Notas iniciais
Olá. Bia postando de novo... xDD Tivemos um contratempo e não conseguimos postar ontem, mas aqui está o capítulo. Esperamos que vcs curtam :) Primeiramente, muito obrigada AtsushiHoon e Kay Santos pelas recomendações fofíssimas. Muito obrigada a Lucy, Imperfect Girl, Mariana Lótus, DCC, Wildest Dreams, Um Fantasma Aleatório, DanyRock Chan, MaruChan, Ruth Echelon, Imouto LITTs, LuOrtensi, Laura Jessy, cut, Annie Granger, Bells, SopaDeBatata, Kaline Bogard e LunaBiju pelos comentários maravilhosos. Boa leitura!

Taylor saiu da clínica perto do meio dia, um tanto perturbado devido à conversa com Alicia (aquela história dela de que Damien havia transado com 50% da população feminina de Canmore, deixando apenas mulheres mais velhas e crianças de fora) realmente o deixara um pouco afetado. Estava se relacionando com o maior cafajeste da cidade! E também... Alicia comentou sobre ele ser sempre atencioso, gentil e carinhoso, o que deixava as mulheres louquinhas e apaixonadas.

Não era exatamente assim que ele o tratava?

Taylor mordeu o lábio, sentindo a insegurança voltar. Talvez fosse razoável evitar apaixonar-se perdidamente pelo ruivo. Ao menos por enquanto. Só por segurança. “Como se eu conseguisse controlar isso”, Taylor pensou nervoso. Bem, não custava tentar. Mas como faria isso? Não indo para a cama com Damien tão cedo?

“Não dá! Quando ele me beija tudo que eu quero é...” Taylor preferiu não completar aquela frase que, certamente, terminaria com “abrir as pernas e implorar”.

Ele passou no restaurante de Camille e encontrou Tim quase se sentando para comer.

— Tim! – Abraçou o irmão. – Vamos almoçar lá na casa do Damien. Pegamos a comida e levamos para lá... – Disse, sentindo-se um pouco culpado ao ver o irmão. – Fiquei meio ocupado nesse final de semana, mal conseguimos nos falar...

— Tudo bem. Eu estive dando algumas aulas particulares também e fiquei bastante ocupado. – Tim balançou levemente a mão em um sinal de que não havia importância e abraçou o irmão de volta. – Mas... Você e o ruivo não estavam brigados? Foi ele que te ocupou no final de semana?

— É... – Taylor riu sem jeito, colocando a mão na nuca. – Eu e ele meio que... Nos entendemos. Estamos juntos. – Corou de leve. – É loucura, eu sei. Mas eu acho que estou apaixonado por ele.

Tim arregalou os olhos e estava prestes a felicitar o irmão e pedir para que ele contasse como isso aconteceu, já que a fama de Damien pela cidade não era nada boa, mas Camille se aproximou dos dois e deu um abraço de mamãe ursa em cada um.

— Meninos, eu tenho uma intimação para os dois! – Ela disse em seu habitual tom animado. – Estamos organizando um festival para arrecadar fundos para o orfanato. Foi ideia do John. Ele falou com a gente semana passada e nós amamos a ideia. Nós vamos vender algumas cestas de piquenique e vocês têm de ser da equipe. Todas as mulheres da cidade estão loucas para botar as mãos no médico e no novo professor. Elas vão se estapear querendo comprar as cestas de vocês e vão subir os lances. Já até imagino! Claro que estamos aceitando sugestões de como fazer o festival e vender as cestas, então a opinião de vocês é mais do que bem vinda!

— Arrecadação pro orfanato?! Que legal! Isso me lembra que tenho que passar lá de novo. Teve umas crianças que não vi no outro dia. – Taylor lembrou, agitado. Estava cheio de trabalho! A partir daquela semana, ele também começaria a fazer algumas visitas domiciliares, pois alguns pacientes mais velhinhos e doentes tinham dificuldade de ir até a clínica. Agora que já era mais conhecido e havia ganhado a confiança deles, teria essa concessão. – Será uma espécie de leilão? Quem comprar a cesta leva o dono da cesta para um piquenique? – Taylor perguntou para ver se havia entendido direito. – Que meigo. – Se divertiu com a ideia.

— É uma ideia boa! Levar o dono para um piquenique! Vou sugerir isso ao John e aos outros organizadores – Camille disse empolgada. – Vai ser por uma boa causa. Vocês têm de participar.

— Hum, se é pelo bem do orfanato... – Tim respondeu timidamente. Ele estava animado em ver como era um festival no interior, mas seu jeito retraído não permitia que as pessoas percebessem seus sentimentos.

