Calafrios

3 Satisfações


Notas iniciais
Último capítulo! Desculpem pela demora, mas é que precisei de inspiração e não é sempre que me vêm; mas, em compensação, ficou super longo. Enfim, espero que gostem!

Livros, livros e mais livros. Essa era a visão que Ciel contemplava ao explorar as prateleiras de sua gigantesca biblioteca. As estantes ali eram abundantemente altas, e para seu azar, a sessão que Ciel procurava estava localizada na parte superior. O garoto agarrou a íngrime escada, puxando-a para sua direção, afim de subir ao nível mais elevado da enorme estante. Com cuidado, subiu pé por pé, sendo cauteloso para evitar uma desastrosa queda.

Ciel colocou-se a empurrar livros que se destacavam à frente da estante para o lado, revelando um conjunto de livros que se encontravam escondidos por trás destes. "Ah, sim, finalmente", pensou o jovem rapaz. O menino dirigiu suas delicadas mãos à um livro em particular; este tinha uma aparência velha e desgastada, empoeirado, grosso e com uma bela capa de couro preto decorada com grandes letras em dourado e vermelho.

Conseguindo o que queria, Ciel pôs-se a descer a alta escada, novamente com cuidado ao plantar seus pés nos degraus. Com o livro em mãos, sentou-se em uma das cadeiras da biblioteca, largando o pesado livro em cima da mesa. Ao notar que sua capa ainda estava parcialmente coberta em poeira, exceto na parte onde havia o segurado, Ciel assoprou com cuidado o pó que restava ali, fazendo com que este se espalhasse por todo o ambiente.

Depois da poeira abaixar, e de Ciel quase espirrar devido ao seu nariz irritado com toda aquela sujeira — e ter imensamente se arrependido por isso, pois havia esquecido que era asmático -, o garoto abriu e folheou o livro calmamente, procurando por informações. Havia se decidido que iria descobrir tudo o que pudesse sobre Sebastian, e mesmo que perguntar fosse a melhor maneira, e a que havia cogitado em primeira mão, seu orgulho sempre falava mais alto. Não iria se rebaixar à vergonha de perguntar pessoalmente ao mordomo; quer dizer, o quão estranho seria simplesmente abordá-lo, indagando-o sobre sua natureza? Ciel tinha a absoluta certeza de que Sebastian, com seu tom irônico usual, o questionaria sobre tais perguntas, fazendo Ciel sentir-se constrangido.

Ao falhar em encontrar as informações que queria, Ciel, irritado, passou a folhear as inúmeras páginas do livro freneticamente, com um ar extremamente estressado; era impossível que um livro como aquele não houvesse esse tipo de conhecimento. Tal livro que se encontrava em suas mãos era um guia explícito sobre magia negra e invocações, contendo todo o tipo de informação sobre criaturas sombrias do submundo e como devidamente invocá-las ou matá-las.

Mesmo que Ciel nunca tenha invocado Sebastian, já que este apareceu por si próprio em sua presença ao ouvir o desespero de sua alma frágil, sabia muito bem como fazê-lo. Comprou aquele livro algumas semanas depois de selar o contrato com o demônio, pois gostaria de adquirir mais conhecimento sobre o mundo que havia se envolvido e os seres que nele habitavam. Apesar do livro ser extremamente rico em informações, Ciel nada encontrou sobre suas específicas perguntas; as únicas informações que haviam ali sobre demônios eram formas de invocação, tipos de pactos e poderes que tais possuíam.

Frustrado, Ciel atirou seu livro no outro lado da mesa, com um ar furioso. Pensou consigo mesmo se teria que se humilhar, ao ponto de perguntar ao seu próprio servo sobre seus sentimentos.

– MAS QUE DROGA! — gritou o garoto, em uma alta e clara voz, com um tom já desgastado de tanta irritação.

– Frustrante, não é? — disse uma voz familiar, que vinha de algum lugar atrás de Ciel.

