Notas iniciais
Atualizando essa história antes que vocês pensem que eu tenha morrido... Eu não morri, mas minha criatividade tinha morrido mesmo.

— Olá, só umas fritas e ketchup, por favor — Jamal disse para Alma, a atendente barbada de duzentos anos que ficava atrás do balcão do refeitório da Calabasas Hills School. — Pode abusar no ketchup — Insistiu. Ele tinha treino de boxe mais tarde e não queria chegar lá com a barriga muito cheia.

Ele sentou na mesa junto de suas amigas: Trixie Turner, Lizzie Marshall e Nicky Spilter. Os pais de Trixie e Jamal eram muito amigos, eles se conheciam desde pequenos e haviam crescido juntos. Mas não tinham absolutamente nada em comum, Trixie sempre havia sigo a típica garota-líder-de-torcida-loira-popular, enquanto Jamal era sempre o garoto nerd e esquisito da sala. Bom, ele não se achava esquisito, mas o restante dos alunos sim.

Trixie estava encarando Sebastian há tanto tempo que nem havia notado que o amigo havia se sentado à mesa com elas, mas ela não podia evitar. Aquele rostinho angelical não saía da sua cabeça e quando ela o via, simplesmente não conseguia desviar o olhar. Nicky achava aquilo ridículo, aquilo ela constrangedor, não só para Trixie como para elas, Lizzie entendia como ela se sentia, às vezes não se escolhe o garoto por quem se fica obcecada. Para a sorte delas, cada mesa no refeitório de Calabasas Hills School tinha um assunto.

— Dá pra você parar com isso, Trixie? — Nicky disse após dar um gole em seu suco de cranberry. — Já tá ficando feio, amiga.

— Deixa ela — Lizzie saiu em defesa da loura.

Jamal estava completamente boiando no assunto, ele não era o maior especialista quando o assunto era garotas.

— Do que vocês estão falando? — Ele perguntou mordendo uma de suas batatas.

— Trixie está obcecada pelo Sebastian Chanté — Revelou Nicky, sem muita enrolação.

Trixie quis se defender, mas sabia que só ia acabar se enrolando cada vez mais, era mais fácil admitir, mas ela não iria. Então, focou em sua salada, perfurando um mini tomate com seu garfo e o enfiando na boca. Jamal continuou comendo suas batatinhas, ele não havia ido na festa para avaliar o caso, aquele era seu último ano e na última semana de férias inteira ele ficou decidindo para qual faculdade ele iria. Se Trixie estava obcecada por outro garoto? Jamal conhecia bem essa história e já tinha visto ela se repetir uma dezena de vezes.

— Será que eu posso não ser o tópico da conversa? — Trixie disse após engolir o tomate — Será que dá pra vocês falarem de outra coisa que não seja sobre minha vida?

— Bom, tem uma festa beneficente neste final de semana — Jamal disse — Estou como assistente do comitê.

— Festa beneficente? — Trixie indagou. — Credo, Jay Jay.

— Sim, a senhora Contursi que está organizando, bom de qualquer forma ainda não escolheram a instituição e eu estou ajudando a decidir — Informou o rapaz.

— Legal — Elizabeth disse dando um tapinha incentivador nas costas do garoto.

— E o que vai ter bom nessa festa beneficente? — Questionou Nicky.

— Bom, o clube de culinária do colégio vai montar uma barraca para tentar arrecadar fundos, sabe o que isso significa né? — Jamal disse cutucando o cotovelo de Trixie. — Soube que seu crushzinho faz parte.

— Bom, talvez uma festa beneficente não seja tão ruim assim — Trixie comentou dando uma mordida em uma folha de alface.

Do lado externo do refeitório, Jason se sentou à uma mesa. Hoje era o primeiro dia do grupo de apoio aos calouros e ele não queria se atrasar. O grupo de apoio era um novo programa que a escola havia desenvolvido com a ajuda do próprio Jason, além de ser altruísta, isso também ficaria bonito em seu currículo para Harvard. O grupo deveria se reunir na hora do almoço, sendo composto por dois calouros e dois veteranos. Deveriam discutir assunto como a pressão sofrida em ambiente escolar, imagem corporal, timidez, sexo, drogas, álcool ou qualquer outro assunto que pudesse estar incomodando os novatos. A ideia do projeto era o seguinte: se os estudantes mais experientes dividissem sua sagrada sabedoria colegial com os mais novos, isso serviria de ajuda para que os calouros pavimentassem seu caminho para o sucesso de forma sensata, sem cometer erros idiotas que pudessem influenciar negativamente suas carreiras acadêmicas.