— Eu e o Tim vamos adorar participar! – Taylor falou entusiasmado. Ele adorava uma boa bagunça, e seria divertido ver o leilão. – Eu também posso tocar e cantar. Isso me lembra minha época de faculdade, eu vivia fazendo pequenos shows em bares junto com uns colegas nos primeiros semestres! – Comentou. – Hei! Poderia ter um concurso de karaokê! Quem quisesse concorrer, teria de se inscrever e pagar uma taxa. Arrecadaria mais dinheiro! E junto um concurso da cesta mais bonita! Isso animaria muita a gente a participar, não? Só não sei quais poderiam ser os prêmios... Mas poderia ser algo simbólico, no estilo “melhor cozinheira de Canmore”. Bem, aí as cestas teriam de ser feitas com coisas caseiras. – Refletiu.

— Taylor, querido, você está tendo ótimas ideias! – Camille apertou as bochechas do médico como se ele fosse um dos seus netos. – Nós vamos ter uma reunião amanhã no final da tarde no orfanato. Apareçam por lá! – Disse em um tom mais de “vocês devem ir!” do que de “vão, por favor”. – E quem você acha que vai ganhar o prêmio de “melhor cozinheira?” – Ela perguntou sem nenhuma modéstia arrancando risinhos dos dois. Camille ficou satisfeita por conseguir arrancar um sorriso, mesmo pequeno, de Tim. Aquele menino era tão quieto que às vezes ela sentia como se ele fosse ficar invisível de repente. – Você vão almoçar? Vou arrumar uma mesa bem aconchegante para os dois.

— Ah, outra hora, Camille. Na verdade, acabo de convidar o Tim para almoçar junto comigo lá com o Damien... Ele ainda está se recuperando da gripe que ele pegou e é melhor continuar em casa. Mas vamos levar a comida! – Taylor falou, torcendo para que Camille não entrasse muito na questão dele e Damien. O que era difícil, pois, até onde ela deveria saber, os dois continuavam brigados.

— Damien está gripado? – Camille perguntou preocupada. – Aquele menino! Como pôde ficar doente e não ligar para mim? Mas ele está melhor? Você cuidou dele? – Ela emendou um monte de perguntas, mas logo ergueu as mãos para impedir que Taylor começasse a responder. – Você me conta outra hora. É melhor levar a comida logo. Ele não pode ficar sem comer. Do jeito que aquele corpo dele é grande, vai precisar de três vezes mais comida pra ficar bom logo. Vou na cozinha separar e trago já! – E saiu sem nem dar a chance de Taylor tentar responder.

— Ela me deixa zonzo. – Tim comentou.

Camille trouxe a comida pouco depois, junto com um monte de recomendações e beijos nas bochechas dos dois como despedida. Eles saíram do restaurante e foram caminhando lado a lado em direção à casa do ruivo.

Taylor assobiava pelo caminho.

— Então, nosso pai vai chegar no meio da semana? Sabe, acho que ele e Camille vão se dar bem. – Taylor comentou. O pai dos dois era outra figura.

— Sim. Pensando um pouco eles se parecem um bocado. – Tim comentou enquanto franzia a testa levemente. – O pai também me deixa zonzo de vez em quando... E me tira do sério em outras. Sem nós dois por perto ele deve ter aproveitado pra comer todo tipo de porcaria gordurosa. Eu até tentei controlar quando você estava fora, mas ele comia escondido. Pior que criança. – Suspirou. – Ele vai reservar um quarto lá no hotel em que eu estou já que não dá pra gente ficar na clinica com você.

— Aquele velho safado. – Taylor revirou os olhos, depois acabou pensando... Damien tinha uma casa enorme, e ali estava seu irmão, precisando pagar por um hotel. Seu pai também não ficaria muito na cidade. Talvez, se pedisse com jeitinho ao ruivo... Acabou sorrindo empolgado com a ideia. – Eu estou morando com o Damien de novo. – Taylor falou, passando o braço pelos ombros do irmão outra vez.

— Sério? Vocês já estão sérios assim? Ow! Pela fama dele jamais imaginei... – Tim começou a dizer, mas colocou a mão sobre a boca. – Desculpe.

Taylor murchou um pouquinho.

— Na verdade, isso me deixa um pouco... Assustado? Não é essa a palavra. Mas ele tem mesmo uma fama terrível. Mas... Ai, droga, eu ‘tô mesmo morrendo de insegurança. Sabe, os únicos dois namorados que já tive me deram um pé na bunda, você deve se lembrar. E agora me meto com um ex-hétero galinha? Parece que a qualquer momento ele vai me dar um pé na bunda também. – Suspirou. Era bom ter o irmão para desabafar suas inseguranças.

