Café
1 Capítulo Único

Café
Capítulo Único
Written by Rocker
Café.
Como um único café pode mudar a vida de qualquer pessoa, isso ainda era um mistério para o jovem casal. Eles ainda paravam para pensar em como tudo isso havia acontecido, mas era muito para assimilarem racionalmente. Porque nada disso era algo racional. Era emocional. O sentido de um café para Lizzie e Christhian tomaram novas proporções. Não era apenas um líquido enegrecido, que pode ser tanto doce quanto amargo. Para eles, um café tornou-se um símbolo do quanto coisas simples têm o poder de modificar todo o nosso futuro. Mesmo que muito não percebam.
E foi com esses pensamentos que Lizzie atendeu o celular que, sem ela tivesse consciência, tocava pela terceira vez em menos de cinco minutos.
"Alô?" Ela perguntou, depois de balançar a cabeça para afastar sua linha de pensamentos e se concentrar no que a pessoa diria na linha.
"Lizzie?"
Ela ouviu a voz de Christian do outro lado do telefone e sorriu consigo mesma ao perceber que acabara de pensar nele. E seu sorriso aumentou ainda mais pelo apelido que ele mesmo lhe dera. Seu nome era Marie Elizabeth, e enquanto todos a chamavam apenas de Marie, Christian sentia-se no dever de criar outro apelido apenas dele. Não que ela reclamasse.
"Oi, Chris!" Ela disse animadamente. Receber uma ligação dele sempre fazia seu coração palpitar. "Já sentiu saudades?"
"Então, sobre isso..." Ele disse meio enroladamente e Lizzie quase podia jurar vê-lo corando. "Eu queria saber se não queria tomar um café comigo..."
Lizzie riu.
"Chris! Fomos ao cinema ontem!"
"Eu sei, eu sei, mas um café pra nós nunca é demais..." Ele deu uma pausa. "Além disso, eu já sinto sua falta."
Lizzie sentiu suas bochechas pegando fogo, mesmo sabendo que Christian não poderia ver.
"Tenho ou não tenho o namorado mais fofo do mundo?"
Ela brincou, mesmo corada como estava. Jamais perderia a oportunidade de vê-lo irritado por tê-lo chamado de fofo e isso foi comprovado quando ele bufou do outro lado da linha.
"Lizzie! Já disse para parar de me chamar de fofo!" Christian reclamou, mas, pelo seu tom de voz, Lizzie percebeu que ele tinha um sorriso no rosto.
Ela riu novamente. "E eu já disse que não vou deixar de te irritar! Te encontro aí em quinze minutos." Disse por fim.
"Até lá!"
E a ligação foi encerrada. Lizzie nem ao menos se preocupou em combinar um lugar exato, pois sabia que quando ele a chamava para um café, só havia um único lugar para onde se ir: a Starbucks que ficava a menos de cinco minutos de sua casa. Lizzie correu para seu quarto, e trocou rapidamente o pijama que usava por um jeans e uma camisa de sua banda preferida, AC/DC — outro marco importante para eles. Sempre que iam tomar um café, ela vestia essa camisa. Mal trancou a porta de seu apartamento e saiu correndo rua afora, em direção à Starbucks.
Passou pela porta de entrada e seus olhos rapidamente o procuraram pelo café, como sempre fazia. Não sabia se Christian já estaria numa das mesas ou se ainda estava por trás do balcão de pedidos, mas logo o notou sorrindo para ela, já retirando o avental e preparando duas xícaras de café expresso. Disse algo rapidamente com o outro garçom, Mike, e passou pelas pessoas que faziam seus pedidos, com as duas xícaras em mãos.
"Bom dia, meu amor." Disse Christian, se aproximando de Lizzie e dando-lhe um beijo suave sobre os lábios.
Lizzie, porém, formou uma carranca. "Não gosto quando me chamam de amor."
