic* mal...” Gargalhou, apontando para Rin, que saiu furiosa rumo ao andar de cima.

Dessa vez nem mesmo Kaito, Luka ou Miku contiveram os risos.

Len suspirou. Seguiu a irmã até o andar superior e depois dirigiu-se a seu quarto, em busca de roupas limpas.

“Legal, agora vou ficar cheirando a laranja até semana que vem...” ouviu a voz de Rin, junto de um barulho de chuveiro, reclamar.

“Que nada. E admite, vai. Até que foi engraçado.” Disse Len, enquanto tirava a camisa ensopada.

“Se só você tivesse sido atingido, eu estaria morrendo de rir, acredite.” Respondeu Rin, agora num tom mais descontraído. E ambos começaram a rir.

“Ei, eu já vou descendo. Acho que minhas camisas estão lá na lavanderia...” Disse Len, que não havia encontrado nada limpo para usar.

“Tá legal” respondeu a irmã.

Len já estava próximo à escada quando ouviu a voz de Rin novamente:

“Ei! Len! Espera! Len!”

“Ainda estou aqui. O que houve?” respondeu o garoto, parando em frente à porta do banheiro.

“Eu... Eu não consigo abrir... a porta...” Disse a jovem, forçando a fechadura.

“Espera, eu vou tentar.” Disse Len, puxando a porta o máximo que podia. “Droga, parece que emperrou.”

“E agora? Nenhum chaveiro vai vir a essa hora! Eu não quero ficar presa aqui até amanhã!” protestou a garota, num tom quase choroso de voz.

“Calma. Eu vou dar um jeito. Empurra o máximo que você conseguir desse lado aí que eu vou puxar deste. A porta vai ter que ceder.” Len tentou tranqüilizá-la.

“Ok.”

Os gêmeos gemiam, pondo o máximo de força que tinham... Mas nada da dita cuja ceder. Pararam, sem fôlego.

“Não está funcionando.” Choramingou Rin.

“Vamos tentar de novo.”

No andar de baixo, a demora dos gêmeos já era notada.

“Rin e Len estão demorando, né?” disse Luka.

“Tem razão. Será que aconteceu alguma coisa?” respondeu Kaito, preocupado.

“Vai ver *hic* eles já foram dormir... *hic*” Meiko adicionou.

“É bom que não estejam, se quiserem viver.” Disse Miku.

Nessa hora todos notaram os ruídos vindos do andar de cima: a voz arfante de Rin, como se estivesse realizando um grande esforço físico:

“Vai... Len... Força... Mais... Forte....!”

“Está... quase... lá...” Dizia a voz de Len, igualmente arfante.

E gemidos, acompanhados de sons de madeira batendo.

“Mas o que diabos aqueles dois...?” Kaito sussurrou.

Nesse instante ouviu-se um grande estrondo, assustando e fazendo com que os presentes partissem rumo ao andar superior para descobrir o que estava havendo.

Ao chegarem lá se depararam com a seguinte cena:

Rin, trajando apenas uma toalha de banho, estava deitada sobre o peito nu de Len. O rapaz retirava uma porta branca de perto dos dois, e ambos arfavam como se tivessem acabado e participar de uma corrida, mas, acredite, não foi numa corrida que os convidados pensaram quando viram os dois naquela situação.

Meiko foi a primeira a manifestar alguma reação:

“KYAAHHHAH! LEN! SEU*hic* SAFADINHO! E COM A*hic* PRÓPRIA IRMÃ?! KYAHAHA! E OLHA QUE A FIC NEM É 18+!*hic* ESPERA... O CASAL AQUI NÃO ERA OUTRO?” Gargalhou a moça, enquanto alternava olhares entre os gêmeos, Kaito e Miku.

Os Kagamine, que até agora não tinham sequer notado a presença dos demais, finalmente perceberam em que situação se encontravam:

“Espera! Não! Não é isso! Não é nada disso q---” Len começou a se explicar, mas foi interrompido por Rin que, colocando as duas mãos sobre o rosto do irmão para cobrir-lhe a visão, gritava de embaraço. Ficar seminua na frente de Len não é algo tão natural quando se tem quase 15 anos de idade.

Kaito desviou o olhar, devido às circunstâncias de Rin, e jogou-se ao chão bem em tempo de amparar Miku, que havia desmaiado devido ao choque. Meiko ainda gargalhava e soltava uma meia dúzia de comentários maldosos por segundo. Um novo recorde.

Luka foi a única que, mesmo muito embaraçada, resolveu agir. Primeiro expulsou Meiko do cômodo e ordenou que Kaito carregasse Miku até a sala. Depois partiu para separar os gêmeos: Rin, em estado de choque e ainda gritando, estava quase asfixiando o pobre Len.

