Todos estavam andando em fileira e podiam ouvir sons de pedras caindo e pessoas gritando. O lugar onde estavam era assustador, escuro e sombrio, de forma totalmente desconfortável para se andar. Para os cinco, cada passo era como uma trilha direta para a morte.

— Você tem certeza, Will? – Questionou Hanna

— Sim, eu sinto como se já estivesse aqui, mas algo me bloqueia de encontrar a saída.

Hanna bufou e aumentou o volume de seus passos para poder chegar mais perto de todos.

— Pessoal, eu acho melhor darmos uma parada e dormirmos um pouco – Rick parou, seu rosto estava aparentemente destruído, sua voz rouca e de longe era possível ver o suor escorrendo em seu pescoço.

— Também acho, estamos todos cansados e quase morrendo – Hanna tomou a palavra -, se continuarmos assim não iremos pensar direito.

Will olha para trás e acena com a cabeça mostrando que estava tudo bem. O primeiro a se deitar foi Rick. Ele correu para um canto onde havia bastante terra, encostou a cabeça em uma pedra e não demorou muito para o ronco começar a soar. Peter tira a mochila e a apoia na parede, tentando formar uma espécie de travesseiro improvisado, deita-se no chão. Hanna se senta e chama Iara para deitar em sua coxa.

— Hanna, você acha sairemos vivas daqui? – Indaga

— Claro, minha linda. Eu estou aqui com você, vou estar sempre aqui. Não se preocupe.

Hanna se inclina e dá um beijo leve na testa de Iara. A menina sorri, fecha os olhos e tenta dormir.

Do outro lado Will está pensando em que tudo que havia acontecido tempos atrás. Sua cabeça parecia explodir e já não estava se aguentando mais ficar acordado. Dormiu. No meio de seu sono, começou a suar e sussurrar palavras. Estava tento um pesadelo.

Estava em um breu totalmente escuro, o lugar era tão vago e silencioso que Will podia ouvir seus pensamentos.

— Tem alguém ai? – Gritava – Meu nome é Will Azestes. Estou procurando a saída e preciso de ajuda.

Uma corrente fria tomou conta de seu corpo. Forçou a visão para tentar enxergar algo, mas tudo que via era uma imensa escuridão negra.

— A ilusão. Ilusão é a entrada. – Uma voz maliciosa surgiu no meio do nada – Vocês acreditam que estão dentro, mas nem sempre é a realidade. Este é o lugar para mortos. Vocês são vivos. Pense como um vivo pode estar nos mortos se este não é o lugar de vocês?!

— Quem é você? Como posso ter a certeza de que está me falando a verdade?

— Pois sou eu que te acompanho Will, eu que te protejo. É a mim que você deve encontrar. Pense Will, pense.

— Então me diga onde você está. Diga-me o que você quer de mim!

Vozes de diversos tons foram soando. Gritos, choros. Ventos fortes e o solo começou a tremer.

“Ilusão é a entrada”

“Ilusão é a entrada”

“Ilusão é a entrada”

“Ilusão é a entrada”

— Ilusão é a entrada – Will acorda gritando. Coça os olhos e vê que todos estão dormindo e que tudo não se passou de um sonho.

— Minha mão que vai entrar na sua cara se você não calar a boca – Murmurou Peter do outro lado, aconchegando a mochila e voltando a dormir.

Will começa deduzir tudo. Sussurra de um canto, fala alto em outro. Passaram-se meia hora até que ele finalmente entende.

— Mas é claro. – Ele se desespera – Acordem! Acordem agora!

Todos começam a reclamar e Will ajuda a levantar um por um até todos estarem de pé.

— Gente, a ilusão é a entrada. – Começa explicando – Se Fidéliuns é como o inferno para os espíritos, aqui é um lugar para mortos. Quais são as únicas chances de estarmos aqui?

— Só se estivermos mortos – Respondeu Iara.

— Exatamente. Somos sobreviventes e não podemos estar junto com os mortos por que este não é nosso lugar. Ilusão é a entrada, da mesma forma que também é a saída. A ilusão, pessoal, ilusão nos trouxe aqui e também pode dos tirar. Nada disso é real, é fruto de nossa imaginação e a forma de alimentarem isso era botando pessoas diferentes a cada momento conosco para pensarmos que era tudo normal.

— É claro, primeiro eu, depois Hanna, Peter, você e Iara. – Conclui Rick – Tudo isso para forçar a ilusão de que isso era real.

Todos se entreolham e seguram as mãos uns dos outros.

— Se queremos realmente sair daqui, precisamos fazer isto junto. – Disse Hanna

— Prontos? – Pergunta Will

Todos acenam com a cabeça e apertam as mãos.

Seus corpos passaram a arder e um terremoto forte começou e todos caíram no chão. Uma dor tomou conta de todas as almas ali presente.

— Isso não é real – Grita Will – Aguentem!

Hanna fecha os olhos e passa a sussurrar diversas vezes. “Não é real” “Não é real”. Até que uma fumaça toma conta de seu corpo e a mesma desaparece. Todos fazem o mesmo seguindo um por um até que só resta Will.

— NÃO É REAL– Berrou tão alto, prolongando a frase até que seu corpo foi tomado por nuvens negras e o fez desaparecer.