Ok, ele tinha Sam, mas Sam tinha uma visão enviesada, afinal, era muito amigo de Damien.

— Foram dois idiotas que não souberam valorizar a pessoa maravilhosa que eles tinham. – Tim disse com a voz firme enquanto passava o braço em volta da cintura do irmão e eles continuaram andando ainda mais grudados. – E o que você sente quando está com o Damien? Você realmente sente que ele pode te chutar? Eu ouvi falar muitas coisas sobre o ruivo e não posso fazer nenhum discurso defendendo ele porque não o conheço, mas ele não parece ser do tipo que te dispensaria. Ele foi atrás de mim porque queria te ver feliz! Uma pessoa que só quer dar uns beijos e transar não faria isso.

Taylor riu sem jeito. Seu irmãozinho era realmente muito fofo.

— O que sinto quando estou com ele? Bem, digamos que minhas pernas derretem, e meu coração quer saltar pela boca. Sabe, mesmo já tendo namorado antes... Com ele tudo parece mais intenso. – Admitiu com um sorriso meio bobo, meio envergonhado. – E... Eu não sei... Ele realmente parece sério, mas eu tenho medo de acreditar totalmente e depois quebrar a cara. É idiota, eu sei. Nunca me senti inseguro dessa forma antes.

— Eu sinto um pouco de inveja, sabe. Eu amei muito a Emily, mas eu não sentia todas essas coisas por ela. Faltava algo, sabe? – Tim disse em um tom triste, principalmente pela saudades da namorada que sempre fora sua melhor amiga. Mas logo tratou de afastar esse tom da voz, pois Taylor poderia voltar a ter ideias e pensamentos errados sobre o acidente que vitimou a garota. – O que eu posso dizer, mano, é pra você aproveitar. Eu sei que vai doer se ele não estiver sério, mas a vida é tão curta pra gente ficar com medo. E se ele te fizer sofrer... Ele vai ver que eu não sou tão calmo quanto as pessoas pensam que eu sou. – Completou com a sua melhor expressão de ameaça.

Taylor soltou uma risada pelo nariz e abraçou-se mais ao irmão.

— Você é tão fofinho! – Disse e apertou uma das bochechas dele. – Você tem razão. Vou tentar não pensar nisso. Se eu quebrar a cara, bem... Já estou acostumado. E, sobre a Emily... Admito que ouvir isso me dá mais esperanças de que você vai encontrar outra pessoa para amar e sentir todas essas coisas. Ela sempre deixará um espaço vazio, mas... – Taylor parou de falar, ou ele próprio começaria a chorar. Aquele era realmente seu ponto fraco. – Chegamos. – Forçou um sorriso e abriu a porta da casa de Damien.

Imediatamente, gemidos vieram do lado de dentro. Taylor só não ficou branco por causa da pele achocolatada, mas ele definitivamente perdeu um pouco de cor. Por um momento, imaginou que era Damien que estava na sala, arrancando gemidos femininos de alguma garota. Mas, quando avançou para dentro, pronto para receber a punhalada no peito, ele deparou-se com seu “ídolo” no maior amasso com uma mulher cujo rosto não conseguiu ver direito.

— Mas o quê...? – Perguntou atarantado, entre o alívio e a surpresa.

Tim pendeu levemente a cabeça para o lado reparando em como o loiro estava em cima da mulher e como ele parecia bem animado. Ele já havia visto aquele cara em algum lugar, mas não lembrava onde. Como professor, sempre foi péssimo que ele fosse tão ruim fisionomista.

— Entramos na casa certa? – Perguntou confuso. – Eu já vi aquele cara em algum lugar...

— É o Devon Moreau! Meu Deus, Tim, às vezes me pergunto em que mundo você vive! – Taylor falou exasperado, enquanto Devon caía do sofá após o susto do flagra.

O ator gemeu enquanto se levantava.

— Vocês moram aqui? Se estão procurando o Damien, ele está lá no quarto escrevendo. Viemos garantir isso. – Devon falou após se levantar, e apontou com o polegar por cima do ombro o corredor dos quartos. – Hei! – Ele exclamou ao ver Tim. – Você é o cara que nem sabia meu nome! – Disse exasperado, apontando então para o mais novo.

Tim cruzou os braços sobre o peito.

— Como se fosse crime não saber quem você é! – Disse enfadado. Agora ele lembrava. Era o cara que apareceu no orfanato.

