Notas iniciais
Olá! Primeiro, estou atrasada nos reviews, mas juro que irei respondê-los! Enfim... xD Chegamos ao derradeiro final! Obrigada de coração a todos que chegaram até aqui! Foi muito gostoso compartilhar essa história com todos vocês, principalmente pelo feedback tão amor que recebemos! Foi graças a esse feedback que eu e a Bia decidimos "continuar a franquia" dos Acasos do Amor! Hoje termina Café, mas amanhã à noite a Bia irá postar o primeiro capítulo de "Cinema, Livros e Outros Acasos do Amor", que segue com a história de Timothy e Devon e outros dois novos casais. Fiquem de olho, não deixem de aparecer por lá! E, claro, não deixem de nos dizer o que acharam do final desta história e, se gostarem e acharem que mais gente deveria ler, recomendem, para que mais pessoas a leiam no futuro! Obrigada, e boa leitura! . Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=YUFs_1vKYlY

Algum tempo depois...

Damien gemeu ao olhar toda aquela algazarra no seu jardim. Era seu aniversário e Taylor disse que não deixaria passar em branco. Geralmente o ruivo se trancava dentro de casa, longe de tudo e de todos, não querendo receber parabéns de ninguém, mas naquele ano Taylor decidiu que ele iria comemorar com a família e ponto final. O ruivo só queria entender onde raios John entrava como “família”. É, o administrador do orfanato estava lá. Com Sam.

Depois do estouro de raiva no festival, Damien foi pedir desculpas ao loiro. Falou que esperava estar errado em relação ao que pensava sobre John e que iria apoiar o amigo independentemente de quem fosse o traste que ele resolvesse namorar. Obviamente Damien levou uns petelecos por chamar John de traste, mas no final da conversa Sam estava chorando e agradecendo o apoio. E o ruivo, tal como disse, não pediu desculpas a John. Só soltou na cara dele um: “Se você magoar o Sam, traste, eu não vou te matar, mas juro que você vai desejar que eu tivesse matado, porque eu vou te bater tanto que você vai sentir o que é dor de verdade!”.

Damien também não entendia onde Gabrielle e Devon entravam como família. Sim, os dois ainda estavam lá comendo e dormindo de graça na casa do ruivo. Tia Camille, Carl, Dakota, Phil, Oliver e Charlie também estavam presentes. Tia Camille puxou as orelhas do afilhado com tanta força por ter escondido sobre seu trabalho por tantos anos, e pela forma absolutamente sem consideração através da qual ele contou a verdade que Damien ainda sentia dor até hoje. Mas depois que o ruivo pediu desculpas, ela o abraçou toda chorosa, falou que estava orgulhosa por ele não ser apenas um dorminhoco pegador de mulher, e que queria que Henry terminasse casado com Clarisse no final do seriado.

— Eu sou um homem sério agora, tia, nada mais sair pegando todo mundo. – Damien afirmou enquanto segurava Taylor pela cintura. – Sou só de um cara agora.

— Acho bom! Acho bom! E eu vou fazer questão de fazer o bolo de casamento! – Tia Camille disse enquanto apertava as bochechas dos dois.

Tudo resolvido, agora estavam na festa de aniversário de Damien e o ruivo gemia desgostoso ao ver Oliver, Phil, Davi e Theo correndo pela grama com Fubá e Charlie tentando acompanhá-los. Ele continuava não gostando de muitas crianças no mesmo lugar. E ainda mais estragando a sua grama verde e bem cortada.

— Pare de resmungar pelos cantos, vai afugentar seus convidados. – Taylor lhe falou cochichando em seu ouvido e entregando um copo de suco ao namorado.

— Eu espero ser muito bem recompensado mais tarde. – Sussurrou em resposta.

Taylor revirou os olhos e se afastou antes que o ruivo começasse a falar safadezas com crianças por perto. O médico havia comprado um conjunto de roupas e um casaco bonito para o namorado, mas também preparara uma comemoração a dois para mais tarde. Talvez aquela história de Taylor com morangos e chantilly se concretizasse. Não que ele fosse contar isso para Damien agora.

Em outro canto da festa, Devon bebia de uma cerveja artesanal e tentava encontrar Tim naquele meio de gente. Quando o achou conversando com Max, que felizmente se afastou para ir cortejar a Dona Camille, o loiro se aproximou do professor.

— Você continua brabo comigo. – Foi uma afirmação.

