Caixa de Pandora [HIATUS]
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Finalmente, percebi o que o Fred queria que eu fizesse com o lápis. Se pensássemos bem, era bem simples até. Bastava pegar logo na folhinha que estava por baixo da qual Fred escreveu e espalhar o carvão do lápis por cima. Isso vai permitir que as informações antes escondidas, se revelem. Depois de fazer isso a mensagem escondida dizia
“Turquia
Capadócia
Derinkuiyu”
Se bem me lembro das aulas de história, Derinkuiyu é uma famosa cidade subterrânea. Muitas lendas rondam a sua história. Se bem me lembro, as palavras do meu professor foi algo como :
“Os construtores das cidades subterrâneas eram descendentes dos Aquemênidas do Zoroastrismo, uma das mais antigas culturas do globo, que influenciou Hinduísmo, Judaísmo e Cristianismo. Nesta religião, o profeta Imah foi instruído que construísse um refúgio abaixo da Terra, Deus dos céus, Aúra-Masda. Uma história muito parecida com a de Noé na Bíblia Hebraica. Porém, agora Imah deveria proteger o povo de uma terrível Era do Gelo. E a última Era do Gelo, segundo cientistas se iniciou em 18000 a.C. e terminou 10000 a.C.”
Resumindo a minha próxima missão é viajar até à Turquia. Como vocês perguntam? Como toda boa pessoa que não pode pagar. Clandestinamente.
Fui à cidade mais próxima para saber qual o próximo barco que sairia. Para minha sorte em cinco minutos um cruzeiro ia embarcar para Capadócia. Que incrível coincidência. Talvez não! Talvez os céus estejam a meu favor. Mas isso para agora não interessa. Tenho que me ir contatar com os meus informantes e descobrir se há alguém quem eu possa enganar para subir a bordo. Vaguei um pouco pelas docas e não demorou muito para um criança sorridente aparecer ao meu lado.
– Você conseguiu encontrar alguém?-Perguntei ansiosa. Se não conseguisse ir agora teria de esperar um mês pela próxima viagem, e isso não era algo que estiva disposta a fazer.
– Huhum.- Dei um suspiro de alívio.- Mas…-Impressionante como tem que haver sempre um mas pelo meio.- Vai ter que conviver com algumas indesejáveis- Indesejáveis? Por favor depois do que passei hoje naquela casa amaldiçoada já ninguém irá parecer indesejável aos meus olhos.
– Não se preocupe isso não é problema para mim.- Sorri. O pequeno pareceu analisar a minha expressão e depois disse que tinha apenas que falar com um tal de marujo chamado Condoriano e onde o podia encontrar.
Caminhei até um pequeno bar e sentei-me ao balcão.
– Um café por favor.
Bebi com calma e quando o líquido estava quase a acabar perguntei onde podia encontrar o marinheiro. De início ele me olhou de lado mas acabou por ceder a informação quando disse que queria entrar no barco. Pelos visto não tinha sido a primeira a perguntar ao homem sobre isso. Ele levou-me a uma sala onde havia jogos de casino a decorrer e apontou para o Condoriano. Esperei que ele terminasse o seu jogo, o que não demorou muito pois foi o primeiro a perder. Aproximei-me dele.
–Hum. Senhor?-Perguntei cautelosa. A resposta que recebi foi um olhar frustrado de quem queria matar alguém. Das duas uma, ou ele perdeu uma quantia significativa de dinheiro ou tem mesmo muito mau perder. Na verdade não interessa qual. O seu temperamento deu-me uma ideia para cair nas suas graças.
–Vejo que não se saiu muito bem ali.- O seu olhar tornou-se ainda mais mortal. Se olhar fosse poder ele queimava-me viva ali mesmo.
–O que é que queres miúda?
–Que tal fazermos um negócio? Eu lhe vingo naquele jogo além de lhe ganhar uma grana legal e você deixa-me embarcar no cruzeiro que está para desembarcar?
–E porque farias isso? Se conseguires ganhar alguma coisa aqui podias usar para pagar a passagem do cruzeiro.
–Poder podia. Mas não seria a mesma coisa. Eu gosto de viver a minha vida perigosamente. Mostro um sorriso debochado, e ele acaba rindo. Na verdade, eu não poderia fazer isso, pois a esta hora os bilhetes já teriam esgotado.