"Do mesmo jeito quando me chamam de fofo." Ele disse ironicamente, ainda sem se esquecer da conversa telefônica de minutos antes.
"Engraçadinho..." Lizzie reclamou, no mesmo tom. Depois olhou em volta, analisando o lugar. "Nossa mesa está ocupada?" ela perguntou a Christian, ainda ao seu lado, ao ver todo o movimento por ali.
"Não, deixei reservada depois do último cliente." Ele respondeu, se encaminhando até a mesa ao fundo, ao lado de uma janela, com Lizzie em seu encalço.
Lizzie olhou receosa para o balcão de pedidos, onde o movimento aumentara ligeiramente desde que chegara.
"Será que Mike não vai ficar muito sobrecarregado?" Ela perguntou, vendo o garoto loiro se esforçando para atender a todos, junto com outras duas garotas morenas. "Seus pais não vão reclamar?"
Christian abriu um sorriso reconfortante para Lizzie. "Não se preocupe, Liz. Meus pais sabem que só saio do meu período quando você chega e Mike disse que ele, Steffane e Laureen conseguiriam lidar com o movimento."
Lizzie suspirou, enquanto se sentava de costas para a parede e Christian se sentava à sua frente, colocando as xícaras sobre a mesa. Pegou um dos cachês do pratinho que tinha ali no canto, e mexeu um pouco de açúcar no café de ambos, mexendo rapidamente. Percebeu que Lizzie estava perdida em pensamentos ao ver um brilho sonhador em seus olhos verdes, e sabia que nesses momentos o melhor era permanecer calado. Já conhecia bem a namorada e sabia que seria difícil chamar sua atenção enquanto ela estivesse assim.
Lizzie estava realmente preocupada. Os pais de Christian eram os donos das redes de Starbucks por todo aquele estado, e foi um pouco difícil de eles aceitarem seu namoro com uma universitária. Não que ele não fosse, mas ele tinha desistido por um tempo do Curso de Administração até que ela o convenceu a retornar, para que um dia aquilo tudo fosse dele, como os pais queriam. Mas isso não queria dizer que eles gostavam que Christian saísse de seu turno de meio período na Starbucks mais famosa da cidade. Mas se ele dissesse que não tinha problema, ela não queria nenhuma confusão.
"Liz! Liz!"
Ela ouviu a voz de Christian a chamando, e balançou a cabeça para expulsar esses pensamentos. Sua visão voltou a tomar foco e viu os olhos azuis de Christian a olhando intrigado.
"Muito tempo fora do ar?" Perguntou ela, enrugando o nariz de uma forma que Christian sempre achara fofa. Não que ele admitisse a ele, pois sabia que Lizzie mexeria com ele.
Christian soltou uma risadinha leve depois de bebericar seu café. "Mais ou menos, mas depois de anos eu já me acostumei."
Lizzie sorriu, sabendo que Christian não se referia aos dois anos e meio de namoro, mas muito antes disso e ela acabou corando ao se lembrar. Para disfarçar o rubor que ele já percebera, ela bebericou seu próprio café, passando novamente o olhar pela cafeteria. O movimento diminuia aos poucos, e os três atrás do balcão respiravam mais aliviadamente. De repente, uma sensação de melancolia a atingiu e Christian percebeu a mudança em sua fisionomia. Já se tornara fácil distinguir a mudança de pensamentos dela.
"O que houve?" Perguntou ele, esticando a mão e apertando levemente a dela sobre a mesa.
"Eu não sei." Ela disse tristemente. "Parece que faz tanto tempo que nos conhecemos. E eu quase não me lembro..."
"E faz." Ele concordou. "Também não me lembro bem a primeira vez que você entrou aqui, mas eu me lembro do dia que eu finalmente tomei coragem de falar com você."
Lizzie sorriu, tomada pelas lembranças. "Verdade. Foi o primeiro Natal que eu passei sozinha."
"Eu ainda demorei pra me tocar de que você realmente estava aqui, e não com a família."