Yves abriu caminho por um grupo de meninas que havia tomado conta da passagem para a área externa, com seus uniformes fofinhos de líderes de torcida e seus hambúrgueres de atum defumado. Ele deslizou a bandeja de aço inox para a mesa a qual haviam lhe indicado para se sentar. Por mais que negasse para si mesmo, mal podia esperar para descobrir quem seriam os veteranos que iriam lhe auxiliar. Bastou levantar o olhar para que tivesse sua resposta. Era Jason, o carinha legal da festa em carne e osso.

— Olá, Yves — Jason disse com um largo sorriso no rosto. — Muito bom revê-lo.

Ele era simplesmente o carinha mais fofo do mundo, mesmo com a roupa um pouco amarrotada e o cabelo um pouco desgrenhado.

— Estou louco para cortar o cabelo — Comentou Jason enfiando uma batata-frita na boca. — Você é um dos calouros que eu devo aconselhar?

Yves assentiu, agarrando seu assento enquanto olhava fixamente para o seu almoço. Ele sentia seu coração acelerando, mas não podia evitar. Não conseguia acreditar em sua incrível sorte. Ele havia ficado um pouco desconfortável na festa, mas Jason havia sido tão legal com ele… Ele simplesmente não podia evitar aqueles pensamentos. Eles iriam se apaixonar, iriam viver momentos incríveis ao lado do outro, terminariam a escola e se casariam, ou melhor ainda: fugiriam juntos para se casar. Seriam o casal mais perfeito e mais lindo da escola. Yves sabia que estavam destinados a ficarem juntos, ele só tinha que ter calma.

— Vai demorar muito para começarmos — Quis saber Yves, um pouco impaciente. — Quem é o outro veterano? — Ele perguntou timidamente. Secretamente, Yves preferiria que não tivessem outros membros no grupo e queria que aquele momento fosse somente dele e de Jason.

— Angel está chegando — Ele respondeu comendo batata-frita. — Angel quase sempre se atrasa — Ele disse dando uma risadinha e enfiando um punhado de batatas fritas na boca.

— Ah, sim — Respondeu Yves, um pouco aliviado. Angel era uma das garotas da festa, bonita, alta, super legal, tinha medo de que tivesse sorte demais por ter Jason como conselheiro e que o outro veterano pudesse ser babaca.

— Oi, gente. Este é o grupo de apoio aos calouros? — Uma garota baixinha e de traços asiáticos se sentou ao lado de Yves. Ela cheirava a talco de bebê, cabelo era longo e escuro, com uma faixa de cabelo branca no topo da cabeça. — Muito prazer, eu sou Akemi Watanabe — Ela disse com um sorriso delicado no rosto.

— O prazer é todo meu Akemi — Jason disse oferecendo a mão para que a garota apertasse — Eu sou o Jason, e esse do seu lado é seu parceiro Yves.

Yves sorriu timidamente e acenou.

— Acho que podemos começar sem a Angel, vamos lá, me contem, já tiveram algum problema na escola?

Akemi respirou fundo, a escola havia deixado-a bastante ansiosa de início, mas durante as aulas foi se acalmando. Os professores eram muito bons, o conteúdo não era muito complicado para ela, os estudantes não eram os mais amigáveis com os novatos, mas de qualquer maneira ela não estava ali para fazer amigos, estava para estudar.

Yves pensou que o único problema naquele momento era a distância da boca de Jason até a sua.

Jason encarou os dois alunos e então empurrou a fatia de bolo de cenoura para longe de si. A diretora havia sido clara que era para que os veteranos ouvissem os calouros e fossem sensíveis aos seus problemas, colocando-se no lugar deles. Para Jason isso não era difícil, difícil mesmo era quando eles não falavam. Mas a diretora havia garantido que aquele projeto garantiria à Jason uma recomendação extra para a universidade que ele tanto queria.

