Cada Um Com Sua Cor
3 3. “Black or White”
Notas iniciais
3. “Black or White”
Naquela semana, ao fim de cada dia, Ariel anotou os momentos que queria se lembrar. Ele tinha um diário.
Era um costume bobo, havia herdado aquela aura piegas da mãe e amava o fato de poder eternizar um momento com algumas palavras bonitas num papel, mesmo que sua letra fosse péssima. Nas últimas páginas, falava muito de um rapaz negro que era recluso demais, fechado demais. E que agora dormia no quarto ao lado com a irmã caçula.
Todos os diários que ele já tinha escrito, ficavam num armário pequeno, no meio das meias sujas que eram motivos para as constantes discussões com a mãe acerca do “cheiro de morte” que saía dali. O que Ariel não sabia, é que Rika McFly adorava ler aqueles diários quando ele não estava em casa.
Motivo esse, pelo qual ela abriu um sorriso ao vê-lo morder a caneta enquanto olhava para lugar nenhum. Não perguntou nada, sabia que ele não diria nada do que tinha escrito, mas a curiosidade a levaria para aquele quarto quando o filho não estivesse em casa e ela descobriria o que causava aquele sorriso pequeno no canto da boca do menino.
— Então? O que achou de Jude? — O tom não foi de pergunta, era mais uma afirmação e Ariel quase morreu do coração ao ver a mãe surgir. — Os vi conversando hoje no café da manhã.
O rapaz deu de ombros.
Não gostava de mentir. Jude ainda era um estranho para si, mas...
— Ele é legal.
— Não estou falando disso, benzinho… — Com aquele tom sugestivo, Ariel arregalou os olhos. — Sabe, você fica olhando ele de longe...
— O quê?! — A mãe era uma sádica maluca. — Não tem nada a ver, mãe! Você me pediu pra fazer eles se sentirem confortáveis, eu ‘tô tentando…
Rika deu de ombros.
Era uma mulher alta e, como o filho, magra demais. Tinha cabelos descoloridos e espetados nas pontas, o que a fazia parecer ter alguns parafusos a menos, como de fato tinha. Obviamente, ela se arrumava como uma perfeita dona de casa quando tinham visitas.
Como seria na noite seguinte.
— Os chefes do seu pai…
— É, eu sei. — Ariel odiava aquilo. — Quando eles vêm?
Os dedos longos da mãe agora acariciavam o colchão do filho.
— Amanhã de noite. — Ela suspirou. — Talvez até lá eu consigo dobrar ele, mas se não...
— Eu posso chamar ele pra dar uma volta, mas o que vai fazer com a Carrie?
Ela puxou fiapos imaginário da própria roupa, Ariel estreitou os olhos.
— Ela é só uma criança, Ari... Até lá, já vai estar dormindo. — E, pelo que haviam percebido, Carrie dormia com uma facilidade incrível e só uma bomba para conseguir acordá-la depois.
Mais um suspiro, o mais novo assentiu. Não tinha muito o que se fazer naquela situação. O pai era um maldito cabeça dura.
— Vocês estão casados há mais de vinte anos, dona Rika. — Ariel se sentou ao lado dela. — Se conseguisse mudar aquele cabeça dura, já teria mudado.
Tudo o que ela pôde fazer, foi pegar mão do filho e apertar os dedos ali, por não querer admitir que, no fundo…
Ele tinha razão.
*
Jude não gostava de ficar dentro de casa e gostava menos ainda de ficar dentro de uma casa onde não era bem-vindo, mas, dessa vez, não tinha muita escolha e nem segundas opções.
Era a casa dos McFly ou a sarjeta e duvidava muito que Carrie o perdoasse caso tivesse que ficar sem os bolos de chocolate de Rika.
Brincadeiras à parte, pensava em procurar um trabalho, mesmo não conhecendo nada ali e a expectativa de que Ariel pudesse ajuda-lo com isso foi descartada logo que pensou. Mais que tudo, odiava depender dos outros.
