Café
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Esse spin off é um presente de aniversário pra Lola, uma das escritoras mais incríveis que já conheci, a amiga mais leal, uma mulher independente e confiante, alguém que tenho muito orgulho de poder chamar de amiga! Parabéns Lola, obrigada por tudo, por me fazer parte desse mundo da escrita tão incrível!
Boa leitura! E agradeçam a Lola!
Havia acabado de deixar Cath na escola e estava exausta! Eu amava aquela garotinha mais que tudo, mas ser mãe solteira não era tão fácil quanto imaginei que seria quando decidi ter minha filha.
Peguei o celular ainda na porta da escola de Catarina e envia uma mensagem pra Bella.
“Por favor, diga que Edward vai ser um pai bonzinho e um padrinho melhor ainda e ficará com as crianças sexta a noite. Eu preciso ficar bêbada!”
O celular vibrou em minha mão antes que eu tivesse a oportunidade de guardar.
“Ele vai. Ficaremos bêbadas e você vai achar um homem forte pra te foder com força e te desestressar.”
“Amo você!”
Respondi rindo.
Bella era a mulher mais incrível do mundo, e eu amava o fato de que ela sempre estava disponível pra mim, não importa se fosse pra ir ao hospital comigo e Cath ou pra encher a cara uma vez por mês.
Edward não gostava muito das nossas saídas mensais, mas ele entendia que precisávamos daquele tempo de meninas. Tudo ficava ainda mais divertido quando Rosalie podia se juntar a nós.
Aquele mês seria apenas Bella e eu já que Rose estava em Detroit e não poderia vir.
Edward sempre nos levava e buscava, não confiávamos em quase ninguém, ainda mais se tivéssemos bebido. Para alguns era possessividade, para mim e Bella era pura preocupação e zelo.
Depois de tudo que havíamos vivido em Detroit, aqueles meros cuidados não eram nada.
Segui a pé pro café que havia perto da escola, tinha dormido tarde organizando minha agenda pra semana e colocando a roupa pra lavar. Precisava fazer algumas compras antes de voltar pra casa, só tinha cliente à tarde, então teria a manhã livre pra resolver tudo.
Aquele dia não chovia em Seatle, e eu estava grata por aquilo, o sol me ajudava a ter menos sono e mais disposição.
— Maldito momento que Bella e Edward escolheram a cidade mais chuvosa que podiam pra se mudar. — Resmunguei baixinho.
Todos nós precisávamos de um recomeço. Seatle foi isso pra todos nós.
Primeiro eu fui pra Nova York, precisava ficar longe de Detroit e de todas as lembranças que ela me trazia, ficar longe do meu passado. Abri meu pequeno salão, mas sentia falta deles, me sentia só, e apesar de Nova York ser incrível, eu queria algo mais calmo.
Fiquei por lá durante alguns anos, superei alguns traumas, outros eu apenas guardei pra mim, até que Edward foi solto, e tudo que eu queria, não. Tudo que eu precisava era ficar perto do irmão que a vida me deu.
Então assim que consegui me mudei pra Seatle, era uma menor Nova York, e relativamente mais tranquila, o mais importante: não tinha a carga que Detroit tinha, e eu a amaria se não fosse a quantidade de chuva.
Pensando em Detroit lembrei da única coisa que me fazia falta de lá, ou melhor, única pessoa: Jasper.
Me apaixonar pelo promotor foi algo totalmente não planejado, ele era engomadinho, mandão, doce e encantador. E também gostava de mim.
Os cabelos cor de mel e os olhos do tom de azul mais lindo que já havia visto. Eu havia me apaixonado, mesmo sem querer, na verdade eu tinha evitado de todas as formas, e ainda sim ele havia me conquistado.
Assim que Edward resolveu delatar eu fiz o mesmo, eu precisava falar, precisa contar o que aqueles monstros faziam com as pessoas, com mulheres, com crianças. O que haviam feito comigo!
Um tremor passou meu corpo e ignorei.
Depois de todos aqueles anos e ainda haviam coisas que eu não tinha superado. Memórias que ainda me assombravam.
Suspirei pesado pegando o café que a garçonete me estendia. Ponderei um instante e resolvi me sentar pra apreciar o líquido quente. Me virei distraída, ainda pensando em Jasper.
