Calderón e o Cupido
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Fabrícia acordou num pulo. Abri os olhos assustado, peguei meu celular que estava no criado mudo e eram duas e meia da manhã.
— O que foi, meu bem? — Eu disse sonolento.
— O Marinho sofre um acidente, e eu estou aqui dormindo com você??? Acho que eu vou sair daqui e me jogar de uma ponte...
— Fabrícia, o Marinho está com seus pais, ele está bem, e você sabe disso.
— É, no fundo eu sei mesmo...
Passei o braço em volta dos ombros dela:
— Então volta aqui, vai...
Ela se deitou, mas se levantou de novo:
— Eu tenho que ir mesmo, Mário.
Ela saiu da cama, toda nua. Deliciei-me com aquela visão enquanto ela procurava por suas roupas:
— Nossa, se você tivesse noção do quanto é linda, nem olhava para um cara como eu...
— Um cara como você? — ela disse abotoando o sutiã.
— É, um simples mortal... Um simples mortal bonito, mas mortal... E talvez inteligente também, mas... E talvez carismático...
Ela riu:
— Está bem, Mário, eu acho que te entendi, embora a cantada tenha sido mais para você mesmo.
Sorri, alisei a cama:
— Tem certeza de que você tem que ir?
— Quer mesmo que eu fique? Olha que eu vou acabar acreditando...
Olhei-a abotoar a calça:
— Acho que nunca falei tão sério na minha vida.
Ela parou e me olhou demoradamente, séria, melancólica, depois me lançou um meio sorriso e continuou a se vestir.
Fui com ela até a porta, pelado mesmo:
— Vai mesmo? — dissse amuado, tentando convencê-la a ficar.
Ela sorriu:
— Vou, Mário, me deixa me sentir menos culpada... Quero ficar com meu filho.
— E quando a gente se vê de novo?
Ela ergueu as sobrancelhas:
— Quando a gente se vê de novo? Está mesmo me perguntando isso, ou estou sonhando?
Beijei-lhe o pescoço:
— É real mesmo... A gente pode se ver amanhã — ela constatou.
— Eu passo na casa dos seus pais então. Daí vejo o Marinho e a gente sai pra algum lugar...
— Pode ser.
Beijamo-nos.
— Tchau — eu disse.
Beijamo-nos de novo.
— Tchau — foi sua vez de se despedir.
E de novo, e de novo, e de novo, e de novo. Só então ela saiu.
Dormi tranquilamente o resto da madrugada, um sono pesado e sem sonhos.
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