Caderno de ideias

44 O Fogo Petrova


Elena

Tento me concentrar para escrever, mas é impossível com Katherine por perto, batendo ritmicamente um dos saltos altos no chão. O barulho me deixa maluca.

- Quando aqueles dois vão voltar mesmo? — Ela pergunta.

- Amanhã. — Respondo. — Dá pra parar com isso?

- Isso o quê?

Sei que ela está fingindo, me provocando, isso é óbvio na forma exageradamente inocente como inclina a cabeça. Katherine quer um pouco de ação, e me recuso a entrar em seu jogo.

- Não se faça de idiota. — Rebato simplesmente.

Ela ri e vem sentar-se ao meu lado, bagunçando meu cabelo ao passar. Dou um tapa em sua mão.

- Ah, Leninha. — Ela reclama. — Você está uma chata, sabia? Parece até humana de novo.

- Pode parar. Isso não vai funcionar, Kit-Kat.

A vampira rosna baixo, frustrada, e eu reprimo um sorriso. É divertido provocá-la, tenho que admitir.

— Vai pelo menos beber comigo? — Katherine pede, sua voz pingando mel e malícia. — Podemos acabar com o estoque do Damon.

- Está bem. — Cedo, tentando e falhando em não rir. — Mas nada muito forte.

Katherine revira os olhos e volta em segundos com uma garrada de uísque, rindo ao se jogar novamente ao meu lado.

- Já está amarelando? — Provoca, vendo minha hesitação. — Eu sabia! Você é uma medrosa, Elena Gilbert.

- Pare com isso, Katherine.

- Ou o que? Vai começar a chorar? — Ela provoca, já abrindo a garrafa. — Você não tem coragem mesmo. Somos muito diferentes.

- Cala essa boca!

- Me obrigue.

- E que tal um desafio? — Proponho. — Vamos jogar Verdade ou Desafio. Se eu ganhar, você cala a boca.

Katherine pensa por um segundo, então abre um sorriso maligno, seus olhos brilhando.

- Tudo bem. — Ela assente. — Que o jogo comece. Se eu vencer, você faz o que eu mandar. Verdade ou desafio, cupcake?

Escolho desafio. A primeira coisa que Katherine me desafia a fazer é beber metade da garrafa de uísque.

- Ei! — Protesto — Não é justo!

- Claro que é. — Ela rebate. — Sem regras, docinho. Sem regras.

Rosno de raiva. O desafio é beber. A penalidade para não cumprir o desafio também é beber. Katherine me pegou. Resignada, bebo, fazendo uma careta por causa do gosto forte do álcool.

- Sua vez. — Digo assim que termino. — Verdade ou desafio?

- Desafio.

Seus olhos castanhos brilham perigosamente, me desafiando a desafiá-la.

- Eu te desafio ... A beber o dobro do que bebi.

Katherine ri, cumprindo essa em tempo recorde. O jogo recomeça, e dessa vez escolho verdade.

- Escolha. — Ela ordena. — Stefan ou Damon?

Droga, penso. Ela não facilita nem um pouco.

- Damon. — Respondo afinal, de má vontade.

- Há! — Katherine ri alto, batendo palmas de satisfação — Eu sabia!

- Sabia nada.

- Deixe de ser infantil, Elena.

- É a sua vez. — Declaro, louca para mudar de assunto. — Verdade ou desafio?

- Desafio.

Olho para ela, tentando pensar como Katherine, imaginar o que seria pior, em sua opinião. Por fim, tenho uma ideia.

- Eu te desafio a tirar a blusa. — Digo enfim. — Com estilo.

Ela dá um sorriso malicioso e se põe de pé, despindo a blusa vermelho-sangue com gestos lânguidos, sinuosos. E, tenho que admitir, o corpo dela é ... Bom, eu poderia ficar olhando por um bom tempo. Tecnicamente, somos idênticas, mas Katherine tem algo ... A mais. Algo diferente.

- Ora, ora. — Ela ronrona. — Gosta do que vê, Elena?

- Bem que você queria. — Reviro os olhos. — Vampira vadia.

- Ouch! — Ela ri. — Cuidado, lindinha, está começando a falar como eu.

- Então é contagioso.

Katherine ri de novo, me olhando como quem fala "eu não disse?"

- E aí, verdade ou desafio?

- Verdade.

- Diga a verdade, então. — Ela pousa as mãos nos quadris, lançando os longos cabelos cheios de cachos sobre os ombros nus e me lançando um olhar felino. — Gosta do que vê?

Hesito. Se eu ainda fosse humana, já estaria vermelha como um pimentão.

- Eu já disse: não.

- Mentirosa. — Declara com uma risadinha sensual. — Posso ver em seus olhos, sabia? Você é um livro aberto.

- Está enganada.

- E ainda mente? — Ela balança a cabeça, fingindo desapontamento. — Ai, ai, ai, Elena, você merece uma punição. Não devia mentir. São as regras.

- Você mesma disse: sem regras.

- Exatamente. — Katherine abre o sorriso mais largo que já a vi dar, 100% malicioso. Diabólico. Ao mesmo tempo, quase admirado. — Agora beba. Boas meninas não mentem.

