Notas iniciais
Então galerinha, reta final desse primeiro arco da história, esse é o penúltimo capítulo dessa primeira fase do CAF (nem acredito que uma leitura fez uma abreviaçãozinha do nome da história). Eu estou MUITO emotivo, cara, eu sinceramente pensei que fosse abandonar essa história ou acabar me enjoando de escrever ela, mas não. Então, eu só tenho agradecer a VOCÊ, leitores de CAF, por todos os seus comentários, por toda a força que vocês me dão, por não me deixarem desistir dessa história que diga-se de passagem é maravilhosa, mas boa parte do mérito são de vocês por terem enviado esses personagens incríveis e terem abraçado essa ideia desde o começo. Agora vou deixar pra falar mais boiolagens no próximo capítulo. Enfim, aproveitem este.

Às vésperas do baile de formatura todos só comentavam sobre o novo casal. Assuntos como férias, viagens, faculdade podiam esperar. Pedro e Alexis eram o casal do momento e você podia ouvir tudo sobre eles, quando quisesse e onde quisesse. No pátio da escola comentavam sobre a bela pulseira da Cartier que Pedro havia dado para Alexis para oficializar o namoro dos dois, no refeitório todos comentavam sobre como ele finalmente havia escolhido a “namorada perfeita” e que juntos eram o casal perfeito. Mas era nos corredores da escola que todos comentavam como eles iam acabar recebendo a coroa de rei e de rainha do baile, mesmo que não fosse nada, e não valesse nada, as fotos com as coroas ficam ótimas em álbuns para mostrar para a família.

Em algum momento do passado Alexis havia sim tido uma pequena queda por Pedro, mas ele não havia demonstrado o mínimo de interesse por ela, então ela havia se consolado com Arabella. Agora Pedro não saía do seu pé e ela estava de saco cheio. Ele ficava rodeando ela o tempo inteiro na escola, com elogios, carícias e presentes, mas aquilo era teatro, até a polícia sair do pé de Pedro. Se ele caísse, ela acabaria caindo em seguida.

O momento favorito de Alexis, era ao final das aulas, quando Pedro ia para as reuniões do comitê do baile e depois se ocupava com as reuniões do clube de teatro. Então ela podia silenciosamente se esgueirar até a entediante e vazia biblioteca do terceiro andar, se encontrar com Arabella. Elas começavam com conversas aleatórias, quase fingiam que aquilo era um encontro casual, mas sempre terminava da mesma maneira: com as duas dividindo um cigarro depois do sexo.

— Tem certeza que você não quer ir lá pra casa? — Alexis perguntou terminando de calçar seu tênis Jimmy Choo.

— Gata, eu tenho treino, depois reunião do clube de xadrez, a despedida, e então tenho que ir trabalhar — Arabella respondeu vestindo sua saia do uniforme de líder de torcida.

— Eu pensei que você tivesse saído do emprego na livraria — Lexi disse amarrando o cabelo em um rabo de cavalo.

— Mas eu saí — Arabella desviou o olhar e bufou.

Ela não devia satisfações a Alexis, nem Alexis queria perguntar e gerar uma discussão, então ambas ficaram em silêncio.

Arabella queria contar que havia saído do emprego na livraria porque havia sido marcada por outros traficantes daquela área, mas que continuava traficando porque de uma forma ou de outra tinha que se manter e ir para a faculdade. Mas não quis parecer vulnerável. Alexis quis contar que o relacionamento com Pedro não era de verdade, que ela não gostava dele e que eles só estavam juntos porque o pai de Arabella estava na cola de Pedro. Mas não contou, porque elas não estavam em um relacionamento e ela não queria aborrecer Arabella com os seus dramas.

— Segunda-feira no mesmo horário? — Perguntou Alexis pegando sua bolsa no chão.

— Sim, senhorita — Respondeu Arabella selando seus lábios aos lábios da loira. — Quer sair primeiro?

— Não, não, pode ir — Respondeu a outra garota. — Você está atrasada.