Distraída não vi quando alguém vinha rápido, de encontro a direção que eu estava, nos esbarramos e o café quente que havia comprado e estava louca pra tomar se derramou sobre seu terno caro.
— Porra! — Ele xingou.
A voz me arrepiou. Fechei os olhos um instante incrédula.
Abri os olhos desconcertada, sem acreditar, fingindo uma indiferença que não tinha encarei os olhos azuis que povoavam meus sonhos eróticos mais profundos.
— Desculpe senhor, estava distraída e não te vi. — Falei educadamente.
Anos haviam se passado, eu não esperava que Jasper, o famoso promotor de justiça se lembrasse de mim. Eu era apenas um acordo de delação, a vítima de um monstro, uma foda casual, ou ao menos eu queria acreditar naquilo. Ele ainda ainda mais gostoso do que me lembrava, o tempo lhe fez fez bem analisei o mais discretamente que pude.
— Alice! — Ele exclamou animado.
Ele lembrava e com todas as lembranças veio o sentimento que eu tão malditamente tentei esquecer durante mais de quatro anos. E que falhei miseravelmente.
— Dr. Jasper. Realmente sinto muito pelo café, se puder mandar a conta da lavanderia, ficarei mais que feliz em pagar.
Eu falei pegando o cartão do salão da bolsa e estendendo, ele pegou me olhando confuso e intrigado. Jasper ignorou completamente minha tentativa de sair rapidamente.
— Deixa eu te pagar um café? — Ele pediu com a voz suave que tantas vezes me fez gozar.
— Eu preciso ir, acho que...tenho que ir. — Passei por ele pra sair rapidamente.
Havia me esquecido o quão mandão e teimoso Jasper podia ser as vezes. Já na rua ele parou na minha frente. Era isso que fazia dele um promotor tão bom, ele nunca desistia enquanto achasse que pudesse ganhar.
— Diabos Alice, porque está fugindo de mim? — A irritação era clara nos olhos azuis. — Foi você que terminou com o que tínhamos, eu quem devia ficar desconfortável com toda essa situação.
Trazer a tona o término havia me feito querer fugir dele ainda mais, mas eu nuca havia sido o tipo de mulher que fugia. Não totalmente pelo menos.
— Eu terminei algo que não havia futuro, nada mais. Eu preciso resolver algumas coisas antes de atender uma cliente Jasper, não estou fugindo. — Menti descaradamente.
— Um café Alice, é só o que estou pedindo. Um café com um velho...amigo. — Ele falou fazendo careta, o que era completamente adorável.
Mas não era o que eu queria, eu queria sexo com ele, queria uma vida com aquele homem incrível.
— Claro. — Bufei enquanto ele sorria abertamente.
Sentamos na mesa que eu havia planejado anteriormente, ele tirou o terno e a gravata, ficando apenas com a camisa social branca, agora com a manga manchada de café preto.
— Realmente sinto muito pelo café. — Pedi sincera vendo a mancha avermelhada na mão branca e grande e tão malditamente talentosa.
Tive vontade de tocar e ver por baixo da blusa o estrago que havia feito. E ser tocada.
Balancei a cabeça, tentando focar no homem, não nas fantasias.
— Não se preocupe com isso. — Ele desdenhou. — Estou feliz de ter te reencontrado.
Sorri minimamente sem saber por que ele estava feliz em me ver, sem saber se queria saber como estava a vida dele agora, se havia se casado.
Com esse pensamento olhei pra mão dele. Sem aliança.
Ele seguiu meu olhar, atento a tudo, como sempre, um dos motivos pelo qual ele era tão bom em tudo.
— Não me casei, sequer namorei sério. — ele falou.
— Eu não perguntei. — Retruquei fria.
— Não, não perguntou. Mas ao contrário de você, foi a primeira coisa que olhei, queria saber se tinha se casado, se havia alguém no meu caminho.
Eu ri do descaramento dele.
Eu adorava isso, o fato dele querer algo e ir atrás. Imbatível! O sorriso veio antes que eu pudesse evitar.