Tim cruzou os braços sobre o peito em uma postura defensiva. Ele tentou e conseguiu fugir de Devon naqueles dias em estavam “morando” juntos, mas sabia que uma hora ou outra o ator conseguiria pegá-lo sozinho. E, só para piorar a situação, o rapaz não estava conseguindo olhar muito para o ator porque acabava por se lembrar de uma coisa... Tim assistiu, escondido, a todos os episódios do seriado. Em um deles, Devon protagonizou uma cena quente, em que aparecia completamente nu de costas, e a maldita cena ficava se repetindo na cabeça de Tim deixando-o todo vermelho.

— Eu nem lembro mais o que aconteceu. – O professor retrucou enquanto virava o rosto. – Como estaria brabo por algo que eu nem lembro mais?

— Ótimo! – Devon não se deixou abalar. Ele raramente era de se estressar, brigar, ou o que fosse. Havia um sorriso quase constante em seu rosto. – Então isso quer dizer que iremos nos ver em Toronto?

As sobrancelhas de Tim subiram com aquele sorriso “brilhante” de propaganda de pasta de dente que Devon lhe oferecia. O que havia dito era pra ter sido um fora, mas, ao que parecia, o ator entendeu como um “está tudo bem entre a gente”.

Tim suspirou e levou uma das mãos à nuca.

— Você não tem mil mocinhas para salvar em filmes em Hollywood? Acho que não vai ter tempo pra um reles professor...

— Acho que alguém está com problemas de autoestima... É a segunda vez que você se chama de “reles professor”. Com certeza você é muito mais inteligente e culto do que eu. – Devon se inclinou para mais perto, mirando-o atentamente. – Definitivamente tem cara de inteligente.

Tim piscou seguidamente antes de sentir o rosto entrar em chamas. Devon estava perto demais! O menor deu um passo para trás para se afastar, mas tropeçou em um toco e só não caiu porque Devon foi rápido suficiente para segurá-lo.

— Me... Me solta. Eu não sou uma das suas mocinhas em perigo. – Resmungou enquanto colocava as mãos no peitoral dele para empurrá-lo, mas seu corpo não estava respondendo às ordens do seu cérebro.

— Calma, só ‘tava querendo ajudar... – Devon o largou com cuidado. – Enfim, eu queria me despedir, tenho um voo no final da tarde de volta a Toronto e preciso pegar a estrada com a Gabrielle. Esse é meu número de celular pessoal, se algum dia você quiser entrar em contato, sei lá. Nem vou pedir o seu porque sei que não irá me passar. Mas se precisar de alguma coisa... Me liga. – Entregou um cartão e piscou para o mais novo, antes de se afastar. Ele cogitou quanto tempo demoraria para Tim colocar o cartão no lixo. Mas, bem, não custava tentar.

Tim segurou o cartão enquanto observava, com os lábios entreabertos, Devon seguir outro caminho. O professor sabia que nunca ligaria para ele, mas acabou guardando o cartão no bolso.

“Não é como se eu fosse realmente vê-lo, mas vou guardar... Como uma lembrança para ficar longe dele no caso de encontrá-lo!”, pensou emburrado enquanto caminhava até a mesa de quitutes e começava a encher o prato com tudo o que via pela frente.

– Nossa, você é do tipo “magro de ruim”, né? – Tim levou um susto ao ouvir a voz de John ao seu lado. Ele nunca havia trocado muitas frases com o namorado de Sam.

— Felizmente eu e o Taylor não puxamos o lado da família do nosso pai nisso. – Tim continuou enchendo o prato. – E não dá pra ignorar a comida da Tia Camille... Ainda mais de graça.

— Isso é verdade. – John sorriu enquanto também pegava um prato e começava a colocar alguns salgadinhos para Sam.

Quando voltou para a mesinha que ocupava com o loiro, estendeu o pratinho para ele. Davi estava passando correndo por ali e pegou um dos salgadinhos.

— Davi! – John chamou a atenção dele. – Se quer comer, vai lavar as mãos!

— Não é como se a gente tivesse colocando a mãos em porcaria, tio! ‘Tamo bem limpinhos! – Phil respondeu e roubou um salgadinho também. John grunhiu pelo “tio” e pelo exemplo que aquele moleque estava dando ao seu filho.

— Eles são tão fofos. – Sam suspirou emocionado, com uma mão sobre o peito. – Davi deu sorte de encontrar um amiguinho como o Phillip.

— Fofos? – John exclamou irado. – Esse moleque está transformando o meu filho em um delinquente!

— Ora, se ele não virou um delinquente sob a sua influência, John, não é por conta de um pobre menino de seis anos que irá. – Mirian se aproximou naquele momento da mesa. Estivera conversando com algumas amigas, mas é claro que ela não deixaria John em paz por muito tempo.

