Caleidoscópio: Um adeus à Sailor Moon
2 Capítulo 1: O Silêncio das Estrelas Adormecidas
A luz que emanou do meu corpo finalmente diminuiu, mas o brilho não desapareceu. Ele se assentou sobre a superfície da Terra como uma névoa luminescente. Meus pés tocam o solo — ou o que deveria ser o solo. Sob meus pés, a grama não é verde e a terra não é marrom; tudo foi transmutado em uma superfície cristalina, translúcida e infinitamente resistente.
— Serena... — a voz de Darien é um sussurro rouco.
Eu me viro e o vejo tentando se manter de pé. Seus trajes de Tuxedo Mask estão puídos, restos de uma batalha que minha mente insiste em nublar. Eu corro para ele, e desta vez, ao tocar suas mãos, sinto o calor retornando. A vida está fluindo de volta para o Rei da Terra.
— Darien! Você está bem? — as lágrimas, minhas velhas conhecidas, começam a inundar meus olhos.
— Eu... eu acho que sim. Mas onde estamos? O que aconteceu com Tóquio?
Olhamos ao redor e o cenário é desolador e belo ao mesmo tempo. Não há o som de carros, não há o brilho dos neons, não há o cheiro de poluição. Apenas um silêncio absoluto e o reflexo da lua em estruturas de cristal que começam a emergir das profundezas do gelo, como flores desabrochando após um inverno eterno.
— Nós vencemos, não foi? — pergunto, buscando em seus olhos uma confirmação que eu mesma não tenho. — Morrigan foi banida... mas o preço...
Minha voz falha ao olhar para os pontos cardeais onde minhas amigas deveriam estar. Eu sinto a semente estelar de cada uma delas, mas elas estão silenciosas. Estão presas em algum lugar entre o sono e a realidade.
— Precisamos encontrá-las, Darien. As meninas, os seus generais... não podemos governar um mundo de estátuas.
Caminhamos pelo que um dia foi o bairro de Azabu-Juuban. É estranho ver os lugares onde tomávamos sorvete ou onde eu fugia da Luna agora transformados em monumentos de quartzo e esperança. De repente, um brilho avermelhado surge à distância, perto de onde ficava o Templo Hikawa.
— Rei! — eu grito, começando a correr.
Meus pulmões ardem. O ar é puro demais, rarefeito, como se o planeta estivesse aprendendo a respirar novamente. Enquanto corro, percebo que minhas roupas começam a mudar. O uniforme de Sailor Moon brilha intensamente, as fitas se alongam, mas há algo pesado nele... uma responsabilidade que não existia antes.
Eu não sou mais apenas a líder das Sailors. Eu sou o eixo sobre o qual este novo mundo vai girar.
Chegamos ao local onde a energia de Marte pulsa. Lá, envolta em um pilar de fogo frio, está Rei. Seus olhos estão fechados, sua expressão é de uma serenidade absoluta, mas ela não acorda com a minha presença.
— Por que elas não despertam, Darien? Eu usei o poder do Cristal... eu curei o mundo!
— Talvez a cura física não seja suficiente, Serena — Darien toca o pilar de fogo, e uma descarga elétrica o faz recuar. — O planeta mudou. Elas estão vinculadas aos seus postos de guarda. Para acordá-las, você terá que abrir mão de algo que ainda mantém preso ao passado.
Eu olho para o meu broche. Sailor Moon ainda vive em mim, com seus medos e seus desejos simples de ser apenas uma garota. Mas para acordar minhas guardiãs e erguer este reino, eu preciso dar o próximo passo.
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