Café, Ciúmes e os Acasos do Amor
1 Ele não é Mulher
Notas iniciais
Aqui é a Mililika!
Bem-vindos à nova história minha e da Bia!
É uma long-fic, em que iremos postar os capítulos semanalmente (na próxima, a Bia quem postará)!
Esperamos que gostem! ♥ Vocês podem ver ali no disclaimer quem controlou cada personagem.

Taylor Hastings seguia de carro pela rodovia Harvie Heights, em direção à pequena cidade de Canmore, na província de Alberta, no Canadá. A paisagem era linda, o que era de se esperar de um lugar localizado entre montanhas, pinheiros e rios caudalosos. Taylor havia sido um homem urbano por todos os vinte e sete anos de sua vida e toda aquela natureza parecia-lhe outro mundo.
Ele havia nascido em Ottawa, a capital do país e, recentemente, terminado sua residência em medicina interna na universidade da cidade, uma das melhores do Canadá. Ele pretendia iniciar sua segunda residência para especializar-se em endocrinologia. No entanto, ali estava ele, com o carro lotado de malas e apetrechos, seguindo em direção a uma nova vida, um novo lar.
Em Canmore, ele viveria como médico de família e comunidade. Trabalharia na cidade pequena como o único médico de toda a região, sendo suas mãos as únicas responsáveis pelas mais de 13 mil pessoas que viviam ali; o que era um pouco assustador, visto que, apesar dos anos de faculdade e dos três anos de medicina interna, ele nunca havia trabalhado completamente sozinho, em uma cidade desconhecida e isolada.
Mas o isolamento era justamente o que ele queria.
O que ele precisava.
Quando chegou à cidade e desceu do carro, Taylor olhou encantado para as montanhas que circundavam a cidade. Era impressionante o quanto a natureza era bela. Era verão e, por isso, não havia neve por todos os lados, a temperatura oscilava entre os vinte e os vinte e dois graus. Taylor respirou o ar fresco e limpo do lugar, sentindo seus pulmões se encherem com vida e energia.
Canmore estava situada no coração das montanhas rochosas do Canadá. Era impressionante, e Taylor se perguntou como nunca havia feito turismo em seu próprio país. Porém, ele sempre estivera muito ocupado com estudos, trabalhos comunitários e, posteriormente, com a faculdade e os estágios e então a residência médica. Deus, como era bom conhecer um pouco mais de sua própria pátria!
Ainda que para isso ele tivesse perdido tanta coisa...
Taylor olhou para o endereço anotado em seu celular e então para o endereço na placa. É, era ali mesmo. Ele olhou para a casa na frente da qual havia parado, percebendo que ela ainda parecia em reforma. Ele franziu a testa, aproximando-se do pátio. Aquela era a antiga clínica da cidade, que estava vazia e sem nenhum médico há cerca de três meses. O prefeito da cidade havia lhe dito que a reformaria e compraria alguns aparelhos médicos antes de sua chegada, no entanto, ao que parecia ele não havia conseguido cumprir o prazo.
Suspirando, Taylor tirou os olhos uma das mechas de seu cabelo rastafári, que alcançava seus ombros. Seu estilo nunca fora muito bem quisto nos meios médicos, devido a todo o conservadorismo que ainda regulava muitos dos costumes da medicina, porém ele gostava de seu cabelo daquela forma e, teimoso, não o mudou durante os anos de formação. Precisou mostrar a todos que não eram seus cabelos, mas seu cérebro e capacidade de tomada de decisões que realmente importavam.
Em Canmore, todos aguardavam ansiosamente pela chegada do novo médico, e o responsável por recebê-lo e levá-lo para conhecer a cidade bem como a clínica era Carl. Ele era filho da dona do restaurante mais acolhedor e famoso da cidade – o Three Sisters Dinner –, além de ser o guia local. A chegada do médico vinha agitando os moradores da cidade, que estavam curiosos para saber como ele seria e também felizes, já que fazia meses que eles precisavam ir até a cidade vizinha para se consultar.
Naquele momento Carl sabia que estava atrasado. O novo médico já deveria ter chegado à clínica. Em sua defesa, o rapaz poderia dizer que ser pai de três crianças não era fácil e, quando elas resolviam não comer direito, era aquele verdadeiro caos em casa. Ele acabou precisando deixar a esposa sozinha com os três pestinhas e correu rua abaixo para encontrar o médico.
De longe, ele avistou o carro parado em frente à clínica em reforma e não pôde deixar de erguer uma sobrancelha ao ver o homem que estava encostado ao automóvel, olhando curioso para a casa em reformas. Certamente ele não era o que os moradores estavam esperando como médico. Não por ele ser negro... Mas pela aparência tão jovem e estilo tão alternativo.
– Oi! – Ele cumprimentou enquanto se aproximava. – Você é o Taylor?