Por isso, não saiu muito do quarto desde a noite em que foi ao cinema com o outro garoto, que também não parecia fazer muita questão da sua presença, mesmo que o pegasse lhe encarando de longe. Jude o entendia.
Se tivessem um estorvo dentro de casa, ele também ia querer distância.
Mas Carrie tinha necessidades que precisavam ser supridas para além das quatro paredes brancas, uma cama e um guarda-roupa velho. Ela era uma criança e, como toda criança, precisava de espaço para fazer toda a bagunça que a cabeça cheia de tranças podia inventar.
Era exatamente por isso que Jude estava sentado no gramado da casa, vendo enquanto ela pulava de um lado para o outro em uma brincadeira que só fazia sentido dentro para ela. O walkman preservava sua sanidade mental e os fones de ouvido estavam em uma altura considerável enquanto transmitiam uma das músicas que menos gostava da banda de Rock ´N Roll predileta.
Ele também não era muito de pensar e nem de se importar com as outras coisas, mas era impossível conter as perguntas sem respostas que vinham quando ficava um pouco em silêncio.
Haviam pessoas realmente racistas naquele mundo, ele sabia bem disso e, na pior das hipóteses, Nathan McFly não seria só um homem incomodado com mais duas bocas para sustentar no final do mês. A mãe sabia disso? Ele deveria se preocupar? E Carrie?
Mas a maior de todas as perguntas, que roubava o direito de resposta de todas as outras, era; como foi que chegaram àquele ponto?
Nunca foram ricos, bem longe disso, na verdade. Mas conseguiam segurar as coisas bem, ao menos nos dois anos após o pai ter sumido do mapa. Seriam as dívidas que o infeliz tinha deixado nas mãos da mãe ou as que eles adquiriram ao longo desses últimos quatro anos? Fizeram dívidas novas para pagar outras antigas e criaram uma situação irreparável; uma bola de neve sem meio ou fim.
Isso, claro, foi o principal dos fatores para que America aceitasse o primeiro trabalho fora do pais e arrumasse um lugar para deixar os filhos, mas, embora soubesse que ela os amava, seu maior medo é que ela seguisse o exemplo do marido.
Olhou para Carrie de novo.
Ele era novo demais pra ser mãe e pai da irmã mais nova.
E, por falar em mãe, Rika acabava de sair da casa e fechava a porta atrás de si. Ela usava um vestido listrado e saltos que combinavam com a faixa preta que ela tinha nos cabelos descoloridos de corte estranho. A bolsa era amarelo ovo e ele não entendia nada de moda pra opinar se aquilo estava certo ou errado. Mas ela estava bonita, bem mais que o normal.
Ainda ponderava no quão parecidos eram mãe e filho, principalmente nos olhos que eram cor de mel, quando percebeu que a boca dela se movia e nada coerente saía dali além da voz masculina de um cantor de rock que ele não lembrava o nome. Quantas músicas havia deixado de ouvir enquanto estava perdido em pensamentos?
Decidiu tirar um dos fones e, quando ela percebeu que ele não tinha ouvido nada, começou a rir. Ela ria muito, diferente de America, que estava sempre preocupada e com rugas entre as sobrancelhas bem-feitas.
— Eu... não ouvi. — Isso já estava claro, mas ele se permitiu alguns segundos se sentindo um idiota. — Algum problema?
Rika mostrava todos os dentes quando balançou a cabeça num sinal positivo e o rapaz se acalmou. Ninguém daria uma notícia ruim com aquela animação toda.
— Eu disse que vou ao salão, preciso dar uma ajeitada nos cabelos. — As unhas vermelhas apalparam a extremidade direita dos fios loiros e ele se perguntou o que tinha pra ajeitar ali. — Pode buscar o Ari na floricultura pra mim?
Jude apertou as sobrancelhas.
— Floricultura?
— Oh, ele não te contou? — Pela expressão, ela devia estar fazendo uma anotação mental para puxar as orelhas do filho depois. — Temos uma floricultura, é uma gracinha, você vai amar!
