Caixa

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Primeiramente, quero agradecer às minhas parças Júlia e Nat que me ajudaram e me deram apoio moral pra escrever esse trem aqui.
Segundamente, quero avisá-los que eu só assisti um episódio de Tokyo Ghoul, literalmente, então posso ter errado umas coisas quanto ao universo.
Desde que o Komari apareceu no anime, eu fiquei morrendo de vontade de escrever alguma coisa com ele envolvendo canibalismo (niku niku niku!!!). Pra falar a verdade, não queria que fosse nesse contexto de Tokyo Ghoul porque ando com vontade de escrever umas coisas bem fucked up, mas aí apareceu esse desafio e eu pensei "Bem, por que não?"
A tag de spoilers é por causa do passado dele, mostrado no episódio 14 da 4° temporada, para ser mais específica. Pra quem não viu YowaPeda e quer ler isso aqui, vou explicar os personagens direitinho nas notas finais.

Kishigami Komari cresceu em uma mansão enorme nos arredores de Quioto. Criado por uma família tradicional, desde pequeno, várias regras lhe foram impostas. Ele foi ensinado a agir com graça e elegância, e a guardar suas emoções e pensamentos para si mesmo.

E, principalmente, a nunca comer nenhuma comida além da que era preparada em sua casa.

Durante a infância, Komari nunca questionou essa regra imposta por seus pais. Ele sempre levou seu próprio lanche para a escola e nunca o dividiu com ninguém, nem aceitou o que seus colegas o ofereciam. De tempos em tempos, sua mãe ia conversar pessoalmente com os professores sobre sua dieta, restrita devido a alergias e intolerâncias. E, de fato, qualquer alimento diferente o fazia passar muito mal e vomitar, até mesmo arroz puro. A única coisa que ele conseguia comer eram aqueles pedacinhos de carne servidos em sua casa.

Levou alguns anos para ele conseguir ligar os pontos e perceber que suas restrições alimentares não eram relacionadas a problemas de saúde, mas sim à sua verdadeira natureza.

Os adultos não costumavam falar muito sobre ghouls perto das crianças, e sua família nunca teve o hábito de assistir TV, então, Komari só foi saber o que eram aquelas criaturas quando encontrou, por acaso, um livro sobre o assunto na biblioteca da escola, quando tinha 10 anos. Todas as características se encaixavam, desde a aversão à comida comum até a capacidade de regeneração muito acima do normal. O que deixou Komari mais assustado ainda foi saber que aquela carne que ele comeu durante toda a vida era, muito provavelmente, humana. Outra coisa que o deixou horrorizado foi saber que ghouls tinham órgãos especiais apenas para matar, chamados kagune. Saber que ele provavelmente tinha um tentáculo pontiagudo escondido em algum lugar de seu corpo, que poderia surgir a qualquer momento, o deixou apavorado. O livro também enfatizou bastante o quanto aqueles seres eram horríveis e deveriam ser exterminados.

Quanto mais lia, pior ele se sentia, mas isso não o impediu de ler o livro inteiro em uma noite.

Komari não confrontou seus pais quanto ao assunto, talvez por medo de ser repreendido por ler sobre isso às escondidas. Depois disso, ele passou a sentir uma culpa enorme toda vez que comia aqueles pedacinhos de carne. Não dava para deixar de comer, já que, segundo o livro, os ghouls ficavam muito agressivos quando estavam com fome. Um ghoul faminto, o livro dizia, podia até ativar o kakugan, um estado em que seus olhos ficavam negros e com as irises vermelhas, uma característica importante para distinguir os ghouls dos humanos. Seu maior medo era que um monstro despertasse dentro de si, e ele não fosse capaz de controlá-lo.

Pouco mais de um ano depois, sua mãe o chamou para ter uma conversa. Ela explicou para ele tudo o que o livro já havia o ensinado, porém, sem a parte de que eles eram seres horríveis que matavam pessoas. Além disso, sua mãe também o informou que a carne que eles consumiam na casa era de outros ghouls ou, vez ou outra, de algum humano que foi dado como indigente. Sua mãe deixou bem claro que nem ela nem seu pai nunca haviam matado ninguém, e que ele também não precisaria matar, já que a família deles tinha um fornecedor de carnes confiável a gerações.