– Ah, olá! – Taylor imediatamente se virou e abriu um largo sorriso, contente por alguém ter aparecido ali para ajudá-lo. Ele estava se perguntando o que faria agora, visto que a casa, além de clínica, também seria sua moradia. – Que bom que você apareceu! Seu nome é...? Sou Taylor Hastings, prazer em conhecê-lo!
– Eu sou Carl Miller. – O homem estendeu a mão para cumprimentá-lo. – Fiquei responsável por recebê-lo e mostrar a cidade. Era para eu ter chegado mais cedo, mas tive um problema em casa. Na verdade, desde que meus três filhos nasceram parece que vivo sem tempo... – Ele resmungou mais para si mesmo do que para o novo morador.
Taylor riu gostosamente do muxoxo do homem, enquanto lhe apertava a mão.
– Eu imagino. Crianças raramente são fáceis, imagine três! – Exclamou amigavelmente. Já havia lidado com várias crianças difíceis no semestre e estágio da faculdade em que passara pela pediatria. – Obrigado por se dispor a me mostrar a cidade, mas... Minha maior preocupação agora é onde irei dormir? Eu achava que a clínica estaria pronta a essa altura...
– Ah! – Carl olhou para o prédio e balançou levemente a cabeça. – Tivemos um problema porque um dos caras que estava reformando o prédio ficou gripado e passou para os outros... Estão todos de cama. Mas nós já arrumamos uma solução. Você vai ficar na casa do Damien. Ele é meu amigo de infância. Ainda não falei com ele, mas tenho certeza que ele não vai recusar. Ele mora sozinho numa casa gigante com sei lá quantos mil quartos! – Acrescentou balançando os ombros.
O sorriso de Taylor vacilou. Ele estava chegando numa cidade desconhecida, com pessoas desconhecidas e ainda teria que... Morar com um completo desconhecido? A ideia o deixou desconfortável, não somente em relação a si próprio, mas também em relação ao tal Damien, que teria de acolher um estranho. Ele hesitou, mas não queria ser mal-agradecido com Carl, que lhe sorria de uma forma tão amigável.
– Erm... Obrigado, Carl. Mas não seria melhor se eu ficasse em alguma pousada? – Sugeriu.
– Vai ser melhor para você porque a casa do Damien fica aqui perto da clínica e seria um absurdo fazer você gastar com estadia por causa de um erro nosso. Só o que ainda está sendo reformado é o andar superior, que é onde você iria dormir. A parte de baixo, onde você vai trabalhar, já está 100%, então pode começar amanhã até! – Carl respondeu otimista, mas percebeu o desconforto do médico, apesar de ele tentar disfarçar. – Vai ser por poucos dias e, é sério, você nem vai topar com o Damien porque a casa é gigante e ele dorme quase o dia todo... Eu até te convidaria para ir lá para minha casa, mas com três crianças... Você não teria paz.
Taylor percebeu que seria muita indelicadeza continuar a negar a sugestão, uma vez que Carl parecia bem sincero em querer ajudá-lo com aquele problema da melhor forma possível. Suprimindo um suspiro, Taylor sorriu e assentiu em concordância. Se era apenas por alguns dias, por que não?
– Tudo bem. Podemos passar por lá primeiro? Eu gostaria de largar as minhas coisas antes de conhecer a cidade. – Pediu, abrindo a porta do carro e convidando Carl para entrar e lhe mostrar o caminho.
– Ok, vamos fazer assim... Você dá uma olhada na casa enquanto eu converso com o Damien. Se você achar que vai ser ruim, eu te levo até a pousada. Mas te garanto que ficar lá vai ser melhor. Ele mora bem próximo ao restaurante da minha mãe e pelo menos fome você não vai passar! – Carl riu enquanto entrava no carro. – Não é querendo me gabar, mas minha mãe é a melhor cozinheira do Estado.
Carl tagarelou no curto caminho até a casa de Damien. Não ficava longe e, em menos de cinco minutos, ele indicou o muro branco baixo que ficava diante da casa do amigo de infância.
– Vou acordar aquele vagabundo... – Carl resmungou enquanto descia do carro. – Vamos. Pode entrar comigo. – Ele disse enquanto pegava a chave extra que Damien deixava escondida atrás de uma pedra. – Damien não faz nada... Tipo, nada mesmo. Ele herdou uma fortuna e vive de cara pra cima. Sortudo folgado.
Taylor desceu também do carro e olhou impressionado para o tamanho da casa. Era muito bonita, talvez a maior daquela pacata cidade. Deixava bem óbvio que o tal Damien era bastante rico, mas Taylor tinha certa implicância com pessoas ricaças que não faziam nada... Ele havia batalhado tanto para conquistar uma formação e um futuro. Mas, bem, talvez Damien fosse uma boa pessoa. Não posso ficar sendo preconceituoso só porque já conheci alguns riquinhos babacas, pensou repreendendo-se.
