Caderno de Memórias

5 Capítulo 5 — Tudo pode piorar


Notas iniciais
Olá, pessoal! Tudo bem? Quero me desculpar pela demora em postar. O problema é que a aulas da faculdade começaram e somando isso ao meu trabalho, fica meio difícil escrever. Peço que por favor, tenham paciência. Quero agradecer também as pessoas que sempre deixam sua opinião nos comentários. Me incentiva demais saber que estão gostando. Prestem atenção, pois tem música! Nos vemos nas notas finais =D

“Eventualmente, todas as coisas se encaixam.

Até então, ri da confusão, vive os momentos,

e percebe que tudo acontece por uma razão.”

Albert Schweitzer

Nesta viagem a Catskill eu aprendi algo muito importante: as coisas sempre podem piorar.

Então, se eu achava que o episódio da delegacia havia sido humilhante o bastante, enganei-me. Meu erro fora ter permitido a mim mesma um pouco de alívio por saber que o Sr. “Delicioso” Dragneel nos livraria daquela furada.

O pessimismo sempre me acompanhara de um modo ou outro, talvez eu devesse ter dado ouvidos a esse meu lado.

O fato é que, de forma alguma eu estava preparada para ouvir aquilo. Um dos meus maiores medos — não só meu, como de minhas amigas – se tornara realidade e eu não sabia como reagir diante daquilo.

— Você tem certeza disso, Senhora? – Erza perguntou à idosa, exasperada. Levantava as mãos e abanava-as, demonstrando o quão nervosa estava.

Neste momento, nós encontrávamo-nos na casa da bendita Sra. Mary Willians. O anjo que quase nos levou em cana.

— É claro que eu tenho certeza, sua assanhada! – a voz da idosa alterou-se. — Raramente eu me engano... – finalizou, lançando um olhar desconfiado para nós.

— Raramente?! – indignei-me — Sinto muito, Senhora, mas por estes seus “raros enganos” nós quase fomos presas!

— Ora, eu estava apenas zelando por minha segurança... – seu olhar era o mais falso e descarado possível — O que uma pobre idosa como eu pode desejar, além de paz e sossego? – só faltou chorar.

— Arrrgh! – a ruiva gemeu, enraivada. Ela tremia da cabeça aos pés, com certeza controlando-se para não avançar na Sra. Willians, que estava sentada em seu sofá enorme, todo revestido com um tecido rosa claro — meio brega para falar a verdade.

Realmente, eu precisaria de terapia. Foi com pesar que lembrei-me de que, quando estávamos para sair da delegacia com o Sr. Dragneel, Warren chegara dizendo que o buraco no qual havíamos enterrado o caderno estava vazio. Eu e minhas amigas entramos em estado de choque.

Eu já não saberia distinguir o que estava acontecendo ao meu redor. Poderia ter desmaiado para dar um pouco mais de ênfase no meu desespero, mas nunca fui tão teatral assim.

Desde então, todos viemos para cá – com exceção de Warren e Max –, interrogar a velha fofoqueira que com certeza viu quem foi o desgraçado que desenterrou nossa bomba de segredos.

O único motivo para alguém querer pegar nosso diário era que talvez, viram-nos enterrando e por curiosidade pegaram-no logo após nossa saída triunfal com a polícia – era a única explicação coerente que eu consegui encontrar.

O mais estranho daquela situação toda foi que o tal do Dragneel ficou mais apavorado do que nós com o desaparecimento do nosso caderno. A fúria era mais do que nítida no seu rosto. Na hora eu não havia dado tanta importância, mas agora, pensando bem, aquilo era muito mais do que misterioso.

Tudo naquele homem exalava mistério. Meus instintos diziam-me que ele era alguém muito importante. E pessoas muitos importantes não costumam ir a Catskill sem propósito algum.

Esse era o "quê" da questão: qual razão o levaria até nossa pequena cidade? Já estava mais do que na hora de eu começar a focar em algo que não fosse a beleza dele. Ficar histérica não me ajudava muito, confesso.

O que mais doía é que, justo agora que eu precisava rondá-lo em busca de informações, não tive a chance de trocar uma palavra sequer com ele.