Komari escutou tudo sem dizer uma palavra, apenas balançando a cabeça para mostrar que havia entendido. Assim que a conversa acabou, a mãe afagou seus cabelos azuis e saiu da sala.

No jantar daquela noite, olhando para os pedaços de carne secos e insossos em seu prato, Komari não sentiu um pingo de vontade de comer. Ele queria algo mais saboroso e suculento, algo quente e fresco. Foi aí que ele percebeu que o monstro dentro dele já estava desperto há bastante tempo

Seu sono passou a ser assombrado por pesadelos nos quais ele matava pessoas para se alimentar e, por mais horrendo que fosse, ver o sangue jorrando e a carne quente pulsando entre seus dedos era terrivelmente agradável, e o fez se perguntar se seria tão bom assim se aquilo tudo fosse real.

Mas ele não podia. Matar humanos para comer era errado, e as autoridades viriam atrás dele se isso acontecesse. Sua família vivia há gerações entres os humanos sem nunca levantar suspeita alguma, e ele não poderia simplesmente acabar com esse disfarce. Se seus pais sobreviveram esse tempo todo só comendo aquela carne sem cor e sem graça, ele também deveria conseguir, por mais difícil que fosse.

Komari se afastou ainda mais de seus colegas da escola, com medo de fazer algo estranho que denunciasse sua verdadeira natureza. Até do clube de literatura ele saiu, temendo que algum dos membros percebesse alguma coisa. Na hora do almoço, ele sempre se escondia em um canto isolado do pátio e engolia a carne sem nem mastigar, sentindo cada vez mais nojo daquela textura seca e borrachenta.

Era difícil viver assim, escondendo algo de todos. Komari se sentia preso e sufocado, e se soltar não era uma possibilidade. Era como se seu eu verdadeiro estivesse dentro de uma caixa pequena, escura e apertada, sem a mínima possibilidade de ver o lado de fora algum dia. Mas esse sofrimento todo era para um bem maior, ele não queria ser o monstro horrível do qual aquele livro falava.

Observar os corpos das pessoas passou a ser seu único passatempo. Komari passou a frequentar parques, onde ficava horas e horas imaginando qual seria o sabor e a textura da carne de toda aquela gente. Não era errado se ficasse só na imaginação, não é mesmo?

E foi em uma dessas idas ao parque que ele o viu pela primeira vez.

Komari nunca soube dizer exatamente o que o atraiu naquele garoto. Assim que seus olhares se cruzaram, ele jurou ter visto um certo brilho vermelho escondido no fundo daqueles olhos negros e redondos. Um brilho que o fez se esquecer de respirar por alguns segundos.

Será que ele também era um…?

A pista ciclística daquele parque virou o novo ponto de Komari, onde ele passava a tarde inteira fingindo ler algum livro. Esportistas tinham um corpo muito interessante. Será que a carne deles era tão dura quanto parecia? E o sabor, como seria? A boca de Komari se enchia de água só de imaginar.

Curiosamente, nenhuma dessas indagações era sobre aquele garoto magro e alto que, como ele descobriu depois de horas de observação, chamava-se Midousuji.

Levou três dias para que a presença de Komari fosse notada.

“Você está sempre aqui, não é?” Ele disse com aquela voz aguda, antes de tomar alguns goles da sua garrafa de água.

Por estarem um pouco distantes um do outro, Komari demorou para perceber que Midousuji estava, de fato, falando com ele.

“Ah, sim… O sol é muito bom aqui.” Ele apertou o livro que segurava. “É ótimo para ler.”

“Faz tempo que você não vira a página.”

Um arrepio subiu pela espinha de Komari. Seu disfarce tinha ido pelos ares. Envergonhado demais, ele gritou algum pedido de desculpas, enfiou o livro na bolsa e saiu dali o mais rápido que pôde.

Quando chegou em casa, seu coração ainda batia enlouquecido. Era a primeira vez que alguém percebia que ele usava os livros para esconder seu hábito de observar pessoas.

E agora? O que ele faria?

Parecia mais lógico parar de frequentar aquele parque e encontrar outro lugar para passar a tarde. Entretanto, essa ideia não o agradava. Alguma parte de Komari estava desesperada para se aproximar de Midousuji, e ele não conseguia controlá-la de jeito nenhum.

