Califórnia

6 Capítulo 6 - Santa Monica


Notas iniciais
Eu não sei se vocês perceberam, mas eu não tenho criatividade pra nome de capítulo Eu não morri, VIVA! Olá pessoas, obrigada por comentarem. PREPAREM SEUS CORAÇÕES!

Los Angeles, Marina del Rey. 19 de Abril de 2016.

Aquela definitivamente podia ser considerada uma tarde quente. O calor era tão intenso que era possível ver ondas se formando sobre o asfalto. O pessoal na oficina trabalhava resmungando do clima e tirando constantemente as gotas de suor que se acumulavam em suas testas.

Percy parou de mexer no motor de um Honda para prestar atenção na pessoa que se aproximava. Como sempre, Thalia estava toda vestida de preto. Dês dos coturnos nos seus pés, até a jaqueta de couro que usava. Ela podia estar derretendo com aquele modelito, mas a roupa era como seu orgulho, se a diminuísse estaria se diminuindo. Hertz levantou uma sobrancelha assim que a viu.

— Thalia — disse secamente.

— Olá, Hertz — a punk responde com um sorriso falso e sem mais delongas entra no local.

— Thalia — Percy a cumprimenta, limpando as mãos, meladas de graxa, com um pano.

— Percito! Como é bom te ver.

— O que a traz aqui?

— Negócios. É bom saber que você está aqui, considerando que Poseidon mantém todos ocupados… — resmunga.

— O que quer?

— Ah, eu vim dizer que provavelmente o esquema da perseguição vai acontecer hoje.

— E? — Percy perguntou. Thalia podia ter ligado.

— Eu fui falar com Stoll — ela tirou um embrulho de dentro da jaqueta. — E ele não aceitou.

— Stoll? Qual deles?

— Percy! — um grito interrompeu a conversa dos dois.

— Conversamos depois — o moreno de olhos mar diz, antes de se afastar.

Thalia rapidamente levou o olhar até Hertz, que trazia consigo um casal, e tratou de se esconder nas sombras.

— Você é o dono do Dodge Demon, certo? — Perseu perguntou para o loiro alto, de jaqueta marrom.

— Isso.

— Nós passamos do prazo, e eu não sei? — Percy se virou para Hertz.

— Ah, não. Não se preocupe — a mulher o assegurou. — Eles só vieram ver o carro.

— Ah, sei — ele murmurou. — Venham.

Com um aceno de cabeça ele foi andando até o fundo da oficina. Onde Mich, seu melhor soldador e mestre de chaparia, trabalhava na lateral do carro.

— Estamos indo aos poucos, é difícil reconstruir as latarias de carros antigos, principalmente um com aero dinâmica em praticamente cada curva — Perseu disse, se virando para Dean que mexia no celular.

— Oh — ele levanta o olhar. — É… Algo difícil, mas devia falar com ela. Ela é a dona do carro.

Dean apontava para uma loira de cabeça baixa, que conferia algo na lateral oposta à de Percy.

Jackson ficou surpreso ao ouvir a declaração do segurança. Geralmente, mulheres não gostavam de carros com rabos de peixe, ou uma versão menor deles. Eram um pouco pesados para dirigir, principalmente para fazer o carro girar.

— Eu sei que… — Annabeth levanta a cabeça, mas para, surpresa. — Ah, o corredor.

— A garota da briga de bar — Percy responde no mesmo tom surpreso.

— Acho que não temos apelidos muito apropriados — ela murmura e se aproxima com poucos passos. — Sou Annabeth.

— Percy.

— Então, eu sei que vocês estão cuidando só da lataria, mas seria demais pedir que dessem uma olhada nas rodas também? A distribuição de chumbo está desigual, a roda da direita mal pega no asfalto quando dirijo.

— Sei... Entende de carros? — Perseu perguntou cruzando os braços.

— Um pouco — a loira respondeu timidamente. — Conheço mais as coisas básicas.

— Eu percebi — Jackson ri levemente acompanhado de Annabeth, ele tentava discernir a cor dos olhos dela.

— Eu acho que isso é tudo — ela diz com um suspiro.

— Sem nada mais a acrescentar? Como a troca dos freios, ou sistema elétrico novo?

— Não — Annie encara o carro mais uma vez. — Os fios estão bons, além de que, não gosto das pessoas mexendo em meus freios.

Ela tinha um tom brincalhão, mas Percy entendeu o aviso claro. E para descontrair o clima, sorriu.

— Cuide bem do meu carro, Percy — pediu.

— Pode deixar.