Quando recebemos a notícia, ele limitou-se apenas a fitar-nos com um misto de raiva e pesar, saindo logo em seguida, ordenando que nós mostrássemos o caminho. Estranhamente ele nos deixou usar o nosso carro em vez do dele e apenas seguiu-nos até aqui.

A voz da velhinha interrompeu meus pensamentos:

— Querido, sente-se aqui, eu não mordo – ela batia levemente no lugar vazio ao seu lado, sorrindo maliciosamente. — Há muito tempo não vejo rapazes bonitos como você.

Ignorando-nos completamente, ela olhava diretamente para o policial — pelo menos era o que eu achava.

Ele empalideceu imediatamente, o olhar de raiva que ele tinha há pouco, havia sido trocado por um de desespero.

Velha tarada! Ela estava atirando-se descaradamente para o meu japonês como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

— Olha só, minha senhora, nós realmente apreciaríamos muito se você cooperasse. – ele respirou fundo, provavelmente tentando afastar alguma cena escrota que havia se formado em sua mente. — Por favor...

— Com certeza sou sua senhora, querido — ela respondeu, piscando os olhos "sedutoramente".

O ruivo empalideceu mais uma vez, o suor escorria pelo seu rosto. Alarmado, olhou para nós, pedindo ajuda silenciosamente.

Ora, aquilo já estava demais. Ela nos tratava com desdém, nos chamava de assanhadas e ele ainda falava todo doce com ela?! Bem feito pra ele!

Por favor nada, é obrigação dela nos ajudar depois de tudo o que fez! – exclamei, fazendo com que a velha soltasse um grito exasperado e ele lançasse um olhar mortal em minha direção. — E ela que não venha se fazer de fingida!

— Desembucha logo, quem foi que pegou o caderno? — Erza ajudou-me.

— Como vocês têm coragem de falar assim comigo dentro da minha casa?! – retrucou — Quanta petulância! Ainda mais quando aquela outra malcriada está usando o meu banheiro! Há meia hora que ela está lá dentro, sabe-se lá fazendo o quê!

Juvia... – eu, Erza e o japonês — por incrível que pareça — murmuramos juntos.

Eu não fico a vontade no banheiro dos outros! – gritou ela, lá de dentro.

Ela estava ouvindo?!

Juvia ficou mais nervosa ainda com o suposto sumiço do nosso diário, e foi resolver seu probleminha no banheiro da Sra. Willians logo que pusemos os pés dentro da casa.

— Tá aí parada pensando no quê, sua lambisgóia? – a velha me olhou.

Quando eu iria abrir a boca para protestar, meu japonês interveio, provavelmente prevendo que eu só pioraria as coisas.

— Já chega! Isto não está nos levando a nada! – ele parecia estar a ponto de perder a compostura. — Senhora, mais uma vez, eu preciso muito que você diga exatamente tudo o que viu. – dizia, enquanto suas mãos percorriam os fios ruivos.

— Oh, viram? Isto se chama educação. – falou a última palavra pausadamente, como se eu e Erza tivéssemos algum problema para ouvir ou entender.

— Mas nós falamos com educação! – protestei.

— Mas são assanhadas. Educação de assanhada não conta! – retrucou.

— Ah, não?! Então reza sua velha, reza porque tu vai subir! – ok, ela tinha conseguido fazer com que Erza perdesse o controle.

Nunca fui muito de brigas... Aliás, nunca briguei, pois se tentasse, não venceria nem uma mosca. Mas aquela velha estava pedindo, provavelmente eu iria para o inferno por isso, mas no momento isso era a última coisa com a qual eu me importaria. Eu ajudaria Erza.

Quando estávamos preparadas para atacar, mais uma vez, Dragneel quebrou o clima:

— Já chega! Eu não aguento mais essa palhaçada! — rugiu, fazendo com que nós — inclusive a velha servente do capeta — ficássemos assustadas.

— Vocês pensam que eu sou o quê?! — continuou — Eu não tenho tempo para este tipo de idiotice, e não estou brincando, se isto continuar eu levo todas vocês para a cadeia, ouviram?

Tudo bem, que ele era alguém importante eu já havia entendido. O cara estava estressado, isto era mais do que nítido, porém, aquela preocupação toda com o caderno era mais nítida ainda. O porquê disso já era outra história — que de um jeito ou de outro eu iria descobrir.

