Quando pensei que finalmente minha vida tomaria um rumo normal, eis que ele aparece. O garoto que sempre morou em meu coração, ao qual fiz inúmeros textos demonstrando o meu amor, porém nunca os entreguei. A pessoa que, secretamente, entreguei meu primeiro beijo quando criança. Depois de torturantes anos sem contato algum, ele aparece completamente diferente. Sua personalidade terá também mudado? Terá ele se esquecido de tudo que passamos juntos? Conseguirei eu reunir coragem para cumprimenta-lo?

–Shin! – Fui despertado de meus devaneios pela voz da professora.

–Aqui! – respondi, erguendo o braço.

Percebi que várias pessoas se viraram para mim, para ver o rosto de quem tinha um nome tão diferente. Já estava acostumado com isso. Mas congelei quando percebi que ele estava entre os curiosos, me observando. Esses poucos segundos bastaram para acelerar meu coração.

Fiquei concentrado na chamada, quando seu nome foi chamado.

–Yato!

–Presente... –Sua voz mudou. Sua voz doce e alegre parece agora um sussurro rouco. Uma voz... Que de alguma forma conseguiu me arrepiar. Merda, estou virando um pervertido?

Depois de três aulas cansativas e entediantes, finalmente chega o intervalo. Ele saiu rapidamente, sem me dar tempo de alcançá-lo. Saí da sala, e desci as escadas para o pátio, onde Luna já me esperava. Luna, minha melhor amiga e confidente.

–E aí? Como está indo o primeiro dia de aula? Ei... Você está meio estranho... –Ela já percebeu. Como ela faz isso?

–Estranho? Não é nada... Então, algum gatinho? –Desviei o assunto.

Ela cutucou minha costela.

–Idiota. Sabe que eu não ligo pra isso –ela riu.

–Não liga para garotos? Prefere outra coisa? –Provoquei.

–Sim. Prefiro meus yaois. Agora trate de encontrar um boy para eu shippar vocês.

Aí está ela, a maior fujoshi do Brasil. Aprendi muito sobre yaoi com ela. Sei até mais do que gostaria...

–Ai! –Dei um passo para trás após ser atingido por uma bolada no joelho.

Um garoto de quase dois metros de altura e musculoso correu em minha direção. Peguei a bola do chão e entreguei a ele.

–Desculpe, mocinha. –ele riu e deu as costas a mim.

–Beleza, então esse cara já sabe sobre mim. Ótimo. Não terei paz aqui também. –Comentei com Luna. Apenas tive intimidade o bastante com Luna para falar sobre minha preferência sexual. Mas tempos atrás, alguém me ouviu comentando sobre isso com Luna, e o caso acabou se espalhando.

–Não liga pra isso. É só ignorar. –Luna me confortou.

–Sim... Vamos sentar?

–Yup, tem um banco ali. –Ela apontou.

Não dei nem um passo completo e reparei em Yato me olhando, a apenas meio metro de distância. Será que ele ouviu? Ele vai me zoar também? Por favor, não faça isso...

Mas ele simplesmente continuou andando, e não me olhou quando passou a minha frente.

Luna e eu nos sentamos no banco, e logo falei:

–Luna.

–Sim?

–Se lembra da história que te contei uma vez? Sobre o garoto que sempre amei desde pequeno?

–Me lembro sim... Por quê?

–Ele está aqui. Aquele garoto que passou na nossa frente, de piercing no lábio e cabelo comprido.

Um silêncio constrangedor se fez.

–O QUÊ? –ela grita.

Vários rostos se voltaram para nós por alguns segundos.

–Luna. Cala a boca.

–Calar a boca? Como assim? E... esse cara é completamente diferente do que você me descreveu!

–Eu sei... mas é ele mesmo. Yato. Mesmo se não soubesse seu nome, nunca me confundiria.

Realmente, eu nunca confundiria meu primeiro e único amor. Um amor agora que parece muito distante. Ele se lembra mesmo de mim? Se lembrar, deve me desprezar agora, por saber que sou homossexual, não é? Afinal, éramos crianças quando o nosso “romance” aconteceu. Um romance puro e verdadeiro, que guardei como uma preciosa memória.

Notas finais
Comentem, deem sugestões! Adorarei lê-las :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.