Jasper nunca se importou de fato com o que aconteceu comigo, ele se preocupava sobre como eu estava com relação a tudo, e por eu ter sofrido, mas nunca havia se incomodado com o fato de que eu fui uma puta pro chefe da máfia de Detroit, que eu havia sido estuprada e que havia sofrido todo tipo de violência. Jasper apenas se preocupava em estar ali comigo, naquele momento, e foi o que fez me apaixonar por ele ainda mais.
— Não se iluda loirinho, você não vai cair na minha cama tão fácil!
— Isso significa que tenho chance?
Fechei a cara pro meu deslize.
Ele tinha todas as chances e meu coração, então não era prudente levar ele pra minha cama e pro prazer que eu tanto precisava.
— Não é simples assim...
Fui interrompida pelo toque do meu celular. Salva pelo gongo pensei animada. Com aquela ligação eu poderia fingir uma emergência e fugir de Jasper.
Só que era uma emergência.
— Srt. Brandon? Precisamos que siga pro hospital de Seatle, tivemos um pequeno problema com Catarina.
— Ela está bem? O que aconteceu com a Cath? — Perguntei desesperada.
Levantei sem me despedir, ignorando tudo, focada apenas em chegar até minha filha. Cath era tudo pra mim.
— Ela está, apenas uma pequena queda e um corte leve... —A mulher ao telefone falava calmamente mas o desespero me dominava.
— Um fodida queda se estou indo pro hospital ver minha filha. — Gritei pro telefone.
Jasper chamou um táxi e entrou nele comigo enquanto eu gritava no telefone, prevendo minhas necessidades antes que eu pudesse expressar.
Desesperada liguei pra pessoa que mais me ajudava nesses momentos, mas o celular de Bella estava desligado.
Grunhi nervosa.
Pensei em todas as vezes que fui pro hospital visitar Luke e Oliver que eram garotos um pouquinho agitados, na verdade muito agitados, alguns ossos quebrados, várias contusões e arranhões. Bella quase enlouquecia com os pequenos furacões. Mas Cath não. Catarina era doce e tranquila e eu não entendia como havia se cortado e estava no hospital, mesmo quando embarcava nas aventuras com Luke e Oliver ela sempre era a mais calma, ainda que um pouco descoordenada.
Desci do carro com ele praticamente em movimento. Adentrei as portas de vidro praticamente correndo, parei na recepção.
— Sou mãe da Catarina Brandon. Onde está minha filha?
— Sra. Brandon, preciso que preencha esses documentos antes de...
— Que se foda a papelada! Eu quero ver minha filha! — Gritei.
— Sra. preciso pedir que não grite, estamos em ambiente hospitalar. — Ela falava calmamente com cara de tédio.
— Olha aqui garota, minha filha está ferida e sozinha, depois eu preencho a porra de toda essa papelada, mas agora eu quero ver minha filha. Deu pra entender? — O ódio em minhas palavras fizeram a garota se mexer.
— Cl.Claro. Ela está no segundo andar, as enfermeiras de lá vão te orientar.
Sai sem olhar pra trás, quando senti alguém andar ao meu lado lembrei de Jasper.
Ele não falava nada, pude ver seu olhar intrigado, mas não me importei. Ele não me deixou só, o que eu não sabia se agradecia ou se me irritava.
Cheguei no segundo andar, e, ou a garota havia dito algo ou as enfermeiras do segundo andar era melhores pra atender pais desesperados.
— Posso ajuda-la querida?
— Cath. Minha Filha Catarina, se machucou, eu preciso vê-la.
— Ah claro, a pequena de olhos azuis.
Segui a enfermeira apreensiva.
— Sua filha é um doce de menina, parabéns por uma filha tão educada Sr e Sra. Brandon.
Minha boca formou um O e parei sem saber o que fazer.
Antes que pudesse corrigir a mulher, Jasper tocou minhas costas me guiando.
— Catarina realmente é uma princesa, obrigado. — Ele agradeceu me empurrando.
— Oi mamãe.
O som suave da voz de Cath me chamou a atenção. Ignorando tudo ao meu redor joguei a bolsa no chão e me aproximei olhando cada mínimo detalhe existente nela.
Alguns arranhões na mão e nos joelhos e um corte na testa, com dois pontos. Meu coração se partiu e meus olhos encheram de lágrimas.
— Você está bem querida? Eu fiquei tão preocupada! O que aconteceu com você? — Fui perguntando tudo em um fôlego só.
