Notas iniciais
Olá. Muito obrigada a DCC, DanyRock Chan, Wildest Dreams, Ruth Echelon, Lola Evans, Imouto LITTs, j2rugila, Laura Jessy, UchihaMarina, MaruChan, A Pessoa, lucica, Ti Rorschach, LuOrtensi, Imperfect Girl, Ghii, SopaDeBatata, Nana e Digníssima Eu pelos comentários. Boa leitura!

A cidade em que a mãe de John morava nem ficava tão longe assim de Canmore, mas para o moreno pareceu que ficava em outro Estado tamanha era a ansiedade que ele sentia pelo momento daquele encontro. Sam foi o tempo todo fazendo carinho nele ou tagarelando sobre alguma coisa para distraí-lo, mas John realmente não ouvia com muita atenção. Ele queria muito que a mãe aprovasse, mas e se ela dissesse que não aceitava... O que ele iria fazer?

Ele estacionou diante da porta da casa em que a mãe vivia. Ela havia se casado com um bom homem, um trabalhador que, com muito esforço, conseguiu montar a sua própria panificadora e vendia para várias cidadezinhas da região.

— Minha mãe abriu uma butique. – John indicou a loja que ficava ao lado da casa. Do outro lado estava a panificadora. – Ela sempre costurou bem e disse que não queria mais ser dependente do marido como foi do meu pai. O marido dela tem a panificadora e ela a butique. O terreno da casa era grande e ela fez esse puxadinho.

Enquanto falava, John terminou de manobrar o carro para deixá-lo bem estacionado.

— Sam, se ela falar qualquer coisa que te ofenda, nós vamos embora na mesma hora. – O moreno disse sério, virando-se para o namorado assim que desligou o carro.

Sam ficou surpreso com isso. Seu maior medo, naquele momento, era que a mãe do moreno deixasse claro que era contra aquela relação e John a escutasse... Sam tentara distrair o namorado da ansiedade durante todo o trajeto, mas a verdade era que ele era o mais nervoso ali. Se John terminasse o que haviam começado, Sam não aguentaria. Se mudaria para Toronto e ficaria na casa dos amigos por um tempo até conseguir encontrar casa própria.

Aproximando-se de John, o loiro deu um beijinho leve nos lábios dele e sorriu.

— Vamos entrar. – Falou encorajador.

John balançou a cabeça para confirmar e saiu do carro. Deu a volta e ajudou Sam a descer e se equilibrar nas muletas. Com certeza seria demais chegar na casa da mãe com o loiro nos braços. O moreno parou diante da porta, tocou a campainha e segurou os dedos (já que por causa das muletas não podia segurar a mão) de Sam na busca de apoio.

Não demorou para que a mãe dele atendesse a porta.

— Ah, olá, meu filho. – Megan sorriu e se aproximou para abraçá-lo. Meio sem jeito, John se afastou de Sam para retribuir. – Olá, Sam. Vamos, entrem, entrem... Não fiquem parados aí. Não vai fazer bem para o seu pé. John me disse que você caiu do cavalo lá no rancho...

As sobrancelhas de Sam se ergueram. A mãe de John estava... Diferente. Muito diferente do que se lembrava. Parecia mais jovem, mais leve e mais dona de si mesma. O sorriso dela também parecia mais verdadeiro e meigo. É, Sam não tinha boas lembranças dela, principalmente por ela torcer os lábios sempre que o via brincando com as meninas, bem longe dos esportes dos garotos.

— É, não tive sorte na minha primeira tentativa. – Sam abanou a mão e soltou uma risadinha. Foi uma risadinha um pouquinho nervosa, mas ele logo pigarreou e se apoiou bem nas muletas. – A senhora está mais bonita do que eu lembro. – Elogiou e não apenas para puxar o saco da sogra.

John, ainda tenso, observou os dois trocarem aquelas breves palavras e depois ajudou Sam a caminhar até o sofá. Ou pelo menos tentou já que o loiro não gostava muito de ser tratado como “cristal” como ele gostava de dizer.

— Obrigada, Sam. – Megan sorriu enquanto fechava a porta. – Você também está diferente do que eu me lembro. Sempre foi um menino mirradinho e miúdo, mas cresceu bem.