— Sim... — murmuramos juntas.

— Ótimo. Agora me diga tudo o que sabe, Sra. Willians. — pelo menos agora ele havia recuperado a compostura.

— Ah, tudo bem... — ela pausou, suspirando dramaticamente — Eu estava em casa, cuidando da minha vida como toda e boa senhora faz, quando vi estas imprestáveis que est-

— Esta parte nós já sabemos! — Erza gritou, interrompendo-a.

O olho esquerdo do Dragneel começou a tremer. Provavelmente isto deve acontecer quando ele fica com raiva.

Não consegui conter o riso, fazendo com que ele me olhasse mais furioso ainda.

Se há uma semana atrás me dissessem que eu estaria na casa de uma velhinha em Catskill, com Erza furiosa, Juvia com dor de barriga e um policial japonês a ponto de perder a compostura — tudo isso ocasionado pelo roubo de nosso caderno, sem contar a parte em que fomos presas — eu riria histericamente.

Porém, o destino prega peças, não é? Eu nunca me considerei uma pessoa ruim de verdade, entretanto parecia que agora eu estava pagando por todos os meus pecados.

Eu tinha que rir para não chorar.

— Prossiga. Sem interrupções.– disse ele, olhando sugestivamente para mim e Erza ao pronunciar a última frase.

— Pois bem, — a velha limpou a garganta como se fosse fazer uma grande apresentação — Como eu dizia, depois de todo o ocorrido com estas encrenqueiras, eu finalmente poderia descansar. Entretanto, foi sem querer que acabei enxergando um homem no local onde elas haviam enterrado a pessoa morta, logo após a saída delas com a polícia. — terminou com um tom de orgulho na voz, até parece que foi um grande feito ter chamado a polícia para nos prender. E pessoa morta? De nada adiantaria retrucar aquela louca.

— Um homem? Por favor, senhora, peço que seja mais precisa. — o policial parecia bastante pensativo.

De fato, se fosse um homem mesmo aquilo era estranho. Eu estava imaginando algo como um bando de garotos ou algo assim.

Não que eu tenha reparado. Mas ele era alto, tinha o cabelo penteado para trás, de cor castanho como cobre, talvez ruivo... Ah, tinha uma barba curta. Ele vestia uma calça social cinza e camisa branca. Usava um suéter de casimira azul marinho. Claro, ele apareceu logo depois que vocês saíram e, se não me engano, tinha uma moto no estilo de moto-boy também da cor azul. Aparentava ter uns quarenta anos. — fez uma pausa, pensativa — Isso é tudo o que me lembro — finalizou com um bico.

O silêncio se fez presente por vários minutos. Estávamos todos boquiabertos diante daquela descrição precisa da velha.

— E isso que ela "nem tinha reparado"... — Erza murmurou baixinho para mim.

Concordei em silêncio. Mas algo naquela história toda me intrigava...

— O que um cara de quarenta anos iria querer com nosso caderno? — pensei alto.

— Isso não quer dizer nada — o policial replicou — Vocês não aparentam serem garotinhas e enterraram um diário. — mais uma vez aquele tom debochado.

— Exatamente, você parece tão interessado quanto nós. — rebati. — E não parece ser nenhum garotinho.

Ele respirou profundamente.

Com amargura percebi que aquela era a primeira vez que eu me dirigia diretamente a ele.

— Eu preciso fazer uma ligação, se me dão licença... — ao contrário do que pensei, ele não respondeu ao meu comentário.

Ele saiu apressado, já com o aparelho na mão.

— E agora? O que vamos fazer? — Erza indagou, preocupada.

De fato, aquela era a minha chance de descobrir algo.

— Erza, espere a Juvia. Eu vou atrás dele.

— Certo.

— Esperar, uma ova. Vá atrás daquela malcriada agora! — a velha pronunciou.

Não fiquei para ver o que aconteceria.

Assim que saí da casa da velha, vi que o Dragneel já falava com alguém por telefone. Por sorte ele não havia me visto. Estava de costas, escorado no carro.

Esgueirei-me atrás de uma moita perto do local. Atentei meus ouvidos para conseguir ouvir o máximo possível.

— Eu não sei. Já se passou muito tempo desde que pegaram o caderno.