A garotinha de olhos azuis e cabelos escuros me encarava.
— Eu tropece e cai. — Ela respondeu simplesmente. — Mamãe, posso comer um doce?
Ela estava bem. Alívio me tomou.
— Claro querida. — Virei pra pegar um pirulito na bolsa.
Jasper estava ali com ela nas mãos. Peguei-a ainda sem o olhar diretamente. Me afastei enquanto a criança via um desenho na TV do quarto e chupava um pirulito calmamente.
— Ela caiu, ela simplesmente caiu. — Eu queria rir da tensão que se esvaia dos meus ombros.
Catarina era um doce, mas um pouco desastrada. O que tinha de doçura, lhe faltava em coordenação motora. Balé foi a pior tentativa de atividade que ela fez e após um mês de frustração e algumas quedas, eu desisti.
Jasper se aproximou com uma intensidade no olhar que me desconcertou. Me virei pra menina distraída na cama, criança essa que tinha olhos tão parecidos com os dele.
Eu devia em algum momento bêbada ter confessado pra Bella que busquei algumas características específicas no doador de esperma que me trouxe Cath, algo como olhos azuis e cabelos cor de mel. Apenas os olhos deram certo, ela tinha os meus cabelos pretos.
Suspirei sabendo que não poderia ignorar ele eternamente.
— Jasper. — Chamei sem saber ao certo o que diria.
— Olha se não são os pais da princesa mais linda desse hospital! — Sou o Dr. Hall. – Ele disse estendendo a mão.
Resmunguei baixinho. Por que todo mundo achava que Jasper era pai dela!? Isso era tão frustrante e me dava tantas ideias.
Antes que eu corrigisse o médico, Jasper se apresentou.
— Jasper. É um prazer Dr, mas como está nossa garotinha?
— Ótima! Foi apenas um susto, certo Catarina? — Minha filha agora nos olhava atentamente. — Ela apenas teve leves arranhões e apesar do corte na testa não tem uma concussão. Apenas limpar diariamente e passar a pomada que vou receitar e logo ela estará pronta pra outra.
O médico sorria abertamente pra Cath.
— Graças à Deus!
— Se ela sentir dor, dê esse remédio, mas não acho que vá ser o caso, Cath é uma menina muito forte e calma.
Sim ela era.
Me aproximei da maca e beijei a bochecha da minha filha.
— Então podemos ir?
— Claro! E qualquer coisa podem voltar a qualquer momento. — Ele me entregou a receita se despedindo. — Tchau Catarina.
Assim que o médico saiu, me virei pra pegar minha filha, mas ela estava com os olhos pregados em Jasper. Ambos se olhavam, se analisavam militricamente.
— Mamãe? — Meu coração gelou com a voz estranhamente séria de Cath. — Ele é o papai?
Em seus olhos de menina vi o anseio por um pai, sua necessidade de ter o herói que a maioria das crianças tinham. O pai que Tiger era pro Luke e Oliver e que muitas vezes era pra Catarina.
Meus olhos ficaram cheio de lágrimas e meu coração se partiu ainda mais do que quando vi minha menininha machucada.
Peguei ela em meus braços e beijei com carinho, querendo ser suficiente como mãe e pai. Querendo que ela não sofresse, mas sabendo que apesar de fazer tudo pela minha filha, em algum momento ela lutaria as próprias batalhas.
— Não amor, ele não é o papai. A mamãe escolheu ter você sozinha, e só pra ela lembra?
— Ah. — Sua voz imediatamente ficou triste.
Quase me arrependi de contar a verdade, queria mentir e dizer que ele era o pai dela, que ele seria legal e brincaria com ela todos os dias após o trabalho, que colocaria ela pra dormir e que espantaria os namorados e os pesadelos, que ele cuidaria dela como a princesa que ela era, mas eu havia prometido pra mim mesma que não mentiria pra Cath sobre sua origem e minhas escolhas, sobre minha vida e meu passado, que seríamos amiga e verdadeiras uma com a outra, sempre.
Mais algumas lágrimas caíram, quando peguei a bolsa da mão de Jasper.
— Foi um prazer te rever Jasper, desculpe por tudo isso e pelo café. — Dei um sorriso forçado ainda com o rosto cheio de lágrimas.