Para a surpresa de Alexis, quando ela fechou porta da biblioteca atrás de si, se deparou com a melhor amiga no corredor. Alissa estava no final do corredor, fumando um cigarro com a porta que levava às escadas laterais aberta. Assim que avistou a amiga, pressionou a brasa contra a parede e apagou o cigarro. Alexis corou, pois no olhar da amiga à quilômetros de distância conseguiu perceber que ela havia descoberto sobre ela e Arabella.

— Meu Deus, Alissa! Sua safada! O que você está fazendo por aqui nesse horário?! Você nunca fica na escola até tão tarde — Alexis disse em voz baixa, olhando ao redor se certificando de não tinha ninguém ali além delas.

Alissa sorriu de canto.

— Uns drogados descobriram nosso lugar embaixo das arquibancadas, vim aqui fumar enquanto espero a Angel sair do clube de dança.

— O que vocês vão fazer?

— Angel anda traumatizada desde que tudo aquilo aconteceu na festa, ela precisa fazer compras e eu preciso de um vestido novo para o seu baile de formatura — Ali deu uma piscadinha para a amiga. — Estou ansiosa para ver você e seu namoradinho receberem as coroas.

As duas começaram a andar e desceram as escadas indo para o térreo.

— Quando que você e Arabella começaram a se ver? — Alissa sussurrou.

— Cala a boca — Alexis sussurrou de volta.

As duas gargalharam no meio do corredor vazio.

— Desde o Baile de Debutantes… Argh, aquela garota mexe comigo — Alexis disse revirando os olhos.

Angel abriu a porta da sala de dança e andou tranquilamente até as amigas.

— Como você está, Angel?

Angelina se esforçou para sorrir.

— Precisando de compras e da companhia das amigas.

Nos lábios de Alissa brotou um largo sorriso.

— Bom, então acho melhor irmos, meu vestido pro baile não vai se comprar sozinho.

Assim que chegou da escola naquele dia, Enricco foi direto para a sua cama. Jogou sua mochila em um canto de seu quarto e pulou em cima do seu macio colchão, chegando a dar um pulinho. Não acreditava que seu primeiro ano em Calabasas já chegava ao fim, como era possível? Tinha a sensação que no dia anterior mesmo havia sido o seu primeiro dia, ele chegava na escola com muitos sonhos e poucas expectativas. E mau sabia ele que iria acabar se apaixonando por um dos garotos da escola nova. E que ele acabaria tão confuso no final.

Ele não estava confuso sobre tudo, mas a única coisa sobre qual ele tinha plena certeza era: Jason. Se não tivesse sido tão idiota, naquele exato momento os dois estariam deitados juntos decidindo onde iriam alugar os ternos para o baile de formatura, claro, havia mais um longo ano pela frente, este que viria a ser o último. Mas não importava, estava imerso em uma melancolia gerada pelo arrependimento que fazia questão de não deixá-lo em paz. Ele poderia apontar dedos e descrever culpados, mas sabia que no final das contas, o único culpado era ele.

— Enri? Querido? — A mãe chamava no final do corredor. — O jantar está pronto.

Enricco trocou a camiseta do time de futebol da escola por uma camiseta branca, tirou sua calça jeans da Calvin Klein, colocando no lugar uma calça de moletom cinza que havia achado na cabeceira de sua cama. Seguiu pelo corredor, o coração estava acelerado. Ele não tinha certeza do que estava fazendo, mas de alguma forma sentia que estava chegando sua hora.

— Mãe… Precisamos conversar — Enricco disse com a voz baixa. — É um assunto importante.

— Não quer esperar seu pai se juntar a nós ou…

Antes que a Senhora Bittencourt Lefon pudesse terminar sua frase, foi interrompida pela presença do marido.

— O que houve, querida? — O homem disse colocando sua maleta de couro em cima da mesa de jantar.

— Enricco estava prestes a falar algo importante — Ela disse com naturalidade.

Enricco sentiu a sua própria respiração falhar consigo.

— É que… Bom eu não sei por onde começar — Olhou para o chão. Talvez atrás de respostas, mas cavar um buraco e esconder a cabeça como os avestruzes não era uma opção válida. — Eu preciso contar uma coisa para vocês.

— Que você é gay?

