Café E Sorvete

1 Sorvete e Café


Notas iniciais
(: Capítulo dedicado ao aniversário quase acabado do Danna ç.ç tu ainda me ama?

Ouvia-se um barulho enorme e alto de risadas e aplausos, todos direcionados à um único homem; o palhaço Naruto, literalmente palhaço. Atrás das cortinas de certo circo, encontrava-se um belo jovem, com seus 26 anos, herdeiro e gerente de uma das maiores empresas do Japão, Uchiha Sasuke. E esse mesmo jovem observava minuciosamente seu ex melhor amigo vulgo namorado. E no meio do palco encontrava-se o centro de todas as atenções, inclusive de certo moreno alto e de cabelo arrumadinho, Uzumaki Naruto, 23 anos. Sua profissão? Oras, claro que era palhaço. De que viveria a pessoa que fez Uchiha Sasuke rir mais de uma vez, senão de palhaço?

Naruto não era um daqueles jovens modernos que desejam computadores, muitas mulheres, ou homens, no seu caso, nem desejava muito dinheiro. Trabalhava para receber exatamente aquilo que lhe era proporcionado, as risadas de tantas pessoas. Pessoas que passavam horas iludidas, tristes e sozinhas, mas ali, na frente dele, se abriam e riam como se fossem crianças.

Claro que ninguém mais ousava pensar daquele jeito, e esses pensamentos foram motivos de muitas das brigas e reconciliações entre eles, moreno e loiro . Particularmente para Sasuke, essa ingenuidade o atraia, o encantava de certa forma que, apenas certo loiro era capaz. Mas, não fora ali para isso, fora por um motivo relacionado à isso, mas não para reconciliação, ou beijos, era o que esperava, era o que pensava, era o que torcia. Estava ali mais para se provar, ou melhor, provar-se para seu irmão.

O palhaço saiu sorridente do palco chegando às cortinas sendo recebido por braços abertos de seus colegas junto com cumprimentos como “bom trabalho”, ou “arrasou de novo Uzumaki”. Era comum, todo show era assim, mas algo estava diferente, afinal por detrás de todo aquele “comum” aglomerado seu melhor amigo vulgo ex-namorado estava o olhando como um sorriso de canto. O moreno estava encostado na parede com uma perna no chão e outra flexionada na parede, sem sequer pensar em despregar os olhos daquele loirinho.
Naruto se afastou dos companheiros e foi em direção do moreno.

– Oi! – disse saudoso ao chegar perto do mesmo. “Será que ele vai lembrar-se de mim?” pensou com seus botões. “Oras, o que mais ele faria aqui?”. Estendeu a mão para um aperto. O moreno se afastou da parede com um suave impulso, e sem tirar o sorriso de canto, foi até o loiro e apertou sua mão. Claro, uma faísca passou pelos dois ali, um tipo de calor, de desejo, de lembrança. Não só pela parte de um, mas de ambos. O clima logo foi notado por todos que foram se retirando e seguindo cada qual para seu camarim.

Naruto corou, não pelo aperto de mão, é claro que ele já esperava, afinal, sempre recebia esse tipo de reação corporal quando as coisas se tratavam do moreno. Sempre fora assim, era toca-lo, olha-lo e pronto, estava feito a mágica, mas não era por isso que estava corado, e sim pelo fato de estar pintado com a cara de palhaço, de Pierrot* pra piorar. Nada contra o Pierrot, na verdade o adorava, era um dos seus personagens favoritos, e ele mesmo o escolhia várias e várias vezes, mas há anos não via Sasuke, o homem que nunca esquecera, e agora que o reencontrava não queria estar vestido como Pierrot.

Quando soltaram o contato físico, não apartando o visual, o menor ditou sorridente, como sempre.

– Vamos! — Acenou com a cabeça para Sasuke o segui-lo.

Foi em direção ao seu camarim, feliz por tirar aquela maquiagem e roupa, sendo seguido por um Sasuke que voltara a sua expressão imparcial. Ambos estavam curiosos sobre no que esse encontro iria resultar.

Naruto abriu uma pequena porta.

– Não é muito, mas confortável.

Era um cubículo, havia uma penteadeira com bastante maquiagem nela. Vários cabides espalhados, alguns pelo chão, outros pendurados em algum lugar da parede. Tão absorto em seus pensamentos de como uma pessoa conseguia se trocar naquele lugar não notou que o loirinho já havia trocado de roupa e retirado a maquiagem.

– Quando voltou para a cidade? – o menor perguntou curioso chamando a atenção de Sasuke. Este virou de supetão, não por ter levado um susto ou algo, apenas se achou muito curioso, o que não era normal.

– Ontem à noite. – Respondeu simplório, mas essa resposta surtiu muito efeito no jovem a sua frente, logo notou que este se arrepiara.

Naruto ainda amava Sasuke, sofreu, bebeu, chorou muito quando o moreno foi embora, e o que piorava todas as sensações era saber que o mesmo estava certo, afinal, era família dele, assim como Naruto tinha a sua. Sasuke deveria ajudar seu pai e irmão e Naruto sua mãe. E suas famílias vinham acima de muitas coisas, para ambos, e ambos entendiam que foi necessário, mas o que não significava que tinham superado, ou esquecido. Era assim para o loirinho pelo menos.

– Porque não vamos tomar um café?

Perguntou Sasuke ignorando o sorriso torto, olhar esperançoso e arrepio do outro. Era um adulto, mas ainda ingênuo como criança, ainda possuía fé em Sasuke. Neles dois como casal.