— Mãe! – Sam a censurou, mas Mirian apenas abanou a mão e bebeu do champagne que Marcus havia lhe dado um pouco antes.

Ela e Sam tiveram uma briga séria por conta do início daquele namoro. Sem cabimento algum! Segundo ela. Mas frente ao choro do filho, ela acabou cedendo e disse que o apoiaria se isso o faria feliz. É claro que isso não incluía tratar John bem. Ela parecia adorar se vingar do moreno (que tinha de escutar tudo calado) pelos anos em que falou tantas barbaridades ao seu amado filho.

Mirian era uma “mãe furacão” e John apenas colocava o rabo entre as pernas quando ela estava por perto.

Sam segurou a mão do namorado.

— Você sabia que no festival o Phillip protegeu o Davi de uns garotos maiores que estavam implicando com ele? – Defendeu o “delinquente”. Queria ver John ter argumentos contra isso.

— Ele... O quê? – John murmurou enquanto olhava para o filho que corria e sorria enquanto Phil tentava pegá-lo. De alguma forma, aquilo que Sam disse fez com que o moreno olhasse para o menino de uma forma diferente. – Davi nunca me conta nada. Ele não me disse que estavam implicando com ele. Isso faz com que eu me sinta um péssimo pai.

— Em alguma coisa concordamos. – Mirian murmurou, mas fez uma cara de inocente quando Sam a fuzilou com o olhar. – Ah, eu vou pegar mais champagne. – Ela se afastou.

Sam voltou a olhar para John, apertando-lhe a mão.

— Ignore minha mãe, ela só faz isso pra implicar com você. E o Davi é novo, mas ele já é muito maduro em alguns aspectos. Ele guarda as dores dele para não causar preocupação. É um bom menino... Porque tem um bom pai. – Piscou para John.

Sam havia conseguido conversar com Davi sobre o assunto. Deu trabalho, porque Davi insistia que não era nada demais. No entanto, quando ele desabafou, caiu no choro no colo do loiro. Ao fim, pediu que Sam não contasse nada para o pai. Sam não contou sobre os desabafos, principalmente porque, segundo Davi, seu novo amiguinho Phillip vinha mantendo os bulinadores longe.

— Você sempre tentando fazer com que eu veja algo de bom em mim mesmo. Foi assim também quando o Davi fugiu. – John sorriu enquanto colocava a mão sobre a coxa do loiro. – E naquela época eu não merecia nem um pouco das suas palavras de consolo. Eu já pedi mil vezes, mas me desculpe por tudo o que eu falei de ruim no passado... Quando eu fico com ciúmes, falo sem pensar e muitas vezes o que eu falei era porque estava morrendo de ciúme já que pensava que você tinha um caso com o deso... Digo, o Damien. – Estava na casa do ruivo e, além disso, Damien tinha um emprego que fizera questão de esfregar na sua cara.

— Tudo bem... Você já pode parar de pedir desculpas, sabe. Depois da septuagésima vez, eu já te perdoei. – Sam brincou. – Mas só porque eu sou muito compreensivo e bonzinho.

John pegou a mão do loiro e a beijou.

— Vou pegar mais uns salgadinhos. O Tim disse que não podemos ignorar a comida da Dona Camille... Ainda mais sendo de graça. – O moreno falou sorrindo. – Depois eu vou me matar de tanto correr pra manter esse corpo que você tanto gosta... – Sussurrou próximo à orelha do loiro. – E, claro, você vai me ajudar a gastar essas calorias na cama também.

— Tarado. – Sam lhe mostrou a língua, mas depois a passou pelo lábio inferior, mordendo-o em seguida, de pura provocação. Riu com o “não me provoque” que John sussurrou antes de se afastar.

Nisso, ele recebeu uma ligação. Era Scott.

— Oi... – Sam atendeu receoso. Fazia algum tempo que não falava com o ex-rolo.

— Sam, podemos conversar? – Scott perguntou. – Tipo, agora.

— Agora? Eu estou na festa de aniversário do Damien, Scott... – Sam disse num tom que deixava claro que era impossível nesse momento.

— Por favor, Sam. Eu estou perto da festa. Me encontre no pátio de trás. – Ele pediu e desligou.

Sam resmungou baixinho, mas acabou se levantando e seguindo até lá com intuito de colocar um ponto final definitivo e bem claro no que ele e Scott haviam tido. Encontrou Scott esperando-o no gramado.

— Toda a cidade está comentando... – Scott falou quando se aproximou, indo direto ao ponto. – Você e John...

Sam desviou o olhar.

— Toda a cidade não ter nada a ver com minha vida pessoal. Nem com a de John.