O pai disse em alto e bom som. Todos ouviram muito bem. Enricco sentiu seu corpo estremecer, não acreditava que depois de tanto tempo que havia esperado para contar para os pais, eles haviam adivinhado.

— É isso que quer nos contar, Enri? Que você é gay? — A mãe perguntou com um tom de voz tranquilo. — Bom, tudo bem.

— Vocês não vão gritar comigo e se perguntar onde foi que erraram? — Enricco perguntou um pouco confuso.

— Por que faríamos isso? — Respondeu o pai um pouco sem paciência. — Você esperava isso da gente? Você é um ótimo filho, nunca nos deu trabalho, é esforçado, ajuda em casa e no trabalho. Por que o fato de você ser “gay” mudaria alguma coisa? Você sempre foi gay.

Enricco ouviu aquilo e foi como um soco no estômago. Era estranho não sentir mais medo.

— Aqui é a Califórnia e eu cresci nos anos 70, então, querido, nada me choca tão fácil — A mulher disse se aproximando do filho e o acolhendo em seus braços. — O mundo pode não acolher isso tão bem quanto a gente, filho. Mas nós vamos te apoiar. Sempre.

Enricco deu um beijo na mãe, que afrouxou o abraço ainda há tempo do garoto conseguir ver o sorriso que havia no rosto do pai. E agora? O que ele deveria fazer? Lembrou-se da única coisa que tinha certeza naquele momento.

— Preciso de ir em um lugar… — Ele disse recuando e indo em direção a porta dos fundos.

Pegou sua bicicleta, levantou-a rapidamente começando a pedalar pelo jardim de sua casa e indo em direção a parte da frente. Sentia o vento fresco em seu rosto, seu riso era tão leve que ele nem percebia que estava sorrindo. Sua vida havia mudado bastante apenas em alguns momentos, ele não sabia como aquela nova etapa da sua vida seria, mas sabia por onde ela deveria começar.

Parou sua bicicleta na frente da casa de Jason e correu para a porta. Uma batida na porta. Duas batidas na porta. Ninguém o atendia. Seu coração estava acelerado e ele não conseguia se conter de tanta felicidade.

A porta se abriu para ele, era Jason, que não conseguiu esconder a felicidade ao ver o namorado batendo em sua porta.

— Enri? O que houve? — Jason quis saber, um pouco ansioso.

— Eu te amo — Enricco disse selando seus lábios aos lábios do namorado. — Eu te amo e quero que vá ao baile comigo.

— Mas e seus pais? — Jason queria a experiência de baile completa, com direito a fotos e tudo mais, mas talvez Enricco tivesse alguns obstáculos.

— Tudo bem, eu contei para eles — Enricco disse animado. — Agora podemos ir ao baile juntos, tirar aquelas fotos bregas e tudo mais.

Jason desviou o olhar, por alguns segundos o casal permaneceu em um silêncio que ultrapassava o constrangedor.

— Não vai dar… — Jason disse.

— Como assim não vai dar? — Enricco perguntou, sem conseguir disfarçar a decepção.

— Eu vi Elizabeth Marshall triste no outro dia, fiquei com pena e chamei ela para ir ao baile comigo.

— Vai deixar de ir ao baile com o seu namorado para ir ao baile com uma garota por pena? — Enricco disse recuando e cruzando os braços.

— Escute, a garota teve um ano péssimo, bem pior que o de nós dois. Seus pais foram legais com você, ótimo, porque aquela garota tem um pai na cadeia e uma mãe trabalhar doze horas por dia para conseguirem manter a casa — Jason disse se aproximando do namorado e tomando ele pela mão. — Vamos com a gente. Vamos dar uma noite boa para essa garota.

Jason pegou o namorado pela nuca e selou seus lábios aos dele.

— Vamos fazer algo importante por alguém além da gente — Jason finalizou com um sorriso nos lábios.

— Fechado.

