Cake Boss

1 ✘ Presente


Ele sentiu que alguma coisa não estava adequada assim que acordou.

Afinal de contas, o seu travesseiro estava caído no chão e metade do edredom também escorria pela lateral da cama, como se não fosse o bastante, por causa disso acabou utilizando o outro lado do corpo para sair do leito e essa mudança abrupta na rotina impecável era mais do que motivo para Midorima associar a infortúnios.

Carregava uma grande força de vontade e quase otimismo, sua vida era baseada na fé. Mas ao entrar no banho e notar um som estranho na ducha, seguido por um líquido gélido que deixava claro que o chuveiro tinha queimado.

A dose — fria — de realidade sugou seu humor escasso, atrasou sua arrumação para o colégio e precisou tomar café da manhã às pressas, sobre o olhar curioso dos pais e da irmã e ao som de seu programa favorito.

“Câncer hoje está em segundo lugar, seu item da sorte é um baldinho de praia! ”.

Segundo lugar, segundo lugar. Como uma posição tão cômoda podia se mostrar como uma reação em cadeia infeliz?

"Escorpião está em nono lugar, seu item da sorte é uma cenoura e hoje talvez não seja um bom dia para interagir com Câncer".

Era isso. Tinha que ser.

Câncer tinha uma compatibilidade natural com Escorpião, mas Midorima sabia muito bem que os astros possuíam forte atividade sobre suas vidas e se naquele dia o signo de Escorpião estava tão ruim, ainda carregando um claro aviso para se manterem afastados, o fato dele ter planejado seus feitos girando — de certa forma — em torno de Takao devia já estar o prejudicando, como um tipo de castigo reverso.

Mandou uma mensagem avisando que o outro não precisava passar por ali para irem ao colégio, lembrou de carregar uma cenoura para melhorar o destino calamitoso de Takao, e despediu da família que viajaria para a casa deles em Kyoto na tarde daquele dia, seguindo então para a aula.

Após saber o motivo de seu dia ter iniciado da forma incomum, e obviamente manter-se seguramente afastado de Takao, seu período de aula e treino foi relativamente tranquilo. Mas Midorima ainda teria muito o que fazer naquela sexta-feira, tudo isso porque no dia seguinte era aniversário de Takao, e tinha decidido que a melhor forma de presentear o companheiro seria criando algo, afinal, aquele cara parecia ser aficionado por tudo que o maior fizesse, e definitivamente queria surpreende-lo.

Mesmo que isso significasse quebrar seus limites.

xx

— Isso é um rompimento de todos os meus paradigmas!

Midorima não sabia cozinhar, na realidade ele sequer era capaz de se movimentar livremente em uma cozinha. Ainda mais estando ali sem o auxílio de ninguém, apenas a TV ligada no programa americano Cake Boss, e os ingredientes organizados meticulosamente na mesa.

Não fazia ideia de como infernos iria começar isso, aquele tal de Buddy Valastros parecia fazer um bolo da forma tão fácil como quem pega um copo e enche de água.

Em uma vasilha, Midorima quebrou cada um dos ovos solicitados, sujando os dedos ao retirar as cascas que acabavam indo junto e por fim, deixando algumas no meio, afinal, aquilo seria misturado e depois iria para o forno, as cascas não fariam diferença alguma...

Dois copos cheios de açúcar. Dois copos. Cheios. Por que razão um ser humano depositária dois copos — cheios — de açúcar em um bolo?

Será que ninguém pensava em tudo isso misturado no estômago, se transformando em gordura, seguindo para o pâncreas e liberando todo o excesso possível de insulina?

— Não. Definitivamente não. — a resposta fluiu sem que pudesse evitar.

Mas lembrou que aquele era o bolo de Takao em seu momento especial, então poderia amenizar suas neuroses. Para comprovar isso, Midorima não só colocou dois copos cheios de açúcar como também acrescentou mais um.

O trigo foi adicionado sobre os outros ingredientes, então o próximo item novamente o preocupou. Da forma inevitável, sua mente deslizou para sete anos atrás durante as férias, a irmã ainda era um bebê fofo e extremamente chorona. Mas a família parecia finalmente completa.

“Estavam tomando café da manhã na casa antiga e tradicional de Kyoto, a mãe — nutricionista, separava alguns itens da mesa que alegava não ser útil e/ou de qualidade para suas duas crianças consumirem naquelas férias.

