Caídos

6 "Salve-me da escuridão. Salve-me do nada que eu me tornei."


Notas iniciais
Desculpem pela demoraaa! Esse final de semana tive que estudar, mas já to de volta, e vou tentar postar o mais rápido possível. Boa leitura e não esqueçam de deixar um comentário, algumas coisas estão prestes a serem desvendadas...

– Suas atitudes são refletidas em tudo aquilo que você deseja para seu futuro. – A palma da minha mão já suava de tanto segurar o telefone. Fazia horas que eu estava sentada na minha penteadeira, encarando aquela garota loira e estranha no espelho enquanto falava com a minha mãe ao telefone.

Aquele não era um típico discurso de o quanto eu estava errada, ou que eu não devia fazer esses tipos de coisas. Na verdade, era um discurso de como isso iria influenciar na nossa relação: pai e filha, mãe filha, pai e Estella, mãe e Estella.

Minha mãe era daquelas que se preocupava mais com as relações em família do que com a educação escolar, é obvio que eu levava milhares de broncas por causa da escola, mas nunca ao ponto de ter que ficar mais de 3 horas no telefone. Isso tudo era apenas uma ceninha na verdade, meu pai tinha feito à parte dele, e agora ela estava fazendo a dela, e o negocio é que ela só não queria que Estella roubasse o lugar dela de mãe.

Eca, isso nunca ia acontecer. E era isso que eu também tentava explicar para mamãe, fora o fato de que eu não tinha começado uma briga e só estava no meio dela por causa de dois meninos idiotas que não se gostavam. Idiotas, porem lindos.

– Eu já entendi mamãe... – Meus resmungos não serviam de nada, ela continuava a falar e falar sobre ética e todas as coisas chatas – Eu sei mamãe. Claro, claro, eu vou fazer.

– Filha eu só quero que você entenda que não vale a pena mudar por garotos, para eles gostarem de você, seja você mesma.

– Mas eu não mud...

– Eu sei querida, eu sei. Apenas fique longe de encrencas, tente obedecer a seu pai...

Um frio gelado entrou pela janela e eu me encolhi ainda olhando para o meu próprio reflexo no espelho. Me virei para encarar a janela escancarada, o que era estranho porque eu tinha certeza de ter fechado antes de ligar para minha mãe. No momento eu não escutava nenhuma palavra do que minha mãe dizia.

Levantei da cadeira e fui até a janela, inspirando o ar do começo da tarde. Aquele era o dia típico de outono: sol tímido por de trás de nuvens carregadas de chuva, um arco-íris ao longe da ultima chuva há poucas horas atrás, folhas caindo das arvores e o típico frio de todo dia.

Debrucei-me um pouco no parapeito para poder alcançar um dos trincos do lado de fora e foi ai que eu vi, linda e reluzente como da ultima vez. E novamente a pena preta parecia me chamar como se tivesse algo muito importante a me dizer. Apenas o pensamento de que eu poderia finalmente toca-la e sentir sua maciez, me deixou completamente maravilhada.

Deixei o celular cair aos meus pés e pude escutar ao longe minha mãe tagarelando. Eu não ligava, eu apenas queria pegar a pena e guarda-la comigo.

Estiquei minha mão e apenas com a ponta dos meus dedos eu consegui toca-la e alguns segundos depois disso a pena flutuou e flutuou na minha frente, me levando para a escuridão que era como sua própria cor.

***

De inicio, eu não estava entendo muito bem o que estava acontecendo e de todos os barulhos de pássaros que eu escutava, foi quando eu abri meus olhos que eu me assustei com o lugar onde eu estava.

A floresta parecia me engolir com todas as suas grandiosas arvores, os raios de sol que antes pareciam tão fracos vistos do meu quarto, agora eram fortes e penetravam em todos os cantos da floresta, ou eu imaginava que era uma floresta. Nunca tinha vindo para essa parte da cidade, e o medo de como eu tinha conseguido chegar ali começava a me dominar.

Abracei meus braços descobertos e olhei a minha volta com um muxoxo estampado na minha cara, quais seriam minhas opções no momento? Forcei meus pés a se mexerem e dei alguns passos antes de escutar um farfalhar de folhas sendo pisadas e vozes vindo em minha direção. Me escondi atrás de uma árvore e fiquei paralisada enquanto escutava as vozes cada vez mais perto.

– O que você queria que eu fizesse? Fica-se ali parado enquanto ele me provocava? Não obrigado.

– Você só se meteu nisso por causa dela, e esse não era o seu trabalho.

Anna! Anna estava ali, eu poderia reconhecer aquela vozinha em qualquer lugar. Meu corpo relaxou um pouco e eu me permiti espiar com quem ela falava. O movimento não foi tão brusco, mas me fez cair de cara no chão. O barulho foi imenso, mas ninguém pareceu notar.

Anna continuava a falar e gesticulava impacientemente suas mãos e unhas, que agora estavam pintadas de azuis, para a figura que até então estava de costas. Meus olhos se arregalaram ao ver que na verdade a figura era um Daniel muito p da vida.