— Então é verdade? – Scott segurou o braço do loiro. Parecia chocado e triste ao mesmo tempo. – Você e aquele homofóbico idiota?

— Scott... Nós não temos mais nada. Foi legal o que tivemos, mas-

— Legal? – Scott riu, e sorria de uma forma mais triste ainda agora. – Eu te amo, Sam.

Sam abriu e fechou a boca, espantando com a declaração...

John estranhou quando não viu Sam na mesa. Deixou o prato com os salgadinhos lá e foi procurar o loiro. Assim que o viu conversando com o mesmo cara do estacionamento do barzinho, o sangue de moreno pareceu virar gelo nas veias e um medo incontrolável tomou conta dele. Sem fazer barulho, se aproximou e ouviu a declaração do homem. Ele cerrou os punhos e quis ir até lá para quebrar o nariz daquele idiota outra vez, mas suas pernas pareciam ter virado chumbo. Aquele cara tinha a mesma idade de Sam e não carregava a mesma bagagem com dois filhos que John carregava. Além disso, todos na cidade já haviam deixado bem claro o quanto desaprovavam os dois, a mãe de Sam, principalmente, deixava todos os dias bem claro o quanto não o queria com o filho dela.... John sabia e sentia que Sam o amava, mas talvez ele fosse fardo demais para o loiro carregar. Então ficou quieto, com o coração na mão, enquanto esperava pela resposta de Sam.

— Scott... Eu... Desculpe, mas... Eu não sinto o mesmo. O tempo que tivemos foi bom, mas agora acabou. Me desculpe. – Balançou a cabeça, puxando o braço. – Eu amo o John. Pode parecer loucura para a maioria das pessoas, mas é o que eu sinto. E dificilmente irá mudar.

— Sam, não... Escuta. – Scott foi insistente. Parecia um pouco desesperado então. – Esse cara só vai te machucar, como ele sempre fez. Ele-

— Sai de cima dele, imbecil! – John disse enquanto saía do “esconderijo”. Ouvir Sam afirmando com todas as letras que o amava e que isso não mudaria fez com que todas as dúvidas e medos virassem pó. – E se você não deixá-lo em paz, eu vou quebrar o teu nariz outra vez! – Ameaçou e foi até Sam, puxou-o pela cintura de uma forma possessiva e encarou Scott com os olhos estreitos.

Scott pareceu ficar realmente irritado dessa vez, não retrocedendo como da outra vez, em que levou um soco de John.

Ele avançou e segurou o outro braço de Sam, tentando puxá-lo de volta.

— Eu não sei que lavagem cerebral você fez nele, mas é impossível que ele te ame depois de tudo! — Scott pareceu rugir, em vez de falar.

John trincou os dentes e empurrou o outro com força, mas infelizmente aquele idiota era forte demais e nem se moveu.

— Eu não fiz lavagem nenhuma. Ele me ama e eu o amo! É simples assim. E mesmo que a cidade inteira esteja contra a gente, a gente vai ficar junto!

— Como você pode dizer que o ama depois de tudo que fez? — Scott ainda segurava o braço de Sam.

De repente, o loiro se sentiu como um cabo de guerra. Deus, que irritante aquela briga de músculos e testosterona!

— Chega! — Sam gritou. — Scott, pare! John não deve explicações a você. As que ele tinha de dar, ele deu a mim, e apenas a mim. Eu já disse que entre nós acabou!

Scott olhou magoado para o loiro, que também se sentiu mal por ser tão rude, mas se deixasse aqueles dois continuarem, eles acabariam aos socos e poderiam estragar a festa de aniversário de Damien.

— Eu só espero que você não se arrependa disso depois. — Scott murmurou, largando-o. — Eu vou seguir minha vida... Não te incomodarei mais. Mas se algum dia precisar, me procure.

Dito isso, ele se afastou, deixando John e Sam sozinhos, ouvindo apenas os sons vindos da festa.

Uma veia saltou na testa de John e ele só não foi atrás do imbecil porque acabaria por estragar a festa do ruivo, e ele estava tentando ser um cara legal e não criar confusão.

— Me procure... Me procure... – Repetiu as palavras de Scott enquanto enfiava as mãos no bolso. – É por isso que eu não posso tirar os olhos um segundo de cima de você. Talvez você devesse tatuar o meu nome bem na lateral do pescoço, aí vão ver que você não está disponível!

Sam exalou o ar, mas acabou sorrindo. Ele abraçou o moreno, colocando os braços ao redor do pescoço dele.