Por outro lado, o seu pai — médico, ressaltava a necessidade de crianças precisarem consumir leite, e aquele era um dos itens que a mulher tinha afastado da frente dos filhos.

Mas no fim os dois concordaram que os leites de supermercados são altamente industrializados, fervidos, e com todo tipo de acréscimo que perdia a essência, afinal de contas, o leite passa meses sem estragar dentro de uma caixa, sendo que o leite retirado da vaca não duraria dois dias fora da conserva.

Desde então, todo leite daquela família foi substituído pelo de soja. ”

E era exatamente esse líquido que Midorima encarava minunciosamente. A receita pedia dois copos de leite morno, se recusava a mornar o leite de soja e estava relutante quanto a utilizá-lo, mas era o que dispunha.

Levando em conta que já estava abusando do açúcar, poderia ser mais fixo quando ao leite e empregar sim o de soja, não poderia dar errado.

Após bater com precisão no tempo exato, arrumou a forma e colocou a massa que não tinha aparecia tão " homogênea" como dizia a receita, mas ainda era uma massa de bolo.

Quando o forno apitou em aviso a finalização, Midorima se viu apreensivo. E a medida que retirava o feito, tinha ainda mais certeza que nasceu para arremessar bolas. Afinal, o que deveria ser um bolo impecável parecia um círculo bege e fino.

Uma sensação de desânimo o invadiu, e ele recordou que ainda faltava o recheio e cobertura, era isso, um bolo não era totalmente um bolo sem cobertura, então respirou fundo, determinado a dar tudo de si naquela causa.

xx

Takao estava feliz!

Ao acordar naquele sábado, tinha uma mensagem de Midorima desejando-lhe um bom dia.

Apenas isso, mas era o bastante para começar, nem ainda tinha levantado da cama e era o seu aniversário, muita coisa ainda aconteceria. Deveria acontecer. Ele exigia isso.

.:¨Muito obrigado Shin-chan, mas já estou ansioso para o bom dia de amanhã, que você me dará pessoalmente ainda na cama, até logo ♥. ¨:.

Podia imaginar claramente o namorado lendo a mensagem e ficando constrangido com a mesma. Em todo caso, não tinha dito mentira alguma.

Sua mãe estava terminando o almoço onde fez tudo que o filho mais velho gostava, quando a campainha tocou e o aniversariante que tinha demorado a entrar no banho — pois se enrolou quando começou a agradecer as primeiras felicitações nas redes sociais — correu para porta ainda com os cabelos molhados e um semblante empolgado.

Nunca se acostumava com o impacto de ver Midorima fora do colégio, mesmo que fizesse tanto isso, ele era sempre "assim".

— Feliz aniversário, Takao. — seu desejo era se jogar nos braços dele e agradecer usando todo o tipo de beijo que conhecia, mas apenas afastou para que entrasse em sua casa.

— Eeeeh, valeu. Mas é bem rude desejar parabéns segurando uma algema. — murmurou referente ao item da sorte que o outro carregava.

— O seu presente vou entregar depois.

A voz respondeu curtamente e em um tom baixo. E dessa vez foi o aniversariante que corou.

— Não sabia que gostava tanto de lilás.

— Eu... Nem sabia...

Boa parte da cozinha e copa tinha todo tipo de acessório naquela cor, era como estar em um quarto feminino infantil, de princesas, ou algo do tipo. Porém com pratos e talheres.

Foi com tanta sede atender Midorima que nem percebeu a "decoração" de seu almoço.

— Isso foi coisa sua, certo? — a pergunta foi destinada a irmã que estava sentada comportadamente na mesa. Mas o rosto encantador escondia uma feracidade.

— Sabia que sou do signo de áries?! — a voz presunçosa murmurou.

— E o que isso quer dizer, pirralha?

— Quer dizer que eu mando e você obedece! Então a decoração foi lilás e aceite! Ah, parabéns!

— O que você fez com minha doce irmãzinha?

Olhou para Midorima sabendo que se tinha “áries” envolvido no assunto, em algum momento ele participou de tudo aquilo.

E sinceramente, se esses dois se unissem, nem deus poderia o salvar!

