Call
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Esperem mais notícias minhas em breve. Muito breve.
Kouyou pegou novamente o celular na mesa de canto, enquanto permanecia deitado. Olhou o aparelho como se ele pudesse responder todas as suas perguntas, mesmo sabendo que isso era impossível. E aquela era uma pergunta que ele vinha adiando há tempo demais. Tempo demais.
Pressionou o número 7, e começou a pensar em todas as coisas que queria dizer, pressionou o 3, e pensou nos discursos que tinha ensaiado por tanto tempo, todas as respostas que queria. Apertou o botão de número 5 “Como você está?” Em seguida o 4, “Sinto sua falta.” logo depois um 6, “Nunca mais nos falamos.” Porque ainda se lembrava desse número? “Você ainda pensa em mim?”.
Você ainda pensa em mim...? E se a resposta fosse sim? Se fosse ele diria? E se dissesse, de que adiantaria? Nada. Absolutamente nada.
Ele já não era o mesmo, e tinha certeza de que Akira também não era. Tanto tempo havia se passado, porque continuar a mexer em velhas feridas? A vida tinha seguido rumos que ele nunca havia imaginado, e ao contrário de tudo que ele pensou no começo, ele tinha seguido adiante.
Tinha encontrado novos amigos, novas memórias, novos sonhos e alegrias. Tinha crescido, tinha sorrido e chorado e Akira não estivera lá em nenhum daqueles momentos. E assim Kouyou deixou dormir todas as mágoas e esqueceu – na maior parte do tempo – o ex-melhor amigo, ex-amante, ex-confidente.
Esse é o problema das memórias. Não se pode simplesmente apagá-las, como se apaga um número do visor do celular.
Encarou o papel de parede do aparelho, e a foto de capa fez com que ele sorrisse. Havia demorado tanto tempo pra tomar aquela decisão, mas agora se sentia leve. No fim das contas, ele não saberia o que dizer e não saberia como reagir ao que poderia escutar.
Isso já havia ficado perdido; a naturalidade da fala, a franqueza da conversa, o desejo por ouvir a voz do outro. Parece tão estranho... Mas existia mesmo dentro de si a capacidade de superar.
Quem sabe, perdida lá no fundo, ainda estivesse aquela vontade de perguntar “como? Por quê?”. E talvez, aquela amargura “será que ele está melhor sem mim?”. Só que, mais no fundo ainda, ele não queria saber nenhuma dessas respostas.
Encostou o telefone levemente na testa, e quando fechou os olhos, pareceu ver Suzuki Akira se afastar pela última vez, só que agora ele viu a si mesmo dizendo: Adeus.
-O que? Você disse alguma coisa?
-Ah, Taka! Não vi que você tinha chegado. – Uruha abriu os olhos, levantando da cama em um pulo e dando um beijo de boas-vindas e um abraço apertado no namorado.
-Cheguei faz um tempo. Que foi que aconteceu?
-Nada. – encostou a cabeça na do namorado e se permitiu sentir o cheiro suave de seus cabelos. – Eu apenas acabei de me dar conta de que esqueci um número.
Notas finais
Não foi betado porque a minha beta não me ama e bláh.
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