Califórnia

2 Capítulo 2 - O próximo passo


Notas iniciais
Prestem atenção nas datas, pf

Los Angeles, South LA. 15 de Fevereiro de 2016

Annabeth andava decididamente pelo corredor branco e polido. Seus cachos batiam levemente com o balançar da caminhada, e o barulho dos saltos de suas botas ecoavam pelo corredor. Havia um esboço de um sorriso em seu rosto, e os homens que saiam das salas pelo caminho encaravam fixamente sua bunda que se mexia num leve rebolado.

Era incomum ver uma mulher, principalmente com aquelas roupas, andando por aqueles corredores.

Seu destino era a última porta, do longo corredor branco com portas marrons escuras, o escritório do seu tio.

Um loiro, com olhos faiscantes, saiu de uma das portas a sua frente e a encarou com as sobrancelhas arqueadas. Assim que ele fechou a porta atrás de si, uma brisa fria adentrou no local, fazendo Annabeth se arrepiar. Maldito foi o momento em que escolheu sair com aquele short curto. Annie o encarava pelo canto do olho, estava de óculos escuros.

Ela chegou ao fim do corredor, porém dois homens com roupas pretas a impediram de entrar na sala.

— Ares Harvenshaw está tratando de negócios — o da direita diz, estendendo a mão para frente, num intuito de pará-la.

— Com certeza, ele não receberá nenhuma puta hoje — o careca da esquerda acrescenta.

— Puta? — Annie perguntou, lentamente. Ela abaixou os óculos de sol, expondo as enormes olheiras embaixo dos olhos cinza tempestades e uma grande mancha roxa embaixo do olho direito. — A quem você está chamando de puta?

— Com esse short não sou eu — o homem careca voltou a responder.

— Escuta aqui, eu passei a noite em claro e depois levei um soco — ela deu um passo para frente se equilibrando em cima dos saltos, tentando parecer mais ameaçadora. — Então, ligue para o seu chefe e mande ele sair dessa sala.

— Você pode se retirar, senhorita? — o homens da direita, com a tez negra e cabelos com um corte militar, disse.

Annabeth virou a cabeça lentamente, estudando os dois "armários" à sua frente.

— Eu não vou repetir — ela diz rudemente.

O segurança careca a olhava ferozmente. Annabeth voltou a encará-lo e inclinou levemente a cabeça para o lado. Ninguém nunca conseguia encará-la por muito tempo, não com a cor de seus olhos e a ferocidade de seu olhar. Confirmando suas expectativas, o homem careca rapidamente desviou o olhar, desconfortável.

— Então... — a loira começou a falar, mas foi interrompida pela porta do escritório que se abriu subitamente.

O homem que saia parou surpreso.

— Não estou aceitando serviços hoje — ele disse com sua voz grossa.

— Por que todos acham que sou uma maldita prostituta com essa roupa? — Annabeth explodiu, se afastando do segurança careca, indo em direção a porta.

Ares apareceu no vão e passou os olhos por si.

— Talvez porque você pareça uma — seu tio respondeu. Annie olhou-o descrente, ela estava realmente muito irritada, e faltava pouco para que batesse em alguém. — Foi ótimo fazer negócios com você, Timmy.

Timmy acena e passa pela loira, ele some pelo corredor com passadas largas e com seus dois seguranças atrás.

Dando um sinal discreto com a cabeça Ares a convida para dentro.

— Por que está vestida assim? — ele perguntou fechando a porta, enquanto ela sentava na cadeira de couro atrás da mesa.

— Eu vim assim que pude. Estava de tocaia, como você me pediu — disse, enquanto fechava os olhos e tentava relaxar os músculos no couro macio. Lá fora ela usava sua máscara ameaçadora, mas com o tio ela não precisava daquilo.

— O que aconteceu? — Ares disse, se referindo ao seu olho.

— Quem diria que Harvey tem uma puta recorrente — murmura. — Claro que ela me bateu quando me viu ao lado dele.