— Uma... Gracinha? — Ele achou graça do tom dela e não conseguiu não imaginar Ariel com todo aquele tamanho de girafa entre flores e “gracinhas”.
Rika não percebeu que o filho acabava de ganhar um novo motivo para ser alvo das piadinhas do hospede e, se percebeu, se importou muito pouco.
— Pode buscar ele pra mim hoje?
— A gente vai ver o Ari? — Carrie pareceu ver algo mais interessante ali e deixou a brincadeira imaginária de lado para ir se abraçar às pernas da “Tia Rika”. — Eu não vi o Ari hoje...
— Ele foi trabalhar cedo. É um menino muito esforçado. — Ela se abaixou, mas não pegou Carrie no colo dessa vez. Jude imaginou que ela não quisesse cair dos saltos. — Então, Jude?
Bem, ele não podia negar um favor para alguém que estava dando um teto para ele e a irmã naquele mês.
— Se me explicar como chegar lá...
Ainda estava para nascer uma mulher mais decidida que Rika McFly. Ela não demorou mais que três segundos para remexer na bolsa pequena que carregava e tirar as chaves de lá.
— Você pode levar o carro, o salão não é muito longe daqui. — Se considerasse o que era distância, ele preferiria andar até a Austrália que andar até a esquina com aqueles sapatos que ela usava. — O endereço está no porta-luvas e, se precisar, tem um mapa também.
E ela não esperou que dissesse nada antes de passar pelo portão e sair estalando as pontas dos saltos pela calçada, andando mais rápido do que Jude imaginou que alguém seria capaz enquanto se equilibrava naquelas coisas.
Mulheres conseguiam ser assustadoras.
Jude olhou para as chaves e o chaveiro de E.T, O Extraterrestre, o encarou de volta. O garoto com o nome de uma das princesas da Disney trabalhava no meio de flores. Tudo certo.
Era melhor não se preocupar até ele aparecer de collant ou cantando alguma música irritante.
*
A floricultura Bonita Rosa não era conhecida por ser movimentada, mas aconchegante e com um atendente simpático.
Ela ficava no centro da cidade, junto com os outros poucos comércios no lugar pequeno e perto da única igreja do condado. Não era raro ver jovens, garotas e garotos, entrando e saindo dali pela manhã. Alguns apenas para matar o tempo antes de ir para a escola, que ficava a apenas duas quadras dali; outros, em busca de trocar algumas flores por beijos de quem quer que estivessem paquerando.
De tarde, eram os mais idosos que apareciam, por fim, quando começava a anoitecer, os adultos chegavam do trabalho e iam ali em busca de fazer um agrado para a esposas.
Ariel gostava de trabalhar ali.
Claro que não era o que gostaria de fazer para o resto da vida, mas tinha uma calma especial em ficar rodeado de plantas e ter o silêncio cortado pelos poucos pássaros que tinham o costume de invadir a loja pelos fundos, onde tinha um pequeno chafariz com uma fada de gesso que sempre estava na ponta dos pés e abria as asas na direção de quem entrava.
Era como se pudesse... esperar.
Não gostava do olhar de desgosto que o pai fazia quando entrava em casa. Queria seguir os passos dele, ao menos no início, e ter uma carreira como jornalista, mas não desejava ficar dando notícias de dentro de uma sala abafada para o canal local. Ele não queria dar as notícias escritas num papel, queria vive-las.
Queria colocar aquelas notícias no papel para que outras pessoas pudessem ler.
Ser como via na televisão, as vezes em que os repórteres se arriscavam na savana africana ou tentando interagir com a vida marinha. Queria muita coisa, tinha muitos sonhos e, ao mesmo tempo, se sentia um pássaro sem asas.
Sabia o que fazer, mas não como fazer. O plano inicial; conseguir uma bolsa e seguir o que a vida fosse lhe dando, tinha fracassado. E ele não se sentia motivado o suficiente para tentar de novo e de novo. E fracassar, de novo e de novo. E o salário de jornalista do pai não era bom o bastante para cobrir as despesas integrais de uma faculdade, nem mesmo se juntassem com os lucros da floricultura.