Ela se afastou, com um tênis branco, short jeans, e uma bolsa que era um pouco maior do que as que costumava usar. Parecida com a primeira vez que ele a tinha visto, Annie se afastou, com Dean na sua cola — o que fazia Perseu questionar se o loiro era seu namorado.

— O que acha de irmos ao Killer Shrimp? — Percy escutou Annabeth perguntar animada.

— Ah, Annie. Dá um tempo — Dean reclamou, enquanto a loira soltava um riso. Ele odiava camarão, e não gostava de comida apimentada. Juntos, eles desceram a rua, a loira rindo de algo e Dean com a cara séria.

— Annabeth... — ele murmurou, testando seu nome. Era estranho e ao mesmo tempo reconfortante.

Saindo do transe inicial, Percy voltou para onde tinha deixado Thalia.

— Interessante — a morena murmurou tirando o casaco e procurando algo dentro dos bolsos.

— O que é interessante?

— Eu vi ela. A algumas horas, falando com Stoll.

— Ela?

— A loirinha com quem você parecia estar flertando — Thalia respondeu indiferente, puxando um maço de cigarros e um isqueiro do casaco.

— Não pode fumar aqui — Percy diz, instintivamente. — E como assim ela estava com Stoll? E pelo amor… especifique qual Stoll.

— Connor — respondeu com o cigarro na boca. — Ela estava saindo do dormitório dele.

— Saindo?

— É — afirmou enquanto acendia o isqueiro prateado. — Estava usando roupas muito mais sofisticadas, mas continua com a mesma bolsa.

— E como você pode identificar alguém pela bolsa?

— Simples — ela segurava o cigarro com o dedo indicador e o médio. — São necessárias três coisas para se conseguir aquela bolsa: dinheiro, tempo e destaque no mundo da moda.

Percy levantou uma sobrancelha, enquanto escolhia uma ferramenta para voltar a trabalhar no Honda.

— E como você sabe disso? — perguntou, Thalia não parecia muito feminina.

— Hera tentou me comprar no natal com uma dessas. Ela sabe que se eu e Jason quisermos, podemos parar de bancar a mesada dela. Bem, o que quer que seja… — ela tragou o cigarro e soltou a fumaça pelo nariz. — ...A loira não é aquela garotinha que anda de converse e shorts por aí.

Percy coça o nariz, a fumaça já o estava incomodando.

— Thalia, vá fumar lá fora.

— Por quê?

— Porque é o que todo mundo faz.

— Eu não sou bichinha que nem o di Angelo para fumar lá fora — respondeu destemidamente.

— Eu ouvi isso — Nico diz, aproximando-se.

— Ótimo, era a minha intenção.

— O que aquele casal que saiu daqui queria? — di Angelo perguntou.

— O Dodge Demon é deles — Percy aponta para o carro.

— Por que eles teriam uma Demon 340?

— Aonde quer chegar? — Thalia fala.

— Eles saíram numa Mercedes.

— Tem alguma coisa que não me cheira bem sobre essa garota — Grace revela.

— Você não cheira bem — Percy rebate com uma careta.

— Tem caras que gostam do cheiro de fumaça com naftalina — Jackson balançou a cabeça em negação. Thalia nunca mudaria, ela nunca sairia daquela pose rude e esnobe dela.

Percy vira-se para o motor do Honda, mais uma vez naquele dia, e liga a pequena luz pendurada na tampa do capô.

— O que veio fazer aqui, Grace? — Nico pergunta.

— Meu trabalho — deu de ombros. — Vocês têm notícias do meu irmão?

— Não. Você sabe que é proibida qualquer comunicação dele conosco.

— Merda — Thalia pragueja alto. — As vezes eu simplesmente queria que Zeus não tivesse morrido — murmurou.

— O que foi? — Nico pergunta.

— Parece que Piper está grávida — disse. — E isso me preocupa tanto que estou fumando dobrado.

— Você não deveria fumar tanto — Jackson a repreende.

— São muitos os problemas…

— O que vai fazer com Piper? — Nico falou curioso, ele tinha desenvolvido uma certa simpatia pela garota.

— Não sei — disse. Thalia parecia estar com dor, mas ela não sabia da onde aquele sentimento vinha. — Bem, se vocês virem meu irmão, deem isso para ele.

Procurando por entre os bolsos da jaqueta escura, ela tirou o mesmo pacote de antes. Ele era pequeno e estava envolto em uma sacola de papelão.

— Isso vai ser difícil — Nico disse, com seu humor pessimista de sempre.

— Só tentem — ela pediu minimamente.