O jovem conde virou-se, assustado, para a fonte de onde vinham tais palavras. Gelou-se por completo ao ver que ali, à sua frente, se encontrava o ser que tanto ansiava descobrir sobre. Diferentemente de Ciel, Sebastian mantinha, como habitualmente, sua expressão calma e serena, sem apontar um sinal de espanto.

– S-Sebastian! Há quanto tempo está aqui? — perguntou o garoto enfurecido, porém assustado.

– Muito mais do que você imagina, Bocchan. Eu não poderia deixá-lo correr o risco de cair daquela escada tão alta, já que você possui pernas tão frágeis. — responde o demônio, ainda mantendo seu ar calmo.

– Estava me espionando, por acaso? — indaga Ciel, indignado.

– Estava apenas me certificando de que não iria se machucar; temos um contrato, esqueceu? E segundo ele, devo sempre zelar por sua vida.

– Pois então que avise sua presença! É muita audácia de sua parte me observar sem meu consentimento, sabia?

– Peço sinceras desculpas pelo meu comportamento, apenas estava cumprindo meu trabalho. Prometo que tal situação não virá a se repetir, pois avisarei sempre que estiver por perto. — Disse Sebastian, abaixando-se e cortejando a Ciel. — Devo me retirar agora, para deixá-lo em sua requerida privacidade. Com licença. — Sebastian levantou-se e se virou, dando meia volta e se dirigindo em direção à porta. Estava prestes a colocar sua mão na maçaneta, quando foi interrompido.

– Não, espere! — grita Ciel, dessa vez com um tom de desespero.

Sebastian congela seus movimentos, e em uma fração de segundos, antes de se virar, deixa escapar um sorriso malicioso que Ciel não tem o privilégio de ver, já que o mordomo se encontra de costas à ele.

– Sim? — disse Sebastian- ao se virar-se para seu mestre.

– Eu... gostaria de falar com você. — fala o menino. Não haviam espelhos na sala, mas se houvessem, Ciel teria o desprazer de contemplar um reflexo de si mesmo com bochechas coradas e mãos trêmulas.

– Há algum problema, meu senhor? — pergunta o mordomo. Não havia preocupação verdadeira em seu tom de voz, porém, seu rosto carregava uma expressão quase maliciosa, como se estivesse se contendo para segurar um sorriso.

– Não, não há problema algum. — responde Ciel, desviando seus olhos de Sebastian, envergonhado. — Eu só gostaria de lhe fazer algumas perguntas.

– Tudo o que o senhor desejar saber, devo responder sinceramente, como diz o contrato. Sabe disso, não sabe? — responde Sebastian, que então dirige seu olhar ao livro jogado no canto da mesa.

Ciel realizou a façanha de conseguir corar mais do que já havia corado anteriormente, ficando vermelho por completo. Sebastian sabia o que o garoto procurava; o que ansiava saber. É como se o demônio lesse seus pensamentos constantemente; como se, apenas com olhares, soubesse o que se passava na mente do rapaz.

– Sim, eu sei. — responde o menino, esforçando-se para conseguir voltar à sua frieza habitual. — Então, creio que deveríamos nos sentar. Eu gostaria de lhe fazer apenas algumas perguntas.

Mesmo se esforçando, Ciel falhou em esconder seu nervosismo e seu visível constrangimento; e Sebastian sabia disso.

– Não creio que seria viável que eu me sentasse, meu senhor. Não em sua presença. — respondeu Sebastian, sério.

– Por que diz isso? Apenas sente-se e vamos conversar de uma vez. — responde Ciel, já irritado com a atual situação.

– Não seria adequado para um mordomo sentar-se em frente ao seu mestre. — responde Sebastian, como se falasse algo que já deveria ser do conhecimento de Ciel.

– Qual o seu problema?! Eu já disse pra se sentar, foi uma ordem! Por que você me obedece feito um cachorrinho? Você tem forças e poderes suficientes para me matar, pegar o que quer e ir embora. Por que simplesmente não faz isso?! — indagou Ciel, explodindo por completo e colocando para fora tudo o que estava preso em sua garganta.