— Quando eu era calouro era muito tímido, ainda sou um pouco, confesso — Jason disse deixando escapar uma risadinha nervosa — Tive alguns problemas para fazer amizades. Se minha colega de liderança decidir chegar, vamos discutir sobre isso.

Em questão de segundos, em uma lufada de cashmere e cachos brilhantes em castanho, Angelina Vermont se sentou à mesa.

— Desculpem o atraso — Ela disse para os calouros — Você não vai acreditar no que as meninas aprontaram no banheiro, eu disse para elas… — Angel começou a sussurrar para Jason.

Ele limpou a garganta em alto e bom som.

— Angel, estávamos falando sobre a dificuldade de se fazer amizades quando se é novo na escola — Jason disse olhando com simpatia para os calouros.

Angelina puxou um maço de papéis da bolsa vermelha Louis Vuitton e começou a escrever.

— Olha, não poderiam ter melhores pessoas aconselhando vocês — Angel disse mordendo a ponta da caneta. — O que vocês precisam de saber é: Calabasas é um lugar fora da realidade, aqui as pessoas não vivem no “mundo real”. Então você precisa de aprender seu lugar, com quem você anda, que tipo de pessoa você quer ser e o quanto você quer crescer.

— Como assim? — Akemi perguntou um pouco confusa.

— Aqui tem lugar para todos. Seja quem você quiser ser e não vai sofrer para se encaixar. Aqui os atletas babacas são atletas babacas, as patricinhas fúteis são patricinhas fúteis.

— E quem não se encaixa nisso? — Kemi quis saber.

— Como eu disse, minha querida: seja quem você quiser ser. Porque na verdade nada disso importa, em uma festa, com drogas e bebidas, todo mundo acaba sendo bem legal e se entrosando — Angelina disse com um sorriso no rosto. — Você acredita que eu passei anos sem vir à Calabasas e ano passado quando eu voltei, uma das minhas amigas, a garota mais piranha e fútil de toda turma, estava namorando com uma traficante que trabalhava numa livraria.

Os calouros ficaram boquiabertos.

— E tem mais: a líder de torcida que todos juravam ser a senhorita perfeitinha acabou se suicidando, pasmem, no meio de uma festa — Angelina contou saboreando o choque na expressão dos novos alunos.

Angelina se levantou, dividiu uma folha de papel em duas e entregou para cada um dos novatos.

— Venham ver por si, esse final de semana tem uma festa, aí está o endereço, espero que possam ir — Ela disse colocando o maço de papel de volta na bolsa.

— O-Onde é que você vai? — Gaguejou Jason.

— Só faltam nove minutos para o sinal tocar, vou pegar um iogurte — Ela disse colocando a bolsa no ombro e jogando um beijinho no ar. — Ah, e a Alissa disse para você não se atrasar, vocês tem horário marcado no cabeleireiro hoje.

Jason pegou o celular e checou a agenda, realmente ele havia combinado de ir ao salão com Alissa naquela tarde, mas ele tinha tantas obrigações para fazer antes disso que se desesperava sem saber o que fazer. Antes de se levantar e sair correndo, rasgou o guardanapo em dois pedaços, anotou seu telefone e entregou para Akemi e Yves.

— Nos vemos na semana que vem, se precisarem de mim é só ligarem.

Akemi viu que Yves olhava pensativo para o endereço da festa de sábado.

— Está pensando em ir? — Ela quis saber. Talvez não fosse tão ruim a ideia de fazer novos amigos — Eu estou pensando em ir, mas sinceramente não sei se devo.

— É uma boa oportunidade pra se enturmar — Respondeu Yves.

Akemi não tinha certeza se queria se enturmar com aquelas pessoas.

— A festa vai ser legal… Podemos ir juntos se quiser — Yves sugeriu.

O rosto de Akemi se iluminou com um sorriso.

— Tudo bem! Vamos! — Ela disse animada.