Ela falava tão baixo que tive que prender até a respiração, pensando que aquilo me ajudaria.

— Você não conseguiu contato com ele?

Silêncio.

— Entendo... Vamos ter que ajudá-lo. — um longo suspiro — No fim, vamos ter que viajar mesmo. O irônico é que não vai ser para descansar. Sempre odiei decodificação de códigos.

Como assim? Quem ele vai ter que ajudar? Viajar pra onde? Códigos? E o pior: onde nosso caderno se encaixava em tudo aquilo?

— Isso parecia simples... Não sei como fomos tão idiotas a ponto de deixar a situação ficar assim. Desde o início eu lhe disse que deveríamos abordá-las diretamente...

Ele parecia exausto.

— O resto que se foda! Cara, eu estive a ponto de perder toda a paciência que eu tenho dentro daquela casa com aquelas garotas loucas!

Exausto e enraivado.

— Não sei, ela trancou-se no banheiro o tempo todo... — continuou.

Estavam falando da Juvia? Ah, meu Deus! Minha cabeça daria um nó.

— Olha só, você ainda está no hotel da cidade? Eu te encontro aí. É melhor para conversarmos. Sinto que estou sendo observado...

Empalideci imediatamente.

— Não, não estou paranoico, idiota. De qualquer forma, tenho que dizer a elas que vou embora. Agora quero ver o que irão fazer. Quarto 12, certo?

Droga, ele voltaria para dentro. Apressei-me em voltar antes que ele me visse.

Ao entrar, notei que Juvia havia saído do banheiro. Erza estava cochichando em seu ouvido, provavelmente contando os detalhes das coisas que ela não conseguira ouvir enquanto estava lá dentro.

— Onde está a Sra. Willians? – indaguei, notando que nossa “amiga” não se encontrava no local.

— Provavelmente foi verificar se Juvia fez algum estrago... – a ruiva respondeu, sorrindo.

— Sério, dá um nervoso saber que neste momento alguém pode estar lendo nosso caderno. – respondeu, tristonha.

— Ah, por que é que nós temos essas ideias mesmo? Eu sempre soube que isso não daria certo! – Erza estava desolada.

Juvia tinha razão, só de imaginar alguém lendo... Eu não queria pensar muito nisso.

— Agora não adianta lamentar. Nós vamos ter que dar um jeito de pegá-lo de volta. – falei, convicta.

— Mas como? A única coisa que sabemos é que um quarentão de motoca o roubou. — Juvia murmurou, deprimida.

— Eu sei. Mas eu tenho um plano – pelo menos eu achava que tinha — Sei de alguém que parece estar tão interessado em encontrá-lo quanto nós...

Ambas lançaram-me olhares confusos, até que a pessoa na qual eu estava referindo-me entrou na casa.

— Bom, senhoritas, já está na minha hora. Eu tenho muitas coisas para resolver... Espero que consigam encontrar o que procuram – despediu-se Dragneel.

Tão logo terminou de falar, já estava saindo porta afora, comigo e as meninas em seu encalço.

— Como assim, “espero que consigam encontrar o que procuram”? – Erza exclamou — Você não vai ao menos nos ajudar?

— Isso não é assunto meu. – respondeu, simplesmente. Ele estava bem mais calmo agora.

— Porque veio até aqui então? – perguntei.

— Para esclarecer a situação com a Sra. Willians... – ele não parava de andar e nós continuávamos seguindo-o.

— Você não vai nos ajudar? – dessa vez foi Juvia a falar.

Ele parou, ao chegar perto de seu carro.

— Por que eu deveria? Não é minha obrigação. – ele nem ao menos nos olhava.

— Os policiais não têm que ajudar as pessoas? – a ruiva estava a ponto de chorar.

— Quem disse que eu sou policial? – finalmente ele virou-se.

— Mas... – ele não era?

— Mesmo que eu fosse, que tipo de policial perderia tempo a procura de um caderno? Pessoas morrem a todo instante, vocês têm ideia de quantos crimes são cometidos enquanto estão aqui preocupadas por causa disso?

Certo, eu poderia ir para casa sem ter ouvido essa. Com certeza nossa preocupação com o diário poderia parecer egoísta, mas não tinha como evitar. Nossas vidas estavam escritas lá.