— Mãe... – John reclamou.

— Eu estou fazendo um elogio, John. – A mulher balançou a mão para que ele ficasse quieto. – Eu já estava preocupada. Vocês demoraram.

— Nos distraímos um pouco. – John disse evasivo.

Megan os observou com atenção e John sentiu vontade de se encolher no sofá, mas se manteve firme.

— Então vocês estão mesmo namorando. – Megan disse lentamente enquanto sentava no outro sofá.

John resmungou um pouco. Sua mãe sempre foi muito direta. Ela não gostava de ficar dando voltas antes de entrar no assunto principal.

— Sim, nós estamos namorando. – John confirmou e segurou a mão de Sam com força.

— Eu nunca imaginei... – Megan suspirou profundamente. – Quando você falou, eu fiquei surpresa, é claro. Sempre soube que seu casamento não ia bem, mas jamais imaginei que o motivo fosse por você ser gay. Não depois de tudo o que o seu pai incutiu na sua cabeça. E na minha também. Eu era uma mulher muito preconceituosa. Tão ou mais do que o seu pai foi.

— Mãe... – John tentou interrompê-la, mas ela ergueu a mão para que ele a esperasse terminar.

— Porém, eu mudei. Não da noite para o dia, é claro. Eu nunca comentei com você, mas o irmão do meu marido é gay e ele vive com outro rapaz. Quando eu soube falei muitas coisas ruins e isso causou uma briga enorme com Emmet e nós quase nos divorciamos. Ele disse que não podia aceitar o meu pensamento, que eu não podia me meter na vida do meu cunhado dessa forma, que a vida era dele e tudo o que ele queria era ver o irmão feliz e que, se fosse com aquele rapaz, então que fosse. Aos poucos, eu fui aceitando... O meu cunhado estava tão feliz. Ele resplandecia de felicidade... E foi a primeira coisa que notei em vocês quando entraram. Apesar do medo, sim, eu vi medo nos olhos de vocês dois, notei também um brilho de felicidade que só os apaixonados possuem. É claro que ainda é um pouco chocante para mim, mas eu quero que você seja feliz, meu filho. E se for o Sam... Então que seja.

John estava completamente mudo pelo discurso da mãe. Ele olhou para Sam sem conseguir formular nenhuma frase coerente.

— Aliás, eu tenho até que pedir perdão pela forma como me comportei com você, Sam. Como eu disse, também fui influenciada pelo preconceito do meu marido. Isso não justifica, claro. Mas eu era muito submissa e tenho um pouco de vergonha de admitir que não conseguia pensar com a minha própria cabeça.

— Eu juro... – Sam começou a falar. Ele tinha a voz um pouco embargada. Sempre ficava emocionado quando via alguém que já fora preconceituoso mudar seu modo de ver a vida. – Que se eu não estivesse com o tornozelo torcido, você estaria recebendo abraços e beijos agora. – Ele apertou a mão de John em retorno. – É sério, eu quero muito conhecer o Sr. Seu marido agora! Que homem!

Megan deu uma gargalhada, levantou e sentou ao lado dele.

— Não seja por isso, querido. – E abraçou o jovem. – Já vi que pelo menos de tédio você não sofrerá, John.

— Tédio nunca. Ele sempre vem com alguma pérola assim.

— Meu marido está em um curso. Ele é um homem muito estudioso e está sempre tentando melhorar, então vive fazendo cursos de culinária para aprender novas receitas, mas ele deve vir para o almoço. Se vocês ficarem, você poderá conhecê-lo.

Sam sorriu um pouco envergonhado. Ele nunca havia tido muito controle sobre a própria língua.

— Nós vamos ficar! – Sam falou animado. Ele estava tão contente agora! – John me falou que a senhora abriu uma boutique... Eu quero ir lá ver, hein. Quem sabe eu não compro umas roupinhas.

— Ah, isso me lembra uma coisa! Esperem só um minutinho. Volto já. – Megan levantou de um salto e deixou a sala antes que qualquer um dos dois pudesse impedi-la.