— Que raios de confusão é essa? – A voz de Damien ecoou pelo corredor e, poucos segundos depois, ele apareceu na sala. – Taylor! – Exclamou feliz ao ver o médico, mas ele parecia mais interessado em encarar Devon com os olhinhos brilhando. Enciumado, o ruivo foi até Taylor e o agarrou pela cintura, puxando-o para perto dele e lançando um olhar do tipo “Você tá querendo apanhar de novo?!” pra cima do ator.

Devon ergueu as mãos para o alto.

— Não fiz nada! – Disse inocente.

— Damien, deixa eu ir pedir um autógrafo. – Taylor tentou se soltar para ir até o ator. No fundo, queria ter uma chance de abraçar ‘seu Henry’, já que no orfanato não havia tido a chance.

— Quê? Como assim pedir autógrafo dele? Ele só repete as falas que eu escrevo no roteiro! – As orelhas de Damien estavam vermelhas de raiva e ele aumentou o aperto em volta da cintura de Taylor para impedi-lo de sair de perto dele.

Taylor olhou admirado para o ruivo ao perceber que ele estava realmente irritado. Teria rido, mas se controlou.

— Damien... – Disse um pouco manhoso, acariciando o rosto dele com uma mão. – É só um autografozinho... Você sabe que de quem eu sou realmente fã é você...

— Eu realmente não sei por que você quer tanto um autógrafo dele, mano. – Tim suspirou enquanto olhava para o ator e tentava entender o que Taylor via nele. – Vou ir colocar a comida na mesa. – Completamente indiferente ao que acontecia, passou por Devon sem dar a menor bola pra ele.

Fubá o seguiu atraído pelo cheiro da comida.

Gabrielle, por sua vez, olhava de um para o outro e ficava cada vez mais confusa.

— Damien, você atrasou os episódios porque estava atrás de um rabo de calça dessa vez? – Ela exclamou com os olhos arregalados. – O que aconteceu com o seu gosto incorrigível por peitões?

— Pois é, eu gosto do Taylor, gosto do café dele, da bunda dele, do pê... – ele começou a dizer, mas foi chutado na canela. – Enfim, ele é meu namorado! Alguma coisa contra, Gabi?

— Por Deus! Você sabe que eu não sou preconceituosa. Se fosse não andaria com o Devon! Mas você não pode jogar essa bomba assim e achar que eu vou sair dando pulinhos felizes por aí!

— Você não tem que dar pulinhos felizes por aí. – Damien resmungou. – Você é paga só pra revisar o que eu escrevo.

— Você é realmente um homem insensível. E pensar que eu havia dito para o Devon que eu poderia me... – Ela parou de falar e murmurou um “esquece”.

Taylor trincou os dentes. Ele ainda estava sensível com aquela história de 50% da população feminina de Canmore, e agora até mulheres de Toronto começavam a aparecer.

— Mais uma das suas conquistas? – Sussurrou para Damien de uma maneira nada amigável, estreitando os olhos. Que ótimo, agora toda a mulher entre 20 e 40 anos (ou mais, nunca se sabe) que fosse cumprimentar na rua já teria experimentado o seu namorado! – Me larga e me deixa ir pegar meu autógrafo. – Se afastou do ruivo e foi até Devon, cumprimentando-o propositalmente mais empolgado do que o normal, apesar para deixar Damien com mais ciúmes.

Por um lado sentiu-se terrível, por outro, chutou o balde: abraçou Devon e tirou uma foto com ele. Guardaria aquela foto com sua vida.

— É sempre ótimo encontrar meus fãs! – Devon falou simpático e com o peito estufado.

Damien entrou na cozinha bufando de raiva. Se ele pudesse voltaria lá e atiraria aquele ator imbecil pela janela, mas infelizmente se fizesse isso Devon não seria muito tolerante e o denunciaria na delegacia por lesão corporal.

Mas Taylor não tinha nada que ficar se derretendo todo pra cima dele!

— Meu irmão conseguiu o autógrafo? – Tim perguntou e quase matou Damien do coração no processo. Ele havia esquecido que o “cunhado” estava na cozinha.

— Acho que sim. Não fiquei pra ver. – O ruivo respondeu emburrado.

Tim ergueu a sobrancelha, estranhando o tom de Damien, mas continuou desembalando a comida como se nada tivesse acontecido.

— Meu irmão me contou. – Tim disse após alguns minutos de silêncio.

— Contou o quê?

— Sobre vocês dois.

— Sério? O que ele disse? – Damien se arrumou na cadeira e encarou o rapaz cheio de expectativa, mas só recebeu um olhar do tipo “Você acha mesmo que eu vou falar o que o meu irmão disse?” e o ruivo murchou de novo.