No fim da tarde naquele sábado, arrumou a bolsa e se despediu dos pais, avisando que terminaria as comemorações entre seus amigos. Não era como se necessitasse explicar sua relação com Midorima ou o fato de que dormiria por lá, também não seria a primeira vez. E tinha certeza que seus pais não eram idiotas.

Mas também, apesar de tudo, não estava disposto a lidar com a assunção no momento.

xx

A casa de Midorima era sempre silenciosa e minimamente organizada. Obviamente hoje era um dos muitos fins de semana que os seus pais iam para o Kyoto. Takao desejava conhecer e ficava fascinado com as muitas fotografias que decoravam o ambiente da casa adicional, e mostravam o conforto, rusticidade do outro imóvel tradicional. Sabia que seria uma questão de tempo para viajar com eles, afinal já rechaçou alguns convites pois Midorima afirmava precisar de treinar mais e não poderia perder um fim de semana inteiro em sossego.

Não teria sentido ir com a família e sem o seu namorado.

Contudo, apesar de sonhar com a viagem, cada saída da família significava momentos de mais intimidade e libertinagem entre o casal que aproveitavam a casa vazia.

Após sua breve e completa análise do local que conhecia tão bem, aproximou-se de Midorima e o abraçou, sendo automaticamente correspondido.

“Finalmente...”

Só Takao conhecia a faceta mais aberta daquele cara, e sinceramente preferia que fosse o único a vê-o assim.

— Tenho um presente. — ao escutar a afirmação, o moreno abriu um sorriso malicioso, arrancando um rubor da face e Midorima.

— Eu estou falando de um presente de verdade.

— Ahn. — não foi o bastante para tirar o sorriso maroto de Takao. Afinal sabia que mesmo com um presente fixo, ganharia muito mais. — E o que é Shin-chan?

O viu ir para cozinha e trazer de lá uma caixa pouco menor que um caderno e bem alta para ser um. Era preta e tinha um laço laranja em cima.

Sentiu o cheiro de doce antes de segurá-la, e quando retirou a tampa da caixa, não pode conter um sorriso.

— Não me diga que que você fez?!

— Eu... — os dedos longos apertaram a armação contra sua face de forma nervosa. — Fiz.

Era um tipo diferente de calor que aquecia seu peito, talvez Takao até estivesse com vontade de chorar, Midorima ele...

"Droga".

— Você não gosta de cozinhar, Nem mesmo sabe! E fez um bolo só para mim...

Percebia o olhar desviante e apreensivo, como se não se importasse e ao mesmo tempo estivesse aguardando a aprovação do menor. Exatamente como Midorima era.

— Feliz aniversário.

— Shin-chan, Obrigado! Não sei o que falar, estou... Eu... — se encontrava envergonhado, surpreso, maravilhado. — Te amo.

— Hgn!!?! Coma o seu presente!

— Hahahahahahhaha, Shin-chan tão fofo! Eu adorei, mas estou cheio agora.

— Então mais tarde ou amanhã...

— Ehh, mas já que estamos no assunto de comer, de alguma forma eu sei que esse seu presente vai prolongar. — o tom de brincadeira tinha partido. É o ace da Shutoku sabia como aquele cara podia se tornar tentador.

Takao era dinâmico, engraçado, inteligente, visionário. Poderia enumerar uma série de elogios que deveriam estar sendo postos para fora, no entanto eram pontos de vista que o maior mantinha guardado como grande segredo.

— Esse é o momento que concorda comigo, fala coisas graciosas, me carrega até seu quarto no colo.

— Para que eu te levaria até meu quarto? — qualquer um que escutasse, teria apenas o típico Midorima. Contudo, levava um sorriso que esclarecia seu comentário.

— Não seja maldoso Shin-chan, é o meu aniversár... Ai! — ocorria a surpresa ao vê-lo guardar o bolo, mas não era maior que observar o retorno, e a aproximação até sentir os braços em suas costas.

Por puro instinto Takao ergueu as pernas, fechando em sua cintura enquanto sentia o próprio corpo pairando. Ele o estava carregando MESMO no colo. E sabia o destino que aqueles passos levaria.

Foi solto à beira da cama e se jogou sobre ela enquanto murmurava o deleite dessa reação. O lençol cheirava a Midorima, os travesseiros também, tudo era macio como a sua pele e Takao tinha certeza que poderia se afogar naquela cama e ficar ali para sempre se ela mantivesse essa identidade do namorado.