Olhando daquele jeito. Thalia parecia uma garota indefesa, ela parecia mais uma garota e menos ela mesma. Grace odiava mostrar seus sentimentos, principalmente aqueles que a ligavam às pessoas. Ela abaixou a cabeça, e seus cabelos pretos repicados caíram sobre seu rosto. A parte esquerda do pescoço ficou exposta, e a tatuagem de raio se tornou visível. Nem Nico, nem Percy, tinham ideia dos sentimentos da garota em relação à aquela tatuagem.

— O dia vai ser cheio — disse, puxando sua jaqueta da mesa. — Não se esqueça do trampo de hoje, Percito. Te vejo lá.

Los Angeles, Killer Shrimp, Marina del Rey.

— Por que está tão sorridente? — Annabeth perguntou, mordendo mais uma vez o seu sanduíche de camarão.

— Sei lá — Dean respondeu, mexendo na comida em seu prato. — Talvez seja porque eu vi seus peitos hoje.

— Dean — Annie o chama com uma expressão séria. — Eu troco de roupa no carro várias vezes e eu achei que nosso acordo era você não olhar.

Ele arregala os olhos, numa falsa expressão. — Desculpe. Não posso me conter.

Annabeth e Dean tinham uma série de acordos, eles tinham regras. Ou melhor, Annie tinha regras. E ela gostaria que Dean as respeitasse. Mas quase nunca dava certo, no final, eles sempre brigavam.

— Hum… — ela murmura após mais uma mordida. — Eu adoro esse sanduíche de camarão super picante.

— Como você consegue comer essa porcaria? — perguntou com uma careta. Dean odiava comidas apimentadas, e a maior parte dos frutos do mar. Era quase impossível que vivesse na Califórnia.

— É bom — deu de ombros enquanto ele fazia uma careta.

— E quanto ao Zabuza? — Dean falou com o tom de voz baixo.

— Ele não está do nosso lado.

— Isso já era de se esperar

— Nem tanto… — a loira murmurou. Ela realmente não esperava que Joffrey se virasse contra eles. — Eu preciso que você faça algo para mim quando voltarmos — disse pensativa enquanto Dean levanta uma sobrancelha. — Estou com um mau pressentimento. Preciso que você cheque todos que trabalham para o meu tio.

— Sou só um segurança — disse.

— Um segurança que planeja subir na carreira, certo?

— Aonde quer chegar?

— Não levará muito tempo até eu ir embora, estou preparando o terreno, deixando tudo certo.

— Ah — Dean parecia triste, ele não queria admitir que sentiria falta dela.

— Eu achei que soubesse.

— São muitas pessoas para checar — ele diz, mudando de assunto.

— Não precisam ser todas as pessoas. Nada de capangas e vendedores de drogas. Eu preciso da parte administrativa.

— Continuam sendo muitas pessoas — reclama.

— Peça ajuda ao Thomas, eu confio em vocês.

— Por que está fazendo isso?

— Conhece Paul Gibbings? — perguntou se servindo de mais água, a pimenta do sanduíche estava começando a ter efeito.

— Não — mentiu.

— Bem, ele tem um emprego admirável, que ganha bem. Se vocês decidirem continuar nesse ramo, seria bom se tivessem um trabalho igual ao dele.

— É bom ver que se preocupa com a gente.

Annabeth acena com a cabeça, sem olhá-lo, estava com um pouco de vergonha.

— Só uma coisa — pede. — Se encontrar um traidor, não o prenda, só me avise e aguarde ordens.

Los Angeles, Santa Monica.

— Está no lugar? — Owen perguntou pelo telefone.

— Sim — Annabeth respondeu, andando por entre as pessoas.

— Tem certeza que será mais fácil fugir assim?

— Sim, eles não me reconhecerão no meio de tantas pessoas — disse.

— Aconteça o que acontecer, não desligue.

— Ok — ela respondeu tensa, torcendo o fio do fone. Pelas imagens de uma câmera ou pelas de um drone, ninguém nunca diria que ela estava falando ao telefone. Era só mais uma jovem que escutava música no meio da multidão de pessoas, que aguardavam o Sol se pôr.

Seu iPad vibrou dentro da bolsa, e Annabeth sabia que não estava autorizada a olhar. A partir daquele momento, tinha que medir tudo que fazia e para onde ia.

— Ótimo — Owen diz no telefone. — O programa começou a rodar.

— 63 segundos em bancos… — ela murmurava enquanto andava até o carrinho de cachorro quente. — 37 segundos para acidentes… e 97 para chamadas normais.

