Café, donuts e borboletas no estômago - Spideypool
4 Péssimo Dia
Ao chegar em casa extremamente cansado, porque a esperteza em pessoa chamada Wade, acabou se empolgando nas compras, e, por incrível que pareça não comprou nenhuma besteira… Ok, talvez uns dois, três… dez pacotinhos de miojo ou mais, na verdade, não se lembrava, pois quando entrou no corredor só viu sua mão deslizando sobre a prateleira, gostava de pensar que a culpa foi da promoção, mas essa não era a questão, e sim que após ter pagado as compras e empacotado-as, lembrou-se de um detalhe extremamente crucial: ele não tinha nenhum meio de transporte e, convenhamos, pegar um ônibus cheio de compras não era muito bom, então o que fez? Foi para casa de a pé. Terrível. Teve que parar várias vezes, pois as sacolas pesadas machucavam seus dedos. Da próxima vez faria compras aos poucos.
E então, além de estar de cansado, vinha a parte mais chata: guardar as compras. Uau! Wade nunca imaginou o quão chato seria ficar separando as coisas, cortar as carnes em pedaços pequenos, pois vivia sozinho, guardá-las em saquinhos e, sim, ele tinha se lembrado de comprar saquinhos porque se não ele estaria ferrado nesse momento. Era tão estranho ver sua geladeira cheia… tinha até salada, normalmente ela vivia entupida de cervejas, refrigerantes e pizzas, definitivamente estranho. E quando pensa em estranho logo sua mente é invadida pelos olhos castanhos de Peter.
“Ugh!” Wade sabia que vê-lo no mercado acabaria lhe assombrando depois. Céus, estava fodido. “Malditos olhos castanhos”, resmungou, passando a cortar a carne com mais… agressividade digamos assim. Sentia seu rosto queimar só de se lembrar da cena do mercado, ainda não acreditava que ficou conhecido aos olhos do outro como cliente envergonhado, era o fim da picada.
Com tudo cortado e separado, tratou de guardar o restante da comida. Suspirou, fazendo uma careta logo em seguida ao ver o estado da pia e de sua casa. Como queria que sua casa se limpasse magicamente, seria tudo tão mais fácil.
—x-
“Porra!”, gemeu ao se jogar na cama e sua coluna protestar devido ao esforço. Talvez devesse parar de acumular sujeira da casa para limpar tudo de uma única vez. Ninguém merece ficar passando a vassoura nos cantinhos do teto para tirar as benditas teias de aranha… Ou talvez a solução de seus problemas no quesito limpeza fosse comprar um aspirador.
“Seria maravilhoso”, murmurou com gosto, fechando os olhos em seguida, precisava de um descanso antes de ir tomar um banho. “Um mísero cochilo.” Como não tinha dormido, devido Peter invadir seus sonhos, com aquele bendito sorriso. Quando menos percebeu o cansaço tinha sido mais forte e adormeceu ali mesmo.
Quando seu despertador tocou às cinco da manhã, a primeira coisa que Wade viu e sentiu foi a sua cara no chão. “Mas que porra!” Ninguém merece acordar dessa forma, ao menos sua cama não era um box, porque se fosse, vish, talvez Wade passasse o dia na cama gemendo.
Levantou-se abruptamente e dirigiu-se até o seu banheiro, arrancando com agressividade suas roupas e entrando no chuveiro. É, Wilson começou muito bem o seu dia. E parecia que ele só melhorava a cada segundo, por quê?
Bom, após sair do banho, Wade conseguiu, de uma maneira graciosa, tropeçar no tapete do banheiro, dando de cara com a porta. Várias xingamentos foram proferidos, mas não parou por aí, após se vestir resolveu preparar o seu café da manhã e, adivinhem? Ele queimou os ovos.
“Eu não acredito”, balbuciou desacreditado. “Hoje não é o meu dia, só pode.” A questão era que Wade nunca queimou os ovos, tanto que até gostava na gema mole, ele apenas se virou para fazer o café e então seu ovo, instantaneamente, queimou.
Queria chorar. Não estava sendo de fato o seu dia, no fim, passou o restante do dia na cama. Tinha quebrado um copo, cortado o dedo. O que mais faltava acontecer? Tinha tanto medo da resposta que correu para o quarto e enfiou-se debaixo das cobertas. Adormecendo novamente… Certamente iria se arrepender disso mais tarde, mas fazer o quê? Estava tão exausto, não só apenas da faxina, sua rotina já era puxada então chegou num ponto que seu corpo acabou protestando e sucumbiu-se a ele.
—x-
Ele sabia que ia ser arrepender de ter dormido. Sabia! Agora estava ali, de pleno mal humor, numa segunda feira de manhã, às quatro e meia, preparando seu almoço — dessa vez não tinha esquecido —, tudo o que ele queria agora era o seu café, mas certamente isso não melhoraria seu bom humor, possivelmente nem mesmo o doce Peter.
Com tudo pronto, Wade finalmente partiu rumo ao Bittersweet House. Seu coração já palpitava e um pequeno sorriso brotou em seus lábios, mas não o suficiente para tirar a carranca de seu rosto. Tinha saído mais cedo, então nada de filas, tanto que ela começou a crescer depois de sua chegada.
E Peter estava lá, sorrindo para si e dizendo: “Bom dia”.
“Bom dia”, murmurou.
"Um machiatto para a viagem?", indagou, deixando Wade levemente surpreso por ele se lembrar do café de sua preferência.
Wade ficou levemente envergonhado e sorriu de canto para disfarçar. "Dessa vez vou querer um expresso bem forte e sem açúcar, por favor."
O acastanhado elevou a sobrancelha, curioso. “Não começou bem o dia?” Wade piscou surpreso com a pergunta.
“Ah...” Desviou o olhar enquanto o viu preparar o café. “Desde ontem”, murmurou por fim. Quando Peter se virou para si entregando o café, perguntou: “Como soube?”
“Hum? Bom, a maioria das clientes tendem a pegar expresso por vários motivos, uns gostam, mas é raro, outros porque o dia começou com o pé esquerdo e tem aqueles que precisam de um dose de cafeína bem forte para poderem se manter acordados, então apenas presumi que você não iniciou bem a sua manhã…” Wade paralisou, Peter estava falando consigo mais do que um simples bom dia, deseja mais alguma coisa e um volte sempre, não, ele estava falando, muitas palavras e Wade estava paralisado. A voz dele era tão serena, poderia ficar horas ouvindo ele falando, acalmou-o de uma forma que não soube explicar.
“Pois é”, balbuciou por fim, ainda de boca aberta. Peter acabou soltando uma leve risada, aquele cliente era estranho e de certa forma sua presença não era incômoda como de alguns que surgia no café.
“Deseja mais alguma coisa…hum…”, insinuou, fazendo-o entender o que ele queria logo em seguida.
“Wade.”
“Wade”, disse, sorrindo por fim. Céus, aquele garoto queria o mais velho tivesse um treco ali mesmo, os anjos era assim? Questionava-se. “Então, Wade, deseja mais alguma coisa?”
O Wilson gostou da forma que seu nome saiu dos lábios do outro, tão melódico. “Um donut’s”, pediu, sentindo aquelas tão famosas borboletas voarem em seu estômago.
“Um donut’s saindo no capricho.” Sorriram. Wade naquele instante reformulou seu pensamento de hoje cedo; Peter certamente conseguia melhorar o seu dia com poucas palavras.
Fale com o autor