— Posso acompanhar vocês até em casa, só pra garantir que estão bem?! — Ele perguntou com um olhar estranho, parecia tão desolado quanto Cath em partir.
— Não precisa, estamos bem. — Recusei educadamente.
Estar perto de Jasper me trazia sentimentos que eu queria não ter, me lembrava de momentos e de coisas que não me pertenciam.
— Eu insisto, por favor. — Ele falou já pegando Cath de mim, que foi docemente com o loiro.
Eles eram tão lindos juntos que me fazia querer chorar.
Segui em silêncio enquanto os dois iam conversando, tagarelando sobre as inúmeras coisas que apenas uma criança de quatro anos poderia falar, e ele parecia incrivelmente concentrado com tudo, como se fosse a coisa mais importante do mundo o unicórnio preto que ela tinha que fazia par com um jacaré horrível, presente de Edward, mas que ela amava apenas por ter sido ele a ter lhe dado.
Entramos no táxi e eu estava esquecida por eles. Senti inveja daquela conexão, e até um pouco de raiva com a facilidade com que Jasper invadia minha vida e tomava a atenção da minha filha em tão pouco tempo.
E então eu ouvi a risada de Cath, pareciam sinos retinindo, e Jasper sorria amorosamente pra ela. Minha filha, assim como eu, havia se apaixonada pelo promotor engomadinho.
Pedi ao taxista pra parar rapidinho na farmácia, comprei os remédios, disfarçadamente peguei um pacote de camisinhas, paguei por tudo e voltei pro táxi. Eles continuavam em mundo paralelo, e assim os deixei.
Cheguei na minha casa meio constrangida, tendo visitado o apartamento luxuoso de Jasper, minha casa era pequena e humilde, mas eu a amava.
Era uma casa pequena com dois quartos, dois banheiros, sala e cozinha conjugadas, havia uma área de serviço e varanda, um jardim e uma cerca branca. Eu amava aquela cerca e o que ela representava, amava que aquela casa fosse minha, ainda que tivesse que pagar a hipoteca todo mês.
Abri a porta notando o olhar avaliador de Jasper. Seu olhar se fixou nas fotos. Havia várias. Eu amava guardar aqueles momentos.
Bella e eu na festa de Halloween do ano passado, ela de bruxa eu de mulher gato, Cath era um morango e Luke o Hulk, Oliver o pantera negra, Edward o fotográfo que estava vestido de homem de ferro pra combinar com Lucas e Olie.
Eu e Cath num fim de semana na praia, onde eu usava um maiô preto combinando com o da Cath, âmbar sorríamos pra câmera e fazíamos pose com a mão na cintura.
Edward e eu no dia do casamento dele com Bella. Outra em que estávamos todos no casamento, Emmet, Rosalie, Carlisle, Esme, Bella e Edward.
Fomos pro quarto de Cath, que era todo rosa e cheio de ursinhos de pelúcia, ela desceu do colo do loiro e correu pra mostrar Uni e Jack, o unicórnio e o jacaré.
— Nada disso mocinha, vamos pro banho e passar o remédio na testa. Depois vou fazer uma sopa pra você.
O bico de Cath junto com seu olhar magoado quase me fez desistir da ideia, mas Jasper interveio.
— Vá princesa, eu não vou a lugar algum enquanto você não me disser pra ir. — Ele piscou pra ela.
O enorme sorriso de Cath quase me fez derreter, se não me preocupasse com o que aquilo significava.
— Fique a vontade, eu vou apenas dar um banho nela.
Ele assentiu tranquilo.
Enquanto dava banho em Cath imaginava o que Jasper estaria fazendo na sala e o que tudo que aquilo significava. Entretida com meus pensamentos não percebi que Cath estava tão silenciosa e pensativa quanto eu.
— Cath você está bem? Está sentindo dor? — Toquei sua testa delicadamente para ver se não estava com febre.
— Não dói mamãe. — Ainda sim ela parecia estranha.
— Então o que está havendo? Aconteceu algo mais? — Tantas coisas ruins se passavam pela minha mente.
Alguém tocando minha filha, alguém tentando oferecer uma balinha com drogas pra ela, alguém roubando ela. Senti o quarto girar e o ar me faltar. A voz de Catarina me chamou de volta.