— Eu sinto como se tivessem tirado um caminhão das minhas costas. – John murmurou, cansado, enquanto se encostava no sofá e fechava os olhos. – Não achei que ela fosse aceitar tão bem. O Emmet realmente fez muito bem a ela.

— Isso meio que me lembrou minha mãe... — Sam comentou reflexivo. — Depois que meu pai morreu, ela mudou muito. Só falta o marido. Mas eu bem sei que o Sr. Marcus anda de olho nela. — Riu.

— Sua mãe não vai nos aceitar tão bem... – John disse após um gemido. – E a culpa é toda minha. Acho que tenho que levar o Davi para ir amaciando o caminho... – Aludiu pensativo. – Ele consegue conquistar todo mundo.

Sam deu um tapa no ombro do moreno.

— Não fique falando em usar seu próprio filho para amansar a fera! – Sam riu divertido. – Bem, ela com certeza não aceitará tão fácil... Só quando ela entender que eu estou feliz e que você realmente... Me ama. – O loiro corou ao pronunciar baixinho. – Ela vai aceitar.

John se ajeitou no sofá e puxou o loiro para os seus braços para que ficassem juntos em um abraço.

— Eu só não te beijo agora porque acho que minha mãe ainda não está preparada para ver isso, mas vontade não falta... – Ele sussurrou perto da orelha do loiro e sorriu ao senti-lo estremecer.

Infelizmente, ele não pôde ouvir a resposta de Sam porque a mãe voltou naquele momento com um pacote nas mãos.

— Quando John me disse que vocês estavam juntos, eu tive alguns dias para pensar em tudo... Enquanto isso, resolvi começar esse mimo para você, Sam. – Megan disse enquanto estendia o pacote para ele. – Costurar me ajuda a pensar. Aí acabei fazendo isso pensando em você.

Sam ficou embasbacado. Ele pegou e o presente e, meio no automático, o abriu. Ali dentro, encontrou um belo cachecol feito à mão, macio, grosso, nos tons preto com branco. Sam o levou contra o peito e começou a chorar. Ele esperando ser destratado e, além de ter sido aceito na família, ainda recebia um presente!

— E pensar... – Ele disse soluçando. – Que eu estava vindo para cá pensando que a senhora falaria para o John que não aceitava e que deveríamos terminar. – Chorou. – E que ele escutaria seu conselho. – Sam tentou secar os olhos com o dorso do braço. – Me sinto tão culpado, agora quem teve pré-julgamentos fui eu!

Megan ficou surpresa com o desabafo do rapaz. Ela sentou ao lado do loiro e colocou a mão sobre a perna dele.

— Meu único pedido é que você cuide bem do meu filho. Eu não posso estar lá todos os dias para cuidar dele e dos meninos. Conto com você para isso, está bem? – Ela disse enquanto olhava para John e trocava um sorriso com ele.

John passou um braço em volta de Sam e o puxou para o seu peito.

— Eu v-vou... – Sam balbuciou, respirando ofegante por culpa do choro. Ele conseguiu se acalmar no peito de John, e então se jogou nos braços de Megan. – Eu amei o presente. Obrigado! Se algum dia eu aprender a costurar, eu vou fazer uma lingerie bem sexy para você! – Jurou. E o pior, ele falava sério. – Assim eu agradeço também ao Sr. Emmet.

John gemeu não querendo imagens mentais da coisa toda, e Megan deu outra gargalhada, um pouco sem graça, um pouco bem humorada.

— Definitivamente você nunca, nunca, nunca vai ficar entediado, meu filho. – Ela disse ainda rindo.

É, John também tinha certeza disso.

XxxX

Taylor se espreguiçou na cama no domingo pela manhã, sentindo uma sensação boa se espalhar por seus músculos. Ele abriu os olhos e sorriu ao ver Damien adormecido na cama ao seu lado. É, eles havia ficado o resto da sexta-feira e o sábado inteirinho ou na cama, ou no chuveiro, ou na terma, sempre curtinho um ao outro. Os fundilhos de Taylor estavam doloridos, mas ele não havia se arrependido nem um pouquinho disso.