Todos pousaram no topo de um prédio no meio de uma cidade iluminada, cheia de prédios e carros. Era de noite. De onde estavam, era possível enxergar as pessoas tão pequenas e parecidas com formigas. O som de buzina soava como liberdade.

— Onde estamos? – Perguntou Iara

Todos riram

— Estamos em Las Vegas, Iara. – Respondeu Hanna, com um sorriso enorme.

Todos se afastaram para olhar os pontos diferentes do local. Cassinos, bares, prédios, karaokês, tudo era possível e inovador.

— Galera, pelo visto nem tudo é perfeito – A voz de Peter havia mudado, estava trêmula e fraca.

Todos o olharam e ele apontou para cima. Sete cavalos enormes galopando pelo céu. Montados neles, enormes cavaleiros com arco e flechas, apontando para onde estavam.

— Corram! – Gritou Rick.

Os cavaleiros começam a atirar. Hanna estende suas mãos em direção a um deles, seus olhos ficaram totalmente pretos.

Pontraliun Serdilens

Uma rajada de fogo saiu de seus dedos e voaram em direção ao cavalo que estava no meio.

— Eles são Corçalos. Não se pode lutar contra. – Peter gritou para Hanna.

— Então como os vencemos? – Indagou

Peter da um salto para se aproximar mais e responde

— Não vencemos apenas os atrasamos.

Iara está com uma adaga na mão lutando contra um dos cavaleiros – ela combatia muito bem para alguém da idade dela, para dizer a verdade, era muito mais experiente que Will -. Um dos Corçalos pulou em sua frente, ela esquivou-se, passando por trás dele e agarrando seu pescoço e enfiando lâmina no pescoço dele. O espírito em si, recuperou-se segundo depois, agarrou nos cabelos de Iara e a arremessou contra a parede. Com uma dor no ombro, ela tira uma faca guardada em sua bota e arremessa em direção ao peito do Corçalo – que rapidamente apontou uma de suas flechas em direção à cabeça de Iara. Ao preparar seu ataque, foi impedido por Hanna que chegou cruzando suas pernas em volta do pescoço do espírito e o levando ao chão. Peter corre para levantar Iara enquanto os outros tentam ganhar tempo.

— Pelas escadas! O mais rápido possível ouviram? – Ele grita, carregando um dos braços de Iara no ombro para poder mantê-la em pé e vai para as escadas.

Rick, Hanna e Will se separam e um por um corre para escada a fim de se encontrar com os outros.

— Onde eles estão? – Pergunta Iara

— Conseguimos despista-los, mas ainda não foram embora. Precisamos ter cuidado. – Responde Will.

— O que era aquilo? – Pergunta Rick.

— Corçalos, espíritos de guerreiros antigos que lutavam uns com os outros para simplesmente causar caos. – Responde Rick – Durante anos, muitos tentaram descobrir como derrotá-los, mas todos os relatos das pessoas que os viram, dizem que eles só vão embora quando...

— Quando o que, Peter? – Pergunta Iara

— Eles só se vão quando alguém morre ou dá sua vida para eles. Por isso eles ainda não foram extintos, pois eles sobrevivem da morte dos outros. É impossível matá-los por que eles são feitos de morte.

As escadas começam a chacoalhar. Um corçalo surge no meio dos cinco. Todos dão um passo para trás. Ele tira uma espada de sua boca e olha um por um. Quando Rick reage, ele o joga para trás e enfia a espada diretamente no peito de Iara, que cai no chão sem emitir nenhum som e uma fumaça toma conta do local. Todos entram em desespero. Hanna se joga em direção a ela, pondo a cabeça de Iara em sua coxa e chorando extremamente.

— Ei, ei, amigona. Não vai não, fica comigo aqui, por favor. – Suplica Hanna, suas mãos estão tremendo e seus olhos pareciam dois rios transbordando – Minha pequena. Minha guerreira. Fica comigo.

Os olhos de Iara foram se fechando. Ela puxa a ultima vinda de oxigênio que conseguia, estende as mãos ao rosto de Hanna e abre um minúsculo sorriso.

— Você foi uma das melhores amigas que eu já tive, você cuidou de mim. – Ela tosse um pouco demonstrando fraqueza na voz – Você lutou por mim e para mim. Eu não posso demonstrar o tamanho da minha gratidão. Fosse é incrível Hanna. Eu te... – Sua voz sumiu, sua boca se fechou. Seus movimentos foram se reduzindo em uma velocidade de muito lenta para imóvel.

Hanna a aperta forte, seus olhos não suportam as lágrimas, seu coração não aguentava essa dor. Ela abaixou-se e deu o último beijo na testa de Iara – como sempre fazia quando ela ia dormir.

Uma fumaça levava o corpo e todos ao redor estavam aos prantos. Peter estava abraçado a Hanna e a segurando enquanto ela lutava se negando a acreditar que Iara se foi. Ela se solta e sobe as escadas correndo. Os meninos vão atrás dela para segurá-la, mas ela está decidida do que quer fazer. Hanna chega ao terraço onde estavam lutando com os corçalos e cai de joelho. Ela olha para o horizonte, seca as lágrimas e se levanta.

— Nós vamos descobrir quem os mandou. Nós vamos matar quem os mandou. Não por mim, por ela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.