Havia sido o último dia do jornal da escola, e o grupo havia decidido comemorar na casa de Carla Bishop. Enquanto todos atacavam o bar dos pais da garota, Rico De Palma se sentou no lado externo da casa, usando uma bermuda sarja Calvin Klein e uma camisa floral entreaberta. Havia escolhido se sentar uma mesa de madeira, provavelmente utilizada nos dias em que a família Bishop queriam fazer piquenique mas não queriam se sentar no chão. Em cima da mesa havia um baseado bolado, pronto para ser aceso. Rico então pensou: dane-se, é uma festa.

Colocou o cigarro de maconha entre os lábios e então o acendeu. Fazendo muita fumaça. Depois de dois pegas no baseado, o garoto acabou tossindo. Logo sentiu uma presença se aproximando, quando virou-se para trás, era Eleanor. Ela vestia um roupão de banho amarelo e usava o cabelo amarrado em um rabo de cavalo.

— Rico! O que está fazendo?! — A garota quis saber, não era como se ela estivesse acostumada a ver Rico fumando todos os dias.

Ele passou o baseado para ela.

— Fuma aí — Ele disse com a voz claramente mais relaxada.

— N-Não, Rico. Eu não quero — Ela disse um pouco nervosa.

— Relaxa, Eleanor. É só um baseado.

Elly não queria ser chata, mas se sentia confortável o bastante para poder desabafar com Rico.

— Eu não gosto de fumar e não gosto de usar drogas no geral, porque na minha família temos históricos de dependência química e é uma coisa bem triste, sabe? — Eleanor disse se sentando no banquinho, um pouco cabisbaixa. — Meu tio é um viciado em drogas. Isso me causou um trauma muito profundo e acho que é por isso que sou tão fechada quando se trata de uso de drogas.

Rico ficou em silêncio, fumando, não queria ser invasivo, nem nada parecido. Sentia que qualquer coisa que falasse poderia acabar deixando tudo aquilo ainda mais constrangedor.

— Deve ser por isso que sou uma chata — Eleanor claramente havia bebido um pouquinho demais. — E é por isso que todas as garotas foram convidadas para o baile de formatura e eu não.

— Não é bem assim — Disse Rico, cautelosamente.

— É sim! Angelina e Thomas estão saindo não tem nem dois meses direito e ele enviou flores para ela, convidando ela para o baile, mas comigo é outra história.

Rico sabia que não era saudável se comparar aos outros, mas ele mesmo não tinha hábitos saudáveis consigo mesmo e sempre se cobrava demais. Ele ficou em silêncio porque era assustador para ele, pensar e enxergar em Eleanor como uma garota durona e confiante, agora quando ele olhava para ela, parecia uma garotinha triste e assustada, um pouco perdida.

— Elly… — Ele não sabia o que deveria dizer, nem sabia se deveria dizer alguma coisa. Talvez fosse hora de Rico se abrir e mostrar o que realmente pensava. — Isso não é nada demais. Tudo é muito pequeno perto das grandiosidades que estão por vir pela sua vida. O seu tio é só uma pequena parte de sua vida que, daqui alguns anos, quando estiver sendo âncora de um jornal em Nova York, você não vai nem se lembrar. E o baile é um evento muito pequeno, não é nem um pouco relevante.

Rico respirou fundo e deu mais um trago no baseado.

— Escuta o que vamos fazer: você vai usar um vestido lindo, vai arrumar seu cabelo do jeito que você gosta, vai usar sapatos confortáveis e então vamos todos ao baile. Eu, você, Scarlett, Sebastian, seus amigos e você vai se divertir mais do que com qualquer outro garoto.

— Você tem razão — Eleanor disse levantando a cabeça e se esforçando para sorrir.

— E então vai ser uma noite da qual você vai se lembrar para sempre, porque vai estar com pessoas realmente importantes para você, e não um garoto qualquer que acabou de te conhecer e te enviou flores.

Eleanor sorriu, genuinamente.

— Sabe, Rico, o mundo seria um lugar melhor se você falasse um pouquinho mais.

Era a noite do baile de formatura, Pedro não acreditava que tudo estava chegando ao fim. Aquele ano era para tudo ter sido perfeito, mas seus pensamentos não o deixavam quieto, na verdade estavam quase tornando-o um verdadeiro paranóico. Ele não iria deixar nada abalar ele naquele noite, ele havia alugado uma limusine para levar ele e a acompanhante até a festa, e no outro dia ele finalmente receberia o diploma e então tudo teria acabado. Rumo ao futuro, sem nenhum fantasma do passado para incomodá-lo.

