Calderón e o Cupido
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Vesti-me rapidamente e fomos para um café perto dali.
Caminhávamos juntos, quando um camarada passou por nós e olhou Fabrícia como um animal no cio:
— Vai ser gostosa assim lá na...
Fabrícia, em um impulso, se escondeu atrás de mim.Voltei-me para o camarada e gritei:
— Vê se aprende a não mexer com a mulher dos outros, cara de pau.
Ele fez um aceno obsceno e continuamos andando. Achei engraçado aquele súbito reflexo dela:
— Por que se escondeu atrás de mim? Achou que ele era algum louco?
— Não, eu só não gosto desse tipo de comentário. Pode ser difícil de você acreditar, mas eu tenho mais do que uma carcaça.
— Não disse nada...
— Mas eu sei como você está acostumando a enxergar as mulheres.
Chegamos e sentamos numa mesa que ficava do lado de fora do café.
— Talvez eu consiga ver mais do que você acredita — eu disse.
O atendente veio até nós e fizemos os pedidos.
— Eu não sei se acredito muito nisso, não.
— Eu vejo, por exemplo, que você se tornou uma pessoa muito triste e muito autocrítica. Não admite errar. Mas não se esqueça de que você é só um ser humano...
Ela me deu um meio sorriso:
— É alguma de suas cantadas baratas?
— Estou mentindo?
Ela balançou a cabeça:
— Talvez você saiba mesmo um pouco mais do que eu imaginava.
— Mas, olha, eu quero que você saiba que você pode contar comigo, sou seu amigo.
Ela abaixou a cabeça e sorriu tristemente:
— Obrigada, Mário, vou levar isso em consideração.
— E o Marinho, como está?
— Está bem, ele vai competir amanhã, natação, se você quiser aparecer na escola dele, aposto que ele ia gostar muito.
— Vou, sim, pode me esperar.
Os nossos pedidos chegaram.
Assim que acabamos de comer, ela se levantou para ir embora. Acompanhei-a até seu carro que estava em frente ao meu apartamento.
— Obrigado pela companhia, Fabrícia. Odeio tomar café sozinho.
— De nada, Mário, a gente se vê amanhã, então.
Abraçamo-nos, meio sem jeito, e segurei-a forte. Não queria mais soltá-la. Queria que ela soubesse que ela não precisava ficar tão triste porque estava fazendo tudo certo. E queria dizer a ela que eu realmente faria o que eu pudesse para ajudá-la... Quando nos separamos, eu acariciei seu rosto:
— Tchau...
No mesmo segundo ela pulou no meu pescoço e nos beijamos.
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