Tento pegar a garrafa, mas Katherine é mais rápida. Ela toma um longo gole e ergue uma sobrancelha para mim. Levo um momento para entender suas intenções.

- Não. — Balanço a cabeça. — Sem chance, Katherine.

- Que foi? — Ela provoca, seus olhoa brilhando. — Com medo dos meus germes, Leninha? Ou será que tem medo é de gostar, huh?

- De jeito nenhum.

- Então não vai ser problema nenhum. — Katherine praticamente ronrona, seu tom doce como mel puro. — Além do mais, estou entediada.

- Não se atre ...

Katherine fecha a distância entre nós, erguendo meu queixo com uma das mãos, e me beija antes que eu possa terminar de falar.

Katherine

Minha intenção era apenas provocá-la e fugir, mas é impossível. Os lábios dela me prendem como ímãs. Elena. Minha pequena Doppelgangër. Nunca imaginei que ela beijasse tão bem.

Posso sentir meu corpo assumindo o controle, instinto sobre razão, meus braços agindo-a por vontade própria, circulando sua cintura e trazendo-a para mais perto. Ela geme de prazer.

- Viu? — Provoco. — Eu sabia que você queria isso.

- Você também.

- Talvez ...

- Ah, cala essa boca!

Dessa vez é ela quem me beija, mas não se atém apenas aos meus lábios. Sinto sua língua em meu pescoço, sua rezpiração quente em minha pele. Estremeço de prazer, sem conseguir evitar.

- Elena, nós vamos ...?

- Ah, sim. — Ela sorri, exibindo suas presas, seus olhos brilhando de desejo. — Com certeza.

- Ótimo.

Elena me abraça com mais força, suas mãos tateando minhas costas em busca do fecho de meu sutiã.

- Merda, Katherine. — Ela quase rosna. — Essa droga não sai?

- Arranque, então.

Ela obedece e me empurra para o chão, no grosso tapete persa em frente à lareira, passando as pernas ao meu redor para me prender. Assisto, deitada sob ela, enquanto minha cópia tira a blusa e o sutiã com gestos rápidos.

- Gosta do que vê?

Eu rio ao ouvir minhas próprias palavras, enquanto Elena se inclina para distribuir mordiscadas por meu colo.

- Ora, ora, ora. — Meus dedos se enrolam emnseus cabelos lisos. — Você tem o fogo dos Petrova, afinal.

Ela não me deixa dizer mais nada, e o resto da noite vira um borrão erótico de luzes, sombras, cheiros, texturas e prazer.

Elena

A primeira coisa que sinto ao acordar é uma enorme, avassaladora dor de cabeça. A segunda é alguém deitado ao meu lado, cachos macios fazendo cócegas em minhas bochechas.

- Ei, dorminhoca. — Uma voz suave ronrona em meu ouvido. — É hora de acordar.

Abro os olhos e encaro Katherine, irritada. Minha cabeça dói, e só quero dormir.

- Cale a boca. — Resmungo. — Minha cabeça está doendo. Me deixe dormir.

- Bem feito. — Ela rebate. — É isso que menininhas boas ganham quando tentam ser más. Da próxima vez, não me desafie.

Com essas palavras, imagens borradas da noite anterior começam a pipocar em minha memória. Eu me apoio em um cotovelo, agora totalmente acordada pela surpresa.

- Você ... Se lembra?

- Eu? Não. Lembrar do quê?

Mas seu sorriso malicioso indica sua verdadeira resposta.

- É melhor se vestir. — Ela avisa. — Nossos garotos vão chegar logo.

Solto um gemido de frustração e volto a fechar os olhos. De repente, Katherine pula em cima de mim, uma perna de cada lado de meu corpo.

- Ei!

- Não seja difícil, Leninha. — Ela diz. — Ou ... Terei que punir você. De novo.

- Ah, é? — Desafio. — E o que você vai fazer, Kit-Kat?

- Se não me obedecer ... — Katherine se inclina, seus cachos roçando meu rosto enquanto ela sussurra em meu ouvido. — Eu juro que nunca mais beijo você.

- Sua vaca!

- Engraçado. — Ela sorri maliciosamente. — Não me lembro de ouvi-la reclamar ontem à noite.

- Argh! — Exclamo, empurrando-a de cima de mim e me levantando. — Pronto, estou de pé. Você venceu.

Katherine riu, ficou de pé e me enlaçou pela cintura, beijando-me mais uma vez. Eu a empurrei.

- Também não precisa provocar. — Resmungo.

- Mas é divertido.

É a minha vez de rir, mesmo que a contragosto. Ouvimos o carro de Stefan parar na entrada. Corro para o banheiro, me apressando a trocar de roupa. São as mesmas de ontem à noite, exceto pelos sapatos. No lugar de minhas sapatilhas, estão sandálias pretas de tiras e salto agulha. Sorrio ao calçá-las. Katherine, é claro.

Ela já está totalmente à vontade quando finalmente saio do banheiro, conversando com Stefan e Damon. Reparo em seus pés, nas sapatilhas baixas e beges que ela está usando. Katherine percebe meu olhar e, pelas costas dos rapazes, me dirige uma piscadela maliciosa.

Quase rio. Ela ten razão, isso é divertido. Talvez eu tenha o fogo dos Petrova, afinal.