— Só quero dizer uma coisa: se você fizer o meu irmão sofrer, vai se entender comigo! – Tim disse tentando parecer perigoso.

Damien engoliu em seco. Era lógico que o ruivo tinha o triplo de força e poderia derrubá-lo antes que ele tentasse encostar um dedo, porém Damien jamais encostaria um fio de cabelo no irmão do cara por quem estava apaixonado. Taylor jamais o perdoaria. Então, tratar Tim como rei era uma prioridade e por isso a ameaça surtia efeito.

— Eu jamais farei o Taylor sofrer. – O ruivo começou a dizer, meio incerto de como poderia externar tudo o que estava sentindo. – Eu sei que você deve pensar que eu sou a última pessoa que o Taylor deveria escolher para se relacionar. Às vezes eu penso a mesma coisa. Ele é tão incrível! Não entendo o que ele pode ter visto em mim. Mas eu sou egoísta e quero ele só pra mim... Não sei o que vou fazer se um dia ele perceber que está com o cara errado. Eu amo ele demais. Esse período em que estivemos brigados foram as piores semanas da minha vida...

Os lábios de Tim se entreabriram pela surpresa. Não havia como duvidar que Damien realmente amava o seu irmão e estava tão inseguro quanto ele naquilo tudo.

“Ok, não tenho com o que me preocupar. Uma hora ou outra eles vão parar com essa bobagem de insegurança”, Tim disse satisfeito por perceber que Taylor não poderia estar em melhores mãos.

— Tudo bem. Vamos almoçar. – O menor falou enquanto começava a se servir.

Damien suspirou. Aquele rapaz era muito, muito, muito complicado. Depois de tudo que ouviu era só isso que tinha a dizer? Mas o ruivo achou melhor não contestar e começou a colocar a comida em um dos pratos.

Na sala, Taylor estava enchendo os ouvidos de Devon sobre o quanto amara todos os filmes dele, e como adorava a atuação dele em “A Man’s Death”, chegando em alguns momentos a tentar imitá-lo. Bem, sabia que era ridículo, mas não era sempre que se encontrava um dos atores mais famosos da atualidade sob o mesmo teto!

— Você deveria ir assistir às gravações algum dia! Já que está namorando o Damien... – “E quem diria.” Devon pensou. – Terá acesso fácil! E, claro, eu te dou uma ajudinha pra entrar se o ruivo lá não gostar muito da ideia. – Cochichou para o médico.

Os olhos acastanhados de Taylor brilharam de emoção.

— Seria incrível! – Sentiu-se como um menininho ganhando o presente do papai Noel mais cedo.

“Wow! Ele tem um sorriso lindo.” Devon pensou admirado, mas logo afastou o pensamento. Não deveria tocar nem o mindinho nele, ou receberia muito mais do que um simples soco de Damien. Talvez o ruivo realmente matasse Henry caso desse muita atenção ao rapaz.

— Acho que eu e Gabrielle vamos sair para almoçar, então... – Disse, querendo escapulir antes que Damien reaparecesse na sala e lhe desse uma voadora. Seria bom se não estivesse por perto quando Taylor comentasse do convite para assistir às gravações.

— Bobagem! Eu trouxe um monte de comida! – Taylor replicou.

— Nós agradecemos, mas eu estou me sentindo um pouco sufocada – Gabrielle interviu. Não queria ter que almoçar com Damien depois de ele ter sido um completo trasgo com ela. Tudo bem que era seu trabalho revisar o que ele escrevia, mas ela se considerava pelo menos uma colega dele e não uma completa estranha como ele dera a entender. – Nós vamos dar uma volta pela cidade e voltamos mais tarde. Se você puder, faça o Damien voltar a escrever depois que ele terminar de almoçar. Nós estamos realmente passando um momento muito complicado por causa do tempo em que ele ficou sem enviar os roteiros.

— Ah, tudo bem... – Taylor lembrou da moça apenas ao escutá-la falar. Bem, obviamente ele não tinha nada contra ela. Não seria antipático por ela ter tido algo com Damien antes, não era imaturo a esse ponto. Damien era o culpado por ter sido tão galinha! – Prazer em conhecer vocês dois. Até depois então... Tentarei fazer o Damien escrever. – Guiou-os até a porta por educação.

Devon deu seu cartão ao médico antes de sair.

— Me liga quando for visitar os estúdios! – Piscou e saiu dali rapidinho antes que fosse flagrado. Ele realmente não queria experimentar o gancho de direita do ruivo de novo.

