Cada dia da minha vida

21 Capítulo 21 – Saudade


Notas iniciais
Gente, eu sei que tem coisas que tão bem diferentes da novela, mas é uma fanfic. Na falta de informações ou de coisas que só ficaram no ar, só usando a imaginação mesmo. E como tomei um caminho diferente daquele atentado ridículo que Brice e Virgílio fizeram pra Amália (uma das poucas coisas que desaprovo nessa novela), claro que alguns acontecimentos vão ser totalmente diferentes. De qualquer forma, espero que gostem. ;D Boa leitura! =D ♥

Capítulo 21 – Saudade

Amália despertou de um sono profundo e agradável que tinha duvidado que conseguiria ter. A primeira coisa que sentiu foi o conforto dos braços de Afonso em volta dela e a sensação de proteção com o ferreiro a abraçando pelas costas. Sua mão subindo para acariciar seu ombro e ele beijando seus cabelos mostrou que já estava acordado. O quarto estava escuro devido à janela fechada, mas a luz do sol já entrava pelas frestas da madeira.

— Bom dia, meu amor – ela lhe disse.

— Bom dia – Afonso respondeu sorrindo e se apoiando no cotovelo para olhar pra ela.

Amália se virou para cima para encará-lo numa posição mais confortável e acariciou seu rosto.

— O que vamos fazer agora?

Afonso pareceu pensar por um instante.

— Você precisa comer, nosso bebê acordou antes de você.

Coincidentemente o bebê a chutou nesse mesmo instante, e Amália acariciou o lugar.

— Bom dia, meu amor – disse ao filho, e depois riu ao pensar no que Afonso tinha falado – Você estava brincando com ele?

— Sim. Embora ele não reaja tanto a minha voz quanto reage a sua.

Amália ficou séria pensando nos meses de felicidade que haviam perdido juntos.

— Tudo bem... Vamos recuperar nosso tempo agora – Afonso lhe disse diante de seu silêncio.

— O mais rápido possível – Amália sorriu.

— É difícil, de novo, encarar tudo lá fora sabendo de como deveria ser essa manhã... Mas não vai.

— Eu sei – ele respondeu – Mas nossa família está esperando em Montemor. Eu sei que nada será igual ao que desejávamos e esperávamos, mas estamos todos juntos novamente, e isso vai nos ajudar em cada passo que dermos agora.

Ela sorriu em concordância.

— E depois que estivermos prontos pra partir, vamos à cidade. Eu acho que sei onde tem uma carroça abandonada.

— Onde?

— Na ferraria. Oséias tinha uma carroça que usava uma vez ou outra pra buscar materiais e mantimentos, a deixava em sua casa, que fica próxima. Não precisei usá-la depois que fiquei sozinho, mas com sorte ainda estará lá.

— Espero que sim. Ou levaremos dias pra chegar a Montemor caminhando.

— Vai estar – ele sorriu.

— Como você sabe?

— Amália, estou tentando ser otimista.

Dessa vez ela gargalhou, e Afonso soube exatamente do que ela estava se lembrando. E como era doce saber que ela havia recuperado todas as suas memórias deles, mesmo as mais antigas.

— Se você for tão bom encontrando carroças perdidas quanto é prevendo uma chuva ficaremos em Artena pra sempre.

Afonso gargalhou junto com ela, se inclinando para beijá-la.

******

Cássio olhava a entrada da floresta ao amanhecer, tentando enxergar o mais longe que era possível. Soubera pela família de Amália que Afonso deixara o reino há cerca de três dias, e desde então ninguém tinha notícias dele. Ninguém que sabia disso ao menos, uma vez que estavam fazendo esforço para que a falta do ferreiro passasse despercebida ao tal Virgílio, que novamente rondara a entrada da floresta no dia anterior, sem saber que estava sendo observado por Tiago. Virgílio ficara o tempo todo calado enquanto caminhava, embora seu olhar denunciasse o quanto estava desesperado, pra não dizer quase louco, segundo Tiago.

Cássio aproveitava suas folgas dos serviços no castelo para buscar informações quando era possível. Também não convinha levar essa situação a qualquer pessoa do interior do castelo, incluindo o rei, por muitos motivos. E tudo que podia esperar é que seu amigo estivesse bem, e que tivesse encontrado Amália, e que ela não tivesse perdido a criança. Já fora suficiente serem forçados a deixar seu reino.

