Calafrios
2 Café
Notas iniciais
Rose acordara tensa. Se soubesse onde aquela conversa os levaria, ela nunca teria acontecido.
Desistiu de levantar da cama e suspirou cansada, passando a mão por seus cabelos que continuavam loiros.
Olhou em volta, mas logo foi impedida de raciocinar pelas lembranças daquela tarde, que deixaram sua visão turva e lhe deram uma intensa vontade de vomitar.
É sempre assim, lamentou Rose. Ele a seguia por toda parte. Em seus sonhos, lembranças, sombras, e ela agora tinha certeza de que andava sendo observada até mesmo dentro de sua própria casa.
Correu os olhos pelo quarto até chegar parar no corpo estendido do lado oposto da cama. Um Frank mais velho e maduro dormia pesadamente, transmitindo uma incrível sensação de paz apenas por sua respiração.
Isso fez Rose relaxar lentamente os músculos do seu corpo, se atrevendo a moldar os lábios em um leve sorriso.
Levantou finalmente da cama fazendo o mínimo de barulho possível, pois não queria atrapalhar seu namorado.
Se até aos 13 anos alguém falasse que Rose seria feliz ao lado de Frank, ela teria dado uma gargalhada gostosa, e confirmaria debochando. Mas tudo mudou em seu aniversário de 14 anos, quando Frank a pegou de surpresa assim que seus lábios se tocaram. Foi aí que ela percebeu o que realmente sentia por Frank, aquele que até antes era julgado como melhor amigo. Eles passaram a ficar constantemente, até que Frank a pediu em namoro e ela aceitou. Então tudo mudou. O que ela sentia pelo menino que tomou o lugar de seu irmão era complemente diferente do que ela pensava. Agora Rose estava com 17 anos, enquanto Frank acabara de completar 18.
O menino que tomou o lugar de seu irmão.
Rose se amaldiçoou mentalmente, afinal, seu irmão ainda estava vivo, circulando pelas ruas a procura do casal. Não exatamente os procurando, mas esperando o momento certo para atacar.
Atacar.
Isso não era certo. Ela falava como se seu irmão tivesse virado um maníaco. Mas infelizmente era isso o que ele havia virado. Um maníaco.
Esses pensamentos não saiam da mente de Rose, martirizando-a sempre em que acontecia um flashback repentino.
Ela odiava lembrar-se daquele dia, mas era impossível esquecer o dia em que tudo mudou. Em que tudo realmente mudou.
Quando se deu conta, já estava sentada na cadeira, com os cotovelos apoiados na mesa enquanto sustentava o peso da cabeça com as mãos. De repente, uma súbita vontade de tomar café a invadiu, a levando a levantar-se para procurar o pó do mesmo e açúcar.
Açúcar foi fácil: estava na geladeira como sempre. Porém não encontrou o pó de café em lugar algum.
Cogitou a ideia de ir ao mercado. Não tardaria a voltar, já que um pequeno mercadinho se encontrava na esquina da rua em que ela estava.
Direcionou-se para o quarto ocupado por Frank que ainda dormia, vestiu a roupa que usara no dia anterior e escreveu em um pedaço de papel que havia ido ao mercado e já estava voltando.
Calçou seus tênis, pois caminhar de sandálias era extremamente desconfortável, pegou sua chave e saiu de casa, trancando a porta da frente.
Lembrou-se de Frank dizendo que ela estava ficando paranoica, mas ele não sabia o que estava prestes a acontecer. Nenhum dos dois. Porém, Rose rebatia dizendo que segurança nunca é demais, o que era um argumento válido que sempre arrancava uma leve risada de seu namorado.
Sorriu fraco, começando a caminhar em direção ao mercado. Rose chegou em pouco menos de 5 minutos, e não fazia ideia de que demoraria a voltar mais do que o previsto.
Notas finais
Talvez se vocês mandarem reviews a minha criatividade volte, hehe. Mas enfim, NÃO BRIGUEM COMIGO!! Fiz isso para deixar vocês curiosos :c
E eu estive pensando... A "conversa" não é tão necessária, mas pode deixar tudo mais divertido. Se eu for postar, será tipo um bônus, mas depende de vocês.
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