– Eu realmente espero que não seja nenhum incômodo. – Falou enquanto seguia Carl. Havia gostado do rapaz. Ele era expansivo e carismático e era difícil não simpatizar com ele logo de cara.
-Não se preocupe. – Carl balançou a mão em um sinal de impaciência e sumiu em direção aos quartos. Ele conhecia aquela casa como a palma da mão. Perdeu as contas de quantas vezes já havia brincado de esconder com Damien, quantas vezes havia feito acampamento no quintal e quantas vezes já havia ficado para dormir.
Se fosse sincero, Carl admitiria que estava um pouquinho preocupado de ter trazido Taylor ali sem conversar com Damien primeiro. O amigo não tinha um gênio lá muito fácil. Mas agora já estava feito e realmente seria melhor para Taylor ficar em um local próximo da clínica.
– Damien? – Carl bateu de leve na porta do quarto. Sem resposta, ele foi abrindo. Estava um breu, pois as cortinas estavam fechadas. – Sério, cara, são quase três da tarde! – Sem dó nem piedade ele puxou as cobertas revelando o corpo seminu do homem adormecido. – Droga de mania de dormir só de cueca... – Carl girou os olhos e acertou o amigo com uma almofada que estava caída do outro lado do quarto. O problema foi que Damien não se mexeu nem um milímetro.
Irritado, Carl foi até a janela e puxou as cortinas. Com o quarto iluminado, ele conseguiu obter um resmungo de desaprovação.
– Porra... Eu espero que alguém esteja morrendo pra você ter vindo me acordar! – Damien disse com a voz rouca, puxando o travesseiro e cobrindo a cabeça.
– Eu tenho certeza você é um vampiro. – Carl disse muito sério, e Damien teria rido caso não estivesse tão grogue de sono. – E, não, ninguém morreu... O médico novo acabou de chegar e eu o trouxe para cá.
– Como é que é? – Damien sentou esfregando os olhos e encarou o amigo. – Como era mesmo o nome? Taylor? É bonita? Tem peitões? Você sabe que eu adoro peitos...
Carl girou os olhos e poupou-se do trabalho de responder.
– Venha para a sala para as apresentações. O prédio da clínica ainda ‘tá em reforma então o médico vai ficar aqui.
– Hum? – Ainda com sono, Damien demorou um pouco para entender todas as implicações daquela frase. – Se ela tem peitões, pode ficar.
– Tsk! – Carl bateu a mão no rosto achando melhor omitir por enquanto que o Taylor na sala era um homem e nem de longe uma mulher peituda. Por ser um nome unissex, Damien deveria estar confundido. – Vou esperar na sala. – Carl disse e saiu do quarto antes que Damien tivesse chance de perguntar mais alguma coisa.
O rapaz levantou esfregando os olhos e foi até o banheiro. Lavou o rosto e encarou sua imagem refletida no espelho. Estava um caco. Certamente não causaria uma boa impressão na moça lá na sala. Ele havia ficado a noite inteira no escritório por causa de um maldito prazo que tinha de cumprir, e sua agente só o deixou ir dormir depois que tudo havia sido devidamente enviado.
As pessoas da cidade pensavam que ele era um vagabundo que só dormia, comia, malhava e destruía o coração das meninas – não necessariamente nessa ordem e definitivamente a última parte era uma grande lenda urbana inventada pelos colegas da escola que se perpetuava até hoje. Se ao menos as pessoas realmente soubessem com o que trabalhava… Mas Damien não estava interessado em contar essa parte da sua vida para ninguém. Nem mesmo o seu melhor amigo sabia da sua vida noturna.
– Bem, não é como se eu realmente estivesse interessado em causar uma boa impressão em alguém. – Resmungou enquanto pegava a escova de dentes.
Vestiu uma bermuda e uma blusa sem mangas. O clima estava agradável. Certamente alguns achariam frio, mas Damien, acostumado com clima da região desde pequeno, achava que a temperatura estava boa.
Ao se aproximar da sala, ele ouviu vozes. Desconfiado de que Carl não havia lhe contado tudo sobre aquele médico, ele já foi entrando na sala com uma carranca.
– Ah, aí está ele! – Carl exclamou assim que Damien entrou na sala. Mas o rapaz não se fixou muito no amigo de infância e sim no homem com quem ele conversava. – Damien, esse é o Taylor. Ele vai ser nosso médico a partir de amanhã. Taylor, esse é o Damien.
Damien estreitou os olhos. Definitivamente aquele Taylor não tinha peitões.
– Ele não é mulher. – Damien resmungou contrariado.
Notas finais
.
Bem, se leu e gostou, por que não comentar? Fariam duas autoras felizes com um comentário só, olha que economia de dedos! ASHIUASJAI
.
Obrigada a você que leu até aqui, adoraríamos saber seu nome e opinião!
Até a próxima! x)
Fale com o autor