Caim.
2 Azul
Notas iniciais
O gelo queima contra o seu rosto como um aviso prévio do que está por vir, do que ainda não acabou. Lembrando-o de que nada vem tão fácil, não importa o quão poderoso estivesse se sentindo.
O ar se enche de azul, forçando-o a recuar em sua própria humilhação. Trazendo para a luz a verdade que você tanto deseja esconder. Não importa o quanto lute para se erguer, para lutar, para mostrar que é capaz de esmagar o despertar, sua vergonha é o que basta para te puxar para o chão, para a lucidez momentânea. E você percebe que é aquilo que mais temia ser: fraco, inútil, submisso.
O despertar se ergue sobre você como uma sombra dos seus dias. Lançando contra você todas as suas falhas, tudo o que você tentou ser e não conseguiu. E isso machuca mais do que tudo, mais do que o ferimento aberto no seu rosto.
Ainda é fraco como o pai...
Acima, as estrelas brilham em esperança.
Abaixo, o solo colapsa para dentro de si mesmo em caos.
E você está se deixando levar, se deixando engolir. Porque não faz sentido uma carne viva se a alma há muito se perdeu. Não faz sentido um homem que há muito assassinou sua essência. Não vale de nada continuar. Mas o ódio e o desejo de vingança é como adrenalina em suas veias, forçando seu coração a bater em um ritmo torpe.
Porque Caim é amaldiçoado a viver.
Então deverá viver.
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