— Querido, o carro está aqui — Ele ouviu a mãe dizer do andar debaixo.

Pedro estava descendo as escadas quando ouviu uma voz desconhecida vindo de algum lugar entre a casa.

— Ela sumiu e levou a arma do meu marido, não sabemos como aconteceu, nem o que aconteceu, mas a polícia não achou a arma com ela — Ouviu uma voz feminina dizer.

— A arma era ilegal, ela teria problemas se fosse encontrada com ela, mas não entendo por que ela havia levado a arma para uma festa, isso não é coisa de Melinda.

De repente ele estava paralisado. Era como se todos os músculos de seu corpo tivessem se transformado em pedra. Pedro respirou fundo, não conseguia ouvir o resto da conversa, era como se aos poucos seus sentidos desaparecessem. O mundo estava escurecendo a sua frente e ele não sabia o que fazer… Na verdade, ele sabia sim.

Deu meia volta, voltando para o quarto. Dentro de seu pequeno closet pegou sua maior mala da Louis Vuitton e começou a colocar suas roupas. Algumas fotos de momentos importantes, seus itens de higiene pessoal e suas cuecas mais queridas. Quando tudo estava pronto, ele desceu as escadas, ainda usando o novo terno da Armani que seus pais haviam comprado especialmente para aquela data. Desceu as escadas rapidamente, com o maior cuidado para não fazer barulho. Quando finalmente conseguiu chegar até o lado externo da casa, se enfiou silenciosamente na traseira da limusine, tentando controlar sua respiração sentando em um banco de couro. Quando o motorista perguntou qual era o próximo endereço, Pedro sentiu que só havia uma única resposta possível para aquela pergunta. Aquela pergunta que sem dúvidas iria gerar infinitas outras perguntas. Mas ele não ligava. Não ligava de não ir ao baile de formatura e não ligava de não pegar seu diploma na frente de todo mundo que ele conhecia. Os pais certamente iriam ficar preocupados, mas ele não se importava.

— Me leve até o Aeroporto Internacional de Los Angeles — Ele disse com a voz um pouco oscilante — E depois pode fazer outra parada para mim.

Alexis estava impaciente, já havia terminado sua maquiagem, seu cabelo já havia sido trançado pelo cabeleleiro particular de sua mãe e ela já havia vestido seu glamuroso vestido longo Marchesa Notte, com decote em V com babados, estilo tubinho e com uma fenda lateral para mostrar que ela estava calçando Loubotins cravejados com cristais verdes. Pedro havia avisado que chegaria em alguns minutos, mas até então nada. Da janela da sala vazia, ela conseguiu ver as luzes de um automóvel se aproximando. Pegou sua bolsa tiracolo Prada e saiu indo em direção ao carro enquanto o vento batia contra seu corpo, fazendo com que o seu vestido verde mostrasse uma boa parcela de suas pernas. Quando o motorista abriu a porta da limusine, ela encontrou os bancos vazios.

Ela havia pensado na possibilidade de ainda passarem pela residência dos Anwhistle para buscarem seu par. Mas percebeu que estava errada quando começaram a se aproximar cada vez mais da escola. O que está acontecendo? Quando viu a aglomeração de pessoas que eram fotografadas na frente do salão de festas da escola sentiu seu estômago se revirar… Ela entraria sozinha?

Desceu do carro de cabeça erguida, ela era sem dúvidas a formanda mais perfeita, durante todo aquele ano havia sido decepcionada inúmeras vezes, havia tido seu coração quebrado, havia sido humilhada em público e quase havia sido morta. Aquilo iria ser moleza.

Mas então fraquejou. Porque percebeu que pela primeira vez estava realmente sozinha. Não havia ninguém do seu lado para dar suporte. Até que avistou um rosto conhecido.

Vestindo um vestido curto e rodado preto, provavelmente comprado em uma loja de departamentos qualquer, com o cabelo preso em um coque alto e maquiagem claramente caseira, Arabella se aproximava fumando um de seus cigarros.