Um carro de policia passou numa rua perto de si. A sirene estridente atingia seus ouvidos, a fazendo se encolher. Aqueles números que murmurava, era o tempo de resposta da polícia de Los Angeles. Ela sabia que não era a polícia quem vinha ameaçá-la, mas ela queria saber quais dos números os seus perseguidores seguiriam.

Pegando o celular ela conferiu as horas, já tinha se passado um minuto. 60 segundos inteiros.

— 1 minuto — grunhiu enquanto mexia os pés freneticamente e tirava dinheiro do bolso do jeans para pagar o refrigerante, que estava comprando na barraquinha de cachorro quente.

— Não acredito que você está contando — Owen disse descrente.

— Preciso saber o que vou fazer — afirmou.

— O que, você não tem plano?

— Não. Pensei em simplesmente fugir no meio das pessoas — murmurou para não chamar a atenção das pessoas que comiam cachorro quente ao seu lado.

— Mais alguma coisa?

— Eu gostaria que você me guiasse.

— É muita coisa para fazer… — Annabeth escutava ele teclando do outro lado. — Não posso, preciso me concentrar no sinal. E… Eles morderam a isca! — exclamou alegremente.

A loira apertou os olhos, tinham se passado 1 minuto e 40 segundos. Se ela e Owen estivessem procurando algo, já teriam pego e sumido. Wayne era lento, pelo menos seu pessoal era.

Annie recomeçou a contagem. Estava tentando chegar mais perto de Wayne, e contar seu tempo de resposta, para um futuro ataque não era ruim.

— Percy! — Thalia gritou desesperada no banco do passageiro. Jackson voava pelas ruas de Los Angeles. — Desse jeito você vai passar do local.

— Não vou não — ele disse, enquanto puxava com força o volante para a direita.

Alguns carros paravam de supetão e outros motoristas afundavam suas mãos nas buzinas, mas nada daquilo o fazia parar. Perseu até que gostava da adrenalina que sentia quando corria. Ele sentia satisfação quando os motoristas buzinavam para si, ou freavam bruscamente para deixá-lo passar.

Enquanto invadiam o sinal vermelho, em um cruzamento, Thalia teve o vislumbre do que seria a morte. Os faróis brancos iluminaram bem o seu rosto, a deixando mais pálida do que era. Percy acelerou, e o carro preto, que antes iluminava Thalia, derrapou na pista para acompanhá-lhos.

Jackson riu quando deu uma conferida na prima.

— Não se preocupe, Thalia.

— Você vai matar a gente! — Grace gritou depois de um tempo, ainda mais desesperada. Ela ainda estava em choque. — E pare de chamar muita atenção, a polícia pode vir atrás de nós.

— Gibbings cuidou disso — disse amargamente. Ele não gostava de pessoas que se vendiam.

— Mas você vai matar a gente! — ela gritou de novo.

— Que nada — o moreno riu. — Aquilo era só Nico.

— Só Nico! — Thalia gritou mais ainda. Percy freou, e como resultado Thalia foi para frente, com o cinto a segurando. — Você podia ter avisado… — disse sem fôlego.

— Chegamos.

Thalia tirou o cinto ainda atordoada e pegou o laptop no banco de trás.

— Vamos, Jackson — falou. Percy estranhou o comportamento da morena, mas nada disse. Buscas não era sua área, e provavelmente nunca seria. — Chame o di Angelo — Thalia mandou, enquanto mexia no laptop preto.

Annabeth não sabia de que lado eles viriam, nem quantas pessoas seriam. Mas estava atenta a tudo. Não haviam prédios altos em Santa Monica, so pequenos edifícios de três andares, era quase improvável mas um atirador poderia estar ali.

Annie nunca havia feito algo do tipo. Ares não deixava. Ela sempre cuidou da parte burocrática das coisas, dos papéis e dos encontros. Ares dizia que ela falava bem, que era uma negociadora nata. Mas no fundo, ele só queria impedir que ela fosse morta.

Dean havia lhe contado coisas, sobre operações que já tinha feito. E colegas que já tinha perdido — no fundo, ela desconfiava que Dean tinha trabalhado como um assassino anteriormente. — Annabeth sabia de alguns procedimentos que deveriam ser feitos. Ela escutava, praticamente todo dia, seu tio gritando com alguém sobre o trabalho mal feito.

— Eles chegaram — Owen anunciou.

Annabeth tinha traçado uma pequena rota de fuga, e levantando o queixo disse:

— Ótimo.

Notas finais
Não preciso dizer, mas COMENTEM! Primiera interação de Percabeth, que eu particularmente achei bom para um começo... Alguém vai pro Maximus Festival? Eu queria tanto ir e ver o Rammstein (meu xodozinho)