Olhando para o sol que começava a subir do horizonte para o céu, deu às costas à floresta para retornar a seu posto. Soubera que Selena, aluna inusitada da Academia Militar havia se tornado uma boa amiga de Tiago, e conquistara a confiança da família para tomar conhecimento sobre o que houvera a Amália. Cássio não tinha notado tentativas da parte dela em descobrir algo, e achava mais seguro não saber. Ambos se prejudicariam se o castelo descobrisse suas investigações paralelas aos serviços do exército e da academia, especialmente alguém que no momento era apenas uma aluna.

******

Amália esperou com o cavalo enquanto Afonso trazia a carroça para fora da casa de Oséias. Apesar de um pouco antiga, parecia em bom estado suficiente para leva-los até Montemor.

— Apesar de não ser muito usada, parece em bom estado – Afonso falou analisando a estrutura da carroça – Vou verificar se está tudo certo pra que possamos colocar o cavalo nela. E vamos usar os cobertores que trouxemos de casa pra deixa-la mais confortável pra você.

— Acredito que outras coisas tenham sido deixadas pra trás.

Afonso a olhou com curiosidade.

— Há algo mais que você precise?

— Vou providenciar em Montemor de qualquer forma, mas já que estamos aqui... Poderíamos ir à casa de Perla?

— Claro... Mas o que você quer procurar por lá?

— O bebê dela já tem mais de um ano, e provavelmente a essa altura ela já se desfez de todas as roupas que usou durante a gravidez, mas talvez alguma tenha sobrado. Caso sim, na presa em que todos fugiram na guerra, não acho que ela tenha levado.

Afonso pensou por um instante.

— É uma boa ideia. Você vai ficar mais confortável com roupas adequadas do que precisando ajustar as suas.

— Aliás... Ela sobreviveu, Afonso? E o bebê?

— Ainda não tenho certeza sobre todas as pessoas que conhecemos, mas Perla está bem, felizmente ninguém da família dela morreu. E não perdemos nenhuma criança do reino também.

Amália suspirou aliviada.

— Graças a Deus.

— Vou aprontar a carroça e vamos assim que eu acabar.

Amália assentiu e o beijou antes de ir se sentar num dos bancos da ferraria enquanto observava o marido verificar as rodas do objeto e colocar alguns reforços em alguns pontos. Apesar do casamento dos dois estar anulado, e com o rei Augusto desaparecido o problema se tornar mais difícil de resolver, ela não conseguia pensar nos dois de outra forma, e esperava que tão logo se recuperassem da guerra, pudessem oficializar sua união novamente.

Afonso parou o que fazia por um momento para observar a esposa brincando com o bebê conforme ele se movia sob a pele e o tecido das roupas, não conseguindo evitar um enorme sorriso e pensando no quanto ambos estavam ansiosos para chegar a Montemor e aproveitar melhor esses momentos, e mais ainda para conhecer o filho. Em poucos minutos finalizou seu trabalho e prendeu a carroça ao cavalo, depois forrando os cobertores que tinham sobre o objeto.

— Tudo pronto – ele falou se abaixando na frente da plebeia e unindo suas mãos as dela – Podemos ir à casa de Perla agora, e depois seguir pra Montemor.

— Você vai levar alguma coisa aqui da ferraria?

— Poucas. De qualquer forma eu não tenho um local pra trabalhar em Montemor ainda, e não quero ocupar muito espaço, você tem que ficar confortável. Vou levar apenas algumas ferramentas pequenas que também podem ser úteis em casa.

— Você quer ajuda? Ou vai continuar me proibindo de trabalhar como no início?

Afonso riu.

— Acho que a essa altura você não tem mais argumentos, Amália – ele falou acariciando sua barriga, e ela riu junto com ele, sentindo-se estranha e grata ao mesmo tempo por conseguirem sentir felicidade num momento tão infeliz para Artena e seus habitantes.

— Então vou deixar você fazer todo o trabalho. É mais fácil do que resgatar alguém de uma carroça desgovernada.

Ela viu os olhos de Afonso brilharem e um sorriso comovido surgir em seu rosto. O ferreiro riu outra vez e a beijou demoradamente.

— Fico muito mais tranquilo por você estar segura com os pés no chão agora. Mas já recolhi tudo enquanto reforçava a carroça. Vou trancar a ferraria e podemos ir.