Suspirou. Talvez tivesse medo demais do futuro.
Estava acabando um pequeno ramalhete de flores e a tarde começava a se tornar noite quando ouviu a voz infantil com a que estava se acostumando nos últimos dias.
Carrie entrou se dependurando na maçaneta e tocando o sininho com mais força que o recomendado, levando um sorriso ao rosto do jovem pela expressão assustada da cliente que atendia.
— Princesa Carrie! — Se curvou quando ela se aproximou e sua recompensa foi um sorriso cheio de dentes pequenos e alguns faltando.
— Príncipe Ariel! — Ela agarrou as barras do vestido rosa e se abaixou numa mensura desajeitada.
A cliente não pareceu entender nada e Jude, que entrava agora, também ficou na mesma situação.
— Eu vim te salvar da torre! — Ela continuou, passando pelo balcão sem permissão e já se intrometendo no meio das flores, saindo das vistas de todo e deixando Ariel nem um pouco preocupado.
Jude ficou calado enquanto ele acabava o arranjo e dispensava a cliente, ainda por mais alguns minutos. Ele observava tudo, parecia surpreso e Ariel se perguntou o que ele foi fazer ali, mas não foi preciso verbalizar a dúvida.
— Sua mãe pediu pra eu vir te buscar... — Ele soltou, ainda sem olhar em sua direção e parecendo procurar a irmã perdida no meio das flores. — Que coisa é essa de princesa?
Ariel estava limpando o balcão das folhas sobressalentes que se soltaram do ramalhete, e parou ao ouvir a pergunta. Jude pareceu mais confuso ainda com o sorriso que abriu e Ariel reparou em como ele contrastava com as rosas brancas atrás dele.
Raymond tinha uma cor forte, lembrava café. E ele quase sempre vestia preto, o que o tornava intrigante e diferente, mas de um jeito bom. Ariel gostava muito de cores, mas nunca reparou muito nelas.
Era rodeado por rosas brancas, vermelhas e cor-de-rosa. Algumas amarelas e outras diversidades de flores que podiam lhe dar uma variedade ainda maior nas cores as quais ele nunca tinha realmente reparado.
As cores ficavam bem em Jude, não importando quais. Mas, claro, não abriria a boca para falar algo assim.
— É uma brincadeira nossa. — Deu de ombros, como se fosse explicação o suficiente e foi atrás de Carrie.
Ariel era alguém que se interessava rápido demais por pessoas que se destacavam em seu ponto de vista e achou melhor não ficar muito próximo ao outro garoto. Talvez não tivesse sido honesto com a mãe na conversa que tiveram na noite anterior e o evitado nos últimos dias, como fazia agora.
Mas aquele não era o primeiro balcão que Jude pulava e ele logo alcançou o mais alto pelo braço.
— Com medo de mim, príncipe Ariel? — Ele sorriu, os dentes abrindo um sorriso branco e um pouco amarelado, mas não menos bonito. — E não vem dizer que não. Você me evitou desde o cinema... É por causa da brincadeira ou...
— Ou?
Jude pareceu ponderar mais e, pensando melhor, soltou o braço do amigo e deu alguns passos para trás.
— Nada... você...
— Você tem quantos anos mesmo? — Ariel decidiu escolher algum assunto, ou ficariam ali naquele clima estranho para sempre.
Odiava silêncios desconfortáveis. Jude também.
— Hum... 18, e você?
O outro rapaz sorriu, esticando o pescoço para buscar por Carrie. Tudo estava bem enquanto não ouvissem o barulho de algo se quebrando.
— Fiz dezenove na semana passada.
— Espera... Você é mais velho que eu?!
— Sou... — Ariel ficou incerto quanto à resposta. — Isso é um problema?
— Não! — O negro voltou a sorrir. — É que você parece uma criança que cresceu demais. Não pensei que fosse tão mais velho!
— É só um ano! — E que implicância era aquela com a sua idade?
O sorriso misterioso que ele abriu trouxe preocupações a Ariel.
— A gente pode viver uma vida toda em um ano... ou não viver em um ano o que vivemos em um mês.