— Será que se eu pedir, ele aceita ser meu papai? O olho dele é azul igual o meu, a gente combina! — Sua teoria parecia tão malditamente certa que até eu queria pedir.
Suspirei fundo pensando em como falar com uma criança de quatro anos sem traumatiza-la, mas sem mentir.
Tirei ela do banho, sequei, penteei os cabelos, passei creme nos corpo. Ela me encarava esperando uma resposta que eu não tinha.
— Cath querida. — Comecei e parei ainda sem saber o que dizer.
— Sim mamãe?
Porque ela tinha que ser tão malditamente esperta e madura pra idade dela!
— Amor. Ele, o Jasper, é apenas um amigo da mamãe, ele pode ser seu tio, seu amigo, mas ele não é seu papai. — Senti mais do que vi Jasper chegar. Existem coisas que são complicadas querida e essa é uma delas.
— Eu gosto dele. — Ela retrucou.
— Eu sei meu amor, e ele gosta de você também, mas ele pode ser como tio Ed e tio Emm e sempre estar com você, mas não ser seu papai.
Era a melhor resposta que eu tinha, uma resposta idiota e sem sentido, mas era o que tinha, minha filha não estava satisfeita, seu olhar perspicaz dizia tudo.
— Jazz! — Ela gritou quando notou a presença dele na porta do quarto.
Vestindo seu pijama mais confortável ela tentou correr pro loiro, mas eu a segurei.
— Ainda não mocinha. Vem, vamos passar a pomada nessa testa. — Cath sentou e aguardou impaciente, batendo o pé no chão impaciente.
Delicadamente passei a pomada nos pontos, perguntei novamente se ela não estava com dor, após uma negativa fui trocada pelo loiro que aguardava na porta do quarto.
— Vem Pa, errr, Tio Jazz.
Tanto Jazz quanto eu ignoramos o pequeno tropeço de Cath. Ela animadamente mostrava cada brinquedo, cada desenho, os deixei a sós e desci pra rapidamente preparar algo pra comermos. A manhã já havia passado.
Menos de cinco minutos depois que eu sai, ambos foram de mãos dadas pra sala. Era cômico ver aquele homem enorme sendo arrastado pela garotinha de meio metro. Mas ele a seguia com adoração.
— Mamãe o Jazz não conhece a Marcha!
Eu sorri amarelo com pena do homem.
— Mostre pra ele amor!
Rapidamente ajudei ela a colocar no desenho, pela primeira vez vi a careta no rosto de Jasper, o que me fez sorrir.
Preparei macarrão com queijo, era rápido e prático.
Quando pronto interrompi a tortura de Jasper.
— Comida crianças! — Exclamei mais alto que a TV, trazendo uma expressão de alívio ao homem.
Comemos em relativo silêncio, sendo quebrado apenas por Catarina contando da escolinha e de seus amigos, de Oliver e de Luke, por quem tinha verdadeira adoração.
— Cath, coma e depois converse. E mastigue de boca fechada. — Ralhei com ela.
De certa forma eu entendia a euforia da minha filha, eu mesma a sentia, mas de forma mais nervosa, afinal Jasper despertava cada terminação nervosa do meu corpo.
— Pronto mamãe, acabei! Agora posso conversar?
Jasper e eu rimos juntos, pois Cath não havia parado um segundo de falar.
— Cath talvez seja melhor deixar o Jasper acabar de comer. — Olhei diretamente pra menina linda que me encarava com olhar pidão.
— Tudo bem Alice, vamos conversar Cath.
Jasper sentou no sofá com Catarina, enquanto ela falava, falava e falava, eu nunca havia visto minha filha tão falante. Nem perto de Luke e Olie ela ficava tão eufórica.
Um filme de desenho começou a passar na TV, Cath adorava Moana, sabia todas as falas e as músicas, mas logo no início ela adormeceu.
Sua cabeça estava apoiada na perna de Jasper que acariciava seus cabelos escuros.
Me aproximei pra levar Cath pra cama, mas fui impedida.
— Deixa que eu levo. — Ele sussurrou baixinho entendendo minhas intenções.
Assenti e fui na frente. Arrumei a cama. Jasper colocou ela lá delicadade e acariciou seu rosto mais uma vez, olhando pra ela com verdadeira adoração.