Drika havia acabado de entrar no clube de teatro de sua nova escola. Ela havia se mudado da antiga escola depois de ter sofrido uma overdose durante uma festa, não que ela se orgulhe disso… o pai com certeza não se orgulha.Agora ela frequentava a Calabasas Hills School, uma renomada na Califórnia, bem longe de sua fria inglaterra. Ela estava sentada em uma das cadeiras do grande auditório, havia sido a última a ser escolhida para fazer audição para o primeiro musical daquele ano. Não foram tão ousados como no ano anterior, havia sido criado um comitê após a saída de Pedro da escola. O comitê, sem tempo para elaborar uma produção original, acabou realizando uma escolha rápida.

Drika havia decidido se arriscar no papel de Maria.

— Midrika Rhee Bonnier! Repito: Midrika Rhee Bonnier!

Drika soltou uma risada abafada, um pouco nervosa pelo fato de ter sido chamada pelo nome completo.

Eles ligaram uma câmera assim que ela se posicionou no meio do palco.

— O que preparou para a gente? — Uma garota careca em vestes BoHo Chic perguntou erguendo um bloco de notas e uma caneta.

— O que vai cantar? — Um garoto pequeno de bigode fino perguntou se aconchegando na cadeira.

— Irei cantar a música ‘Colors’ da cantora Halsey — Drika disse com seu sotaque charmoso inglês.

Não era exatamente uma música para detonar as bilheterias caso fosse cantada no musical, porém, todos notaram a carga emocional que Midrika havia trazido para a música, dando o máximo de si e arrepiando a pele dos diretores. Por isso, para ela não foi surpresa nenhuma quando anunciaram que ela havia sido imediatamente escolhida para o papel de Maria, claro, também não era como se tivesse tido muitas audições para o papel.



Quando o último tempo de francês acabou, Jack Snyde se despediu apressadamente de seu colega de classe Sebastian. Correu até o estacionamento do Calabasas Country Club. Caminhou até o carrinho de sorvetes que ficava no ponto mais afastado da entrada do local, onde iria encontrar com seu confiável traficante de maconha. Para a sorte de Jack, o treino do dia havia sido cancelado devido ao adoecimento do treinador do time e a escola havia decidido dar um tempo livre para os garotos. Jack pensou em ir praticar com uns garotos, ou ir para a biblioteca fazer o deve de casa com os outros. Mas ele preferiu dar uns tapas antes e ficar chapado antes de fazer alguma coisa.

A última vez que Jack havia visto Manoel, o traficante engraçadinho que usava uma boina vermelha, ele havia dito que voltaria para o Peru em breve. Era a última oportunidade que Jack teria de conseguir o maior saco de erva peruana doce que fosse possível encontrar. Ele sabia que devia conseguir uma receita com um médico, como Alissa e Alexis haviam lhe dito, mas para isso ele precisaria falar com o pai, e ele não queria ter a constrangedora conversa com o pai de “oi-pai-estou-fumando-maconha”. Ainda mais porque o pai odiaria sua versão chapado.

Até Alissa às vezes reclamava, se queixando de como era chato vê-lo encarar o tapete persa no quarto dela ou ficar jogado de forma preguiçosa na cama quando eles podiam estar se agarrando ou indo em uma festa em algum lugar. Ele precisava urgentemente parar de pensar nesses assuntos. A maconha ajudaria. Claro, ele pensava em parar de fumar, e aquela era a oportunidade perfeita. Uma vez que Manoel partisse e Jack tivesse acabado de fumar cada folhinha de maconha do saco gigante, jamais ele iria colocar outro cigarro de maconha na boca. Mas até lá, ele nem pensava em largar.

— Cadê o Manoel? — Questionou o atendente que sempre atendia os clientes.

— O Manoel já se foi. Você o perdeu.

Jack bateu no bolso traseiro de sua calça de sarja cáqui, onde ele havia guardado sua carteira da Gucci estufada. Não que ele fosse viciado, mas não gostava de ficar sem maconha quando tinha planejado apertar um dos gordos para passar o restante da tarde.

— O que? Quer dizer que ele já voltou para o Peru?

— Lamento, cara — Disse o atendente, meio solidário — De agora em diante vendemos somente sorvete e smoothies e sorvetes e smoothies. Sacou?