Damien era mesmo fogoso e cheio de energia, como um adolescente. Ao mesmo tempo, era carinhoso, paciente e romântico, quando o momento pedia. Se Taylor já não estava apaixonado antes, agora ele estava de quatro por aquele ruivo. É, até literalmente... Taylor riu da ideia e se levantou, nu, caminhando em direção ao banheiro. Era meio da manhã, nove horas, e ele ficou com pena de acordar Damien.

O ruivo girou para o lado minutos depois, querendo sentir mais do calor do namorado, porém ao tatear a cama descobriu estar sozinho. Ele sentou, esfregando os olhos, mas não viu nem sinal de Taylor. Até ouvir sons vindos do banheiro. Um pouco trôpego, Damien levantou e foi até lá. Entrou no banheiro e abraçou Taylor por trás.

— Está muito cedo. – Resmungou. – Volta pra cama.

Taylor sentiu todo o calor do namorado se espalhar por seu corpo, deixando-o com os pelinhos eriçados quando recebeu um beijo na nuca. Ele terminou de escovar os dentes e sorriu.

— Estou pensando em dar uma saidinha. No caminho pra cá vi uma loja de materiais médicos bem aqui perto... Estou precisando comprar um estetoscópio melhor. Uso o mesmo desde que precisei comprar no segundo ano do curso. – Taylor lembrou. Agora que sua ausculta era a melhor maneira em um raio de vários quilômetros de diagnosticar ou sopro ou outra anormalidade cardíaca, ele precisava comprar um aparelho melhor. Em breve, entretanto, ele esperava conseguir colocar um aparelho de ecografia na clínica. – Eu vou e volto rapidinho. Mas se quiser, podemos ficar na cama mais um pouquinho... – Disse sugestivo, acariciando os braços do ruivo.

— Você está mesmo perguntando se eu quero? Ainda precisa perguntar? Isso aqui não responde? – Damien disse com um sorriso safado enquanto guiava a mão do namorado até sua ereção totalmente desperta. – Só preciso escovar os dentes... Porque, né, se eu bem me lembro você disse que não tem amores por zumbis com bafo de dragão. – Lembrou bem humorado.

— Você não cansa nunca. – Taylor revirou os olhos, rindo. Ele se virou, deu um beijo no ombro do ruivo e voltou para a cama, esperando ele escovar os dentes. Quando Damien voltou ao quarto, ele admirou o corpo forte, mas proporcional e sexy do ruivo. Céus, Taylor realmente havia tirado a sorte grande. – A sua sorte, Damien Van Persen, é que eu também não me canso de você.

— O que eu posso fazer se só de olhar para você eu fico louco? – Damien sorriu enquanto subia na cama e começava a beijar os pés de Taylor. – Nós já gastamos quase todo o lubrificante e eu sei que você deve estar dolorido, então vamos apenas brincar um pouco... – Ele disse enquanto fazia com que o namorado afastasse as pernas para dar acesso livre à sua língua. Damien não havia tido coragem de dar o chamado “beijo grego” e iria fazer isso agora.

Taylor soltou uma exclamação baixinha de surpresa quando Damien, segurando suas coxas com firmeza, o virou na cama sem nenhuma dificuldade, colocando-o de bruços. Ele começou a beijar a região lombar do médico, enquanto lhe apertava os glúteos, e Taylor gemeu baixinho, sentindo calafrios na boca do estômago.

— Quero ver você conseguir se controlar e só “brincar um pouco”... – Taylor duvidou.

— Eu já maltratei bastante os seus fundilhos, agora vou dar um pouco de carinho. Só espero conseguir fazer direito. Na teoria tudo parece mais fácil... – O ruivo sussurrou antes de afastar os glúteos dele e introduzir a língua de uma forma um pouco tímida e cautelosa.

Taylor imediatamente gemeu com o toque molhado, sentindo como se um raio atravessasse seu corpo, espalhando calafrios e arrepios. Ele agarrou os lençóis e mordeu um deles, fechando os olhos e ondulando de leve o quadril contra a boca do ruivo, seu corpo agindo por conta própria, seguindo instintos. Ele não estava esperando por aquilo. Damien em pouco tempo se tornara muito mais safado do que ele havia imaginado.