— Ah — ele diz com um sorriso, tentando imaginar a cena. Briga de mulher, isso anima qualquer um.

— Não ria, foi pior do que você imagina.

— Por que está sentada na minha cadeira?

— Não foi você que passou a noite em claro.

— Justo. O que descobriu? — ele falou, dando de ombros enquanto andava pela sala.

— Nós nunca conseguimos interceptar os carregamos de Wayne, certo? — Ares acena positivamente. — Harvey me contou que eles possuem um arquivo digital, meio como um banco de dados.

Wayne era como o arque-inimigo de seu tio. Ares era considerado um peixe pequeno em LA, já Wayne... a situação era outra.

— Eles?

— Harvey também não me contou — ela diz dando de ombros. — A puta dele chegou na hora.

— E o que seria esse "banco de dados"?

— Você é da "Old School", nós da nova, temos um jeito diferente de guardar as coisas.

— Está falando de computadores?

— Planos, plantas, pessoas... Dependendo do que ele guardar podemos conseguir — ela disse, inclinando-se sobre a mesa.

— E como acessaremos isso?

— Ele me deu um hard-drive — responde sorridente.

— E agora? — Ares perguntou com o semblante mais alegre.

— Agora é só questão de tempo para eu conseguir invadir.

— E se você não conseguir?

— Então precisaremos de alguém.

— E aquele garoto? Owen, não é mesmo? — disse, enquanto andava de um lado ao outro no escritório de cores escuras. Owen havia ajudado-os no passado, e pelo o que lembrava, o jovem era bom com códigos.

— Sim — Annabeth respondeu se levantando. — Eu cuido disso. Agora preciso ir, se não vou me atrasar pra faculdade.

Ela atravessou metade do escritório, mas Ares a impediu de ir adiante.

— Você deveria parar com isso — ele pôs as mãos sobre seus ombros. — Prefiro ver você formada do que estragar o carregamento de Wayne.

— Tudo bem, tio, eu consigo fazer isso — sua voz era fraca.

— Não parece, você está cansada — ele passa as mãos por seus cabelos já emaranhados. — Eu não posso te proteger das coisas que você pode ver com esse trabalho, ou das coisas que pode passar, Annie.

— Eu sei me cuidar, você me ensinou, lembra? — respondeu-lhe com um sorriso mínimo.

— Você sabe que não me deve nada.

— Eu ia enlouquecer se não fizesse algo junto com a única família que me restou — sussurra.

— Se cuide — Ares beija sua testa e a abraça.

Annabeth retribui o abraço, inspirando lentamente o cheiro de colônia pôs barba do tio. Ela não sabia do que era feita, mas a fazia se lembrar dele.

Los Angeles, West LA. 20 de Abril de 2010

Annabeth andava inquieta pelo quarto. Ares tinha lhe prometido uma resposta, ele tinha lhe prometido a verdade. Mas havia sido dias atrás. Um dia depois do "incidente", seu tio sumiu completamente. Iria fazer uma semana que Annabeth estava imersa em impaciência e cansaço. Ela não conseguia encarar ninguém, os seguranças e os empregados da casa. O rosto morto de Colin Gibbings aparecia em todo lugar, em seus sonhos, nas paredes vazias e nos rostos das pessoas com quem conversava.

Annie se sentia suja, e durante toda a semana repensou seus conceitos. Ela ainda não acreditava que tinha matado alguém. Suas unhas, antes perfeitas, estavam num estado catatônico. E ela continuava roendo-as enquanto andava de um lado ao outro na academia.

Uma barulho veio do andar de baixo chamando a atenção da loira. Ela saiu correndo pelo corredor e pelas escadas, se apoiando nas paredes e móveis durante as curvas.