– Você sabe que eu odeio café. – Fez um bico extremamente fofo e virou o rosto.

Sasuke negou com a cabeça sorrindo. “Você não muda Naruto?” se perguntava. Até que o mais jovem o pegou pela mão e saiu arrastando pelas ruas da cidade.

– Hey! Para onde vamos? – Perguntou surpreso.

– Calado! – Naruto ordenou e continuou arrastando o outro pelas ruas, Sasuke não se manifestou, sabia como acabaria em briga se contrariasse.

Apenas ficou atônito. Era como se tivesse 19 anos de novo e namorasse aquele pirralho de 16 que ganhou seu coração apenas com um sonho bobo. Sonho esse, que estava realizado.
Pararam.

– Sorveteria? – Sasuke questionou ao notar o lugar onde estavam entrando, iria dar meia volta e sair dali, odiava tudo que fosse doce. E sorvetes então? Mais ainda.
Mas foi segurado pelos ombros e guiado até uma mesa, sendo forçado a sentar em uma delas. – Você sabe que eu odeio coisas doces.

Falou pausadamente tentando recuperar a paciência. Mal se encontrara com o loiro e já estava a ponto de bater nele.

– Fica calmo aí teme. Já volto. – Naruto saiu para falar com uma garçonete, e deixou um Sasuke estressado sozinho na mesa, esse tirou o sobretudo que usava e o pôs do seu lado no banco.

Estavam numa sorveteria com paredes meio azul-bebe, as mesas eram encostadas na parede e os bancos eram almofadados, cabiam duas pessoas em cada banco, mas óbvio que moreno e loiro não sentariam lado a lado.

Logo o sorriso radiante estava de volta, e na mão direita trazia consigo um copão enorme de sorvete, cuja cor era marrom, provavelmente de chocolate, e na mão esquerda uma xícara sobre um pires. Sasuke sorriu ao ver a xícara com o líquido quente sendo depositada a sua frente. Naruto sentou em frente ao moreno com seu sorvete e passou a devorá-lo, parando apenas para uma conversa ou outra.

E foi assim que o ex casal passou a tarde, conversando, se descobrindo, se apaixonando de novo, mesmo que sem querer, só acontecia. E era tão improvável que acontecesse. Roupas azuis escuras e delicadas, com roupas laranja e chamativas, cabelos cautelosamente arrumados, com cabelos extremamente bagunçados, café e sorvete, gargalhada e sorriso de canto, era realmente improvável e tão óbvio que se uniriam eventualmente. Ninguém esperou ou imaginou.

No fim da tarde Sasuke e Naruto seguiram para a casa do mais novo. Não era a mesma de antes, agora o loiro morava num pequeno apartamento no subúrbio, um pouco para dentro da cidade. Estavam em frente a porta do apartamento do menor. Naruto abriu a porta e olhou nos olhos de Sasuke, mais seguro de si e deles dois como casal.

– Você quer entrar? – Um sorriso sacana aparecia nos lábios de ambos.

– Você sabe o que acontece depois dessa porta, não sabe?

Naruto puxou Sasuke num movimento rápido para dentro da casa com uma mão e com a outra fechou a porta com força. Prensou o moreno na porta com força e pôs as mãos em cada lado de seu pescoço para puxa-lo para um beijo sedento e sinceramente bem-vindo, mas não sem antes dizer em sussurro:

– Sei. Você cala a minha boca.
Beijaram-se. Mãos descendo e subindo, esfregões, sorrisos. Uma quase guerra por poder sobre o corpo do outro, onde, dessa vez, o Naruto dominava a boca do Sasuke.

– Hum. – Naruto separou o beijo, primeiro em busca de ar, depois para sanar uma dúvida. – Sasuke..., antes de irmos para outro nível... – sorriu pensando no “outro nível”, e encostou a cabeça no ombro do moreno. Subiu a mão que estava na cintura do outro até a o pano da blusa no pescoço do moreno e a puxou com força para afastá-la da pele tão branquinha do mesmo com o intuito de, com gula, morde-la, chupa-la, ouvindo como prêmio alguns gemidos contidos do moreno. – Porque você voltou?

Sasuke arfou para enfim responder.

– Eu apostei com meu irmão, — soltou um gemido baixo e involuntário ao sentir o toque gelado de Naruto na sua cintura. Não sabia quando ele tinha ficado tão libertino. Talvez nesses últimos anos – apostei que se eu voltasse, eu não me apaixonaria por você de novo. – Apertou a cintura de Naruto com força o trazendo para mais perto. *As comichões já estavam vindo.

Naruto soltou um enorme sorriso, ainda escondido no ombro do maior, deu outra chupada lá, deixando alguns caminhos de saliva, soprou aquela área vendo o mesmo se arrepiar.

– E quem ganhou essa aposta?- Perguntou se esfregando mais no corpo do maior.
Sasuke sorriu, mesmo que essa resposta fosse capaz de estragar tudo, não mentiu na hora de respondê-la.

–Ele! Com certeza, foi ele!

Notas finais
Espero que tenham gostado o/ * Pierrot é um personagem de uma peça extremamente famosa na França. Onde ele era apaixonado por Columbina, mas era pobre e sua roupa era feita com sacos de batata. Columbina troca Pierrot por Arlequim. Pierrot foi a inspiração de muitos palhaços (em questão roupa). * Eu sei que é estranho "as comichões", mas para quem não sabe "comichão" é sim feminino. (:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!