Call of Cthulhu
4 Cap. 3 - O Parapsicólogo e a Criança.
—Senhorita Pereverzeva, eu sou grande fã de seu trabalho. -A voz que rompe a multidão, era uma voz italiana. O grande milionário da indústria da moda responsável por trazer os caríssimos casacos italianos para o país. Ele tinha olhos verdes e o cabelo milimetricamente penteado e com gel. Estava sentado próximo do observatório, junto de um adorável garotinho de cabelos escuros e rosto brilhante.
—Muito obrigada, senhor? -Lyza se vira para encarar o belo italiano, ela o olhou de cima a baixo e de baixo a cima. Uma técnica que aprendera já no campo para facilitar a memorização de fisionomias, procurar traços marcantes neles e para a surpresa, foram os olhos, eram verde escuro, mas mudavam para verde claro quando recebiam uma quantidade mínima de luz solar. Ele beijou a mão de Lyza e ofereceu um lugar no estofado à sua direita.
—Di Biasi, Giovanni Di Biasi. -Antes que Lyza pudesse retribuir a apresentação, ele chamou a atenção da filha. -Bianca, venha, conheça a nova amiga do papai. — A menina saltitou para perto deles com um sorriso no rosto, parecia estar brincando de amarelinha ou coisa parecida.
—Olha só, você é muito bonita. -Bianca girou nos próprios calcanhares e abraçou o pai enquanto Lyza a via. Sua maior fraqueza; as crianças, já que ela não podia ter filhos. Tudo em nome da União, a Посвящение, mesmo tendo sido feita há dez anos, podia sentir os aparelhos e ferramentas médicas dentro do próprio corpo.
—Obrigada. -Bianca sorriu inocente, como só uma criança consegue sorrir e em seguida, chamou o irmão. Podia parecer loucura, mas o pequeno italiano a fez lembrar de Luka e, infelizmente, do fim que ele levou, um tiro, um único tiro na testa, foi o que ela precisou para acabar com seu sofrimento.
—Vocês dois são muitos bonitos. -Lyza sorriu. -E soube que quer ser bailarina. -Ela chama Bianca para mais perto e lhe sussurra no ouvido. — Amanhã de noite, eu vou me apresentar aqui, gostaria de se apresentar comigo?
—Posso, papa? -Bianco pula no colo do pai.
—Madame Sorie é um prazer conhecê-la. -Do outro lado do salão, Joana tenta se aproximar da atriz que contemplava o próprio reflexo nas janelas do dirigível, tinha um cigarro nas mão e seu perfume era forte o bastante para espantar o cheiro do tabaco. -Sou uma grande fã de seus filmes…
—E o que você quer. -Anne lhe responde rude, deixando uma fumaça acertar o rosto da jovem.
— Eu só queria… -Joana tenta se explicar, mas a estrela de Hollywood começa a falar palavrões e a xingá-la de diversas formas. -Não, não vou te oferecer um contrato, só queria… -Antes que ela pudesse se explicar, Peter aparece para acalmar a situação e levar Joana para o bar.
—Ela não tão educada como as notícias dizem. -Ele confessa para ela. Lyza estava ali perto e testemunho a cena toda, a atriz era um retrato americano, orgulhosa e mal-educada. Foi então, que Joana percebeu o que Lza lhe havia dito; "o sonho americano, é só um sonho"... A bailarina estava caminhando para falar com Joana quando viu entrar seu alvo, Sergei Stanislaw, velho e com um bigode ridículo debaixo do nariz. Suas chances eram altas, embebedá-lo e depois fazer parecer suicídio, ou acidente, nada muito fora do comum, já havia feito aquilo em um laboratório trotskista na própria Rússia. De repente, sem qualquer aviso ou sinal, o zepelim sacode como uma bola nas mãos de uma criança, Joana caiu no chão se pode jurar que seu estômago havia ido direto para sua garganta, enquanto Lyza se segurava em Peter que se mantinha imóvel, como se nada tivesse ocorrido.