Taylor pegou o cartão todo sorridente e guardou-o no bolso. Quando chegou à cozinha, quase pisava em nuvens. Conhecera seu ator favorito e ainda iria conhecer os estúdios e assistir à gravação de um episódio! Que sonho!

— A vida é maravilhosa ou não é? – Perguntou enquanto pegava o que restava para organizar a mesa.

Damien já estava mal humorado e só ficou três vezes pior ao ver Taylor todo feliz daquele jeito.

— Não estou vendo nada de maravilhoso. – Resmungou antes de enfiar uma quantidade generosa de comida na boca. – Eu quero matar o Henry... Só não decidi se vai ser tiro, incêndio ou afogamento.

— Você não vai fazer isso. – Taylor disse, sentando-se à mesa e se servindo. Porém parou e olhou para o ruivo. – Não vai, vai? Você me deixaria triste se fizesse isso... – Jogou baixo. Era seu seriado e personagem favoritos, oras! – Eu amo o personagem que você criou... – Esticou a mão e fez um carinho leve no braço dele.

E lá se foi todo o ímpeto de Damien para resmungar, brigar e falar mal de Devon. Era só Taylor tocá-lo daquele jeito, fazer aquela cara de desolação, que ele esquecia tudo e só pensava em fazer o namorado voltar a sorrir.

— Não. Eu não vou matá-lo. – Falou em um tom mais brando.

Tim sorriu de leve enquanto balançava a cabeça. Damien já estava completamente nas mãos de Taylor e nem percebia isso.

— Mas ele vai levar um tiro! – Exclamou determinado, fechando uma mão em punho. – Ops. Spoiler!

— QUÊ?! Não! – Taylor falou horrorizado. – Onde?! De quem?! Não...! Meu Henry! – Falou desesperado e aproximou a cadeira da de Damien. – Não, amor, não faz isso. – Segurou o braço do ruivo com as duas mãos e encostou o queixo no bíceps dele, olhando-o com uma expressão de cachorrinho triste mais convincente até do que a de Fubá, que agora saracoteando embaixo da mesa atrás de algum pedacinho de comida.

Ele estava jogando muito baixo.

A mente de Damien meio que entrou em curto depois que Taylor o chamou de “amor”. Tanto foi que ele nem se incomodou pelo médico ter-se referido ao personagem como “meu Henry”. O ruivo abriu um sorriso bobo e aproximou o rosto do dele.

— Talvez eu pense no seu caso depois de um banho juntos. – Sussurrou provocante.

Tim engasgou com comida e começou a tossir.

Taylor sentiu as bochechas quentes, sorriu sem-jeito, mas se afastou, já que o irmão pareceu, obviamente, constrangido com a sugestão do ruivo.

— Já que você está tão condescendente com o que eu peço hoje... O que você acha de deixar o Tim ficar aqui na sua casa pelo resto do tempo que ele continuar em Canmore?! – Taylor sugeriu empolgado. – Deve ser o quê? Mais um mês, mano? – Olhou para Tim. – A casa é enorme. Uma faxineira tem vindo limpar para manter limpa... Não tem sentido você continuar pagando por um quarto na pousada.

— Mais ou menos isso. – Tim ainda estava se recuperando do acesso de tosse e tomou alguns goles de água. Com certeza ouvir o namorado do irmão pedir para os dois tomarem banho juntos foi informação demais e o pobre rapaz estava sentindo o rosto arder de tanta vergonha.

— A casa é grande e eu sei que você vai ficar feliz com ele por aqui então tudo bem. – Damien respondeu, mas aí pensou um pouco e completou. – Devon e Gabi também vão ficar uns dias. Minha casa tá virando uma pensão.

— Eu não quero incomodar. – Tim disse sem jeito.

— Está tudo bem. Sério. Se eu for chutar alguém daqui vai ser o Devon e a Gabi.

— Devon vai ficar aqui também?! – Os olhos de Taylor brilharam. – Eu tenho uns amigos em Ottawa que se morderiam de ciúmes. – Soltou uma risadinha maldosa de brincadeira. – Obrigado por deixar o Tim ficar. – Completou, pegando a mão do ruivo, dando um beijinho nela e, enfim, começou a dar atenção à comida em seu prato.

Damien resmungou por causa da animação de Taylor ao saber que Devon ficaria também. Ele precisava levar o namorado urgentemente para o banho e fazê-lo esquecer daquele ator folgado! E depois chutar Devon de casa sem dó nem piedade.

— Eu vou ficar de castigo sei lá por quantos dias por causa dos episódios que eu atrasei. Aquela carrasca não vai largar do meu pé. Quando eu voltar pra academia vou me sentir todo enferrujado. E a tia Camille vai me matar por ter passado tantos dias sumido.