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O único som que se ouvia na sala era o badalar do relógio. Já passava de 1 da manhã. Todos estavam sentados em silêncio, olhando os gêmeos, que estavam de cabeça baixa, sentados lado a lado.

“Então, podem começar a explicar.” Disse Luka, com uma expressão muito séria e as mãos na cintura. Como Kaito era muito passivo, Meiko estava completamente bêbada e Miku ainda estava desacordada, restou a ela assumir o papel de ‘chefe’.

E, assim, ainda de cabeça baixa, como se tivessem realmente feito algo errado, os gêmeos, já devidamente vestidos, explicaram tudo o que havia acontecido e como tinham terminado naquela situação tão embaraçosa.

Conforme tudo ia sendo esclarecido, suspiros de alívio encheram a sala. Todos estavam satisfeitos em saber que não houvera nenhum ato... bem... ‘não-adequado’ naquela noite...

“AH? QUALÉ! *hic* QUER DIZER QUE NÃO VAI TER NENHUM FANSERVICEZINHO NESSA BOSTA? QUE SACO! BANDO DE VIRJÕES! *hic*”

Bem, quase todos ficaram aliviados.

“SE VOCÊ CORRER *hic* AINDA DÁ TEMPO, KAITO-CHAN! A*hic* MIKU TÁ DOIDINHA PRA---” Começou Meiko, mas não pôde continuar, pois caiu desacordada devido à pancada que Luka deu-lhe na cabeça.

“Chega de besteiras por hoje, bêbada imprestável.” Disse Luka, com um tom de voz que poucas vezes era ouvido: o tom que ela usava quando estava no ‘modo fúria’.

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“Então, até amanhã e desculpe-nos, Rin, Len...” Disse Luka, com uma voz amável enquanto apoiava uma profundamente adormecida Meiko nos ombros.

“Não. Tudo bem. Boa noite.” Respondeu Rin, sorrindo para as amigas que já estavam indo embora.

“Pessoal... E a Miku...ela não acordou ainda...?” Perguntou Kaito, preocupado sobre como a amiga desacordada chegaria em casa.

“Nós a deixaríamos dormir aqui... mas acho que não seria bom... afinal, ela nem trouxe roupas ou o colchonete que ela sempre usa...” Disse Rin, piscando para o irmão.

“É, acho melhor que ela durma na própria casa mesmo.” Adicionou Len, com um sorriso.

E os gêmeos começaram a olhar de forma bem insinuante para Kaito.

“E... E-EU?” Kaito finalmente entendeu.

“Você não vai deixá-la dormir na rua, vai?”

“Tudo bem, já entendi.” Disse Kaito, tentando disfarçar seu embaraço.

E lá se foi o rapaz carregando Miku nas costas, esquecendo totalmente da existência do quarto de hóspedes ou das roupas que Rin poderia facilmente emprestar. No fundo, ele queria carregá-la mesmo.

Os gêmeos suspiraram de alívio, finalmente a sós. Aquela festa maluca que só havia trazido dores de cabeça finalmente havia terminado.

“Traga a desgraçada aqui para baixo.” Disse Rin, num tom seco.

“Não precisa mandar duas vezes” respondeu Len, num tom ainda mais seco.

Enquanto Len subia as escadas, Rin foi até a lavanderia, abriu um dos armários e pegou uma garrafa de álcool, uma caixa de fósforos e dois bastões de baseball. Em seguida foi até o quintal, onde encontrou o irmão, que já estava acompanhado ‘Dela’.

Juntos, os Kagamine a golpearam cruelmente, enquanto davam gargalhadas de satisfação. Por fim, cobriram-na de álcool e atearam fogo nela.

Ainda rindo, os dois assistiram a culpada de toda aquela confusão queimar.

“Isso, Morre.”

“Morre, diabo.”

E assim eles conseguiram vingança.

Agora, caro leitor, vamos fazer um minuto de silêncio pela pobre porta do banheiro.

Notas finais
Espero que tenham se divertido tanto quanto eu quando escrevi. Os fãs dos outros Vocaloids como Gumi, Miki ou Gakupo me desculpem. Não os inclui porque ainda sou iniciante em Vocaloid e não ouvi músicas deles ainda. Assim, não pude traçar uma personalidade para nenhum deles. ;3; Desculpem-me também os fãs da Meiko. Eu provavelmente a fiz parecer uma bêbada estúpida, mas não me julguem mal. Também adoro a Meiko. ♥ (E achei essa Meiko pinguça bastante engraçada) Ps.: Kaitox Miku FTW, I regret nothing.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!