Esperei na soleira da porta, quando ele me acompanhou pra sala reuni alguns brinquedos que ela havia deixado espalhados enquanto mostrava pra Jasper.
— Você sabe que aquela Marsha é uma louca torturadora né!? — Eu ri alto do tom desesperado em sua voz.
— Ah sim ela é, mas Cath ama aquele urso, e nada a impede de ver.
Continuei ainda sem o encarar.
— Obrigada por hoje. Cath realmente adorou você e você tem muita paciência com crianças.
— Não foi nada. Eu amei passar um tempo com ela, ela é adorável! Realmente incrível.
Sorri agradecida, mas evitava olhar pra ele, evitava por medo de fraquejar.
— Você está me evitando! — Ele acusou sem o divertimento anterior na voz.
— Não estou não! — Respondi ainda de costas.
— Então porque não se vira e me encara Alice? — Era uma boa pergunta.
Bem, era hora de encarar aqueles lindos olhos azuis.
Virei vagarosamente.
— Não estou te evitando. — Respondi duramente, ouvindo a mentira em minhas próprias palavras.
— Eu preciso saber apenas de duas coisas Alice: 1- Você tem alguém? 2-Quem é o pai de Catarina? — Ele se aproximou duramente me encurralando contra a parede. — E eu espero que a resposta pra um seja não, porque eu quero você Alice, e vou lutar por você e pelo meu lugar na sua vida e na vida de Cath.
Jasper roçou seus lábios nos meus fazendo todo meu corpo arrepiar, um frio na barriga me preencher e ansiedade me tomar. Suspirei languidamente sentindo o cheiro de homem que Jasper tinha me atrair.
Eu estava zonza, completamente dominado pelo poder de sedução de Jasper.
— Responde, você tem alguém? — Ele sussurrou no meu ouvido se esfregando descaradamente em mim, mas ainda não me beijando, e por Deus como eu queria aquele beijo.
— Não! — Exclamei por fim. Mas como um gemido que uma palavra.
Eu deveria ter dito que havia alguém, uma foda ocasional que fosse, deveria ter deixado as coisas mais difíceis pra Jasper, mas estava desnorteada demais por ele, saudosa demais.
Suas palavras colocaram fim a qualquer pensamento.
— Graças a Deus!
Então Jasper tomou minha boca na sua.
Seu beijo era forte, duro, frustrado. Ele se esfregava em mim com precisão, sabendo exatamente onde eu queria, onde eu precisava dele, onde tinha tanta saudade dele. Sua língua duelava com a minha por poder, por paixão.
Jasper se afastou da minha boca pra descer pro meu pescoço, aquele segundo de ar fresco me fez pensar.
Empurrei ele e me afastei o máximo que podia.
— Não Alice, dessa vez você não vai fugir de mim.
Ele se manteve distante, respeitando o espaço que eu precisava, mas que não queria. Ou eu queria e não precisava. Eu não sabia mais.
— Porque você me deixou Alice? — Ele perguntou com um olhar magoado.
Pela primeira vez em quatro anos Jasper me perguntava diretamente porque eu havia terminado com ele, sendo que sim, erámos apaixonados um pelo outro, o sexo era perfeito e estávamos sempre testando os limites um do outro. Era bom estarmos juntos.
Quando resolvi colocar um ponto final no nosso caso ele foi contra, ele tentou me encontrar e me ver, tentou me fazer mudar de ideia, eu fui irrefutável, mentindo pra todos eu fingi que não importava, que não erámos feitos pra ficar juntos.
Eu havia mentido pra todos e pra mim mesma.
Me mantive calada, como havia feito anos antes.
Jasper praguejou.
— Droga Alice! Fale comigo! Eu não vou deixar pra lá dessa vez.
Irritada e encurralada gritei.
— Eu te amava droga! Por isso te deixei! Porque eu te amava!
Eu o havia amado, e se fosse sincera comigo mesma, ainda amava.
Notas finais
O que será que trouxe Jasper de volta? Alguma aposta.
Obrigada por lerem. Até o próximo e último capítulo!
Agorinha eu posto o epílogo de Arena Mortal!
Beijinhos.
19/11/2020.
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