Cabelos cor de lua

3 Capítulo 3: A seleção


Notas iniciais
Olá, pessoinhas!! Boa leitura pra vocês e beijinhos de luz ♥

Eu estava nervosa e com raiva. Quem esse menino com o cabelo grudado na cabeça pensa que é? O trem parou e encontramos Hagrid esperando por nós. Tiago me cutucou e disse baixinho:

— Não liga, Anne. Malfoy é um idiota às vezes.

Só assenti com a cabeça. Hagrid nos levou até barquinhos que flutuavam sozinhos. Ao chegarmos naquele imenso castelo, eu comecei a ter enjoos de tão nervosa que estava me sentindo, uma mulher alta e magra, com um chapéu pontudo chegou até nós para nos recebermos.

— Sejam bem-vindo a Hogwarts! Eu sou a diretora Minerva Mcgonagall. Agora, serão selecionados para suas casas, são elas: Grifinória, Lufa-lufa, Corvinal e Sonserina. Suas casas são como sua família e explicarei como funciona a taça das casas no salão após a seleção! Por favor, entrem em fila. — Disse ela confiante e firme.

Entramos em fila, era simplesmente enorme e o teto parecia o céu lá fora, todo estrelado, fiquei encantada e boquiaberta. Muitos alunos esperavam por nós em mesas gigantes e compridas. A diretora nos levou até o chapéu seletor, que ela explicou que ele nos selecionaria para nossas casas, achei bizarro, mas Tiago já havia comentado que o chapéu faria essa tarefa, fiquei imaginando como. Ela disse que nos chamaria de acordo com a ordem alfabética dos nomes.

— Alvo Severo Potter. Por favor, sente-se. — Disse a diretora.

Alvo parecia nervoso, mais do que já estava no trem. O chapéu começou a se mexer e uma boca surgiu em meio ao tecido marrom abarrotado. Alvo ficou um tempo com o chapéu e de repente ouve-se uma resposta:

— Sonserina!

Alvo parecia mais branco do que o habitual, mas seguiu para a mesa que indicava ser da Sonserina e foi recebido por muitos aplausos. Então, a diretora continuou:

— Anne French.

Nem preciso dizer que eu estava tremendo, tenho certeza de que meus cabelos mudaram subitamente para cobre, mas de repente os vi mudar para cinza. Ele não se decidia, pois eu estava com um medo absurdo, mas também estava muito envergonhada, senti olhares curiosos sobre mim e começou a ecoar conversas embaralhadas pelo enorme salão, me sentei no banquinho e a diretora colocou o chapéu na minha cabeça, ele começou a murmurar:

— Veja só, uma metamorfomaga, que interessante! Lembro de seus pais, foram bruxos esplendidos. Você parece ser uma garotinha muito corajosa, sim, muito. Tem o hábito de observar bem a sua volta, mas vejo um desejo oculto, uma vontade de provar seu verdadeiro valor...Hum, vejamos...Acho que SONSERINA!

Me arrepiei instantaneamente, desci do banquinho ainda tremendo e me juntei a Alvo na mesa da Sonserina. O que Tiago havia me dito no trem, sobre o pessoal da sonserina, ecoava na minha cabeça. Será que eu me tornaria uma bruxa sombria também? Não. Não quero isso.

A seleção continuou. Dominique foi para a Grifinória e Rose para Corvinal. Olhei para Alvo ao meu lado e vi que ele estava muito assustado, então sussurrei pra ele:

— Ei, está tudo bem. Não seremos bruxos sombrios, vamos ser os que são diferentes disso tudo. Vamos nos sair bem. — Eu disse em tom compreensivo.

— Obrigada, Anne. Só acho que não estava preparado para ouvir o chapéu seletor. — Disse ele baixinho e um pouco tristonho.

Estava tentando me recompor quando ouço aquela voz irritante.

— Pois não é que a cabelo cor de lua entrou pra Sonserina? Seja bem-vinda. — disse Scorpius em um tom irônico e abusado.

— Obrigada, cabelo grudento pela ótima recepção, não esquecerei disso. — Eu disse no mesmo tom que recebi.

— Além de esquisita, é abusada. — Rebateu ele.

— Pouco me importa o que você acha de mim, algo tão insignificante não me atingiria. — Falei com raiva.

— Por favor, parem, vocês parecem dois malucos discutindo. Malfoy você é um idiota, deixa a menina em paz. — Disse Alvo, num salto de desespero.

— Pode deixar, Potter. Não vou gastar minhas palavras com a esquisitinha aqui.

Scorpius foi sentar ao lado de meninos mais velhos, eu virei para Alvo e disse:

— Obrigada, mas ainda vou quebrar o nariz empinado que ele tem.

Rimos baixinho e então um banquete surgiu bem debaixo dos nossos narizes. Estava ótimo, nunca tive comida em abundancia assim, no orfanato tudo era milimetricamente distribuído, pois erámos muitos e não recebíamos muito dinheiro, tudo que entrava para o orfanato, era por meio de doações.

Depois de comermos, o monitor da Sonserina nos levou até a sala comunal, ele nos apresentou e nos guiou até os dormitórios. Eu estava exausta, era muita informação para absorver, pensava em tudo que eu não tive e agora tenho, roupas, muita comida, uma companheirinha que dormia serena nos pés da minha cama, mas dúvidas ressoavam na minha cabeça, ainda pensava em quem seria Antonie French e por que todo mundo dizia que meus pais foram bruxos esplendidos? Eu buscaria por respostas amanhã. Tudo parecia tão surreal, mas então lembrei do Scorpius, aquele menino metido...Arhg...ele ainda vai ter o que merece por me chamar de esquisita, não vou deixar nenhum idiota arrogante me insultar na frente dos outros! Percebi que meu cabelo ficava num tom de rosa muito bizarro quando eu pensava no Malfoy, não lembro de rosa ser a cor do ódio, em meio a minha confusão, com a imagem do Scorpius na minha cabeça e ainda com os cabelos rosados, apaguei.