"Ah, droga" foram as primeiras palavras que vieram à mente de Ciel segundos depois de se pronunciar ao demônio. "Não era pra ter sido assim".

Ciel já esperava receber uma usual resposta fria e reta da parte de seu mordomo, com um toque sarcástico e irônico, por isso, em primeira mão, não se deu o trabalho de checar à face do citado. Mas depois de poucos segundos em silêncio, o garoto levanta seu olhar para verificar o cenho de seu criado. A visão que fitou ao cravar seus olhos nos de Sebastian foi, pela primeira vez, uma expressão deveras confusa, como nunca havia visto na faceta do demônio antes.

– Devo me desculpar, meu senhor — disse Sebastian, ainda mantendo a expressão de incerteza. — Mas pensei que soubesse meus motivos para seguí-lo e obedecê-lo como seu servo. Se é de minha palavra que duvidas, devo lembrar que temos um contrato selado, e que segundo ele, devo sempre conceder seus desejos e cumprir suas ordens. Mesmo tendo poderes suficiente para não precisar tomar tais medidas, gostaria de lhe comunicar que mesmo sendo um demônio, sou um ser de palavra, e nunca iria quebrar um pacto que me beneficia com uma troca justa.

A irritação que Ciel sentia há poucos momentos atrás conseguiu multiplicar-se por cem e se propagar por todo o seu corpo ao ouvir as palavras de Sebastian. Dessa vez, o garoto não mediu forças para controlar seu ódio. Moveu-se para frente, em direção ao demônio, e em uma fração de segundos, sua delicada mão encheu-se de força e voou em direção ao rosto do seu servo.

Um estalo forte ecoou pela biblioteca; e logo após, nada mais se ouviu por bons segundos. Após ser tapeado no rosto por seu mestre, Sebastian nada fez. Prosseguiu calado, como se nada houvesse o atingido; parecia que aquilo já lhe era esperado. Ciel, por outro lado, sem receber uma resposta, não deu papas à sua língua e pôs-se a falar.

– Você não cansa de se fazer com essa fachada ridícula de" bom servo"?! De uma vez por todas, abra a sua boca e fale sinceridades! Sebastian, é uma ordem, me diga todas as suas intenções e mostre-me a natureza que te conduz! — disse Ciel, vomitando palavras com uma intensidade que só alguém extremamente zangado faria.

– Se essa é a sua vontade, meu senhor — responde Sebastian, calmamente, enquanto com dedos longos agarra os frágeis braços de Ciel — então que assim seja.

A visão das mãos de Sebastian em seus braços foi a última coisa que Ciel viu antes de sentir uma forte pressão que o levou à colar a face na madeira gelada da mesa. Demorou poucos segundos para que o garoto processasse a informação de que havia sido virado de costas ao mordomo e empurrado contra a mesa da biblioteca, e logo após, tivera a cabeça empurrada em direção à parte superior da mesma. A posição que se encontrava era deveras constrangedora, já que seu tronco estava empurrado contra a mesa, e o resto de seu corpo se empinava para trás. Repentinamente, sentiu uma respiração pousar ao lado de seu pescoço, assobiando de leve um ar gélido, que ao fazer contato com a pele do garoto, fez com que o mesmo sentisse, de leve, arrepios percorrendo euforicamente por todo o seu corpo.

– Eu sou um demônio. Eu tenho fome; eu tenho sede. Eu sou insaciável. — sussurrou Sebastian, enquanto deslizava sua mão das costas para o peito do menino, abrindo lentamente botão por botão de sua blusa da mais fina seda. — Eu tenho desejo. Tenho necessidade de suprir meus desejos. Eu quero sua alma; pura, límpida e ingênua. Quero seu corpo; intocado e inocente. E, graças à seu pedido, de alguma forma, obterei um deles agora.