Sem ao menos esperar por uma manifestação nossa, ele entrou dentro do carro e foi embora, deixando-nos ali, apavoradas.

— Qual é o problema desse cara? – Juvia indagou.

— Ele é estranho... Em uma hora está todo nervoso e depois desse jeito, como se não desse a mínima.

Erza estava mais do que certa. Eu não deixaria as coisas baratas assim.

Ele estava escondendo alguma coisa e não queria que soubéssemos de jeito nenhum.

Minha cabeça fervilhava. Se bem me lembro, ele mencionou em sua conversa encontrar alguém no hotel da cidade.

Eu tinha que ir até lá tentar descobrir, tirar qualquer coisa dele. Talvez fosse loucura, mas eu tinha que tentar. Ele não podia simplesmente agir como se nós fôssemos seres insignificantes, agora era honra.

— Erza, me leva até o hotel.

— Por que? O que você vai fazer lá?

— Só me levem até lá e esperam, ok? Eu explico depois.

— Lucy, por favor... Nós criamos muita confusão por hoje.

— Confie em mim, eu juro que explico depois, além do mais, isso vai nos ajudar. Por favor... – supliquei.

— Ah – suspirou — Vamos logo, mas se nós formos parar na cadeia de novo, eu te mato!

— ✖ —

Neste momento eu encontrava-me para em frente ao prédio do Hotel Catskill, o único da cidade. Só poderia ser este. Esforcei minha mente para lembrar-me do número... Quarto 12.

Agora só me restava a coragem. Eu não fazia ideia do que dizer a ele, na verdade, não sabia nem o porquê de estar fazendo aquilo, realmente.

Não era hora de pensar, mas sim de agir. Ele teria que dar as respostas que eu queria.

Adentrei no local agradecendo mentalmente a Deus por nunca no passado ter posto os pés lá dentro. Assim, não correria o risco de alguém me reconhecer.

Para um hotel de cidade pequena, até que era bem arrumado. Não tinha muito movimento. As paredes eram pintadas de salmão, e bem no centro da parede principal havia um quadro com uma fotografia enorme da cidade. Bem embaixo desta, havia outra, porém com a faixada do hotel.

Do lado, uma porta indicando a cozinha estava aberta, não dava para ver muita coisa, somente algumas mesas e pessoas fazendo refeição.

Uma garota de uns dezesseis anos de idade estava atrás do balcão de atendimento, seu rosto demonstrava o quão entediada estava. Pareceu até animada em me ver.

— Olá, senhorita! Bem vinda ao Hotel Catskill, meu nome é Laki. – falou, simpática.

— Olá, Laki – não lhe disse meu nome — Você poderia, por gentileza, mostrar-me onde fica o quarto de número 12?

A garota sorriu maliciosa.

— Ah, sim... Há pouco um homem muito atraente dirigiu-se pra lá – soltou um risinho — Entendo...

— Não, não é isso que você está pensando ­— senti minhas bochechas esquentarem, aquela garota era uma pervertida.

— Sei... Bom, de qualquer forma, siga por este corredor – apontou em direção a um corredor no canto direito — Você verá a numeração dos quartos. Boa sorte. – piscou o olho sugestivamente.

Acenei coma cabeça e segui. De fato, eu estava pasma. Fora muito fácil conseguir permissão. Aquele lugar não oferecia nenhum tipo de proteção para as pessoas.

Quarto 5, quarto 7... Fui seguindo até encontrar o que me interessava: quarto 12. Estava tão nervosa que não prestei mais atenção no local.

Parei diante da porta engolindo em seco.

Você consegue, Lucy!

O som de minhas batidas era a única coisa que se ouvia naquele corredor. Eu já estava começando a ficar com medo. Pra piorar a situação, ninguém parecia dar sinal de vida do outro lado da porta.

Bati mais uma vez. Nada.

Automaticamente levei minha mão a maçaneta da porta, crente que esta estaria trancada. Porém, para minha surpresa a porta abriu-se facilmente.

Apenas um feixe de luz saia do quarto. Lentamente movi minha cabeça tentando ver se ele estava lá. Inconscientemente, meu corpo também moveu-se para dentro do local.

O quarto estava bem organizado, não era muito luxuoso, porém também não era cinco estrelas. Nele apenas continha uma cama de casal, um armário e uma cômoda.