— Onde você aprendeu... Essas coisas? – Taylor perguntou com dificuldade, suas mãos se movendo sem saber onde segurar, onde agarrar, inquietas como o corpo com os choques de prazer que recebia. Ele escondeu o rosto no travesseiro. Era idiota, mas estava com vergonha. Nenhum cara antes havia feito o tal “beijo grego” nele.

— Lendo na Internet. – Damien se afastou um pouco para poder falar. – Estou fazendo certo? – Perguntou um pouco ansioso.

O rosto do médico queimou com a pergunta.

— E você ainda pergunta? – Ele perguntou indignado e envergonhado, virando um pouco o rosto para olhar para o namorado. – Apenas continua, droga!

—Tsk, tsk, tsk... Pedindo desse jeitinho quem não continuaria? – Damien falou com ar de riso antes de voltar a colocar a língua no local e começar a lamber outra vez. Enquanto isso, uma das suas mãos foi parar em volta do pênis do namorado e a outra foi para o seu próprio pênis. O ruivo roçava a língua com vontade e os sons eróticos que Taylor estava fazendo estavam o deixando ainda mais duro.

— Ah, Damien, e-eu... – Taylor, após poucos minutos naquela “tortura”, chegou lá. Depois de fazerem tantas vezes seguidas, seu corpo parecia hiper-reativo ao mais novo. Ofegante, ele ficou ali, estirado de bruços na cama, tentando recuperar o ar. – Você está acabando comigo, ruivo. – Murmurou cansado, mas com um sorriso satisfeito no rosto. Depois ele notou que Damien permanecia duro.

Mantendo o sorriso, que se tornou malicioso, Taylor o puxou para a cama. Damien caiu de costas no colchão e Taylor o montou, começando a distribuir beijos por seu pescoço, tórax, abdômen... Seus lábios chegaram ao falo do namorado e ele o chupou, sugou e beijou até que Damien gozasse em sua boca.

Ergueu o rosto limpando o canto do lábio com o polegar.

— Satisfeito? – Perguntou, divertido.

— Aham... – Damien murmurou sentindo que seu corpo estava leve e o sono voltava a atacá-lo. Ele puxou o namorado para que ele deitasse sobre o seu peito. – Eu estou acabando com você, mas a culpa é sua que me deixou viciado. Nunca imaginei que pudesse ser tão bom, tão gostoso... – Falou com a voz pastosa. – Tem certeza que quer sair? Não prefere um cochilo e mais uma rodada quando acordarmos?

Taylor riu.

— Meu Deus, você é insaciável. – Falou exasperado. – Eu vou lá rapidinho e já volto. Não quero perder a oportunidade. – Deu um beijo no ruivo e se levantou. – Só vou tomar uma ducha antes.

Damien resmungou qualquer coisa e acabou dormindo. Taylor tomou banho e colocou uma roupa leve e simples. Uma calça larga, tênis e um casaco por cima da camiseta. Ele saiu do hotel. O segurança não estava na entrada, tudo parecia quieto e sereno na cidade. Ele percebeu que era domingo e talvez a loja estivesse fechada. Mas bem, ao menos a caminhada ajudaria a esticar as pernas e respirar um ar bem fresco.

A lojinha de fato estava fechada, mas havia um número para casos de entrega. Taylor achou que valia à pena e decorou o número. Assim que voltasse para o quarto, o anotaria e depois ligaria para saber os preços. Aqueles estetoscópios eram caros, conforme a qualidade aumentava o preço subia exponencialmente.

Curioso, Taylor ainda andou um pouquinho pelo “centrinho” da cidade, admirando as lojinhas e casinhas. A maioria estava fechada, mas ele parou em um café, bebeu um cappuccino delicioso e bateu um papo com o dono do lugar. Só depois disso, ele retornou. Passada um pouco mais de uma meia hora, o hotel parecia mais vivo.

O segurança estava na entrada.

— Bom dia. – Taylor o cumprimentou simpático.

— Hei! – O homem o impediu de entrar. – Aonde pensa que vai?

Taylor parou e piscou alguns segundos, tentando processar.

— Estou alugando um quarto aqui. – Explicou.