O dia seguinte foi cinzento e chuvoso. Embora Komari evitasse ir aos parques em dias assim, já que costumavam ficar praticamente vazio, suas pernas praticamente agiram por conta própria e o levaram para o mesmo lugar onde Midousuji sempre estava.

E lá estava ele, debaixo da chuva, acompanhado de meia dúzia de ciclistas.

Dessa vez, Komari não tirou o livro da bolsa, só ficou lá, parado perto da grade, segurando seu guarda chuva.

“É você de novo.” Midousuji disse assim que se sentou para descansar.

“Sim. Vocês treinam até quando chove, né?” Ele seguiu o pequeno roteiro que havia preparado mentalmente.

“Você não vinha aqui para ler?”

“Ah, sim, mas hoje eu…”

“Ei, Midousuji!” Outro garoto o chamou. “Você vai dar mais voltas? O pessoal já vai parar, mas eu queria continuar.”

“Vou.” Midousuji passou uma toalha pelo rosto e voltou a olhar para Komari por cima do ombro.

“Ah, você sempre vem aqui, não é?” O outro garoto também olhou para ele. “Qual o seu nome?”

“Kishigami… Komari.”

“Gosta de ciclismo, Kishigami-kun?” O garoto abriu uma barrinha de proteínas e deu uma mordida. “Nós temos um clube, sempre nos reunimos aqui para treinar. Se quiser, podemos te emprestar uma bicicleta.”

“Não, não precisa. Eu… só venho aqui para passear e ler um pouco.” Os olhos de Komari foram parar no braço do garoto.

Parecia ser bem forte, talvez com um pouco mais de gordura do que músculo. Provavelmente, era uma carne muito macia.

“Que nojo.” Midousuji falou, sua língua comprida saindo por trás das fileiras de dentes brancos. “Você é nojento, Kishigami.”

“Midousuji-kun!” Apesar de estar acostumado com as peculiaridades do colega, o outro garoto não pôde deixar de repreendê-lo. “Não liga, Kishigami-kun, ele é assim às vezes.”

“T-Tudo bem… “ Komari apertou o cabo do guarda chuva. Será que Midousuji percebeu para onde ele estava olhando?

“Aqui, coma uma.” O garoto estendeu uma barrinha para Midousuji, que ergueu a mão em negação na mesma hora.

“Você sabe que eu não como essas coisas nojentas, Kawauchi.”

“Ah, é verdade, desculpa.” O garoto a guardou no bolso do uniforme. “Bom, vamos voltar ao treino. Kishigami-kun, caso queira uma bicicleta, é só me avisar!”

“C-Certo…”

Komari voltou para casa assim que os dois saíram montados em suas bicicletas. Seu coração ainda batia forte em seu peito, mas de uma forma um pouco mais calma dessa vez.

Por algum motivo, Komari sentia que Midousuji sabia exatamente no que ele estava pensando quando olhou para o braço daquele garoto, entretanto, aquilo não o incomodava tanto quanto deveria. Era quase como se Midousuji fosse a única pessoa do mundo que poderia saber todos os segredos sórdidos que ele escondia.

Ele queria tanto se aproximar daquele garoto, mas não tinha ideia de como fazê-lo. Sua vida inteira fora dedicada a se afastar e se esconder dos outros. Midousuji era a primeira pessoa de quem ele tinha vontade de se aproximar, e essa vontade era tão intensa e arrebatadora que Komari mal conseguia compreender. Tinha algo no fundo daqueles olhos negros, tão puros, que fazia seu coração falhar.

E foi cerca de duas semanas depois daquele primeiro encontro que Komari entendeu o motivo para toda aquela atração.

Em uma sexta-feira fria, ele saiu um pouco mais tarde do que o normal da escola, já que o professor o escolheu para ajudar a organizar alguns papéis para a classe. Komari saiu apressado assim que seu dever terminou, indo direto para o parque assim como sempre fazia. Para sua decepção, entretanto, Midousuji não estava lá. Mesmo assim, ele sentou-se no mesmo lugar e fingiu ler enquanto observava os outros ciclistas.