— Ora, ora... Ainda agora estava perguntando-me quanto tempo demoraria até você vir até aqui. – uma voz já bem conhecida por mim ecoou no local, assustando-me.

Encostado na parede de braços cruzados, estava ele, meu japonês, mais imponente do que nunca.

Ele ainda estava com a mesma roupa, porém desta vez, sua camisa branca estava aberta, deixando a mostra boa parte de seu peitoral... Eu estava muito ferrada.

— O gato comeu a sua língua? Achei que você gostaria de perguntar-me algumas coisas – mais uma vez ele dirigiu-se a mim.

— Você... Já sabia que eu viria? – indaguei, receosa. Minha voz estava muito baixa.

— Me ofende o fato de pensar que eu sou tão burro assim... É muito feio ouvir a conversa alheia, sabia?

Esse cara amava se divertir as minhas custas. Eu sempre dava motivo. Como eu podia ter sido tão burra? Era mais do que óbvio que ele havia deixado que eu ouvisse sua conversa telefone. Ele sabia que eu viria desde o começo.

— Eu pressuponho que você vai dar as respostas que eu quero, então.

— Veremos. – disse. — Sente-se. – apontou para uma cadeira encostada no outro lado do quarto.

— Não, obrigada. Eu prefiro ficar de pé – no caso de precisar correr, acrescentei mentalmente.

— Se você veio para me importunar sobre aquele assunto, eu sugiro que vá embora. – foi direto ao ponto.

— Então, você não tem absolutamente nada para dizer sobre isso? — minha voz não soou tão segura como eu gostaria.

O olhar dele era quente, percorrendo meu corpo dos pés a cabeça, detendo-se nos meus olhos.

Seu olhar sustentou o meu durante minutos, talvez horas. Eu não fazia a mínima ideia de quanto tempo havia se passado. Quando abri a boca para falar, pensando que ele não me responderia, dei-me conta de que havia prendido minha respiração, sem ao menos perceber.

Não deixe ele te afetar, Lucy.

— Moça, pela última vez, creio que não haja nenhum assunto específico que eu tenha para tratar com a senhorita — seu tom era frio, contradizendo o calor de seus olhos ônix — A menos, não que eu saiba. — terminou, dando um sorriso malicioso.

Qual era a daquele cara? Ele queria fazer com que as pessoas se sentissem inferiores a ele? Aquele tom de deboche que ele usava comigo acabava com toda a magia da beleza exterior dele.

Pois bem, hora de mostrar a ele que eu não sou nenhuma idiota.

— Ah, não? — aproximei-me — Então, foi impressão minha, ou você se importa muito com o nosso diário?

— Por que eu me preocuparia com algo tão idiota quanto isso? Desculpe se eu soar... Rude. Porém, saiba que eu tenho muitas coisas importantes para tratar, não tenho tempo para isso.

Novamente o divertimento brincava em seu rosto. Desgraçado!

— Bom, então o você nos ajudou na delegacia por bondade? Você foi conosco até a casa daquela senhora, porque é um cara muito legal? — dei um suspiro exagerado — O mundo precisa de mais pessoas como você.

Tentei soar sarcástica o bastante para — ao menos tentar — mostrar que eu sou uma pessoa "capaz" de sustentar uma discussão. Se eu estava obtendo sucesso? Bem, isto era algo que eu não conseguiria saber.

A expressão zombeteira não havia deixado seu rosto por um momento sequer. Isso fazia com que a raiva fervilhasse dentro de mim, e quando estou com raiva, dificilmente consigo ser inteligente o bastante para dar respostas precisas.

— Ora, moça... Eu sou um santo. — seu sorriso era quase diabólico. — Se bem que, protagonizar aquela palhaçada na delegacia foi lamentável. Ainda mais por um motivo patético co-

— Motivo tão patético — o interrompi — Que você quase perdeu a cabeça quando soube que o caderno não estava mais lá. Eu notei.

Meu autocontrole já estava se esgotando, não importava-me se ele quisesse me matar depois, mas era um direito meu de saber...

Como ele não disse nada, continuei:

— Eu exijo saber o que está por trás de tudo isso! O que significam esses códigos? Para onde você terá que viajar? O que tem tão importante naquele caderno para causar essa comoção toda?