— Arabella? O que você está fazendo aqui? Eu não esperava ver você por aqui — Alexis disse surpresa.

— Bom, recebi uma ligação de última hora de alguém e era uma oferta que eu não pude recusar — Arabella disse se aproximando de Alexis e a beijando ali mesmo.

Na frente de todo mundo.

— Mas quem foi que te ligou?

— Euzinha.

Alissa disse terminando de descer de uma limusine estacionada ali perto, vestindo também um vestido rosa Marchesa Notte com ombro único e com um laço na altura da cintura. O cabelo longo e escuro de Alissa caía liso pelas suas costas, ela trazia consigo uma bolsa tiracolo Doce & Gabbana no mesmo tom de seu vestido.

— Quando Pedro me ligou e me disse que não iria vir, eu precisei pensar em uma solução rápida — Alissa deu uma piscadinha para amiga. — Fico feliz que tenha gostado.

Logo Jack se aproximou do grupo de garotas, depositando um beijo na bochecha da namorada e sussurrando em seu ouvido:

— Vamos entrar?

— Pode ir entrando e escolhendo uma mesa para a gente — Alissa disse abrindo a bolsa e vasculhando atrás de um baseado. — Vou dar uma fumadinha com as meninas.

Na entrada do salão de festas havia um projetor, exibindo na parede um slide com fotos dos formandos em grandes momentos do ano. A primeira festa na casa de Alissa, o desfile beneficente, a festa de Haloween, o Baile de Inverno… Jack havia passado por todos aqueles eventos e vivido intensamente cada um deles, todavia, ainda faltava dois anos para que ele se formasse ainda. Cumprimentou alguns colegas de time que estavam se formando também, mas de repente se encontrou sozinho. O projetor exibiu uma foto em preto e branco, de Melinda e Noah juntos durante o Baile de Inverno. Jack engoliu em seco. Não era para as coisas serem assim.

Continuou andando, passando por um cenário montado do que era para parecer uma praia exótica, onde um fotógrafo fotografava os casais do baile entre os tikis, palmeiras anãs, flores neon e areia artificial. Tochas haviam sido espalhadas pelo salão, e até havia sido montada uma pista de dança com grama de verdade. Tudo trabalho de Pedro Anwhistle, o estranho era que o próprio Pedro não estava ali para usufruir de sua própria festa. Os bartenders usavam roupas de havaianas e serviam suco para os jovens, como se eles mesmos fossem incapazes de adquirir bebidas alcoólicas. Mesas redondas e cadeiras de acrílico haviam sido espalhadas para que os jovens se sentassem com os seus grupos.

Uma banda com um nome islandês se apresentava em cima do palco que havia sido montado perto da pista de dança. No final do salão, onde havia uma área a céu aberto, colocaram sofás de couro branco e acenderam uma enorme fogueira. E havia um enorme deck, com um buffet havaiano para ninguém colocar defeito.

Jack estava indo em direção ao buffet quando se virou para observar alguém que havia chego e gerado bastante rebuliço. Era sua velha amiga, Elizabeth Marshall, acompanhada de Enricco Lefon e Jason Osborne.

Elizabeth tinha o seu cabelo preso em um coque por uma flor artifical, dada a ela por Jason. Ela vestia um vestido midi de frente única com estampa verde jungle da Versace. Tinha um decote em V profundo, com detalhes franzidos, sem mangas e estilo tubinho. Os rapazes usavam ternos pretos Givenchy, Enricco parecia não ter penteado seu cabelo nos últimos dois dias, enquanto Jason estava com o cabelo muito bem penteado, como sempre. Cada um deles se agarra aos braços de Lizzie e ela se sentiu bem com isso. Porque pela primeira vez em muito tempo, ela era vista com bons olhos. Ela sentia como se nada fosse estragar a sua noite, ela se sentia imbatível. Lizzie conseguia ouvir as pessoas se impressionando com ela, ela conseguia ver as pessoas admirando ela e isso era simplesmente satisfatório. Pela primeira vez ela não era a “nova garota” e nem a “garota com o pai criminoso”. Lizzie era simplesmente Lizzie.