— Talvez eu devesse me casar com você, aí todo mundo vai ter certeza de que não estou nem um pouquinho disponível. — Murmurou. É, fora ele quem havia fugido do assunto quando John tocou nele, mas depois das últimas semanas, ele percebeu: não queria sair do lado de John pelo resto de sua vida. E quem sabe assim as pessoas entendessem que estavam sérios e os deixassem em paz?

John segurou os braços do loiro e o afastou devagar para fitá-lo.

— Você está falando sério? Ou é só coisa de momento pra me deixar menos irritado? – Perguntou em um tom esperançoso.

— Hmmm... Talvez um pouquinho dos dois? Eu ia deixar para falar em um momento mais romântico, mas te deixar mansinho também pareceu uma boa ideia. Não é você que adora domar seu potrinho? Então, também estou no direito de domar o meu garanhão. — Sam brincou, mordendo o cantinho do lábio com uma expressão traquinas, enquanto passeava o dedo indicador pelo peitoral do moreno.

John puxou Sam de encontro ao peito e colou a boca na dele de uma forma um pouco rude e desesperada. Enquanto o beijava, suas mãos foram parar nos glúteos do loiro e John o puxou para cima fazendo com que ele enrolasse as pernas em volta de sua cintura. Só depois de uns bons minutos o moreno percebeu que estavam em um lugar não muito apropriado para fazer aquilo, mas mesmo assim, quando interrompeu o beijo, não colocou Sam imediatamente no chão.

— Eu prometo que você não vai se arrepender disso, potrinho. – Garantiu com a testa colada na dele.

Sam estava todo esbaforido e vermelho após aquele beijo. É, John sempre conseguia domá-lo direitinho.

— Vou cobrar essa promessa. — Murmurou.

John o colocou no chão, e então eles voltaram ao gramado do casarão de Damien.

Uma comoção parecia estar acontecendo por lá...

XxxX

Damien estava tentando ficar concentrado na conversa do sogro. Não que fosse chata ou algo assim, mas o ruivo não conseguia parar de pensar se, mais tarde, quando estivessem sozinhos, Taylor iria ou não dar o presente que ele havia pedido. Com certeza não era legal ficar pensando em coisas safadas quando estava diante do pai de seu namorado, porém Damien não estava conseguindo controlar.

Até que, distraído, ele olhou para o portão. O muro era baixo e ele conseguia ver quem quer que passasse pela rua. E o que ele viu foi uma mulher loira olhando para o jardim com um misto de curiosidade, tristeza e receio.

— Só um minuto, Max, já volto. – Damien disse enquanto levantava para ir até o portão. O ruivo viu Taylor levantando da mesa em que Sam estava com John e os filho e se aproximando também.

Ao alcançar o portão, Damien percebeu que a mulher estava empurrando um carrinho de bebê, mas ele não conseguiu ver dentro já que a parte para proteger do sol estava estendida cobrindo o interior.

— Damien... – Ela disse um pouco sem jeito. – Parece que não vim em um bom dia.

— Hum... Bruna? – Perguntou meio incerto.

— É Rebeca. – A loira disse após um suspiro.

— Desculpa. Nunca fui muito bom em guardar nomes... – Damien pediu totalmente sem graça.

— Sim, eu sei. E também sei que o aconteceu entre nós foi apenas uma coisa de uma noite e eu não pretendia nem aparecer na sua frente, mas forças maiores me obrigaram a isso.

O ruivo a olhou sem entender bem aonde ela estava querendo chegar com aquela conversa. Até que um chorinho veio de dentro do carrinho que ela empurrava. Damien arregalou os olhos quando Rebeca se inclinou e tirou de lá uma bebê. Uma bebê ruiva! O cabelo dele, os olhos de Rebeca...

— Ah, não! Não me diz que isso é o que eu ‘tô pensando que é...! – Damien exclamou desesperado e falou tão alto que atraiu a atenção de todos na festa.

Tia Camille, Dakota e Carl se aproximaram para ver o que estava acontecendo. As mulheres exclamaram vários “Own! Que linda!” e Carl bateu nas costas de Damien enquanto soltava um amigável: “Bem vindo ao meu mundo!”.

A bebê ainda choramingava um pouquinho quando Rebeca começou a embalá-la. Logo, ela foi parando de chorar.

— Damien, essa é a Riley. Ela é sua filha.

Riley estava balbuciando alguma coisa na sua língua de bebê, parou, olhou para Damien e deu um sorriso desdentado e extremamente adorável.

— O mundo ‘tá girando, ‘tá ficando escuro... – Damien gemeu enquanto levava uma das mãos rosto. A menina era sua cara misturada com a de Receba! Damien nem precisava pedir um teste de DNA porque era tão óbvio que cegava. – Como isso aconteceu? – Ele estava com vergonha de admitir, mas não lembrava muito bem da noite em que essa criança foi concebida.