— Eu me sinto quebrado até hoje da academia. – Taylor comentou, comendo apressado. – Hoje de tarde vou fazer umas visitas domiciliares. Volto cedo. Podemos ir jantar na tia Camille hoje. Será que por uma horinha a “carrasca” te deixa livre? – Perguntou.

— Se ela não deixar, eu fujo pela janela e te encontro lá. – Damien afirmou sorrindo, pegou a mão de Taylor e levou aos lábios.

— Ótimo! – Taylor estava cheio de energia. – Vamos, né, Tim?

— Tá. – Tim respondeu enquanto levantava para lavar o prato. – Vou passar no hotel para fechar a conta.

— Ok, eu vou tirar um cochilo! – Damien disse após um bocejo.

— Nem pensar! – Taylor o beliscou na barriga. – Você tem que ir escrever, senão... Sem banho mais tarde. – Sussurrou a última parte para que Tim não escutasse.

Damien arregalou os olhos e saiu praticamente correndo da cozinha.

Com certeza o ruivo passaria a tarde escrevendo loucamente.

XxxX

Devon se sentou numa das praças de Canmore, observando a vista. Aquela cidadezinha entre as montanhas era muito bonita, parecendo aqueles lugares turísticos que são usados para cartão postal. O clima ameno e fresco, naquela época do ano, era muito gostoso também. As pessoas eram simpáticas e muitas vieram cumprimentá-lo, pedir autógrafo e foto. Principalmente os mais jovens. Ainda que ele tenha recebido uns beijos na bochecha de algumas senhoras de mais idade.

Apesar de tudo muito lindo e agradável, o loiro estava morrendo de tédio. Ele jamais daria certo morando numa cidade pequena. Ele precisava do abalo, das festas, dos eventos, da loucura da cidade grande e da agitação de seu trabalho. No entanto, era bom pegar alguns dias para relaxar. Ainda mais com uma companhia bonita e energética como Gabrielle.

A morena estava comprando dois cachorros-quentes como almoço para eles (segundo ela, ela nunca havia comido um cachorro-quente, o que deixou Devon muito assustado e ele insistiu para que ela experimentasse). Foi nesse meio tempo que ele viu o garoto negro de jeitinho tímido, que definitivamente deveria viver no mundo da lua para não conhecê-lo, descendo a rua carregando duas malas.

Devon se levantou e foi até ele por puro impulso. Talvez o fato de que Tim (era Tim?) não lhe desse a mínima bola o instigasse a chamar a atenção dele quando o via. Ao alcançá-lo, tirou a mala maior e mais pesada da mão dele.

— Precisando de ajuda? – Perguntou.

Tim levou um susto quando uma das suas malas foi tomada das suas mãos e, por um segundo, ele pensou que fosse um ladrão, mas logo viu que não. Afinal estava em Canmore e cidade mais tranquila que aquela não poderia existir.

— Ah, é você. – Murmurou sem emoção alguma na voz. – Eu posso levar sozinho. – Disse enquanto estendia a mão para pegar a mala de volta.

“Que garoto apático!” Devon pensou contrafeito e não devolveu a mala. Ainda conseguiria arrancar alguma reação mais animadora dele!

— Você está indo embora? – Perguntou. – Só espera a Gabrielle e te acompanhamos até onde você vai.

— Eu estou indo para a casa do Damien. Meu mano pediu para que eu fique lá com ele esse mês. – Tim explicou. Enquanto falava, uma garota se aproximou e praticamente pulou em cima de Devon. Parecia que aquele loiro atraía o povo como luz atraía mariposas.

— Devon, seu cachorro quente. – Gabi se aproximou naquele momento.

— Como você pode dar cachorro quente para Devon Moreau! Ele só merece comer o que de melhor puder ser encontrado! – A garota, que ainda estava agarrada em Devon, exclamou horrorizada.

— Pois é, queridinha, isso aqui foi o de melhor que eu pude encontrar no momento e é isso ou passar fome. – Gabrielle respondeu sem querer começar uma briga, mas já começando. – E ele não gosta de meninas baixinhas... – Disse em tom de quem faz confidência. – Não adianta ficar agarrando desse jeito.

— Fui eu que pedi pelo cachorro quente. – Ele explicou para a garota antes que ela abrisse a boca e continuasse a briga. – Gosto das coisas simples da vida. – Sorriu para ela, cuidadosamente se livrando do abraço. A menina ficou tão derretida que nem pareceu se importar.

