Notas iniciais
Não sei exatamente o que dizer sobre essa história. Apenas uma ideia que surgiu assim do nada, em uma noite chuvosa. Me disseram uma vez que é durante a noite que descobrimos o sentido de algumas coisas. Lembrando que a história nada tem a ver com o universo dos livros.

Jason não sabia exatamente o por quê de tudo aquilo. Quer dizer, na verdade, ele não sabia o por quê de várias coisas. Mas aquele em questão martelava insistentemente em sua cabeça.

Haviam tantas coisas por aquelas ruas italianas.

Mas bem ali, no meio daquele lugar. Em meio a tantas coisas e pessoas desconhecidas. Sentado em um banco, próximo de uma daquelas fontes maravilhosas que ele só via em cartões postais, estava aquele rapaz que capturara sua atenção.

Não que ele possuísse algum tipo de beleza rara. Mas havia algo nele que impedia Jason de desviar os olhos. Assim que passou a fitá-lo, uma sensação de leveza invadiu seu coração, bem lá no fundo. Não sabia por quê seu coração estava daquela maneira.

Sempre que seus olhos encontravam-se, o loiro desviava rapidamente, e prendia a respiração. Não sabia o por quê daquela reação.

Mais um para sua lista de incógnitas.

O rapaz estava bem ali, sentado e tão tranquilo. Lia um livro, e parecia ser engraçado, pois hora ou outra sorria sozinho, ou dava leves risadas. Jason achou aquela cena tão encantadora. A brisa passava bagunçando os cabelos do rapaz. Cabelos escuros, que enrolavam-se nas pontas.

Não sabia por quê, mas sentia uma enorme vontade de acariciar os cabelos dele.

Corou com aquele pensamento. E também não sabia o motivo de estar envergonhado.

Vez ou outra o rapaz desviava os olhos do livro para olhar para ele, e sorria. Um sorriso tão lindo, Jason jamais vira igual. Ele devolvia um sorriso tímido algumas vezes, e logo em seguida desviava sua atenção para outro lugar, tentando aquietar as borboletas em seu estômago.

Não sabia por quê aquelas malditas borboletas estavam ali.

Tentou aproximar-se algumas vezes, talvez dizer um oi. Mas suas pernas pareciam não querer obedecer o que seu cérebro mandava. "Vá até ele!" seu cérebro dizia. "Enlouqueceu? De jeito algum!", respondiam suas pernas. Simplesmente travavam quando ele tentava dar um passo em direção àquela fonte.

Jason não entendia. Por quê era tão difícil?

Aquele rapaz. Havia algo de diferente e único nele, que Jason não conseguia identificar.

Inspirou profundamente, expirou em seguida. Iria falar com ele, e suas pernas dessa vez teriam de obedece-lo. Virou-se para encará-lo novamente, e mais uma vez aquelas borboletas agitavam-se em seu estômago. "Quietas!" ele ordenou em seus pensamentos.

Não funcionou, é claro.

Girou os calcanhares e andou em direção ao rapaz. Ele havia parado de ler seu livro, e olhava abobalhado o garoto loiro andando em sua direção. Tinha um sorriso brincalhão nos lábios, e seus olhos quase se fechavam quando ele fazia isso.

As mãos e pernas de Jason tremiam levemente. Não sabia o por quê de tanto nervosismo.

"O destino e suas artimanhas!" Leo disse, assim que Jason finalmente sentara-se ao seu lado no banco. "Jamais esperaria encontrá-lo por aqui!"

"Digo o mesmo." Ele respondeu e também sorriu.

Conhecia Leo desde muito tempo. Lembrava-se ainda da primeira vez que o vira, estavam em um país muito distante dali, seu país de origem. E estudaram juntos, eram ainda crianças prestes a entrar na adolescência. Gostava muito de Leo, embora não soubesse muito bem o que era gostar realmente de alguém na época.

Desconfiava de que não sabia até hoje.

Qual a probabilidade de encontrarem-se justamente ali? Ambos não tinham a resposta.

Mas isso não importava.

Talvez Jason não soubesse o por quê de muitas coisas. E talvez jamais saberia.

Mas tinha quase certeza de duas coisas: Aquilo não poderia ser coincidência e ele havia se apaixonado à primeira vista, pela segunda vez, pelo mesmo rapaz.

Talvez jamais tenha esquecido-o de verdade. Talvez Leo sempre estivera bem ali, guardado em um canto de seu coração, esperando a hora certa para reaparecer.

"Venha comigo, descobri um ótimo café por aqui." Levantaram-se do banco, caminharam juntos em meio a multidão.

Se aquilo era obra do destino, Jason também não sabia.

Mas naquele momento, os "por quês" não importavam tanto assim.

Notas finais
Uma história bem curtinha que talvez não faça muito sentido para algumas pessoas, mas espero que quem leu tenha gostado, aehooo. Essa eu dedico à alguém que costumava ser meu amigo, que eu não vejo e nem converso há tanto tempo que nem lembro direito quando foi a última vez. Só espero que ainda se lembre de mim, hahaha. Beijos e até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!