— Me dá uma casquinha de baunilha então — Disse Jack puxando a carteira e tirando uma nota de dez dólares da carteira. — Fica com o troco — Disse ao pegar o sorvete e ao entregar a nota.

Pelo estacionamento, Jack vagou meio sem rumo até achar o carro, sentindo-se um cachorro abandonado. Vinha comprando erva de Manoel desde que Arabella havia tido problemas. Numa tarde, depois do treino, ele e os amigos saíram para comer pizza e tomar sorvete. Acabaram tomando várias outras coisas naquele dia. Nem considerava a ideia de procurar um médico, claro, isso envolveria falar com o pai e Jack nunca cogitava incomodar o pai conservador com isso.

Depois de atirar a casca no lixo, vasculhou os bolsos do casaco naval Hugo Boss em busca de alguma ponta que pudesse ter sido deixada ali. Depois de encontrar uma, caminhou apressadamente até o carro, acendendo a ponta enquanto entrava. Jack deu uma puxada forte no baseado aceso e tirou o celular do bolso. Talvez um dos amigos dele tivesse pegado uma boa quantidade antes da partida de Manoel.

Ligou para um dos colegas de time que estava num táxi a caminho de um jogo interescolar de e-games.

— Foi mal, cara — A voz dele estalou na linha — Fiquei tomando Zoloft da minha mãe o dia todo. Por que não compra uma trouxinha de um traficante do parque ou vai no médico pegar uma receita?

Jack deu de ombros. Compra uma trouxinha de um traficante qualquer parecia tao capenga.

— Deixa pra lá, cara — Respondeu Jack — A gente se vê amanhã.

— Dá uma olhada no armário de remédios da sua mãe — Aconselhou o colega.

— Vou ver — Jack retrucou — Mais tarde.

Ele não planejava de maneira nenhuma vasculhar o armário da mãe, em partes pela falta de curiosidade, claro, além disso ele tinha medo do que poderia encontrar lá. Jack se confortou no banco do carro, tendo uma vista da entrada para o Country Club. De repente, uma enxurrada de memórias alagou sua mente. Logo veio a memória dele chegando ao baile de inverno acompanhado de Alissa, antes de uma das maiores tragédias do ano passado ter acontecido. Impulsivamente, Jack pressionou os números que conhecia tão bem. Tocou seis vezes antes dela atender.

— Alô — Respondeu Alissa numa voz baixa, quase como se tivesse sussurrando. Estava sentada no salão Nuuvo que havia sido aberto em um novo shopping. O lugar era decorado como um harém turco, com cachecóis diáfanos e seda rosa e laranja se penduravam pelo teto, enormes almofadas de tapeçaria rosa e amarela haviam sido aleatoriamente espalhadas pelo salão para os clientes se encostarem e beberem café turco enquanto esperavam para serem atendidos. Diante de cada cabeleleiro havia um enorme espelho com moldura dourada. Adrien, o novo cabeleleiro de Alissa, tinha acabado de pentear as madeixas recém-lavadas da cliente. Com o celular encostada na orelha molhada, Ali olhou o reflexo no espelho. Da última vez que ela esteve ali com Jason havia considerado pintar o cabelo de loiro. Agora era um momento decisivo.

— Oi. Sou eu, o Jack — Ela havia reconhecido a voz assim que ela saíra pela saída de áudio.

Alissa bufou e revirou o olho. Da última vez que haviam se visto, na festa da Trixie, mal haviam conversado. Então o que ele estava fazendo ligando para ela exatamente naquela hora?

— Jack? — Respondeu Alissa, um pouco impaciente, um pouco curiosa. — Isso é uma ligação importante? Porque eu não posso falar, estou realmente muito ocupada.

— Não, não é importante — Respondeu Jack enquanto tentava pensar em uma explicação plausível para ter ligado para ela. — Só achei que você deveria saber que estou decidindo parar. Sabe como é… Parar de fumar o bagulho — Ele disse dando partida no carro e começando a dirigir lentamente pelo estacionamento. Naquele momento nem tinha certeza se era verdade.

Alissa ficou segurando o telefone num silêncio confuso do outro lado da linha. Adrien bateu o pente com impaciência no encosto da cadeira da garota.