— Se quiser experimentar outras coisas boas da vida, me avise. Eu moro na casa do lado da escola da cidade. Uma amarelinha... Meus pais estão viajando esse final de semana! Transar com Devon Moreau seria um marco de vida! – Ela sussurrou a última parte, completamente empolgada e, como a adolescente inconsequente que era, saiu correndo pela timidez da confissão.

Devon suspirou e depois riu.

— Meus pais estão viajando esse final de semana? – Ele repetiu em tom de pergunta, incrédulo. – Eu poderia ir preso se me metesse com uma menina dessa idade! – Exclamou e depois olhou para Tim. – Se eu fosse pra cama com você também, eu acho. Quantos anos você tem, afinal?

Tim sentiu sua pele esquentar com a fala do loiro. Não sobre a idade. O rapaz já estava acostumado a que pensassem que ele era mais novo do que realmente era, mas sim pela insinuação de ir para cama com ele.

— Eu tenho 24! – Exclamou um pouco ofendido. – E eu não sou gay! E mesmo que fosse não iria pra cama com você! – Afirmou com convicção.

— Vinte e quatro?! – O queixo de Devon caiu e ele deu uma boa analisado em Tim. Era baixinho, esguio e tinha lábios largos e grossos. Céus, beijar aquela boca macia e carnuda parecia muito gostoso. E se ele sorrisse e mostrasse aqueles dentões brancos, ficaria tão lindo. O loiro realmente desejou conseguir arrancar uns sorrisos e risadas dele. – Eu nunca diria... – Depois pensou um pouco mais. – Você é como um desafio. Eu gosto de desafios. – Sorriu.

O menor sentiu o rosto arder ainda mais e ele tinha certeza que a qualquer momento Devon perceberia que estava como um tomate. Ele abriu e fechou a boca várias vezes tentando encontrar uma resposta, mas nada parecia bom o bastante para mandar aquele loiro pastar.

Naquele meio tempo, Gabi começou a rir.

— Alguém que não gosta do Devon! Céus! Vai chover meteoritos! – Ela disse entre risadas. – Não deixe ele te enganar, querido. Esse aí é pior que o Damien.

Tim pigarreou e endireitou o corpo.

— Como eu disse, eu não sou gay. Ele pode aparecer como veio ao mundo na minha frente que eu não vou sentir nada. – Garantiu.

— Isso é uma aposta? – Devon retorquiu, divertindo-se. É, era uma novidade deparar-se com alguém que não estava nem aí para ele. Era diferente... E o diferente lhe atraía.

Ele mordeu o cachorro-quente enquanto admirava o rapaz ganhar alguns tons mais fortes de vermelho-escuro.

Tim bufou, deu as costas para o loiro e começou a descer a rua. Talvez ele devesse ter recusado a oferta de ficar na casa de Damien quando soube que Devon também ficaria por lá. A personalidade daquele loiro era detestável! E ele ainda era pior que o Damien? Pois aí mais um motivo para que Tim ficasse bem longe dele.

— Gostei dele. – Devon disse todo animado, começando a seguir os passos do mais novo, acompanhado de Gabrielle, que lutava para se acertar com o cachorro-quente. Mesmo com as duas mãos livres, ela se lambuzava mais que Devon, que estava com uma das mãos ocupadas pela mala de Tim.

— Eu já te disse pra tomar cuidado, Devon. – Gabi o alertou. – Esse menino é irmão do namorado do Damien. Se você fizer qualquer coisa, o Damien corta o seu pênis fora sem dó nem piedade.

— Preocupada com meu pênis, Gabizinha? – Perguntou numa brincadeira maliciosa. – Eu sei, eu também sentiria saudades dele.

— Eu sei que vou me arrepender de dizer isso, mas... Seria uma grande perda para humanidade – Ela respondeu teatralmente.

Devon riu de Gabrielle. Era por isso que adorava essa garota! Ela sempre entrava na brincadeira.

Tim ouvia os dois conversando e girou os olhos. Além de tudo, aquele loiro era egocêntrico!

— Hei! – O ator chamou Tim. – Bela bunda! – Provocou, implicando.

Tim se xingou baixinho por sentir que estava corando de novo e continuou andando como se não tivesse ouvido nada.

Notas finais
A casa do Damien virando casa da mãe Joana com esse monte de gente hospedada lá hauhauhauhauhuauhauha Mas ele bem que curte o movimento... só não admite xDD E será que tivemos o nascimento de um novo casal nesse capítulo? Devon e Tim... Isso se o Damien não arrancar o amigo do Devon do meio das pernas antes hauahuahuaua Beijos, pessoal! Bia Yuuji.