Paralelamente a isso, havia meu relacionamento com Fabrícia.

Sim, fui deixando, gradativamente, de frequentar a sua casa, de querer vê-la e estar com ela. Fabrícia, com isso, se tornou temperamental, me ligava demasiadamente, e começamos a ter discussões sérias... Ela sabia que havia alguma errada e não a culpo por isso.

Não acho que seria cavalheiro da minha parte sumir e deixar aquilo tão bonito que ocorreu entre nós se tornar outra reticência como havia sido, por isso mesmo enfrentei todo o meu medo de ouvir discursos enormes e apaixonados e vê-la chorar — ah, o famoso choro, se as mulheres soubessem que o nosso medo em acabar tudo reside aí, se soubessem que temos pavor de vê-las sofrendo e magoadas... — e fui conversar com ela.

Ela afundou-se no sofá num abandono tão grande que eu quase retirei tudo o que eu disse. Quando perguntei se estava magoada, ela abanou a cabeça numa negativa e disse que estava decepcionada, porque não tinha conseguido fazer a devida diferença na minha vida. Queria dizer-lhe que estava absurdamente enganada, mas não quis dar-lhe esperanças. Ela quis saber o que tinha feito de errado e eu quis saber porque tinha que ser assim, como se a elas se devesse a culpa de tudo. Havia de errado o fato de que eu me apaixonara por outra e ninguém tinha culpa disso senão o destino. Também não disse isso a ela, só lhe disse que precisava rever a minha vida e ficar um pouco só.

Marinho chegou nesse momento, veio correndo, pulou no meu colo e Fabrícia disfarçou a tristeza dizendo que o tio Mário veio se despedir porque ia fazer uma longa viagem. Ela não me queria perto do menino e eu não tinha poder nenhum sobre isso. Abracei-o, disse-lhe que trazia um presente na volta e saí sem olhar pra trás.

Nunca mais os vi.

***

Enquanto estava noivo de Aline, tomava café perto de minha casa, quando esbarrei numa pessoa, pagando a conta no caixa. Vi minha vida toda com ela daquele momento em diante, como se não pudéssemos passar essa vida sem nos conhecer um ao outro. Pedi-lhe desculpas e depois me pus a segui-la de modo a descobrir-lhe... Isabela, era asiática, linda, esbelta e tímida. Conheci-a, me apaixonei e passamos seis maravilhosos meses juntos, até que conheci Mariana, e depois de Mariana conheci Fernanda... E amei todas, nunca vou me esquecer de nenhuma delas... Desenho o rosto de cada uma e guardo num portfólio, como uma lembrança bem contornada...

Isso tudo me lembra a conversa que tive com Armando no nosso último encontro, ele dizendo que jurava que eu estava "consertado" com todo aquele lance com Fabrícia.

— Mas eu consertei, mano. Imagina só, que dia o senhor ia me ver de aliança no dedo, tal como estou agora, noivo da Lara?

— Seguramente, você estará noivo até na próxima semana quando aparecer outra, Calderon. Em dois anos, depois de Fabrícia, você namorou e ficou noivo de umas... sete, oito?

— Cinco, Armando, não exagera. — Tomei um gole de Martini — E eu amo todas elas e ficaria com todas se a cultura permitisse.

— Ama a todas, Johannes — Armando tomou um gole de whisky.

— Sim, irmão. Todas, cada um com seu defeito e qualidade. Não tenho mais medo de me envolver nem de conhecê-las. Quero estar com elas, investigá-las, me inebriar delas.

— Mas o que acontece? Elas te cansam?

— Não, nenhuma me cansa. Simplesmente acontece uma coisa que não sei explicar... Aparece uma mulher excelente, que parece que eu nasci para conhecê-la...

— E todas são assim?

— Todas, não, eu não saio mais com todas. Só com essas com as quais acontece isso.

— Hummm.— Armando sorria.

— Não, se for pra gozar com a minha cara, pode tratar de ficar calado, Armando... Eu só sei que estou muito satisfeito. Era exatamente como você dizia, eu não sabia mesmo o que era amar. Agora eu aprendi, graças à Fabrícia...

— Tem quase dois anos que ela se mudou para os Estados Unidos. Betty conversa com ela, mas nem conversamos sobre isso, porque eu acho que ela sabe que eu vou comentar com você...

— É uma pena que ela tenha me excluído completamente da vida dela...

— E você é amigo de alguma dessas mulheres com as quais se relaciona, Mário?

— Sim, sou, por quê? Algumas me dizem que fui a melhor coisa que aconteceu em suas vidas e que, por isso, se contentam em fazer parte da minha vida mesmo como amigas. Nunca tive amiga mulher, e estou gostando disso.

— E não acontece de ter alguma recaída?

Sorri somente...

Ele também sorriu me jogando o guardanapo:

— E você ainda diz que consertou, Calderón.

(Fim)

Notas finais
Considerações finais:

Então, nossa, acabei!

Terminar uma história é uma das coisas raras de acontecer na minha vida... Mas estou satisfeita com a fanfic apesar dos pesares...

Foi o seguinte, minha idéia era escrever uma fanfic sobre um romance do Mário que o mudasse profundamente, mas que não tivesse final feliz. Beleza. Daí eu comecei a escrever e fiquei com medo de os leitores não gostarem, sei lá, coisa de novela, final feliz e tudo o mais... Mas aí uma amiga do coração veio ler e comentou sobre a fanfic. Ela falou umas coisas que realmente tinham sentido e eu estava meio sem noção de como faria um final digno. Depois da sua mensagem, veio tudo claro na minha mente... Uma intertextualidade com "O diário de um sedutor"...

Bom, eu achei a história nos limites do razoável, estou satisfeita dentro do que propus a fazer, escrever um pouco a cada dia.

Ah, e Mário desenhando? Sim! E isso é uma simbologia... ^~

É isso!

Espero que tenham gostado e me desculpa por qualquer coisa!

Se quiserem conversar comentar, pedras e flores serão muito bem aceitas, ninguém mandou escrever e publicar...

Abração bem forte!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!