Talvez por causa da ausência daquele que mais roubava sua atenção, Komari perdeu a noção do tempo, e ficou lá até pouco depois de escurecer.

Ele sempre saía do parque por uma saída aos fundos, do lado contrário da saída principal, já que essa ficava mais perto de sua casa. Essa área sempre era mais deserta do que o resto, ainda mais com o clima frio assim.

Seguindo o caminho por onde passava todos os dias, Komari estava tão absorto nos próprios pensamentos que mal reparou no som molhado que vinha de trás de um banheiro. Ele parou por um instante e prestou mais atenção, e foi aí que sentiu um cheiro inebriante, metálico e delicioso, que nunca havia sentido antes. Novamente, suas pernas trêmulas se mexeram por conta própria e o levaram para o lugar de onde o cheiro e os barulhos vinham. E foi lá que Komari se deparou a cena mais linda que já vira na vida.

Midousuji estava lá, agachado e sem camisa, com o rosto e o torso vermelhos de sangue. Em suas mãos, havia um pedaço enorme de carne, e ele o devorava com voracidade. Em sua frente, o corpo de um homem adulto, destroçado e com o abdômen aberto.

Komari tremia tanto que mal conseguia ficar de pé. Sua cabeça estava uma bagunça, tentando processar várias coisas ao mesmo tempo.

“Ora, Kishigami.” Midousuji esfregou os lábios com o antebraço e abriu um sorriso branco sinistro. “O que está fazendo aqui a essa hora?”

“M-Midou-” Suas pernas desistiram de mantê-lo em pé e ele caiu de joelhos. “V-Você é-”

Os olhos de Midousuji agora tinham as escleras completamente negras, e as írises vermelhas como o sangue que sujava seu corpo. Ele não demonstrou reação alguma ao desespero em Komari, apenas o olhou com aqueles olhos ainda mais puros e disse:

“Sim. Eu sou um ghoul, assim como você.”

Komari cobriu a boca com as duas mãos, seus olhos se enchendo de lágrimas.

Lágrimas de alegria.

O alívio que ele sentiu não podia ser expresso em palavras.

“C-Como você sabia que eu…?”

“Sua família é bem conhecida no nosso meio, sabe.” Midousuji lambeu os dedos de uma das mãos com sua língua enorme. “Elegantes e reservados, ricos, não gostam de se misturar.”

“Minha família…?” Komari nunca havia tido contato com nenhum outro ghoul além de seus pais e dos empregados da casa. Ele nunca imaginou que sua família fosse conhecida entre eles.

“Além disso, você não consegue disfarçar quando está olhando para as pessoas, não é mesmo?” Midousuji soltou uma risada debochada. “Você praticamente as come com os olhos.”

Komari sentiu o rosto esquentar. Então Midousuji sabia mesmo do tipo de coisa que ele pensava.

Ele olhou para o cadáver que estava no chão entre os dois. O rosto do homem estava contorcido em uma expressão de horror, seus olhos foscos fixados no céu estrelado. Komari sabia que deveria sentir uma certa tristeza, ou horror, vendo aquilo, mas ele só sentia uma empolgação sem tamanho. Era a primeira vez que ele via carne humana fresca daquele jeito.

“Você deve estar com muita vontade, não é?” Midousuji lhe ofereceu o pedaço de carne que tinha na mão. “Pode pegar um pouco, eu não me importo.”

Komari engoliu seco. Ele estava, de fato, louco para comer, mas seu lado racional o dizia que aquela era uma péssima ideia. As autoridades com certeza fariam algo quanto a morte daquela pessoa, e seria ruim se as investigações chegassem até ele.

E, principalmente, havia uma coisa dentro de Komari que deveria ficar fechada para sempre, e ele estava prestes a abri-la.

Seus olhos foram tomados pelo kakugan, assim como os de Midousuji. Suas mãos tremiam tanto que ele mal conseguia segurar o pedaço que lhe foi oferecido. A carne ainda estava quente, pingando sangue, e ele a mordeu com cuidado. O sabor era ótimo, metálico e forte, e a textura era macia, quase se desfazia na boca. Céus, era muito melhor do que qualquer coisa que Komari imaginou ao longo desses anos.

Ele devorou o pedaço inteiro de uma forma animalesca, sujando o rosto inteiro e as roupas de sangue.