— A camisinha estourou... – Receba encolheu os ombros.

— Ah! Eu lembro! Mas você disse que estava tomando anticoncepcionais! – O ruivo acusou.

— Eu estava... Mas não funcionou como deveria. Às vezes acontece, eu sou meio esquecida e às vezes atraso o horário de tomar.

— E o que você quer? Pensão? Por que não veio de uma vez assim que soube que estava grávida?

Rebeca o olhou bastante ofendida.

— Eu não quero pensão! Se eu quisesse teria vindo bem antes. Como eu disse, eu não planejava aparecer na sua frente nunca, mas eu consegui um emprego como jogadora de basquete em outro país e não posso levá-la comigo. É tudo novo e estranho, e eu estarei completamente sozinha. Como poderia confiar em um estranho de outro país para cuidar de uma bebê tão pequena? Ela só tem seis meses! Não posso fazer isso com ela. Deixá-la abandonada o dia inteiro com alguma babá. Eu me afastei do basquete durante um ano por conta dela, mas não sei fazer outra coisa da vida... Por isso, depois de muito pensar, eu resolvi trazê-la para deixá-la com você.

— Não... Isso não ‘tá acontecendo. Não agora. – Damien murmurou desesperado. Naquele tempo todo, ele não teve coragem de olhar para Taylor. Justo agora que estava tudo bem entre eles, que estavam juntos... Aparecia uma filha? E se Taylor não aguentasse isso e quisesse terminar? – Eu nunca quis ter filhos! Eu nem sei como cuidar! Eu não vou conseguir. É demais pra mim isso...!

Riley, alheia ao desespero do pai, batia as palminhas e murmurava coisas como “ba ba la bu!”.

Taylor havia se aproximado também. Ele escutou o desespero do ruivo, mas seus olhos estavam pregados na bebê. Ela era a coisinha mais bonitinha do mundo! Taylor já havia visto muitos bebês extremamente fofos, mas aquela menina bochechuda e de cabelos alaranjados superava todos.

Ele se aproximou dela e fez um carinho na bochecha. A menina agarrou-lhe a mão e tentou levá-la à boca.

— Posso pegar no colo? — Ele perguntou à mãe da bebê.

Rebeca olhou de Damien para o desconhecido parecendo em dúvida do que fazer, mas acabou assentindo e entregou Riley nos braços dele. A bebê olhou para Taylor com grandes olhos curiosos antes de sorrir para ele.

— Ela é sempre assim. Vive sorrindo de tudo. – Rebeca disse com carinho e princípio de lágrimas nos olhos. – Vai ser muito difícil para mim ficar longe dela, mas... Ela vai estar com o pai então sei que ficará bem. E, sempre que possível, eu virei visitá-la e, quando ela ficar mais velha, poderá me visitar na Espanha. Mas, se de alguma maneira, você achar que ela será um incômodo na sua vida, Damien, eu a levarei comigo. Não quero deixá-la com quem não a quer. Riley merece todo o amor que há nesse mundo.

Damien continuava mudo e completamente travado.

— Não vai ser incômodo, como poderia...? – Taylor perguntou, um de seus dedos ainda bem preso pela mãozinha pequena de Riley. – Eu sou namorado do Damien. Sou médico, então entendo bem de bebês e crianças. Ela estará em boas mãos, e você não apenas pode, mas deve vir visitá-la sempre que possível. – Taylor decidiu pelo ruivo. Pela maneira que ele estava petrificado, não conseguiria falar muita coisa tão cedo de qualquer forma. — Você não quer pegar sua filha, Damien? — Taylor se aproximou do ruivo, sorrindo, com a bebê nos braços.

Rebeca arregalou os olhos com aquela informação. Como assim aquele homem era namorado de Damien? Era chocante demais! Quando se envolveu com o ruivo, ela sabia das consequências de terminar com o coração partido. Todas as amigas avisaram para ficar longe dele porque ele não conseguia ficar com uma mulher só e agora ele aparecia com um namorado? Não que isso fosse fazê-la mudar de ideia sobre deixar Riley com ele, porém ainda assim era extremamente chocante.

— Nã... Não! Ela vai quebrar! – Damien exclamou amedrontado, encolhendo-se.

— Não seja bobo, Damien. É só segurar com carinho e com jeito – Tia Camille o incentivou. Ela já adotara Riley completamente em seu coração.

— Ih... Ele não vai segurar não. Lembra quando os gêmeos e a Charlie eram bebês? Ele nem chegava perto. – Carl lembrou.

— Quem é essa? – Charlie perguntou toda enciumada.

