No vasto vale em volta da montanha a criança sem pátria descansa,
em baixo de cobertores da cor da terra com capim por cima,
disfarçando seu medo com um cântico e uma singela esperança.
E como um tempestade, um batalhão se aproxima,
acinzentando o horizonte com o rastro da fumaça de corpos cremados,
com espíritos degenerados soprando em gaitas os sentimentos perdidos,
carregando em suas costas os espólios de guerra empilhados.
Eles cercam o vale e capturam a garota com seus ímpetos surdidos
e lavam a montanha com suas lágrimas e sua inocência
até matá-la segundo a justiça por ordem dos senhores da liberdade.
Sua morte põe fim a uma geração, restaurando o sentimento de pungência
e perceberam então, que atiraram ao vazio o resto da humanidade.
Anos depois, apenas uma planície florida pela tristeza sobreviveu,
marcada em cada pétala por uma alma morta que aguarda o paraíso
e em cada semente pelo arrependimento de quem ao diabo se vendeu,
Sendo assombrada pela solidão e a necessidade de um sorriso.

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