Ares fechava a porta de entrada com um semblante cansado. Annabeth hesitou assim que o viu, apesar de estar com uma aparência horrível, seu tio parecia pior. Ele levantou os olhos cinzas, a única coisa que o assemelhava a Annabeth, e a garota viu cansaço neles.

— Precisamos conversar — ela disse cautelosamente.

— Eu sei — respondeu enquanto tirava o casaco e ia em direção ao pequeno armário em que guardavam os casacos de inverno. — Só preciso me recompor.

A loira abriu e fechou a boca diversas vezes. Ela queria muito passar por cima do pedido do tio, mas sua educação a impedia. Ele parecia muito cansado. Annabeth acompanhou com os olhos, o tio sumir dentro da casa. Com passos lentos ela sentou-se em um dos sofás da sala, desolada.

New York, Soho. 7 de Julho de 2012

— Percy! — Julia gritou do pé da escada. — Tem alguém querendo te ver.

Lentamente, Perseu Jackson levantou de sua cama e colocou a primeira blusa que encontrou. Ele desceu a pequena escada do mezanino da oficina e encontrou Julia apreensiva esperando por ele.

— O que foi? — perguntou com sua voz entrecortada por causa do sono.

— Tem um homem querendo te ver — ela respondeu.

— Eu falei que eu não estava — Percy resmungou enquanto coçava o olho.

Julia vacilou por alguns segundos e desviou o olhar.

— É melhor você ver quem está aí.

Ela passou pelo moreno e sumiu pela porta no fim do corredor.

Percy encarou por alguns segundos a abertura na parede que o levaria até a oficina. Julia já tinha falado que ele estava ali, então a pessoa não iria embora. Ele foi andado, lentamente, esperando o sono ir embora de seu corpo.

Havia um Impala 67 e um Subaru 2007 branco na oficina naquela manhã. Estava cedo demais para qualquer um estar trabalhando, então todos dormiam. Só Julia que acordava cedo, já que corria pela manhã.

Um homem com uma camisa azul marinho de manga comprida, incomum para o clima de NYC naquela época, estava de costas, olhando o motor do Impala.

— O que quer? — Percy perguntou acidamente.

— Isso é jeito de falar? — o homem disse sem se virar.

Percy congelou no lugar. Ele reconheceria a voz em qualquer lugar, e se amaldiçoou por não tê-lo reconhecido.

— O que você quer? — ele voltou a repetir.

Poseidon virou-se lentamente, estudando o filho, com os mesmos olhos que Percy via toda vez que se encarava no espelho.

— Eu falei que iria voltar algum dia.

— Mas não precisava ser agora — ele responde.

Poseidon da de ombros e se aproxima.

— Estou com problemas, Percy.

— Eu não estou nem aí — disse e cerrou os punhos, ele não iria embora depois de ter construído tudo aquilo.

— Concordamos em não brigar depois que a sua mãe morreu — ele falou, pondo a mão em cima do ombro do filho. — E você me deve uma.

— Eu não tenho que ir.

— Eu e Sally te ensinamos a ter honra, não é honrado dever a alguém e não pagar o favor de volta.

Poseidon tentava encontrar algo no olhar do filho, mas ele permanecia impassível.

— Se não fizer por mim, faça pela sua mãe — o moreno nem se mexeu. — Eu achei o assassino dela.

Percy dá um passo para trás assustado.

— Nunca estivemos nem perto — ele murmura pasmo.

— Eu o achei.

Olhos verdes se encontraram, ambos melancólicos e tristes. Seus donos estavam tristes por causa da mesma pessoa.

— Aonde vamos? — Perseu perguntou confiante.

— Los Angeles — Poseidon respondeu.

Notas finais
Eu não disse que o segundo capitulo era melhor? As datas são importantes ok, porque com elas você meio que não fica perdido. Percyzinho apareceu nesse cap :3, e no próximo provavelmente também Então, terceiro capitulo provavelmente só sai no domingo ou na semana que vem. Ainda espero um comentário, quem sabe um me anima a postar mais rápido?