— É a sua priminha, querida. – Tia Camille respondeu.

— Ela ‘tá babando. – Charlie disse emburrada como se fosse uma coisa muito feia.

— Eu estou com todas as coisinhas dela no carro. Deixei estacionado um pouco mais atrás. Não havia lugar aqui na porta. Eu deveria ter desconfiado que estava acontecendo alguma comemoração e voltado outra hora. – Receba disse em um tom de culpa. – Mas eu realmente não podia mais protelar. Minha passagem está marcada para alguns dias... Eu já até trouxe os papéis assinados em que eu deixo a guarda dela toda para você, Damien.

Taylor deu um jeito de colocar a bebê no colo de Damien. Ele a pegou completamente desajeitado, ficando duro, de olhos arregalados, como se por qualquer movimento ela fosse mesmo quebrar. O médico acariciou uma das bochechas do namorado, fazendo com que o olhar dele encontrasse o seu.

— Eu vou adorar ficar com ela enquanto a mãe dela trabalha em outro país... Vamos dar um jeito, Damien. É o melhor para a sua filha. — Ele se aproximou um pouquinho mais e sussurrou: — Se está com medo que eu te deixe por causa disso, esqueça. Eu nunca te deixaria, nem mesmo se dez mulheres aparecessem aqui com um filho seu.

Mesmo completamente em pânico por estar segurando aquela coisinha tão mole e frágil, Damien não conseguiu conter uma risada ao ouvir Taylor falar aquilo. Riley se animou toda ao ouvir a risada do pai e começou a dar pulinhos no colo de Damien, deixando-o apavorado outra vez.

— Eu tenho certeza que não saí por aí deixando filhos em todo canto. – Damien afirmou sério. Ele sempre foi muito paranoico com uso de camisinha e controle de natalidade. – Realmente nunca me passou pela cabeça ter um filho... Ela é tão pequena. – Murmurou enquanto olhava para menina que estava começando a se aconchegar e piscar os olhinhos mais demoradamente, indicando que o sono estava chegando. – Tudo bem, Rebeca. Eu vou cuidar dela. Você pode vir vê-la quando quiser e puder.

A mulher sorriu e começou a agradecer sem parar, enquanto enchia o ruivo e Taylor de recomendações. Carl se ofereceu para ajudar a pegar as coisas da bebê. Taylor convidou Rebeca para aproveitar o resto do dia ali com eles, para poder se despedir de Riley por um tempinho a mais. E Damien, andando bem devagar, como quem pisa em ovos, foi voltando para a mesa onde Tim, Max, Sam, John, Devon e Gabrielle estavam.

— Minha nossa! Ela é linda! É sua, Damien? – Tim perguntou enquanto levantava de um salto e corria para segurar a mãozinha estendida da menina. Eles estavam sentados longe da confusão e não ouviram o que Damien falou com Rebeca. O ruivo nem soube como Sam não correu até lá para saber o que estava acontecendo.

— Pois é. – Damien disse sem jeito. – Acabei de ganhar uma filha. E o Taylor também, por tabela.

— AI ELA É TÃO FOFA!!! — Sam gritou, mas depois colocou a mão sobre a boca ao ver a menininha de olhos arregalados. — Desculpa, florzinha. — Ele disse e começou a fazer cócegas nela, que se riu toda. — John, ela não é linda!?

— Sim, ela é muito bonitinha... – John se limitou a responder.

— Bonitinha? – Damien estreitou os olhos.

— Bem, ela parece muito com você... – O moreno encolheu os ombros.

Damien bufou e resmungou enquanto tentava impedir a bebê de puxar os cabelos de Sam.

Houve muita comoção depois. Todos queriam ter um momento de atenção da menina. Porém, depois de tanto se agitar e Riley pareceu esquecer de todo o sono, sorria e ria de tudo e todos.

Quando ela acabou parando no colo de tia Camille, enquanto brincava também com Max, Taylor foi conversar com Rebeca, que parecia feliz por a filha ter um lar amoroso como aquele na sua ausência, mas triste com a perspectiva de deixá-la.

— Mandaremos emails e fotos quase todos os dias, falando como ela está. — Taylor colocou a mão num dos ombros de Rebeca, tentando confortá-la. Triste, ela abraçou Taylor.

— Obrigada. Percebi que se não fosse por você, Damien não teria aceitado. — Ela sussurrou. — Fico tranquila em saber que ela estará em boas mãos.

— Venha visitar com frequência, ok?

Ela assentiu e se afastou do médico. Depois, virou-se para Damien, que se aproximara, e o abraçou também.