Os dois continuaram rindo e conversando, decidindo aproveitar aquela alegria enquanto ela durasse, apesar da dor no fundo do coração por presenciarem o reino em ruínas. Com a ferraria trancada, Afonso olhou uma última vez para o lugar e ajudou Amália a subir e se acomodar na carroça, enquanto ele guiava o cavalo até a casa da amiga feirante.

O ferreiro conseguiu abrir a porta do mesmo jeito que tinha feito com a casa deles e teve certeza da casa estar vazia antes de deixar Amália entrar junto com ele, apenas por precaução. Realmente pertences haviam sido deixados para trás. Alguns móveis, roupas e até mesmo algumas coisas do bebê. Amália procurou por alguns minutos até encontrar o que precisava. Apenas uma peça, mas estava lá como Amália havia previsto. Ela e Perla vestiam tamanhos parecidos, então deveria servir. Era um vestido simples, verde escuro, que até se parecia com as roupas que Amália costumava usar, mas numa única peça, e ajustado abaixo dos seios, de forma a se moldar melhor ao corpo de uma mulher grávida. A cor do tecido também ficava incrivelmente bela em contraste com seus cabelos ruivos, Afonso pensou.

— Me lembro de mim e Diana termos visto Perla usando esse quando estava esperando o garotinho. Ela estava tão feliz...

— E nós logo estaremos também, apesar de tudo que aconteceu – Afonso falou abraçando por trás e beijando sua têmpora.

— Vou me trocar e podemos seguir até Montemor.

Ele já tinha visto esse olhar de coragem e determinação nela muitas vezes, mas ver no momento em que estavam o fez admirá-la ainda mais.

— Deixe-me ajudar.

Amália removeu as roupas que usava e as dobrou para a viagem enquanto Afonso já a ajudava a se vestir. O vestido lhe serviu perfeitamente, quase como se tivesse sido feito para ela, e Amália agradeceu mentalmente por ela e Perla terem portes físicos parecidos.

— Parece até que ela deixou esse aqui especialmente pra você – Afonso falou.

— Quem sabe...? O destino já nos ajudou tantas vezes.

Ele riu com alegria.

— E você está linda.

Amália sorriu enquanto se beijavam mais uma vez.

— O que vestiu enquanto estava com a mandingueira?

— Ela tinha alguns tecidos que consegui usar pra improvisar roupas novas, mas todos pra o frio do interior da floresta, eu usava enquanto estava lavando as minhas. Não vi necessidade de trazer comigo. Coincidentemente quando você me achou eu estava usando as de costume.

— Que bom que a encontrei logo. Essa é uma das questões que temos que resolver em Montemor.

— Agora vamos. Quero logo reencontrar todos.

— Você não tem ideia do quanto todos querem o mesmo.

Trocaram um sorriso e deixaram tudo como haviam encontrado. Saíram da casa e Afonso trancou bem a porta, depois ajudando Amália a se acomodar na carroça novamente. Então a beijou e subiu para guiar o cavalo.

— Conseguimos nos adiantar bem. Se o cavalo não ficar muito cansado, devemos chegar em Montemor ao anoitecer, ou amanhã cedo.

— Não vamos nos apressar além do necessário, cansados não vamos conseguir viajar.

— Sim. Montaremos acampamento de novo se necessário, mas sabendo que Virgílio andou procurando você, quero tentar chegar hoje.

Ela concordou, e observou com tristeza e saudade cada rua de Artena por onde passaram até chegarem ao campo e ela poder ver mais uma vez o local onde conheceu Afonso. Ele fez o cavalo ir mais devagar ali, também olhando para o mesmo local que ela, mas logo tomaram distância, e o reino de Artena ficou pequeno até a visão do campo, do castelo distante, da feira, e de tudo mais desaparecer.

Notas finais
Pra quem não se lembra, perla é a mãe desse bebê que Amália tá segurando nessa foto. Eles apareceram no capítulo do dia 10 de fevereiro de 2018. O Nyah não deixa colocar mais de 1 foto por capítulo e às vezes a foto nem aparece, mas se vocês procurem essa mesma fanfic no AO3, lá consegui colocar a mesma foto daqui e mais uma de Perla com o bebê. Falando bem sério, acho que a atriz é realmente mãe ou parente de sangue do menininho. São quase clones. xD É uma miniatura loira dela em versão masculina.