O homem olhou-o de cima abaixo, depois soltou um som de desprezo.

— Poupe-me. Alguém da sua laia nunca teria dinheiro para alugar um neste hotel. – Ele disse, bloqueando a entrada.

O médico ficou em choque.

— Alguém da minha laia...? – Perguntou baixo. – Você quer dizer alguém da minha cor?

O segurança pareceu irritado.

— Saia logo daqui! Quer que eu chame a polícia, marginal? – Ele levou a mão ao cassetete que carregava na cintura.

Taylor deu um passo para trás, engasgado e ainda mais perplexo. Fazia já algum tempo que ele não sofria esse tipo de preconceito, mas como ele pudera se esquecer do quanto doía?

Damien dormiu por mais uns vinte minutos, mas acabou acordando. Estava mal acostumado e não conseguindo dormir direito sem Taylor do seu lado. Com fome, ele acabou decidindo levantar e ir até o restaurante do hotel para tomar o café da manhã depois de um banho rejuvenescedor. Por sorte, no domingo eles serviam até mais tarde então o ruivo ainda chegaria a tempo de comer alguma coisa.

Depois do banho, vestiu roupas simples e deixou o quarto. Quando atravessava o corredor, algumas pessoas que trabalhavam no hotel passaram cochichando, em passos apressados, e Damien pegou algo como “um ladrão tentou entrar no hotel”. Franzindo a testa, ele seguiu o caminho e notou um pequeno alvoroço no hall de entrada. Ao chegar lá, pôde ver um segurança tentando expulsar Taylor, ameaçando pegar o cassetete. A mente de Damien ficou completamente em off quando ele viu a expressão transtornada do namorado.

— É melhor você não tentar entrar aqui de novo, senão eu chamo a polícia pra te colocar no seu lugar, preto safado. – O segurança avisou. E aquilo foi mais do que a gota d’água.

Ele não pensou duas vezes e já chegou dando um soco no desgraçado.

— Que merda você tá fazendo com o meu namorado, seu idiota?! – Gritou irado.

O segurança caiu no chão pelo impacto, e as outras pessoas olharam assustadas para o ruivo. O homem levantou, recolocou o cassetete na cintura e se afastou alguns passos, arregalando os olhos, ainda desorientado e tonto pelo soco recebido no queixo.

— E-Ele está mesmo hospedado aqui? – Se referia ao Taylor. Quando percebeu sua gafe, imediatamente se voltou para o rapaz com um ar arrependido e nervoso, temendo perder o emprego se eles reclamassem ao gerente. – Por favor, me desculpe. Houve um mal entendido. Eu sinto muitíssimo.

Damien fechou a cara e fez menção de que ia partir pra cima do idiota de novo, mas outros seguranças chegaram e conseguiram segurá-lo. Foi preciso de três para, a muito custo, contê-lo.

— ME LARGA! Eu vou quebrar a cara desse idiota preconceituoso! Ele ‘tava ameaçando o meu namorado com esse cassetete! E por que, hein? Se fosse eu, com essas roupas esculhambadas que ‘tô vestindo, ele ia tentar me chutar daqui? – Perguntou descontrolado. Taylor estava muito mais bem vestido do que Damien, mas certamente o segurança não o teria barrado e isso deixava o ruivo muito puto.

Taylor se apressou até o namorado e segurou-lhe o rosto.

— Damien, calma. Bater nele só vai piorar a situação. – Disse, enquanto o segurança se afastava ainda mais, pedindo desculpas. – Vamos pegar nossas coisas e fechar a conta. Não quero continuar aqui.

—Nós vamos embora sim porque eu não vou ficar nem mais um segundo em lugar que não tem funcionários preconceituosos! Fazer isso com você foi o mesmo que fazer comigo! E eu vou processar o hotel por causa disso! – Damien disse em um tom baixo e furioso.

Taylor puxou Damien com ele de volta ao quarto, não querendo mais aquele monte de gente ao redor observando a cena. Algumas pessoas escutaram o ruivo e começaram a cochichar ainda mais.

Assim que entraram, Taylor se sentou na cama. Sentia-se miserável.