Mais rápido do que um gato, ele moveu-se num piscar de olhos, a ponto de que seu rosto estava muito próximo do meu... Próximo demais.

— Moça, se quer um conselho: fique longe de tudo isso. Não questione mais, será melhor.

Sua respiração quente estava me deixando zonza. Ele tinha um cheiro amadeirado. Era quase tocável... Meus pensamentos já não estavam tão claros. Diante dele eu ficava vulnerável.

Não estava nervosa pelo fato de estar em um quarto vazio a sós com ele. Apesar de saber que ele me tinha a sua mercê, também sabia que ele não me faria nenhum mal.

A raiva dissipou-se facilmente dando lugar a algo desconhecido para mim.

Vagarosamente, ele pôs a mão em meu cotovelo, fazendo com que eu caminhasse para trás, até encostar-me na parede.

— O que você está fazendo?

Ele nada respondeu, apenas ficou observando-me. Meu rosto esquentou.

Ótimo, corada novamente.

Fiquei tão embaraçada que mantive meus olhos no chão, mais precisamente, olhando para seus pés. Senti seu dedo sob meu queixo, fazendo com que eu levantasse minha cabeça para olhá-lo diretamente em seus olhos.

Surpreendi-me ao perceber que ele estava cuidadoso e hesitante, como se estivesse pedindo permissão. Eu provavelmente estava louca. Como eu podia ficar assim com um cara que eu conheci a pouco menos de um dia? Pior, eu não sabia nem seu nome.

Ele permaneceu parado por mais um momento, até que finalmente roçou os lábios nos meus. Eu estremeci. Esqueci-me de tudo e todos simplesmente com aquele toque.

Beijou-me devagar, como se tivesse todo o tempo do tempo. Seus lábios eram macios e quentes. Ele era todo quente. Seus braços deslizaram pela minha cintura, apertando-a, fazendo com que meu corpo ficasse ainda mais colado ao dele.

Ele suspirou de prazer e não me contendo mais, aprofundei o beijo. Eu estava derretendo em seus braços. Cada ponto em que ele me tocava ficava dormente. Enlacei meus braços em seu pescoço, puxando seus cabelos com meus dedos. Aquilo era muito bom.

Não faço a menor ideia de quanto tempo ficamos nos beijando. Meu cérebro estava sobrecarregado emocionalmente.

Afastando-se pausadamente, ele riu baixinho. Foi como se todo o calor do meu corpo tivesse me abandonado.

— Por que fez isso? – minha pergunta saiu como um sussurro.

— Sempre tive vontade – confessou – Além do mais, quero que escreva sobre mim em seu caderno quando tiver a chance.

— Você parece seguro de que eu vou fazer isso.

— E de fato estou, moça. Eu acho melhor você ir agora. Suas amigas estão esperando.

O que aquele cara era, afinal? Um stalker?

— Você não me respondeu absolutamente nada! Não haja como se eu fosse uma qualquer.

— Eu sei que não é. Na verdade, você é muito interessante, Lucy Heartfilia – arrepiei-me novamente.

Realmente, eu não sabia se ficava feliz ou triste. Fui até ele para que me desse respostas e a única coisa que eu consegui foi um beijo e mais confusão em minha mente.

Valeu a pena.

Sabendo que ficar ali em nada me adiantaria, resolvi que já estava na hora de recuar. Eu precisaria bolar um plano para poder lidar com ele.

Ainda não era a hora.

Sem nada dizer dirigi-me a saída, quando fui interrompida por sua voz:

— E para o caso de você querer saber, meu nome é Natsu...– falou, malicioso – Quero que saiba o nome da pessoa na qual estará pensando.

Essa foi a última frase que ouvi depois de sair rapidamente do Hotel.

Infelizmente ele estava certo, agora todos os meus pensamentos teriam nome e sobrenome.

— Você também é muito interessante, Natsu Dragneel.

... Continua

Notas finais
É isso, gente... Palpites de quem roubou o caderno? E a Sra. Mary Willians, uma simpatia, não é? hahahahahaha. E alguém tem um palpite das respostas que a Lucy tanto quer do Natsu? Falando nele... Teve beijo. O que acharam? Nos vemos nos comentários. Beijos e boa noite
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