Coloquei minhas mãos no chão para poder levantar, mas um grito de dor irrompeu por todo o ar quando tentei colocar meus pés no chão. Olhei para baixo com pesar e passei a mão por sobre o tornozelo direito que estava vermelho e dolorido ao toque.

– Anna! – Gritei, mas a pequena figura da garota continuava a conversar – Daniel!

Os dois ainda estavam envoltos na conversa e com toda a dificuldade do mundo eu me levantei e mancando tentei colocar mão no ombro de Daniel, que estava mais perto.

Como um fantasma minha mão apenas atravessou seu ombro e com todo o seu peso, caiu ao lado do meu corpo. Tentei passar novamente a mão em Daniel, dessa vez tentando tocar o seu rosto. Nada. Caminhei o mais rápido que o meu tornozelo me permitiu até Anna, repetindo o mesmo processo de segundos atrás. Nada novamente.

Algumas lagrimas caiam do meu rosto com todo o nervosismo. Minhas mãos tremiam, juntamente com as minhas pernas. Mas que merda estava acontecendo?!

– Independente do trabalho de quem for nós temos um deles na nossa escola.

– Daniel, você não pode deixar as emoções te dominarem.

– Você não sabe o quão difícil é ter de ficar longe dela, ainda mais com aquele cara por perto.

Anna abaixou a cabeça e mexeu nas folhas com as pontas do pé, como uma criança quando leva bronca dos pais.

Tentei acompanhar a conversa, meu cérebro trabalhando a mil tentando decifrar sobre quem eles falavam. A única encrenca que Daniel tinha se metido até agora fora com Sebastian, e única garota que estava envolvida, pelo menos era o que eu pensava, era eu mesma. E então?

– Por meses eu a observei Anna, e por meses eu não pude chegar perto dela. Essa é minha única oportunidade de finalmente poder ajuda-la.

– Por Deus Daniel! Qual finalidade disso tudo? Todos sabem o que vai acontecer, nem mesmo sabemos se é realmente ela!

Daniel agora encarava Anna como se ela o tivesse socado diversas vezes na cara, mas seu olhar não era de ódio, era de compreensão e... Tristeza? Como alguém como ele podia ficar tão invulnerável até mesmo quando se estava assim?

– Eu sinto – Ele se aproximou dela e lhe deu um beijo na sua testa, seguido de um abraço – Eu apenas sinto Annabelle.

– Emma pode ser um pouco durona.

– Eu sei, eu sei.

Annabelle quem? Eu apenas observava os dois, era como se eu estivesse no cinema e eles fossem o filme que eu tanto esperava para ver. E aquele filme era sobre mim.

Eu não percebi quando ou o porque de Daniel ter tirado seu casaco e o jogado no chão, eu só me dei conta do que acontecia alguns segundos depois. Foi tudo tão rápido e estranhamente lindo.

Como uma explosão de negritude, surgiram assas pretas das costas de Daniel. Cada uma devia ter seus dois metros e eram de uma beleza estonteante, elas se moviam lentamente conforme seu peito subia e descia com sua respiração. As penas reluziam com o sol e pareciam se encachar uma a uma perfeitamente.

Algo no meu subconsciente me fazia encarar aquelas penas como se o mundo dependesse disso, não o mundo. Eu precisava disso, porque era por causa de uma pena igualmente preta como aquelas que eu estava aqui.

Dessa vez eu gritei o mais alto que pude e o medo foi me dominando por completo e novamente eu fui levada para a escuridão.

Fios de cabelo loiro grudavam na minha testa suada, lagrimas desciam descontroladamente pelo meu rosto. O medo de abrir os olhos e estar novamente na floresta já era demais.

Uma mão afagou o meu cabelo e me puxou para mais perto. Imediatamente eu abri os olhos e a sensação angustiante aos poucos deixou o meu corpo ao ver que eu estava no meu quarto.

– Shiiii – Estella estava sentada ao meu lado e tentava desesperadamente me fazer deitar na cama novamente – Esta tudo bem Emma, está tudo bem.

Eu não entendi porque era Estella que estava ali me consolando e não meu pai, mas ver que alguém finalmente podia ouvir meus gritos ou até mesmo tocar no meu cabelo me fazia derramar lagrimas e mais lagrimas de puro alivio.

Agarrei-me a Estella com toda a força que pude e como se fosse à coisa mais simples no mundo ela me embalou nos seus braços e passou a mão repetidas vezes no meu cabelo até que meu choro cessasse.

Finalmente, abraçada a Estella e com todas as emoções acalmadas, eu me peguei espiando para a janela. A escuridão da noite invadia o quarto e junto dela a pena preta reluzia no chão.

Notas finais
E então, o que acharam? Deixem um comentário, faz bem para a alma do autor e também ajuda a ter inspiração. Obs: No próximo capitulo, vou tentar explicar o que realmente aconteceu com a Estella e a Emma. Obs²: Eu sei que muitos de vocês devem imaginar os personagens de jeitos diferentes, mas no próximo capítulo, como um bônus, vou colocar as fotos dos atores que me inspiraram para os personagens, okay? Beijooos e até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.