Mas o rapaz possuía um olhar aguçado sobre tudo, e foi em meio ao seu estupor, que observou aquele contorno tímido porém metódico. O corpo enorme aos poucos ia deslizando sobre o seu, pesando gradativamente sem quebrar o contato visual nem por um instante.

De fato o MELHOR presente.

Midorima possuía os traços mais bonitos e um clima sempre de seriedade, que apenas deixava de lado quando ficava irritado ou "ali". Na cama, entre os dois. Onde as frases eram curtas e pornográficas, com toques precisos.

A face dele estava agora ainda mais próxima a sua, e Takao o assistiu retirar os óculos e pousar na mesa ao lado da cama. Dessa vez, foi sua hora de enrubescer. E ao invés de fazer piada com seu constrangimento, Midorima apoiou o próprio rosto contra o peito dele, e o moreno derreteu ainda mais com esse ato tão gracioso, sabendo que o namorado agora teria acesso aos seus batimentos cardíacos absurdamente acelerados.

Como se tivesse acendido um botão especial, no instante que o maior ergueu o rosto, foi como se a aura fofa desse lugar a caça, e Takao era um falcão, caçadas sempre seriam excitantes — mesmo que sempre acabasse sendo apanhado pelo outro.

— Takao. — o nariz tocou o seu ao falar, indo de encontro ao pescoço, arrancando um arrepio. — Qualquer oposição é só falar.

“Não ferra”.

Impossível se opor a algo vindo daquele cara.

— Shin-chan, não é como se fosse nossa primeira vez. Ou segunda, ou terceira... — o menor afastou duas pernas maliciosamente para que o corpo do outro ajustasse entre elas, oscilando o quadril contra o dele em provocação. — Na realidade depois dos primeiros cinco meses eu parei de contar.

Midorima surpreendeu-se com a revelação de que Takao contava as vezes que ficavam juntos nos primeiros meses, pior que nem conseguia duvidar. E de toda forma, não permitiu que aquilo o distraísse. Ainda precisava lhe surpreender com o complemento de seu regalo, agora, sem roupas.

xx

De fato aquela noite tinha sido o que chamavam de "aproveitada". Não que as outras ocasiões fossem reduzidas, contudo tinha sido claro o empenho de Midorima por ser seu aniversário.

Assim que saiu do banho no outro dia pela manhã, o cômodo foi substituído por um Midorima ainda constrangido, e Takao lhe deu espaço, seguindo para a cozinha e sentindo-se como dono daquela casa. Tentou pensar em algo para o café da manhã. Recordou do seu presente inicial, aquele bolo feito especialmente para ele... "Tão fofo".

Sua distração foi quebrada com um silvo vindo do celular, acompanhado de uma longa mensagem de sua mãe, querendo saber como tinha sido a comemoração "entre os amigos", e exigindo que o filho almoçasse em casa.

Midorima entrou na cozinha e se deparou com o namorado teclando no telefone após um suspiro abatido.

— O que aconteceu? — os olhos voltaram para si, eram como se assistisse imediatamente uma reprise da noite anterior, de repente seu rosto estava escaldando.

— Oh... Bom dia para você também, Shin-chan!

A vergonha apenas aumentou após a fiasco na educação, e resolveu tentar ser direto, o abraçando rapidamente, sabendo que Takao corresponderia e não desprenderia de imediato.

— Minha mãe falou para almoçar em casa, mas... Eu queria ficar aqui, aproveitar o tempo que ainda temos.

— Ah, é por isso.

Midorima era muito eficaz em esconder certas emoções, como agora por exemplo. Seus planos ainda consistiam em estar com Takao até que seus pais retornassem, mas pelo visto, logo o outro teria de ir embora.

— Não é bom irritar os seus pais, eles podem querer te punir depois.

Depois... A próxima vez, seria ela o próximo fim de semana? A família de Midorima estava tão acostumada com a presença constante de Takao, e não era diferente da sua, afinal.

Nesse caso, Midorima estava certo, não gostaria de ser impedido de vê-lo por alguma rebeldia superficial.

— Vamos pelo menos comer o meu bolo no café da manhã?!

