Notas iniciais
Editado em: 18/04/2013

Eu continuei sério. Armando me olhou e se recompôs:

— Mas continua a história... Fabrícia descobriu sobre a Helena?

— Não, e é bom que nem descubra. Mas acontece que nesse dia do atropelamento do Marinho passamos a noite juntos.

— Hmmmmm. E como foi? Conta!

— Homem, eu jamais senti coisa igual... Simplesmente, não sei como descrever... Não tenho palavras, é isso.

— Talvez você se sinta como se tivesse feito amor pela primeira vez... Deve ter sido doce, demorado e sincero.

Torci a cabeça pra ele:

— Não foi nada disso, além do que essas suas palavras está me está lembrando seu discurso de quando você ficou com a Betty naquele tempo.

— Calderón, mas tem acontecido a mesma coisa contigo, é isso que eu quero que você perceba. E que pare de dar volta. Se você gosta, gosta e pronto. Você fica correndo, arruma uma, outra e mais outra. Fica com Daniela, com Helena, mas não se sente satisfeito.

Suspirei:

— Só queria que tudo voltasse a ser como antes, era muito menos complicado...

— É, bem que poderia, mas você nunca mais vai ser como antes, nunca mesmo.

— Talvez você tenha mesmo razão.

— Eu tenho razão! E sorte a sua por ter um amigo como eu que já passou por isso. Eu, na época, só tinha você, imagina o suplício.

Fiz uma careta:

— Bonito, né?

Terminamos de almoçar e ele disse que precisava voltar a Ecomoda. Eu resolveria esse assunto com Fabrícia de uma vez por todas, ela não podia terminar com Daniel, que só estava passando um tempo com ela, e eu... Eu não queria mais ficar sozinho.

Fui para casa.

Daniela estava com Marinho me esperando na recepção.