— Acho que estreguei o fim do nosso final de semana. – Riu, mas o riso se transformou em choro. Um choro sem sons. Apenas algumas lágrimas caindo de seus olhos. Era estúpido... Ele deveria estar acostumado com o preconceito, não é? Mas sempre que se deparava com ele, era a mesma perplexidade, uma mistura de tristeza e raiva. Às vezes se esquecia do mundo em que viviam. E pensar que existiam países mundo afora ainda mais preconceituosos... O Canadá era um paraíso em comparação. – Desculpa. – Sussurrou, tentando limpar as lágrimas.

A primeira reação de Damien foi não ter nenhuma. Ele não estava acostumado a ter que consolar as pessoas e, naquele caso, dar presentes não era uma opção. Taylor precisava do seu carinho e não de coisas materiais.

— Não, Tay, não diz isso. – O ruivo sentou ao lado dele e o puxou para o seu colo. O abraçou com força deixando que o namorado escondesse o rosto na curva do seu pescoço. – A culpa foi minha. Eu deveria ter ido com você pra te proteger desse tipo de coisa. Se eu estivesse junto, não teria acontecido.

— Não pode me proteger o tempo todo. – Taylor murmurou. – Eu não quero ser protegido... Preciso encarar essas coisas de frente. Estou chorando mais de raiva do que tristeza. – Se afastou um pouquinho e tentou sorrir. Beijou a bochecha do namorado e apoiou o rosto contra o dele, suspirando. – Combinamos assim... Não foi culpa de ninguém. Vamos apenas arrumar nossas malas e voltar para Canmore.

— Você é incrível. Conseguiu se formar, é um médico respeitado e amado por todos lá em Canmore. Nem diploma eu tenho. Só porque eu tenho uma pele um pouco mais clara as pessoas acham que eu sou digno de ser respeitado. E quem merece todo respeito aqui é você que enfrentou uma porrada de coisas pra conseguir chegar onde chegou. E eu sei que você é capaz de enfrentar tudo isso sozinho, caso contrário não teria chegado tão longe, mas agora eu estou com você e quero te proteger quando puder, Tay.

Taylor não aguentou. Voltou a chorar, e dessa vez bem mais sonoro. Ele se abraçou ao ruivo de novo, bem apertado.

— Ruivo bobo... – Murmurou o rapaz, a voz trêmula. – Não me faça te amar ainda mais.

Damien sorriu enquanto acariciava as costas dele, subindo e descendo a mão devagar.

— Não acho que seja ruim isso de me amar ainda mais. – Sussurrou sentindo o coração bater mais acelerado. – Vamos, vamos voltar para casa. Guardaremos só as lembranças boas desse quarto e esqueceremos o que se passou lá fora, tá bom assim? – Perguntou. – Ah, e me diz onde comprar o tal este... estes... Aquele negócio lá que você queria comprar. Eu vou dar um pra você.

É, algumas manias não mudavam e Damien precisava dar algo material para sentir que estava fazendo tudo certo.

Taylor começou a rir e olhou o ruivo nos olhos.

— Você merece ser respeitado, tanto quanto eu. Todas as pessoas merecem, independente da cor, religião, escolaridade, orientação sexual e o que for. Algum dia, o mundo entenderá isso. – Disse, deixando os braços ao redor do pescoço do maior. – Enquanto isso não acontece, vou aceitar sua proteção. – Sorriu e o beijou.

Eles saíram dali pouco depois. Damien ainda ameaçou novamente processar o hotel quando foram fechar a conta (e ele processaria, mesmo com o gerente falando que iriam demitir o segurança); porém apenas as boas lembranças compartilhadas naquele final de semana é que permaneceriam.

Notas finais
"Todas as pessoas merecem, independente da cor, religião, escolaridade, orientação sexual e o que for. Algum dia, o mundo entenderá isso". Todos nós torcemos pra que esse dia chegue logo, Taylor, todos nós. E não que é a mãe do John é um amor de sogra? Agora nada mais separa esse casal! Errr... Quer dizer, se o John sobreviver quando o Damien descobrir. A história está chegando ao final T.T Quem vai sentir saudades levante a mão o/ Até a próxima semana. Bia Yuuji.