Caindo
1 Décimo Sétimo andar
Notas iniciais
Caindo
Existe uma música do Tequila Baby que fala o seguinte: '' a única vez que vi seu rosto ela pulou do último andar'', foi assim que aconteceu comigo. Eu a vi da janela do meu apartamento, ela estava na cobertura do prédio vizinho, eu estava a observando de alguns andares abaixo. Ficou sentada no parapeito da sacada olhando para o céu e eu olhando para ela, nem notou que eu a observava.
Ela parecia ser linda. Eu nunca tinha a visto, ou talvez nunca tivesse prestado atenção até aquele momento.
Não imaginava o que ela estava prestes a fazer, eu não queria que ela tivesse feito aquilo, se ao menos soubesse de suas intenções, teria tentado impedir. Ela ficou em pé no parapeito da sacada olhando fixamente para baixo, por um momento mirou os meus olhos, de um jeito diferente, digamos que desesperadamente desafiador. Sorriu delicadamente antes de se jogar do décimo sétimo andar de um prédio residencial de classe média alta.
Eu não tive coragem suficiente para descer e ir ver o estado do corpo dela deitado na calçada. Apenas ouvi um baque e muitos gritos de horror. Não sei quem ela era, de onde veio ou o que levou ela a se jogar para a morte, mas a maneira como ela me olhou antes de pular eu ainda não consigo esquecer.
Minha situação só piorava com o passar dos dias, das semanas, dos meses. Mesmo descobrindo quem ela era e tendo ido ao seu túmulo deixar algumas flores, ela não saia de minha mente.
Fui várias vezes ao seu túmulo na esperança de tirá-la da minha cabeça, mas parecia que cada vez que eu visitava sua sepultura ela estava ali, me esperando, eu podia sentir sua presença.
Já se passaram três meses que isso aconteceu e não há maneira de esquecê-la. Ela sempre volta, nos meus sonhos e nos meus pesadelos. Não sei o que está acontecendo comigo, mas estou ficando cada vez mais perturbado por causa dela. Ela não me abandona.
Procurei descobrir mais sobre aquela bela jovem. Pesquisei nos jornais que circulavam na região. Descobri que seu suicídio havia sido amplamente noticiado e seu velório também. Que era de uma família rica que havia mudado para aquela capital há poucos meses.
Mas apenas isso eu descobri, nada mais, só o que estava nos jornais. Não era o suficiente para mim, eu queria saber tudo sobre aquela jovem que não abandonava meus pensamentos.
Eu estava em pé ao lado de seu túmulo, admirava a bela lápide que provavelmente a família havia mandado fazer.
''ALICE VON ZUVERSICHT
1991 — 2009
AMADA FILHA''
Não saber mais sobre ela estava me enlouquecendo, eu já estava até conversando com a sepultura.
— Seu nome eu já sei, mas não é o suficiente para mim, eu preciso saber mais. Eu preciso saber tudo sobre você, Alice.
Saí do cemitério com uma ideia fixa em minha mente “se eu pulasse do décimo sétimo andar, como ela fez, eu saberia mais?”
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