Damien ficou um pouco sem jeito por estar sendo abraçado por uma ex na frente de Taylor e manteve as mãos bem longe.

— Eu vou cuidar bem dela. – O ruivo garantiu. – E se eu tentar mimá-la demais, o Taylor vai puxar as minhas orelhas.

Rebeca riu e concordou. Depois foi até Camille e Max, aproveitar mais tempo com a filha.

O ruivo suspirou e olhou para a cena, mil coisas correndo por sua cabeça.

— Nós temos que comprar um berço. E roupas. E brinquedos. E um tapete para ela poder ficar no chão. E fraldas... – Damien começou a falar sem parar.

Taylor riu do jeito ansioso e um pouco desesperado do namorado e o abraçou.

— Faremos tudo isso juntos. — Sussurrou na orelha dele.

Damien o abraçou de volta.

— Acho que o meu presente da noite foi para o espaço... Pelo menos enquanto não arrumarmos o quarto e um berço para ela. – O ruivo resmungou enquanto o apertava em seus braços. – Eu vi o chantilly escondido, mas estava me fingindo de cego. – Confessou.

— Safado! Ficou bisbilhotando! — Taylor lhe deu um tapinha. — Vamos ter que colocar um colchão no chão. Não dá pra dormir na mesma cama com a bebê. — Taylor olhou para Riley, agora nos braços de Max, e sorriu. Ele sempre quis ter uma filha... Bem, Riley não era sua e ele não sabia quanto tempo ficariam com ela. Mas estava louco para enchê-la de carinhos e cuidados. Pegou a mão do ruivo e sorriu para ele. – Bem, eu prometi cantar uma música no seu aniversário. E as crianças insistiram em me ajudar.

Damien o segurou pela mão com força e o olhou profundamente.

— Eu te amo, Tay. – Disse sério. – Você me tornou um homem melhor e eu estou com menos medo disso tudo que está acontecendo porque você está do meu lado.

— Eu também te amo. — Taylor falou, respirando fundo para não acabar com os olhos úmidos. — Em pouco tempo, você se tornou essencial na minha vida.

Eles se beijaram e depois, com uma piscadela, Taylor chamou a criançada.

— Hora da música! – Ele avisou, e de repente Phil corria para um lado, Oliver para outro, Davi tentava ajeitar o palco e Charlie se preparava para mostrar os passos de balé que aprendera.

Rindo, Taylor sorriu no palco improvisado e pegou o violão e ajeitou o microfone. Davi e Phil haviam arranjado uma bateria de brinquedo e treinado para aquele momento, fazendo dupla. Oliver estava aprendendo a tocar flauta e sentou cruzando as pernas, com a flauta a postos. Charlie parecia uma pequena princesa.

— Acho que essa música define como todos nós estamos nos sentindo hoje... Ou quase todos nós. Há tanta felicidade aqui hoje, tantos rostos felizes e, com uma surpresa tão agradável, acho que todos nós merecemos curtir o momento. Principalmente meu namorado, que está de aniversário. – Taylor sorriu para Damien. – Por mais momentos assim, eu canto essa música.

Os primeiros acordes começaram, a flauta de Oliver deu o clima. A música era calma e gostosa, como a maioria das músicas de Jason Mraz, o cantor favorito de Taylor.

If this life is one act

Why do we lay all these traps?

We put them right in our path

When we just wanna be free

I will not waste my days

Making up all kinds of ways

To worry 'bout all the things

That will not happen to me

So I just let go

Of what I know, I don't know

And I know I only do this by

Living in the moment

Living my life

Easy and breezy

With peace in my mind

With peace in my heart

With peace in my soul

Wherever I'm going

I'm already home

Living in the moment

I'm letting myself off the hook

For things I've done

I let my past go past

And now I'm having more fun

I'm letting go of the thoughts

That do not make me strong

And I believe this way can be the same

For everyone...

É... Com certeza, todos aqueles casais: Taylor e Damien, John e Sam, Camille e Max, Mirian e Marcus, Carl e Dakota, continuariam vivendo o momento, deixando para lá os problemas, brigas e medos do passado.

E quem sabe que outros casais os acasos do amor poderiam formar?

Notas finais
Terminar uma história é sempre uma sensação agridoce, que sabemos que deixará saudades. Porém Taylor e Damien, Sam e John ainda tem suas aparições especiais nas duas próximas fics dos Acasos do Amor! Ao menos isso, né? xD Bem, eu vou admitir que eu adoro clicar no botão "terminada" numa história, deve ser porque eu tenho tantas incompletas no meu perfil. UHASIUAJSIA Obrigada, e beijos, espero todos acompanhando Tim e Devon amanhã!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!