— Takao eu... Acho que vou dispensar o bolo, não estou acostumado a esse excesso de doce, ainda mais pela manhã. Mas gostaria de saber o que achou.

O sorriso em resposta era o aviso de que Takao já imaginava que o convite seria rebatido, mas estava empolgado para descobrir o que Midorima fizera.

Sentou-se inquieto na mesa, como uma criança esfomeada aguardando ser atendida.

Era um círculo pequeno e coberto de chocolate, havia uma série de confeitos cuidadosamente colocados na extremidade e sua superfície estava implacavelmente lisa.

Midorima.

Essa meticulosidade era Midorima.

O bolo pequeno parecia simplório e bonito como uma maquete, lembrar disso causava um leve temor, pois sabia que estava gracioso sim, mas o namorado era um verdadeiro desastre na cozinha.

A faca penetrou a massa e desceu seguindo o fluxo, repetiu do outro lado e o pedaço que tirou foi quase a metade dele todo.

Sentia os olhos de Midorima sobre si e tentou não deixar o rosto desabar ao ver a fatia.

Tinha uma camada grossa de recheio — também chocolate, ou era o que parecia, preferia acreditar que fosse chocolate. Contudo, a massa que devia ser branca, levava uma cor estranha e estava meio úmida.

O único fator que o motivava a continuar era o par de olhos verdes focalizados em si.

Encheu a colher e levou até os lábios, esperava de verdade que o sabor fosse bizarro, mas era doce, muito. Extremamente.

O recheio e cobertura sem dúvida alguma era chocolate, mas a massa tinha um gosto indecifrável, não saboroso, porém bastante doce, se pudesse nomear, chamaria de "massa de bolo sabor açúcar".

Quando voltou a encher a colher, percebeu Midorima amolecendo em alívio na cadeira frente a sua.

— Está bom, mesmo, Shin-chan. Doce, e não parece algo que você conseguiria fazer, não duvidando de suas capacidades, mas sei que odeia culinária. A massa que não consegui identificar, é meio crocante e ao mesmo tempo molhada...

— Obrigado. Eu me esforcei. — e podia ouvir nas entrelinhas da frase algo como "não irei repetir". — A massa é apenas a padrão de bolo branco.

"NÃO — MESMO".

Era impossível que aquilo fosse o equivalente a uma massa padrão para bolos, não havia nada de arquétipo em uma massa molhada e crocante ultra doce, ela sequer era branca!

Entretanto, Takao apenas sorriu e segurou sua mão.

— Muito obrigado. — apesar de tudo, era presente e vindo de uma das pessoas que mais amava. — Por tudo.

Ao vê-lo novamente se envergonhar, sabia que ele entendeu que o "por tudo" consistia na noite que passaram juntos.

De fato, Takao só tinha a agradecer.

Estudava em um bom colégio e fazia parte de um time forte e unido. Seus pais eram pessoas do bem, sua irmã era uma mini pessoa do bem disfarçada... Tinha ganhado muito mais do que pensou merecer.

Estava em uma relação estável apesar de ainda serem jovens, amava seu parceiro mesmo que ele fosse incapaz de admitir em voz alta que correspondia ao sentimento, Takao era capa de sentir em suas ações.

Se pudesse mudar algo de tudo isso, sua resposta era um firme e unânime: NÃO! Adorava a vida e como ela estava seguindo. Ou... Bom... Talvez... É... De fato se pudesse mudar algo, ele tiraria o excesso de açúcar e melosidade do bolo.

Takao sempre preferiu tanto em situações quando em sabores, o agridoce.

xx EXTRA xx

Na segunda-feira Midorima se atrasou!

Tudo isso porque Takao não apareceu ou sequer ligou, na verdade, ele nem mesmo atendia suas ligações. E com isso, precisou se esforçar para chegar a tempo no colégio.

A irritação passou, assim que confirmou que o mesmo não estava em lugar algum da sala ou escola, e aceitou que ele tinha faltado.

Na hora do almoço, certo que passaria o tempo sozinho, foi surpreendido ao encontrar-se cercado pelos membros de seu time.

— Você já falou com ele? — a voz de Yuuya vibrou. Era tal como de Miyaji, a diferença se dava que ao contrário do mais velho, o novo capitão tinha aprecio por Midorima.

— Não.