A cada botão que Sebastian abria, mais Ciel estremecia. Poderia mandá-lo o soltar; poderia ordená-lo a parar. Mas não queria. De uma vez por todas, ele precisava descobrir com quem estivera dividindo sua vida por três anos. Precisava descobrir os traços selvagens da natureza daquele ser sujo. Precisava sentir o toque impuro do demônio que o seguia como sua sombra. Precisava provar do veneno de Sebastian.

O mordomo, após abrir por completo a fina blusa de Ciel, arrancou-a e a atirou em algum canto no chão. Pôs-se a lamber o canto da orelha do jovem, enquanto sua mão massageava de leve o peito alvo e delicado do mesmo. Se encontrava agora com seu quadril colado à traseira de Ciel, uma vez ou outra forçando-a ligeramente para a frente, fazendo movimentos que o estimulavam pouco a pouco. Em meio ao seus beijos na orelha do rapaz, sussurrou sutilmente para o mesmo, com o princípio de provocá-lo.

– Era isso que gostaria de saber, meu senhor?

Ciel não consegue conter um sorriso malicioso. Em meio a gemidos contidos, responde sarcasticamente:

– É só isso que pode fazer? Eu esperava mais de um demônio.

Sebastian também não deixa de sorrir de canto. Em resposta, levanta o garoto, deixando-o em pé e de costas para si mesmo.

– Apoie seus braços na mesa. — disse Sebastian, com um tom de voz que o fez parecer que, pelo menos por uma vez, ele era quem comandava. Em resposta, Ciel apoia seus vulneráveis braços na mesa à frente, e empina-se novamente para trás. Sebastian então arranca suas luvas com a ajuda de seus dentes, revelando a mão que carregava a marca do contrato, e garras pretas e afiadas.

Ciel grita. Sentiu uma dor aguda vinda de suas costas, como se uma faca ali deslizasse, cortando-o pouco a pouco o dorso. As unhas de Sebastian o arranhavam com força, porém, evitando cortar muito profundamente, para não causar problemas futuros ao mestre.

– Se você quer mesmo ver tudo o que sou capaz de fazer, é bom estar preparado. Quer mesmo descobrir a verdadeira natureza de um demônio? — Sebastian pergunta, ainda com um toque irônico, como se desafiasse o pequeno.

– Cale a boca e continue. Eu não disse para parar. — responde Ciel, cheio de si.

– Sim, meu senhor.

A mão de Sebastian corre à procura de seu zíper, e o encontrando, abre-o velozmente, o deixando apenas com a roupa de baixo. Assim, colocou-se a colar seu quadril novamente às nádegas de Ciel, fazendo o rapaz sentir a sensação de sua ereção roçando-o a traseira. Colocou então sua mão à percorrer pelas coxas do garoto, subindo num ritmo devagar e provocante, até chegar em seu zíper. Mal havia aberto a calça do rapaz quando sentiu que este também tinha uma ereção. Apalpou-a por cima das roupas, fazendo Ciel gemer de surpresa, sem conseguir segurar o prazer.

– Pronto? — pergunta o demônio, malicioso.

– Já deveria ter ido. — responde Ciel, dessa vez, com um tom mais frustrado.

Então seguiram tocando um ao outro, descobrindo que havia há muito tempo um desejo mútuo, que decidiram esvaziar ali mesmo, descarregando o desejo que carregavam escondido por muito tempo.

Ciel finalmente descobriu o que se passava na mente de um ser imundo como aquele; assim como descobriu o quanto ansiava sentí-lo na pele. A cada toque de Sebastian, o garoto se sentia menos puro; mais tomado pela escuridão. E sinceramente, não havia coisa mais prazeirosa do que aquilo. Cada movimento o trazia prazer, o enchia de satisfação; e a cada vez que ouvia a voz do que lhe possuía, o seu corpo gelava, tremia. Completamente tomado por calafrios.

Notas finais
Meus agradecimentos sinceros à todos que leram! É a minha primeira fic, então peço desculpas por erros. Gostaria de agradecer minhas betas Mariana e Rebeca, além de dedicar o capítulo novamente para a minha Brendinha, que estava do meu lado enquanto escrevi boa parte deste capítulo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!