— Que bom pra você — Respondeu ela por fim. — Eu tenho de ir, tá bem?

Alissa parecia ocupada e Jack não tinha certeza de por que tinha ligado pra ela.

— A gente se vê — Murmurou ele, enfiando o telefone de volta no bolso do casaco.

Ciao — Alissa atirou o celular preto na bolsa branca da Chanel e se endireitou na cadeira giratória de couro. — Estou pronta — Disse ela a Adrien, parecendo confiante. — Lembre-se, quero loiro como a Beyoncé.

Rugas de animação apareceram nas bochechas bronzeadas e tencionalmente ericaçadas de peles de Adrien. Ele piscou um olho castanho com alongamento de cílios.

— Como a filha do destino — Ele brincou.

Epa.

Alissa sabia que iria ficar bonito como que fosse, mas achou melhor deixar tudo claro para o cabeleleiro, ela rezava para que ele não fosse um diiota incompetente, como aparentava ser.

— Não, não. As Destiny’s Child tinha a Kelly e a Michelle. Eu quero ficar loira. Que nem a Beyoncé. Sabe quem é? — Alissa vasculhou o cérebro em busca de uma celebridade com o cabelo decente, para ilustrar a imaginação do cabeleireiro. — Ou talvez como a Blake Lively. Ou a Gisele Bündchen — Acrescentou desesperadamente.

Adrien não respondeu, em vez disso passou os dedos pelos fios escuros e molhados de Alissa.

— Tem um belo cabelo — Ele disse pensativo, enquanto continuava a pentear os cabelos da garota.

Alissa fechou os olhos enquanto o homem pegava a tesoura e desferia um corte aqui, outro ali. Cruzou as pernas saboreando o gostinho de atrair atenção na próxima festa com o seu cabelo novo.

— Vamos precisar fazer algumas mechas agora — Anunciou ele enquanto toda uma equipe se formava ao redor de Alissa dando atenção especial ao seu cabelo.

Até que o celular tocou novamente. Uma das funcionárias do salão não se incomodou em se inclinar para pegar o telefone e levá-lo até a orelha da garota que inicialmente prendeu o celular com o ouvido e com ombro, mas ao sentiu os fios sendo puxados, segurou com a mão.

— Obrigada — Ela disse agradecendo a mulher. — Alô?

— Alissa Cavallari? Filha de Donatella?

Alissa se estudou no espelho, admirando seu rosto de perfil. Ela parecia mais uma popstar se preparando para uma sessão de fotos do que com a filha da famosa consultora de moda Donatella Vallario, que havia se divorciado do pai de Ali há vários anotes atrás e agora morava na Itália com um editor da Vogue Itália que tinha o dobro de sua idade, administravam juntos um pequeno vinhedo e um pequeno centro comercial em Milão.

— Sim — Respondeu a garota com a voz fraquinha.

— Ótimo — respondeu a voz masculina no telefone. A voz dele era profunda e lisonjeira, dificultando adivinhar qual era a idade. Vinte ou quarenta e cinco? — Aqui é Niklaus Vanderpump. Sua mãe foi minha orientadora no ateliê do Karl Lagerfeld. Deus o tenha. Nós dois fomos alunos da Parsons. Eu soube que você está interessada em estudar no FIDM.

Interessada? Ali não estava só interessada em ir para a FIDM, era basicamente a sua meta depois de terminar o colegial.

— É, estou — Guinchou ela, olhando de relance, apreensiva, para Adrien enquanto ele e a equipe mexiam em seu cabelo.

— Bem, é exatamente por isso que eu estou ligando — Respondeu Niklaus do outro lado da linha. — Saiba que a influência de sua mãe e sua família paterna são bastante importantes para a instituição, claro, eu como membro da mesma acredito que o mais adequado seria marcar uma entrevista no início do outono para discutirmos as possibilidades de seu ingresso.

Alissa tampou o microfone e por um segundo permitiu-se surtar de alegria.

— Ah, sim. Muito obrigada — Ela respondeu com um largo sorriso nos lábios.

— Entraremos em contato com a senhorita em breve — Ele disse demonstrando animação em seu tom de voz.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.