Cabelos cor de lua

1 Capítulo 1: A carta


Notas iniciais
Olá, Pessoinhas! Espero que gostem da história, fiquem à vontade para escreverem nos capítulos, toda forma de expressão sem violência é bem-vinda. Beijinhos de luz ♥

Tudo estava estranho naquele dia, eu estava nervosa e muito triste. A vida no orfanato Hill não é muito alegre, ainda mais quando se é tão esquisita como eu, tenho alguns problemas estranhos, meu cabelo muda de cor se meu humor fica alterado, antes eu não conseguia controlar, mas depois de ser chamada de aberração tantas vezes pelas outras crianças e pelos cuidadores do orfanato, tento ao máximo controlar todos os tipo de emoções e acabo não expressando nenhuma, mas às vezes é quase impossível de esconder. Muitas coisas bizarras acontecem e eu não sei explicar nenhuma delas, alguns objetos flutuam do nada ao meu redor e os vitrais já se quebraram várias vezes quando fico com muita raiva. A única pessoa que parecia me compreender era a Senhora Dinn, ela dizia que eu era especial e que eu deveria aguardar o momento em que me chamassem pra fazer parte de algo muito maior, isso me deixava um pouco mais alegre, questionei-me inúmeras vezes, quem será que vai me chamar? Será que é algum tipo de padre pra fazer alguma reversão do que eu sou? Pois bem, minhas perguntas ficaram ainda mais frenéticas, quando achei uma carta destinada à mim, ela estava encima da minha cama no dormitório do orfanato, eu analisei a carta e fiquei muito confusa, quem me mandaria uma carta? Eu nem sequer tenho familiares! Na carta dizia:

Srta. Anne French.

Cama seis do dormitório feminino.

Orfanato Hill.

256. Pyle Hill.

Westflield

Surrey.

Na parte da frente um selo com um H muito majestoso. Eu estava arfando, nunca tinha recebido uma carta, como eles sabiam o número da minha cama? Será que estavam me espionando, eu já havia lido várias histórias sobre pessoas que são espionadas e geralmente acaba num final trágico.

Respirei fundo e abri. O que eu li não fez sentido algum, fiquei confusa e decidi procurar a única pessoa que era capaz de me compreender. Desci as escadas correndo, mas quando cheguei na sala principal, todas as crianças e o pessoal do orfanato, incluindo o Padre Hellman, estavam em um circulo muito fechado, com uma cara nada boa, a expressão deles era de horror. Quando me aproximei, vi a Sra. Dinn no chão, ela não reagia aos gritos e nem as sacudidas que ganhava do Padre Hellman, naquele instante, olhei para o lado e vi a Sra. Dinn, ela sorria pra mim e estava muito pálida e parecia até estar transparente, ela sussurrou no meu ouvido: não se preocupe, querida Anne, um velho amigo virá buscá-la e levá-la a Hogwarts.

Tudo parecia um pesadelo, não consegui esconder a minha tristeza e meus cabelos se revelaram um preto sombrio, me escondi embaixo da escada, enquanto o corpo da Sra. Dinn era levado pelos paramédicos. Corri para o dormitório, não queria que ninguém visse os meus cabelos que eram brancos, se transformando em preto subitamente, já bastava a tristeza que eu estava sentindo, eu não aguentaria ver os olhares de indiferença das outras crianças. Me escondi debaixo das cobertas, mesmo sabendo que era proibido ficar no dormitório durante o dia, o Padre Hellman convocava a todos lá embaixo, pelo que eu ouvi ele faria um pronunciamento sobre o ocorrido, não me atrevi a descer para ouvi-lo, só fiquei ali, deitada, chorei até cair no sono.

Eu estava sonhando com a Sra. Dinn, nós duas estávamos num campo com muitas margaridas brancas e eu me sentia no céu por estar com quem eu tanto gostava, mas fui arrancada do sonho por um cutucão muito forte, quando abri os olhos um rosto coberto por uma barba grossa e embaraçada, olhos pequenos e castanho escuro, só posso dizer que era a maior pessoa que eu já tinha visto.

— Olá, Anne. Desculpe-me por acordá-la assim, mas precisamos ir, você precisa comprar os materiais e ir para estação pegar o trem. Lamento pela Dinn, ela era uma amiga muito querida. — Disse o homem enorme num tom muito gentil.

— M-mas o quê? Trem? Olha, isso deve ser um engano, nunca andei de trem. Nunca sai do orfanato. Quem é você? — Disse eu, no tom mais confuso que você possa imaginar.

— Hagrid. Rúbeo Hagrid. Eu explico no caminho. Agora precisamos mesmo ir. — Ele disse em um tom apressado.

Eu estava assustada e não sabia se podia confiar em um gigante, mas a Sra. Dinn mencionou um amigo que viria me buscar, mesmo indecisa, levantei e coloquei uma das duas peças de roupas que eu tinha, peguei o casaco e segui o gigante de barbas cheias até a porta de trás do orfanato, não consegui conter minhas emoções de novo e meu cabelo começou a ficar num tom branco acinzentado e eu sabia que significava que eu estava com muito medo. Ao sairmos o gigante me olhou com um olhar curioso.

— Dinn não estava errada, você é mesmo uma garotinha especial, pois bem, Hogwarts vai receber uma metamorfomaga.

— Uma metamorfo? Meta o quê? — Eu disse parecendo mais assustada do que já estava.

— Uma matamorfomaga, são bruxas que conseguem mudar sua aparência física, são muito raros os metamorfomagos, você vai aprender a controlar isso em Hogwarts.

Eu realmente não sabia o que esperar daquela situação toda, fiquei pensando se sentiriam minha falta ao ver que sumi do orfanato, provavelmente pensariam que eu fugi, já havia tentado várias vezes, mas a Sra.Dinn sempre me achava encima do muro do orfanato pronta pra pular. Senti uma dor enorme ao lembrar que não a veria mais.

Pela primeira vez eu estava fora dos alcances do orfanato, o céu até parecia mais estrelado e a brisa que batia em meu rosto era renovadora, senti os meus cabelos voltando a cor branca habitual e a calma retornava devagar. Fui arrancada dos meus pensamentos por Hagrid que dizia:

— Você vai adorar Hogwarts, vai fazer muitos amigos lá e vai aprender feitiços e poções! — Disse ele muito animado.

De repente me dei conta que já não sabia mais o que eu era.

— Ahn, Rúbeo Hagrid? O que exatamente eu sou?

— Você é uma bruxa, Anne!