–Muito bem. Gostei de você. Se realmente conseguir ganhar alguma coisa, eu lhe deixo entrar de graça no barco.- Vitoria. Ele mordeu o isco. Agora é só fazer uso da minha maravilhosa sorte ao jogo. Sim, porque ao amor nem vos digo nada.
Entrei no jogo de poker. Como era previsível num jogo clandestino eles estavam a fazer batota. Não pude fazer nada ao início, mas como todo bem jogador, esperei a hora certa para tirar a minha carta na manga. À primeira vista era uma jogada normal, mas com a minha sorte, ganhei imenso dinheiro. Apesar disso acho que o chefe daqui não gostou e penso que esta tramar algo para e roubar o dinheiro. Infelizmente demasiado tarde. Daqui a dois ou três minutos, vou estar a navegar para outros pais.
Condoriano quando se apercebeu que estaria em maus lençóis quando recebesse o dinheiro obrigou-me a correr até ao cais onde me ajudou a infiltrar. Modéstia bem longe eu ficava lindo com aquele uniforme.
Desci um lance de escadas que dava à parte mais pobre do navio. Era lá que se encontravam os quartos para pessoas como eu. O quarto era minúsculo e vejo que tinha lá muitas mais malas. Basicamente, durante a noite as pessoas daquele quarto irão descobrir como se sentem as sardinhas em lata. Azar o deles porque eu penso me infiltrar num quarto luxuoso que esteja desocupado. Como? Bom, pelo que o marinheiro me disse hoje vai haver uma festa. E vocês sabem pessoas bêbadas não vêm coisa com coisa, logo se eu der uma pequena martelada num numero da porta, um nove passara facilmente a um seis.
Eu sou génio, não sou? Vaguei um pouco pelo barco, para conhecer a zona e quando a hora certa chegou procurei pelo quarto trezentos e nove. Dei uma leve martelada no número nove e voilá, ele virou o quarto trezentos e seis. Assegurei-me que o dono do quarto não viria dormir nele, e mesmo que viesse ele não teria capacidade de perceber que o bendito número estava ao contrário. Acomodei-me na luxuosa cama e estava prestes a dormir, quando ouço alguém a abrir a porta.
Mas que raio é que deu mal? Tinha tudo sobe controlo? Qual não foi a minha surpresa quando me apercebi que quem tinha entrado não era o dono do quarto e sim um jovem completamente bêbado. Ele murmurou alguma coisa, e quase que a minha boca bateu no chão ao me aperceber que aquela voz era idêntica ao líder daqueles ladroes daquela maldita casa. Era preciso ter muita sorte. Sintam a minha ironia, mas nem tudo estava perdido. Afinal ele estava bêbado. Enquanto ele se aproximava eu afastava-me até à porta. Suponho que prefiro passar a noite naquele quarto minúsculo do que com um bêbado que deus sabe lá o que pode fazer.
Finalmente estava perto de escapar, faltava-me apenas um misero passo para a esquerda e poderia fugir dali à velocidade da luz. Estava a sair tudo perfeito se ele não tivesse sorrateiramente se metido atras de mim e metido cada mão ao lado da minha cabeça não me dando hipóteses de fugir. A luz estava apagada, a única coisa que dava claridade era a janela que estava diretamente virada para a luz da lua. Essa ténue luz lunar reforçava o brilho do seu olhar, uns intensos e penetrantes olhos verdes. Pareciam quase mágicos.
Fui tiradas dos meus devaneios quando ele me roubou um beijo. Ira inicialmente um beijo calmo mas firme. Tentei nos separar mas ele tinha demasiada força e todos os meus esforços foram em vão. Acabei me rendendo. O que antes era calmo e doce tornou-se cada vez mais intenso e desesperado, ele pediu para dar passagem à língua e eu cedi. Eu estava definitivamente louca. Era a única explicação, estava louca, mas ele beijava incrivelmente bem. Possuía uma aura misteriosa que me cativava. Isso ou era culpa daquela estupida luz lunar que fazia tudo parecer romântico.
Puxou-me mais para perto de si e pude sentir que tinha um corpo bem definido, provavelmente ia ao ginásio. Quando me senti deitar na cama, foi como um choque, do qual recobrei os sentidos. Intuitivamente dei-lhe uma joelhada nas suas partes baixas e ele encolheu-se de dor, quando voltei a olhar para ele, já tinha adormecido. Sai dali o mais depressa possível, para o quarto minúsculo. Era definitivamente melhor do que ficar ali.
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