"É..." Ela concordou, sorrindo de forma sonhadora e entrando novamente em devaneios.
~*~ Dois anos e meio antes... ~*~
Marie Elizabeth entrou pela porta da Starbucks, não no mesmo horário de sempre. Desde que entrara para o colegial, muitos anos antes, ela vinha sempre no mesmo horário, umas três horas da tarde. Depois que entrara para o Curso de Arte e Design, continuara a vir no mesmo horário, aproveitando sua chance de colocar o horário das aulas pela manhã. Era estudiosa, e sempre amara ler. Não em silêncio, mas em algum lugar com um burburinho confortável e cotidiano. Ela, então, resolvera ir à Starbucks que havia próximo ao seu prédio, para aproveitar o tempo de leitura. Nunca ficara até muito tarde, mas aproveitava cada linha lida e cada segundo que passava na mesma cafeteria de cabelos negros e olhos azuis.
Ela ainda não sabia que ele se chamava Christian, e muito menos que ele era filho dos donos da rede de Starbucks, mas aos poucos ela havia se apaixonado pelo garçom que sempre a atendia todos os dias. Christian também. Aquela menina ruiva e misteriosa havia tomado seu coração sem mesmo que ele percebesse, e quando dava cerca de vinte minutos para as três, ele já se via procurando-a com o olhar pela cafeteria. Suportava por anos todas as brincadeiras de Mike. Na verdade, chegava até a sorrir quando ele dizia que ele ainda teria coragem de façar com ela. Mas nada o fazia sorrir mais quando ele e os outros o deixavam atendê-la. Christian ainda não entendia porquê ela nunca deixava colocar seu nome no copo de capuccino que ela sempre pedia, mas achava que isso dava um toque mais misterioso à garota. E ele percebia que ela lia sempre os mesmos cinco livros.
Aquele dia, porém, Christian não esperava vê-la ali. Ainda mais tão tarde. Era dia de Natal, e aqueles dias eram os menos movimentados da cafeteria. Ela entrara pela porta e fora até o balcão. Àquela hora, apenas Christian e Mike estavam ali. Christian tentara esconder a surpresa ao vê-la tão abatida e pedindo um café expresso ao invés de umcapuccino, mas Mike percebera. Ela havia se sentado na mesma mesa, mas tinha um livro diferente em mãos. Marie Elizabeth havia ganhadoO Morro dos Ventos Uivantesde Natal dos pais, que não poderiam passá-lo com ela dessa vez. Quando o café que ela bebia acabara, Mike fora recolher a xícara, e ela nem mesmo percebera, concentrada no livro.
Ele fora embora, juntamente com os últimos clientes, mas Christian ainda ficara, encarregado de fechar a cafeteria às onze. A Starbucks sempre fechava a esse horário na noite de Natal. Mas ele resolvera ficar por mais tempo, esperando que ela fosse embora. Não iria mandá-la ir — nunca! Nunca tinha mesmo nada para fazer durante o Natal e poder vê-la ali naquela noite já era como seu próprio presente particular. Mas não imaginava que ela quase dormiria ali. Christian estivera sentado por trás do balcão, observando-a atentamente, sem que ela percebesse, e ficou preocupado quando a via tombando momentaneamente a cabeça, sonolenta. Mas ela nunca parava a leitura.
Christian decidiu, então, finalmente tomar alguma atitude sobre isso. Tirou o avental de atendente, e preparou duas xícaras do mesmo café expresso que ela pedira antes. Respirou fundo duas, três, quatro vezes, sentindo seu coração a mil, e foi até ela. De primeiro momento, Marie Elizabeth não o viu ali. Por mais que ela já estivesse apaixonada por ele, queria ler aquele livro e estava bastante concentrada em não dormir por cima dele. Assustou-se quando ouviu o toque das xícaras sobre a mesa e os olhos azuis de Christian a observando da cadeira à sua frente.