Ele cambaleou pelo corredor, seu penteado desarrumado refletia a Flórida depois de um furacão, seus papéis estavam no chão por toda a parte, tinham sido arremessados da mesa para o chão e, como sua porta estava aberta, acabaram no corredor. tinha pele clara, olhos acinzentados penetrantes e frios que agora estavam atras de cuidadosas de lentes de um óculos retangular preto, usados quanto ele se entregava a longas leituras. Enquanto ele recolhia suas paginas soltas e anotações, ouviu um som desesperado vindo do quarto 33.
—O que está acontecendo!? -Simon abre a porta com força, se deparando com Lohan e Anastásia tentando cuidar da pequena Cath que se debatia no chão tendo uma crise epiléptica.
—Ela está tendo uma ataque. -Lohan grita chamando Simon para ajudar a conter a garota, enquanto Anastásia procurava algo na bolsa.
—Eles estão aqui… estão aqui… estão aqui… -Cath falava repetidas vezes a frase, então seus olhos ficaram amarelos. -Assim diz o Rei de Amarelo, “o prélio dos antigos se manifesta nos modernos. O Caído tende a desejar o tesouro perdido e os Derrotados o erguerão para triunfar, o mundo cambaleará de um lado para o outro. E então...” -Era uma voz monstruosa, não cabia para um ser daquele tamanho e nem para alguém daquela idade. Simon porém queria ouvir o que ela tinha a dizer, mas Anastásia tentava chamar a filha de volta a razão.
—Cath, Cath, filha olha pra mamãe. -Anastásia acariciava o rosto da pequena, o medo era nítido em sua voz, não podia perder a filha, ela era o único raio de esperança em sua vida.
—Lohan, coloque isso na boca dela. -Anastasia entrega um pano para Lohan, ela tinha medo de que sua filha mordesse a língua, já que seu corpo não tinha controle sobre as próprias forças físicas. Anastasia usava todo o conhecimento que dispunha, havia afrouxado as roupas dela e erguia o queixo da filha para que a passagem de ar não fosse interrompida.
— Não, deixe-a falar. -Simon tenta convencer Lohan, mas o olhar de Anastasia o fez desistir que lutar para ouvir mais os sussurros monstruosos de Catherina.
—Não devemos segurar ela? -Lohan pergunta, podia sentir o suor frio correr a sua nuca, Simon estava perplexo, uma manifestação paranormal em uma criança que devia ter não mais do que oito anos era algo raro.
—Essa é a pior coisa que se pode fazer. -Anastasia diz olhando para Lohan em agonia, ver sua filha daquela forma era a pior visão da Terra. Porém naquela altura, Cath já estava recobrando a consciência e as próprias forças.
—Mamãe… -Cath rompe o silêncio com sua voz mansa e doce, havia se livrado do pano em sua boca e agora tentava ficar de pé..
—Ela parece melhor. -Simon constata olhando atentamente a garota, ruiva e russa.
—Sim. -Lohan afirma com um aceno de cabeça, era incrível Catherina estar de pé e sem qualquer sequela do ataque, como se o interruptor houvesse ligado e agora desligado.
—O que exatamente aconteceu? -Simon questiona olhando para Anastasia que analisava a filha mais de perto, porém ela não lhe deu atenção, Cath era mais preciosa e importante.
—Ela teve uma ataque quando o Zepelim sacudiu.-Lohan confessa, o tremor havia causado tudo aquilo.
—Bateu a cabeça?-Simon perguntou pegando um lápis do bolso de seu casaco e escrevendo o ocorrido em um de seus papéis.
—Não. -Anastasia responde indicando que estava atenta ao assunto. Ela se levanta ajeitando a roupa de Cath. Ela estava bem melhor, se tivessem visto duvidariam da história.
—Talvez deva levá-la para fora do quarto, sabe. Tomar um ar fresco. -Lohan diz após ver Catherina correr pelo quarto.
—Concordo.-Anastásia suspira em confissão, Anastásia tinha visto outras crianças fora do quarto. Talvez brincar com outras crianças seja uma ideia melhor.
—Mamãe posso ir brincar? -Cath pergunta para Anastásia, assim que a porta se abriu. Os três adultos deram de cara com o pictograma desenhado na parede era estranho, parecia uma estrela com um olho no centro.
—"Yirthiano" -Cathe diz séria, rompendo a imagem inocente criada agora pouco.
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