“Você está bem desesperado, hein?” Midousuji disse com certo desdém. “Que nojo.”

“É que…” Komari engoliu. “Eu nunca… comi assim antes.”

“Nunca comeu?” Ele inclinou a cabeça pro lado, sua língua comprida saindo da boca. “Você deve ser do tipo que compra a carne dos fornecedores, né? Que nojo.”

Olhando para o pedaço de carne quente e sangrento em suas mãos, Komari se perguntou como conseguiu sobreviver esse tempo todo só comendo aquela carne seca e sem graça. Parando para pensar agora, seria bem difícil voltar a comer aquilo todos os dias.

Komari olhou para o corpo no chão e para Midousuji. Como seria bom ser como ele, matar pessoas sem medo nem remorso e comer aquela carne suculenta deliciosa sempre que quisesse. Como seria bom viver sem reprimir sua verdadeira natureza, sem se esconder dentro de uma caixa.

“M-Midousuji-san… Eu…” Komari nem sequer sabia o que falar. “Me ensine, por favor.”

“Ensinar…?”

“E-Eu… Não aguento mais viver assim…” Seus olhos arderam e sua garganta apertou. “Eu quero ser que nem você, Midousuji-san, quero viver sem ter que me esconder, quero poder comer essa carne deliciosa sempre que quiser. Me ensine a ser assim, por favor.”

Ele achou que Midousuji fosse rir e chamá-lo de nojento, mas ele ficou estranhamente sério.

“Quer ser como eu, é?” Ele ficou de pé e girou a cabeça para os lados, estralando o pescoço. “Eu vou te ensinar, mas só se você me vencer.”

Das costas de Midousuji, saíram três tentáculos pontiagudos, pretos e com as pontas avermelhadas. Komari observou a cena boquiaberto. Aquele deveria ser o tal kagune do qual ele já ouvira falar.

“Te vencer…?” Komari também ficou de pé.

Seu kagune também surgiu, pela primeira vez em sua vida, rasgando seu uniforme. Era um tentáculo vermelho vivo pontiagudo, saindo de trás de seu ombro direito. Komari o tocou com cuidado, maravilhado com sua beleza.

Ele teria que vencer Midousuji em uma briga? Aparentemente, era isso.

Mesmo sem ter absolutamente experiência nenhuma nesse campo, Komari concordou imediatamente.

Ele faria qualquer coisa para sair de dentro da caixa e ser como Midousuji.

Notas finais
Curiosidade interessante: O ator Murata Mitsu já interpretou o Midousuji, de yowapeda, e o Uta, de Tokyo Ghoul. Fiquei lembrando disso enquanto escrevia. Toma aí umas fotos dele caracterizado como os dois https://imgur.com/a/0awOOxX
Segue o textão sobre os personagens:
No canon, Kishigami Komari cresceu muito reprimido, assim como nessa fanfic. Ele tinha uma curiosidade muito grande quanto aos corpos das pessoas, e tinha vontade de tocar nos músculos dos outros para sentir como eles eram. Só que ele reprimiu tudo isso por causa do tipo de educação que recebia em casa.
Um dia, enquanto estava no parque observando os músculos dos ciclistas, ele conhece Midousuji, que é uma pessoa "solta", que fala tudo o que pensa e faz o que quer. Komari fica super impressionado com ele, e pede para que Midousuji o ensine a ser assim. E depois disso, Komari deixa de reprimir sua obsessão por músculos vira uma pessoa completamente louca, chegando a passar a mão nos músculos dos adversários durante as corridas.
O Komari precisava se soltar de algum jeito, e o Midousuji o ajudou a fazer isso, só que de um jeito meio deturpado.
Eu achei o Komari um personagem bem interessante, apesar de ele, infelizmente, só servir como um peão para o Midousuji. Todo esse negócio de reprimir pode ser interpretado de vários jeitos, até como questões relacionadas a gênero e sexualidade.
Eu tentei manter boa parte do personagem e da interação entre eles de acordo com o canon, só trocando a "vontade de tocar nos músculos" por uma "vontade de comer as pessoas, literalmente".
Enfim, espero que tenham gostado da história. Deixem comentários, por favor o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!