"Melhor tomar alguma cafeína antes de desmaiar sobre o livro." Christian respondeu, um pouco corado, ao olhar questionar e intrigado que assumiu os olhos verdes.
"Obrigada." Marie Elizabeth sorriu, agradecendo, e bebericou seu café, sentindo-se um pouco melhor. "Na verdade, acho que cansei do livro por hoje." Ela completou, colocando ele sobre a mesa. Ele estava, na verdade, bastante interessante, mas não ia nunca perder a oportunidade de conversar comele.
"Posso ver?" Christian perguntou, apontando para ele.
Ele o pegou, após ver a garota assentir brevemente. Analisou rapidamente as folhas, sorrindo quando passou os olhos por sua parte favorita.
"É um ótimo livro, na verdade." Comentou ele, devolvendo o livro e fazendo ela abrir um grande sorriso. "Mas eu nunca a vi com ele aqui."
Marie Elizabeth enrubesceu. Não sabia que ele prestara tanta atenção nos únicos cinco livros que ela lia ali.
"Ganhei de Natal dos meus pais."
Depois de alguns segundos de silêncio, ela se pronunciou novamente.
"Qual seu nome?" Ela perguntou, ainda envergonhada.
"Christian." Respondeu ele, sorrindo depois de tomar mais um pequeno gole de seu café. "E o seu? Você sempre pede para não colocar o seu."
"Marie." Respondeu ela.
"Marie?"
"Marie Elizabeth, na verdade, mas muitos me chamam de Marie, mesmo que eu não goste muito." Respondeu ela, um pouco envergonhada.
"Posso te chamar de Lizzie, então?" Christian perguntou, e quando ela sorriu abertamente, respondendo que sim, ele sentiu seu coração dar um solavanco. Engoliu em seco discretamente, e retomou à conversa. "Então, Lizzie... Por quê está passando o Natal aqui sozinha?"
Lizzie sorriu tristemente. "Meus resolveram passar as férias na Austrália como uma segunda lua-de-mel e eu não quis atrapalhar. E como eu não queria passar sozinha em casa, vim pra cá pra ler o livro que eles me mandaram. E você?"
"Nunca tive nada pra fazer no Natal, já que meus pais estão sempre em conferências." Christian deu de ombros. "Faz faculdade de quê?"
"Artes e Design."
Christian pareceu verdadeiramente impressionado. "Artes e Design? Sempre pensei que fizesse ou Letras ou Jornalismo."
"Todo mundo diz a mesma coisa." Lizzie riu suavemente, e Christian podia jurar ouvir uma melodia. "E você? Faz algum curso?"
"Eu parei por um tempo com o de Administração."
"Administração?"
"Sim, meus pais querem que isso tudo um dia seja meu." Lizzie o olhou confusa e ele explicou melhor. "A rede de Starbucks pela região."
"Você é o herdeiro disso tudo? Por quê trabalha como garçom então?"
Christian riu da surpresa estampada no rosto dela. "É como um estágio. Preciso de dinheiro independente e se eu fizesse estágio de assistente, eu não ficaria familiarizado com quem realmente trabalha com a massa. Isso faz bem para os negócios e te deixa mais seguro dos empregados que contrata."
Lizzie ficou um tempo em silêncio, pensativa, até que se pronunciou. "Faz sentido."
E ambos riram e ficaram algum tempo bebericando o café expresso, sem nunca realmente quererem acabá-lo. Christian a observou atentamente, vendo um logotipo sobressaindo levemente do casaco marrom em que ela deixou aberto levemente ao sentir o aquecedor da Starbucks.
"O que foi?" Ela perguntou, encabulada ao ver que ele a analisava. Sentiu até certa decepção em seu peito, ao ver para onde os olhos azuis se direcionavam, mas ela devia saber que todo homem era igual.
"Isso é uma blusa do AC/DC?" Ele perguntou, encantado, e ela reprimiu um suspiro aliviado e um rubor nas bochechas.