Jack sorriu, feliz por ver a amiga tão bem. O rapaz seguiu em direção ao buffet. Até que a banda, que já estava se despedindo para que pudesse entrar o DJ que iria agitar até o final da festa, decidiu que iria dedicar uma música lenta para os casais dançarem juntos. Ele se virou mais uma vez, observando Jason e Enricco irem para a pista de dança enquanto deixavam Elizabeth sozinha. Jack mordeu seus punhos, aquela certamente era uma noite especial para Lizzie, ele não queria que ela dançasse a última música da banda sozinha.

— Boa noite, senhorita — Jack disse se aproximando da amiga e fingindo que não a conhecia. — Se você me permitir, eu gostaria de chamá-la para dançar.

— Onde está sua acompanhante que não a vejo — Lizzie disse com uma formalidade que Jack até estranhou. — Não quero me meter em problemas.

— Relaxa, Lizzie. Se ela ver, tudo o que ela vai ver vai ser dois amigos dançando juntos — Jack explicou.

O rapaz tomou a mão da morena e a puxou até a pista de dança. Onde eles se aproximaram, a cabeça dela se encaixou tão bem no peito dele, começaram a dançar um cover super melancólico de Someone You Loved, que arrancou lágrimas até de quem tinha pedra no lugar do coração.

Alissa estava entrando no ginásio, quando teve a bela visão de seu namorado dançando agarrado a uma morena que aparentava ser Elizabeth Marshall, ela respirou fundo e deu meia volta, vasculhando a bolsa a procura de um maço de cigarros. Até que se esbarrou com sua amiga Angelina Vermont, que parecia levemente alterada com o efeito de álcool.

— Angel? Tem um cigarro para me dar? — Ali disse tentando manter sua guarda alta.

Angelina aparentemente não estava preocupada em abaixar a sua guarda.

— Como faz para o tempo passar devagar, Ali? — Angelina perguntou com os olhos lacrimejando.

Angelina se sentia esquisita, mas realmente havia tido uma quedinha nos 45 do último tempo e agora ela se encontrava em queda livre sem saber o que havia embaixo dela. Ela havia se deixado levar por algo bobo, flertes casuais e beijos inocentes, agora Thomas Carter não saía de sua cabeça. O problema era que Thomas estava se formando, o mundo pertencia a ele, enquanto ela teria de ficar em Calabasas até terminar o ensino médio. Thomas tinha aquele estilo atrapalhado e era meio tímido quando estava em público. Ela simplesmente amava como ele corava toda vez que eles estavam a sós e ela o elogiava.

— Eu sinto que perdi muito tempo, agora que estou gostando de Thomas ele vai embora e talvez nunca mais volte — Uma lágrima quente desceu a bochecha de Angel e ela entregou um cigarro que estava em seu sutiã para amiga.

Alissa acendeu o cigarro.

— É, Angel, o tempo passa rápido, e resta a você aproveitar. Esse ano foi um ano incrível, mas está acabando, eu ri, briguei, me apaixonei, e menti, menti, menti — Alissa deu um longo trago em seu cigarro. — E eu estou cansada. Eu aproveitei, mas poderia ter aproveitado mais.

— Mas você ainda tem seu namorado, que vai ficar aqui e se formar com você — Angelina disse enxugando a lágrima que havia chegado em seu queixo.

— Ex-namorado — Corrigiu Alissa, tentando disfarçar que seus olhos também começavam a lacrimejar. — E logo agora que…

— O que houve? — Angelina disse se aproximando da amiga e a abraçando.

— Minha menstruação está atrasada, Angel — Os olhos de Alissa brilhavam com as lágrimas que se formavam. — Dois meses atrasada, Angel.

Alissa segurou o cigarro com a boca e agarrou um envelope que havia trazido consigo na esperança de criar coragem o suficiente para abrir.

— Eu fui até um laboratório, fiz o exame de sangue… — Ela segurou o papel e com o isqueiro começou a queimá-lo.

— Ali! Você não vai mostrar o resultado para o Jack?! — Angelina disse pasma.