— Que profundo. — O maior levantou as sobrancelhas. — E você leu isso no para-choque de que caminhão?
A risada dele, Ariel tinha ouvido pela última vez só quando estavam no cinema. Era uma risada legal.
— Não sei. — Ele sacudiu os ombros. — Você gosta de música?
*
— Jude, para com isso!
— Você não ‘tá sentindo o ritmo, presta atenção, princesa!
— O que eu não ‘tô conseguindo é parar de rir!
Duas coisas eram muito claras naquela tarde; a primeira é que Ariel teria que lavar aquelas meias antes que a mãe desse por falta. A segunda, é que Jude Raymond tinha o ego grande o bastante para se comparar ao próprio Michael Jackson, e não era brincadeira.
O garoto negro estava há quinze minutos tentando reproduzir a versão perfeita do moonwalker e fracassando de maneira gloriosa. Já tinha levado três tombos e torcido o pé num ângulo estranho ao tentar se colocar na ponta dos dedos e o tempo todo ele levava a mão até o centro das pernas e dava o melhor gritinho afeminado que conseguia.
Falando assim, não parecia muita coisa, mas era uma prova de fogo tentar não rir das caras e bocas que ele fazia.
Ao menos, Billie Jean tinha acabado sem que ele conseguisse a proeza de chutar a própria boca nos passos elaborados que tentava copiar.
— Anda Ariel, para de timidez.
Era a quinta música do Rei do Pop que começava e a sexta vez que McFly negava o convite para fazer dupla com o mais velho no centro da sala, sentado ao lado de uma Carrie que parecia acostumada demais com cenas como aquela para que sequer cogitasse desviar a atenção dos rabiscos que fazia na lista telefônica.
— Minha mãe vai querer matar nós dois quando ver essa bagunça. — E só ele levaria o safanão, pois Rika tinha uma séria política sobre repreender os filhos de outras pessoas, uma vez que não gostava de ninguém tentando dar ordens ao dela. — Mas, se ela me matar, eu te levo junto.
— Se ela ver, branquelo. Deixa de ser careta. — E, dessa vez, Raymond não aceitou um “não” como resposta. — Vem, é a nossa música!
Black or White.
Jude era meio louco com aquilo de adorar lhe chamar de branquelo e tudo mais, mas Ariel não ligava muito, não era como o pai e, sinceramente, Raymond era um cara legal de mais para que pudesse se lembrar de se importar com a cor do outro garoto.
De repente, também estava dançando.
Ou tentando.
O bom de pagar mico com um amigo, é que a vergonha vira diversão no momento em que um ri da desgraça do outro. E desde quando pensava em Jude como um amigo? Bem, não que isso importasse muito. Ficaria mais que feliz se ele pensasse em si como um amigo também.
Só naquele momento que percebeu o quanto ele ficava bem de amarelo e a maneira que, apesar das gracinhas em busca de parecer hilário, ele até levava jeito para coisa. Mas havia algo indiscutível; a voz dele era ótima de se ouvir. Isso sim causava certa raiva em McFly, uma vez que ele mesmo parecia um alce morrendo quando tentava soltar a voz daquele jeito.
— Só me copia. — Agora Jude também estava rindo.
Francamente, Ariel tinha uns quase dois metros de altura e era como ver uma girafa andando de patins, mas ele ainda era bonito de se ver. Talvez de se tocar também…
— Aqui, branquelo… — Não pediu permissão antes de puxar ele pelo braço e fazer com que o garoto ficasse ao seu lado.
Agora sim, pareciam a Uma Thurman e o John Travolta do filme que tinham combinado de ver naquela noite e não tinha palco melhor que o centro da sala onde todos os móveis estavam afastados para que tivessem espaço. Podiam até arriscar alguns passos, mas Ariel não queria levar nenhum chute daquele garoto desengonçado.
Claro, a felicidade só durou até quando ouviram o barulho da chave girando no trinco.
E foi Ariel quem acabou lavando as meias no fim da tarde.
Fale com o autor