"Sim, minha blusa preferida." Ela respondeu, e se encantou pelo sorriso que ele abriu.
"Hells Bellsé clássica." Christian disse e Lizzie arregalou os olhos, mas logo abrindo um sorriso de orelha a orelha.
"Também acho, mas nenhuma superaBack in Black."
"É, talvez." Ele disse sorrindo, mas então percebeu a atenção dela se desviando para algo lá fora. Christian seguiu seu olhar e percebeu o que era.
Neve.
E Lizzie parecia tão embasbacada com aquilo, que ele chegou a se impressionar.
"Nunca viu neve?" Ele perguntou, surpreso quando ela negou.
"Quando era época de nevar por aqui, eu estava viajando pelo mundo com meus pais. Nunca passei o inverno aqui." Ela respondeu, maravilhada com cada floquinho branco que descia até a calçada já branca e coberta.
"Venha." Christian disse, se levantando e estendendo a mão a ela.
"Tudo bem, espera só eu pegar o dinheiro para..."
Ele a interrompeu. "Nada disso. O café vai ser por minha conta."
Lizzie planejava retrucar, mas ao ver o olhar decidido dele, sabia que não ganharia qualquer discussão. Colocou o livro dentro da pequena bolsa que trouxera, e aceitou a mão estendida.
"Mas não vai atrapalhar em nada?" Ela perguntou, receosa.
Christian negou. "Eu devia ter fechado há umas duas horas atrás, e não vou deixar você passar o Natal sozinha."
Lizzie sorriu, ainda sentindo a mão quente dele sobre a sua. Quando terminara de apagar todas as luzes e trancar as portas da Starbucks, Christian a levou até uma ali perto, que estava coberta de gelo e neve. Lizzie sentiu sua infância se renovando, a cada guerra no gelo e cada boneco de neve que eles faziam pelo caminho. Em dado momento, Christian escorregou em uma poça congelada e levou Lizzie ao chão junto, quando esta o tentou segurá-lo. E o mundo parou quando se viram a centímetros um do outro. Christian observava os lábios levemente avermelhados pelo frio de Lizzie e ela, por sua vez, concentrava-se nos olhos azuis dele. Até que Lizzie finalmente sacia a vontade desesperadora que ela sentia desde que ele fora se sentar à sua mesa.
Lizzie se inclinou levemente sobre ele e tomou seu lábios. Não sabia jamais que a sensação dos lábios macios dele a levaria às alturas. E muito menos que Christian a enlaçaria pela cintura e retribuiria ao beijo com fervor e intensidade. O ar estava começando a faltar, mas nenhum dos dois queriam se separar; estavam envolvidos demais naquela bolha só deles e nenhum queria quebrá-la. Mas quando o ar se fez extremamente necessário, eles se separaram. Christian analisava o brilho nos olhos verdes e Lizzie olhava para os lábios inchados dele.
"Desculpa, eu..." Lizzie começou a se levantar, mas Christian apertou mais os braços ao redor de sua cintura e a impediu de se mexer.
"Não vai sair daqui tão cedo." Christian disse, abrindo um meio sorriso malicioso e viu um sorriso se abrindo nos lábios de Lizzie, antes que ele mesmo o desfizesse, tomando os lábios avermelhados nos seus.
~*~ Hoje ~*~
Lizzie acordou de suas lembranças e viu Christian à sua frente, olhando-a divertidamente.
"Sonhei de novo?" Ela perguntou, envergonhada.
"Já disse que me acostumei." Christian disse, se inclinando por cima da mesa e dando-lhe um beijo sobre os lábios. "E eu já disse que você fica linda assim."
"Já deu de me envergonhar, não é?!"
Christian riu e se levantou, estendendo a mão para Lizzie. Ela nunca mais hesitou nisso, e eles foram com os dedos entrelaçados para a neve que caía lá fora.
E, como da primeira e em todas as vezes desde então, deixaram para trás as xícaras com metade do café expresso.
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