Angel deu um tapa na mão da amiga, para que ela soltasse o envelope, mas já era tarde demais e o papel já estava se transformando em cinzas.

— Acho que o resultado não importa, ser mãe na adolescência nunca foi parte dos meus planos de qualquer jeito — A garota disse dando um longo trago em seu cigarro.

— E agora? — Angel quis saber.

— E agora vamos entrar naquele salão e dançar até morrer. Seu namorado e nossa amiga estão se formando, precisamos aproveitar esse momento.

Depois dos inúmeros pedidos implorando por mais uma canção da banda, eles concordaram em tocar uma última música. Rolling In The Deep era uma das poucas músicas que aquele grupo musical conseguia tocar perfeitamente. Os casais se separaram, muitos foram comer ou se sentar. Scarlett Topaz e Sebastian Chanté dançavam selvagemente no meio da pista, até que Alissa Cavallari se aproximou se juntando a dança junto de Rico De Palma e Eleanor Lightwood. Rico dançou com Alissa como se eles nunca tivessem se beijado em segredo, como se por causa daquele beijo nunca houvesse tido nenhuma briga, e Eleanor se divertiu dançando com Alissa, bom, como se não fosse Alissa que estivesse ali.

Logo se aproximou Thomas Carter e Angelina Vermont, dançando e se beijando, como se aquela não fosse a despedida entre eles. Quando o olhar de Thomas encontrou o de Arabella, tão perto dele na pista de dança, ela dançava junto de Alexis Contursi, ele sorriu, genuinamente, e acenou. Arabella sorriu de volta. Por mais que não houvessem trocado uma palavra naquele momento, ficou claro para os dois que ambos estavam felizes como tudo havia sido concluído. Ambos estavam felizes um pelo outro e ambos estavam com belas mulheres como acompanhantes. Talvez a felicidade de um não tivesse vindo acompanhada da companhia do outro, mas eles conseguiam ainda sim ficarem felizes diante da felicidade do outro.

Quando a música acabou a aglomeração acabou também. O DJ havia entrado no palco e estava preparado para começar a tocar as músicas que todos estavam ansioso para dançar.

— Ei, estive procurando por você a festa inteira — Jack disse pegando Alissa pelo braço enquanto ela caminhava em direção ao buffet.

— Ah, não me diga — Ela disse se virando para ele.

Ela fechou os olhos e respirou fundo. Olhou admirando o belo rosto do até então namorado. Como ela iria sentir falta de ver aquele rosto bem quando acordar.

— Precisamos terminar, Jack — Ela disse selando os lábios fartos dela aos lábios finos dele.

— O quê? Como assim, Alissa? — Ele perguntou sentindo que havia acabado de levar uma facada no estômago. — O que eu vou fazer sem você?

Esse ano havia sido incrível para ele, graças a ela. Se lembrou do primeiro dia de aula, em que havia visto ela fumando embaixo das arquibancadas, o primeiro dia em que havia tomado coragem para conversar com ela. E havia acontecido logo em seguida a primeira festa. E então vários outros eventos, em que eles estavam juntos. E sempre quando ele se metia em encrenca sabia que podia contar com ela. Jack não conseguiu evitar de chorar. Alissa sorriu, limpou as lágrimas de Jack e se aproximou, uma última vez para beijá-lo e então ela respondeu:

— Vai viver.



Notas finais
Gente, me contem POR FAVOR o que vocês acharam do Enricco FINALMENTE sair do armário. É algo que eu enrolei para fazer porque eu não sabia exatamente como fazer, não quis problematizar, não quis dramatizar, quis tratar do assunto como é verdadeiramente: algo normal, mas claro, sem querer tirar o mérito de quem é forte o suficiente para ter tal atitude. É um ato normal, mas também é um ato muito honroso. Eu sei que a maioria de vocês deve estar pulando por FINALMENTE eu ter acabado com o casal padrãozinho + popularzinho, e bom, estou muito grato por ter conseguido acabar com isso tudo dessa maneira. Sempre achei Jack + Alissa um saco, mas eu amava muito implicar com os haters desse melhor/pior casal. É isso, espero que tenham gostado.