As cadeiras a sua volta foram ocupadas como se o time de basquete resolvesse iniciar um debate.

E novamente o capitão quem falou.

— A mãe dele veio pela manhã e me encontrou na entrada, mandou te avisar que Takao está passando mal e deve retornar amanhã.

"Oh...". Era isso, o motivo dele não ter passado em sua casa e ter se ausentado da aula. Claro que Takao poderia ter ligado e avisado! Inclusive devia ter feito isso.

Mas não era algo que sua equipe precisaria saber.

— Obrigado por passar o recado.

— Você sabe, da bastante pena. — o novato do time murmurou, enquanto abria o alimento. — Dor de barriga é tenso!

— Dor... De barriga? — Midorima perguntou lentamente.

Yuuya bufou e roubou algo de forma marota do kouhai que recebeu um rubor em sua face, claramente por ter sido notado.

— Segundo a mãe de Takao, ele comeu algo que o fez mal, um bolo ou coisa do tipo... Está sabendo de algo sobre um bolo problemático?

Uma enorme flecha invisível de culpado estava sendo fincada em suas costas naquele momento.

— Não, não sei nada sobre.

Maldito Takao, não falou nada!

De fato tinha sido uma péssima ideia é um péssimo presente.

Midorima achava cada vez mais que devia ir ao shopping após o treino e comprar um tênis novo para o namorado... Talvez ainda poderia se retratar com uma visita e um presente que não significasse um risco a sua vida.

Assim que os outros de distraiam nas próprias conversas, Midorima pegou seu celular e digitou uma mensagem curta.

.:¨ Por que não me disse que estava passando mal? POR QUE COMEU AQUELE BOLO?!!? ¨:.

A resposta veio tão rápido quando imaginou, contrariando as ligações não atendidas mais cedo.

.:¨ Mas estava bom, Shin-chan... isso é constrangedor... :S ¨:.

Como assim? Que pessoa pensa em constrangimento quando está doente?

.:¨ Vou passar aí após o treino, e você poderia ter dito que o bolo estava ruim, deveria! ¨:.

.:¨ Mas... pelo menos foi feito com amor! ¨:.

Que porr...?

.:¨ Foi um perigo a sua saúde! Um crime. Eu nunca deveria ter cogitado. ¨:.

.:¨ Está tudo bem Shin-chan, só venha após o treino e sei que vou ficar melhor. Você tem o remédio certo =D . ¨:.

.:¨ Eu não trouxe remédio algum comigo, mas posso comprar algo no caminho. ¨:.

.:¨ Hm, nope. Eu disse que você tem o remédio Shin-chan, pensa bem em algo que pode me dar na boca e até em outros lugares... ¨:.

.:¨ ... Pensei que estava doente. Mas vejo que já está bom o bastante para fazer piadas. ¨:.

.:¨ Você não vai negar cuidado ao seu fofo namorado debilitado, certo? E Shin-chan, eu não estava brincando sobre precisar do remédio que só você tem. Boa aula e até logo ♥ ¨:.

Midorima olhava o aparelho de telefone com um misto de excitação e raiva, Takao o estava provocando e sabia como fazer. Claro que o colégio não era lugar para isso, e a raiva se destinava justamente por não estar perto do outro.

Em compensação, as palavras lidas martelavam a muralha de gelo de Midorima, e trazia a imagem real de um adolescente com hormônios e desejos por seu namorado. Abriu um sorriso malicioso ao digitar as últimas palavras antes de ir para sala.

.:¨ Entendi... Pode deixar que levarei seu remédio, na realidade estou ansioso para executar. Mas pensando bem, acredita que comecei a me sentir mal? Talvez seja uma virose, então fique ciente que precisarei igualmente de tratamento. Até logo. ¨:.

Pelo visto, a compra de outro presente iria esperar, no momento sua prioridade era cuidar do bem estar de Takao, e faria isso com muito prazer, literalmente.

xx

Notas finais
Ei lindos, se conseguiram chegar até aqui, só posso agradecer.
Pelo visto Midorima como cozinheiro é um ótimo jogador de basquete, hohohoho.

Espero que possam ter se divertido, não deixe de comentar e dizer o que achou. Sintam-se à vontade para favoritar e toda essa fofura (#^.^#).

Beijos e até à próxima ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!