Calderón e o Cupido
37 Capítulo 37
Notas iniciais
No dia seguinte, me arrumei cantarolando para ir ver Fabrícia. Havia passado pouco mais de meio dia em que havíamos estado juntos e era como se o ar estivesse pesado, difícil de respirar.
Fui até a casa dos pais dela. Cheguei ao condomínio, o porteiro me anunciou e entrei. Estacionei o carro e Marinho estava sentado numa cadeira na varanda de casa. Estava sozinho.
Fui até ele:
— Olá, meu anjo, como passou essa noite?
— Tudo machucado, tio Mário. Nem consegui dormir direito, nem mesmo quando a minha mãe ficou no quarto comigo. Aaiii, tomara que isso sare logo...
Toquei-lhe de leve o ombro:
— Vai sarar.
— Tio Mário, quando eu tiver que ir tirar os pontos, o senhor vai comigo? Eu nem fiquei com medo quando o senhor ficou comigo lá no hospital...
— Pode ficar sossegado que eu vou, sim. E vai ser muito mais tranquilo...
— Será que dói muito?
— Não, não se preocupe com isso.
— É, e eu quero ir pra escola logo...
— Mas vai acabar tudo depressa, pode ficar despreocupado.
— 'Tá bom.
— E a sua mãe?
— Ah, 'tá lá dentro. 'Tá meio estranha hoje... Mas vai lá e fala pra ela trazer um picolé pra mim, por favor, 'ta lá na geladeira, mas ela sabe.
Deixei-o brincando com um mini-game e fui entrando:
— Olá...
Cheguei até a cozinha e vi Fabrícia. Ela me viu, se assustou e no mesmo instante ficou furiosa. Começou a me jogar todos os objetos que estavam a sua mão:
— Calderón, seu desgraçado, filho de uma puta, safado!
Eu me defendia como podia. Ela continuou:
— Aposto que quando eu saí da sua casa, você deve ter se divertido muito nas minhas costas!
— O que está havendo?
— Ah, o que está havendo? O QUE ESTÁ HAVENDO??? VOCÊ FICA COM MINHA IRMA E ME ILUDE E PERGUNTA O QUE ESTÁ HAVENDO??? Sai fora daqui, Calderón, sai fora da minha vida!!!
Ela se deixou sentar numa cadeira:
— Eu sou muito idiota em pensar que você mudou... — suspirou — Mas é assim mesmo... Prova de que eu devo ficar com as pessoas que me respeitam... Devo ficar com o Daniel...
— Com o Daniel? Você tem noção do que está dizendo?
— Tenho, Calderón. Ele pode não ser uma pessoa das mais presentes, mas... Ninguém é perfeito mesmo.
Fabrícia se levantou e começou a me jogar as frutas da fruteira:
— Ele pelo menos não brinca comigo e com a minha irmã! Sai fora, Calderón... Anda, anda anda...
— Tudo bem, tudo bem, eu saio...
Fiz menção de sair, mas dei meia volta e roubei-lhe um beijo.
Ela voltou a pegar as frutas e jogar em mim e eu saí correndo.
Parei onde Marinho estava. Rabisquei o número do meu telefone:
— Olha, xará, se você precisar de qualquer coisa me liga neste telefone... Descobri que sua mãe está brava é comigo...
— Por que, tio, o senhor é tão legal!
— É... Mas depois a gente se arranja, não se preocupe... Se você precisar de mim, ou quiser me ver, me liga, ok?
— Sim, senhor.
— Tchau, mocinho.
Tratei de me recompor e saí dali.
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